Buried Alive
1 The New Begin
Notas iniciais
Boa leitura.
Eu os vi. Ali, de frente para mim. Com o ódio estampado em seus olhos. Com o sorriso de vingança iluminando a minha sala, a sala de minha casa. A frieza me atingia de forma descomunal naquele pequeno esconderijo.
Eu olhei para aquele massacre, para a crueldade e eu não podia acreditar. Meus olhos estavam secos, não por falta de vontade de chorar, mas porque minha mente ainda não conseguira digerir o acontecido. Meu corpo estava rigido e eu não conseguia formar expressões, eu não conseguia me mover. Eu permaneci parada, de joelhos olhando pela fresta na porta do esconderijo que deveria ser a salvação. Deveria. Talvez para mim fosse, mas naquele momento eu não podia pensar.
Eles sorriram mais uma vez e cuspiram sobre os corpos estendidos no chão. Ouvi ainda rigida o som estrondoso da gargalhada extrema e sincronizada. Eles subiram as escadas e por alguns minutos a única coisa que eu podia ver era imagem de dois corpos estendidos no chão que a esta altura parecia um rio de sangue. Os degrais da escada rangeram e eu os vi novamente se aproximarem do corpo. O homem, alto e com músculos que estavam a um triz de rasgarem sua pele, se abaixou e colocou o que me pareceu ser um papel na gola da camiseta do homem morto.
Logo após outra risada sincronizada eles saíram e me fizeram extremecer ao escutar o estrondo da porta sendo fechada violentamente por, imaginei ser, o homem com cara de monstro.
Um segundo depois, senti meu corpo extremecer novamente, desta vez me trazendo para a realidade. Meus olhos que minutos atrás estavam secos, agora, estavam repletos de lágrimas. Meu coração que batia controladamente deu um solavanco e se encolheu. Eu, pela primeira vez senti a dor que aquele momento, aquela situação necessitava. Eu encarei o que a realidade queria me dizer.
Saí do esconderijo e fui cambaleando até os corpos no chão. Meus joelhos cederam e eu pude sentir a dor do atrito deles com o chão. Mas esta dor não significava nada comparda ao que a cena em minha frente proporcionava. Procurei pelo papel que o homem de minutos atrás havia depositado sob meu pai. O achei, sujo de sangue e com uma letra bem marcada descrevia:
Feito.
Eu guardei o papel no bolso de meu casaco e fitei novamente o corpo de meu pai e de minha mãe. A expressão deles era de dor. Em seus olhos eu ainda podia ver o sofrimento, a angústia. Deixei que minhas lágrimas caíssem em cima deles e uma delas atraiu meu olhar. Ela se direcionou atéo encontro dos corpos e ali suas mãoes estavam entrelaçadas. Apoiei minha mão sobre a deles e pude sentir o barulho de algo caindo no chão. Separei suas mãos e vi um colar com um pingente em formato de gota e de cor de sangue.
Senti as lágrimas saírem com mais força de meus olhos e neste momento eu senti ódio. Ódio daquelas pessoas, ódio do mundo, ódio da vida. Eu senti ódio de mim mesma. Meu coração se acelerou e a dor que eu já sentia aumentou-se ainda mais. Eu apertei o colar e deitei meu corpo sobre o deles. Eu estava sozinha, eu havia perdido tudo. Eu havia perdido o amor, o carinho, o sentido, a vida. Esta última eu já não me importava em perder, ela fora tão injusta e traiçoeira. Ela fez com que o meu ápice de felicidade se tornasse na maior tragédia. Ela me despedaçou, fez de mim meros cacos no chão. E agora tudo o que eu tinha era dois corpos entendidos e mortos sobre o chão e ódio.
Mais que belo presente de aniversário!
Somethings are out of my hands
I'm what time and consequence have made me
Sit back and watch the world explode
321 here come the fireworks, baby
XxX
Era o meu aniversário e eu decidi comemorar somente com as pessoas que mais me importavam. Com meus pais, Marcos e Angela. Eu estava tão feliz. À noite nós saíriamos para uma pizzaria e durante o dia nós ficariamos a sós. Somente nos três, comendo pipoca, rindo com os filmes de terror e chorando nos de comédia. Nós preparamos um almoço especial e quando a noite já apontava no horizonte eu resolvi me arrumar. Subi para o meu quarto e assim que saí do banho vi minha mãe com uma expressão de espanto em seu rosto.
-Mãe? O que aconteceu? – perguntei sorrindo e pulando em seus braços.
- Filha, eu e seu pai lhe amamos. Nós nunca fariamos nada para te machucar, magoar. – Ela disse enquanto me abraçava forte.
- Eu também amo vocês mãe.
Ouvimos um risada que me fez arrepiar. Não era a risada do meu amado pai. Minha mãe extremeceu e eu vi seus olhos encherem de lágrimas.
- Eu sempre estarei com você, Elisabeth! Não se esqueça disso.
— Mãe, quem está aqui?
- Você precisa ir para aquele esconderijo, seu pai vai brincar com você de esconde-esconde.
— Mãe, meu pai me acharia facilmente. – eu disse dando um tapinha em sua testa.
- Ele se esqueceu do esconderijo filha. Eu preciso que você se esconda e só saia de lá quando nós te acharmos, entendeu? – ela disse tentando sorrir.
- Tudo bem mãe. – eu revirei os olhos e ela sorriu.
- Então vá e não sai de lá mocinha. Nós te amamos! – mamãe me deu mais um beijo e eu fui correndo para o meu esconderijo.
