Notas iniciais
Esse é um pequeno prólogo para vocês saberem como vai ser o desenrolar da história.
Qualquer duvida podem me perguntar, tanto pelos comentários, tanto pela mp.
Criticas construtivas e comentários fofos são bem vindos!
Bem Vindos ao mundo de Lyt.

- Quando eu pequena, eu sempre me perguntei por que as pessoas não conseguiam ver a beleza na crueldade. A beleza no sangue escorrendo sobre a pele a esfriar. No mínimo essa visão é enfeitiçadora. Viciante – Lynnet sussurrou ao vento. O mesmo vento que fazia seus longos cabelos pintados da cor de cobre dançarem no ar. A sua mecha branca tinha se soltado de trás da orelha pontuda, não demorou para que a menina a comporta-se de novo. Odiava a parte embranquecida do seu cabelo. Poderia pintar seus fios de qualquer cor, mas aquela mecha sempre ficava pálida.

— Porque elas têm medo do que elas realmente são. E disfarçam sua natureza — Sua avó respondeu mesmo não estando presente mais naquele plano. — Todos nós somos monstros, uns mais outros menos. Mas alguns foram queimados, alguns não esconderam sua origem. — Ela deu uma longa pausa na fala. — Qual é mesmo o nome daquele jovem inglês que falou o homem é o lobo do próprio homem?

Lyt riu baixinho, sua avó tinha falecido com um pouco mais de 500 anos, morreu de mal gosto, dizia que ainda viveria mais, era tão venha quanto as árvores secas de Wiltshire. Não é a toa que chamava o filósofo de garoto. — Hobbes, vovó. Você não conhecia ele?

— Provavelmente. — Se a bruxa mais nova estivesse morta, veria sua vó dando os ombros. – Mas eu tenho que ir.

— Coisa de gente morta?

— Coisa de gente morta. — As duas riram e a ligação espiritual foi selada.

Lyt estava sentada no pé da varanda em uma das casas suntuosas de condado de Wiltshire, mexia seu colar, que tinha uma pedra de ônix como pingente, despretensiosamente. O livro que lia estava justamente aberto na página que falava sobre o equilibro de todo o universo.

Roda Viva

~~*~~

Vidas se vão, novas almas nascem. Gritos se misturam com gemidos de prazer, a vida vai caminhado tímida, mas nunca parando, do seu lado está sua irmã, a morte, se certificado que nada tome para si o infinito. Tudo vai acontecendo e a Roda Viva não para de girar.

Guerras são terminadas, tratados de paz quebrados, irmãos se voltam contra seus familiares, a grande mãe chora, mas não pode ela intervir pelos seus pequenos filhos, e uma pequena parte dela morre por causa disso. A Roda ver tudo, ela é tudo, e continua girando e girando.

Não se sabem quem surgiu primeiro, a Roda moldada pelo caos e o silêncio da paz ou a deusa mãe, aquela que nunca mostra a face, mas seu sopro refresca a todos.

Reinos nascem e declinam e a Roda somente gira. E Farrha e Akie junto com os seus livros estão lá sentadas, não como se fossem as donas do destino, mas duas simples servas. Cabe as duas impedir que a Roda pare de girar, para assim o mundo não cair em ruína.

Deu um grande suspiro. Tudo que as pessoas viam como lendas ou histórias para crianças dormir era a sua realidade. Sua família e todas as outras criaturas tinham aprendidos a guardar seus segredos muito bem. Afinal, ninguém queria ser queimado na fogueira.

Folheou o livro mais uma vez e o fechou. Não estava com cabeça para ler como o mundo quase acabou. “Quem se importa?” pensou. Ninguém sabe mais sobre a Roda Viva mesmo. E mesmo se soubessem, não acreditariam. Falariam que a Grande Guerra de Garráh era só mais um conto de fadas.

Não era, e Lyt trazia em seu sangue essa prova.

Levantou- se e foi andando a passos lentos para dentro da casa. Seu caminhar era devagar e pesado, assim, toda vez que sua bota de salto fino batia no chão de madeira negra, um ranger aconchegante preenchia a casa da sua namorada.

— Mag? O que você está fazendo?

— Bem minha querida, eu vivo em um lugar que parece que não saiu ainda do feudalismo, o que não é muito legal, já que eu sou uma bruxa. Então, não tenho muitas opções.

— Hahaha. Muito engraçado mesmo. — Lyt deu uma careta. — Estamos atrasadas para o baile.

— Atrasadas para se encontrar com aqueles religiosos malucos. Blah.

Lyt riu, achava Wiltshire bem encantador. As casas em sua grande maioria eram feitas o de pedras ou de tijolos artesanais, tinha muito verde e colinas. E o riacho mais lindo que os olhos poderiam avistar. Era um condado bem antigo, que emana muita magia, o que deixava tudo mais acolhedor. — E sei que parece que o tempo parou aqui. Por isso eu gosto. E não me venha com esse papo, eu também sou uma bruxa. E você sabe que em Wiltshire tem as melhores pedras para feitiços e poções.

— Para você é fácil. Seu pai é o Lord-Lieutenant, o que lhe tornar uma representante da monarquia aqui. Você é da nobreza mi amour Duvido que algumas daquela beatas loucas tenham coragem de te expulsar daqui.

Lyt revirou seus olhos cor de fogo seco. — Não se esqueça que você é a filha da banqueira da cidade. Quanto ao meu título. Minha querida, estamos em 2015, você acha que as pessoas além daqui se importam com isso? Estou tranquila. — Sorriu e roubou um beijo da outra. — Agora, já parou para pensar como seria se nós vivêssemos no passado? Em Magnólia?

— Não, prefiro pensar em nós duas vivas. — Mag afastou a outra e foi em direção das escadas. — E você sabe que eu odeio o meu nome. Quem dá um nome desse para uma pobre criança?

Lyt levantou suas mãos para cima em sinal de redenção. — Mudando de assunto. Já pensou como iriamos abalar a alta sociedade com o nosso romance? Como seria tudo mais sexy em nós nos encontramos às escondidas? — Agora os olhos avermelhados de Lyt brilhavam.

— Lynnet Blaidd – Mag adorava falar o nome da namorada completo, sabia que Lyt odiava ele também. — Que seja, não quero discutir com você, temos que pegar Cassandra no porto. E já estamos atrasadas, e ainda tenho que terminar as minhas tranças. Sem tempo para namoro agora. Vou subir e volto em alguns minutos. Não faça nenhuma besteira nesse tempo. E por favor, guarde o livro que você pego da minha mãe onde você0 achou. Você sabe que ela preza por organização em primeiro lugar.

— Sim senhora. — A mais baixa respondeu ironicamente. — Espero que tudo der certo no baile anual de Wiltshire.

— Vai dar sim. — Magnólia falou já do alto da escada. — Agora bote um óculos escuro, ninguém precisa ver a cor verdadeira do seus olhos.

Notas finais
Gente, não se esqueçam de passagem pelo blog: http://burnusoficial.blogspot.com.br/
Nele vocês encontram curiosidades sobre os personagens, fotos e muito mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.