XxX
- Por que mãe? Por que? Vocês não podem me deixar! – eu disse ainda chorando.
Sometimes you can feel so small
Just like a ghost in school clothes
Now my days are the mostly hazy
321 here comes the hurricane, baby
XxX
Mais um pesadelo. Eu já deveria ter me acostumado, cinco anos de maus sonhos deveriam sucumbir o efeito que eles ainda causavam em mim. Era sempre o mesmo, evidenciando sempre o mesmo número, os mesmos corpos, o mesmo sangue, a mesma felicidade indo por massacre abaixo.
Já são duas e meia e meus olhos insistem em continuar abertos. Já decorei todos os detalhes ridículos deste teto curvo, deste quarto minúsculo, desta casa... A lua, no seu ápice, brilhava de forma estranha; o vento mais forte que o normal e os galhos se chocavam brutalmente contra a minha janela. Típica cena de filme de terror, daqueles que dão medo até pelo nome e que me afetariam assustadoramente se eu ainda tivesse 10 anos e morasse em Nashville, Tennessee. Ou até três ou quatro anos atrás, quando eu vim morar em Glens Falls, Nova York com os meus tios paternos.
Antes que seja tarde demais, deixem que eu me apresente. Meu nome Elizabeth Grunger, tenho 16 anos e as pessoas não me consideram uma boa compainha. Eu não as culpo, às vezes eu concordo com suas opiniões, afinal, o que eles veem é uma garota jovem com cabelos desfiados e totalmente bagunçados, com a mesma maquiagem forte, que cheira a wisky, que vive o lado ironico da vida e pouco se importa para o que eles dizem ou pensam. Eu sou assim, aprendi a viver a realidade e esquecer que os sonhos prestam pra alguma coisa. Não tenho muitos amigos, se é que eu posso chamar os poucos que tenho de amigos. Então devo dizer que eles são apenas colegas, apenas pessoas que reservam um lugar para mim na mesa durante o intervalo na escola. Meus pais morreram a seis anos atrás e desde então eu tenho pesadelos, a mesma cena se repetindo milhares de vezes. Há algum tempo atrás isso me incomodaria e tiraria o meu sono, mas agora, o efeito é simplesmente o contrário, eu gosto de ter esses pesadelos, é a única maneira de te-los por perto.
Levantei-me e peguei a minha ultima garrafa de wisky dentro do frigobar(pois é, eu tenho um frigobar dentro do meu quarto, e eu sinto muito, mas morra de inveja). Droga! Tem menos de uma dose dentro dela, meu dinheiro acabou e adivinhem o que isso significa. Sem wisky, tequila, absinto ou qualquer outra bebida alcolica até o final do mês. O que não é tão ruim assim, o mês acaba em duas semanas. Bebi o conteúdo da garrafa sem me preocupar em utilizar um copo, a sensação do wisky descendo por minha garganta era surpreendente, eu me sentia mais solta e o tédio ia embora por algum tempo.
Joguei-me de qualquer jeito na cama e voltei a olhar para o teto, descobri uma nova imperfeição, a madeira já estava gasta e uma parte se soltara do meio. O alcool passa por minhas veias, eu vejo mais uma parte descolada deste teto O sono começa a aparecer e em poucos instantes eu já estava de novo entregue ao pesadelo.
-Triimmmm!!! – O despertador me começou a tocar e mais uma vez eu o joguei para longe. Acho que desta vez ele quebrou.
Voltei a sonhar meu sonho-pesadelo e acordei novamente com batidas na porta.
- Liza, levante-se. Você já está atrasada! – alertou uma voz fina e um pouco alterada para um tom tão baixo. Apenas virei-me na cama e me cobri até a cabeça. – Liza, está me ouvindo? Levante-se! – Jane chamou mais uma vez. Fingi não escutar. – Elizabeth Grunger – droga! Ela disse meu nome completo – Levante-se agora! – é, Jane estava irritada e isso fazia com que sua voz ficasse hilária.
— Tudo bem, mamãe – disse ironica e revirando os olhos enquanto jogava o cobertor para longe. – Satisfeita? – sorri sarcastica para Jane após abrir a porta do meu quarto.
Jane Grunger era minha tia e eu tinha um grande afeto por ela. Por todos naquela casa. Meus tios eram as melhores pessoas para se conviver. Eram liberais e pareciam viver a adolescencia da mesma maneira que eu, só que ao contrário de mim eles eram responsáveis e não tinham a aparencia de revoltados. Jane é baixinha, alguns centimetros a menos que eu. Ela também tem pequenas feições, ela parece aquelas protagonistas daqueles cliches de romance de época, resumindo, ela é meiga, mas não ouse irritá-la, seu olhar pode ser muito aterrorizante. E adivinhem. Ela estava olhando irritada para mim.
— Se você chegar atrasada na escola mais uma vez, você será suspensa e você sabe o que isso significa, não é? – a vontade de rir era muita. A voz de Jane é doce, mas quando ela está alterada se torna o cúmulo do que é engraçado.
— Significa que eu vou ficar longe daquele inferno por uma semana. Isso não é maravilhoso? – sorri largamente.
- E que você estará eternamente de castigo. – ela disse chegando ao ápice de irritação e me dando as costas, indo para a cozinha.
Fechei a cara e fui tomar banho. A agua caindo pelo meu corpo me causa sensações incríveis, eu adoro tomar banho, mas ultimamente eu não posso prolongar este momento. Estou sempre atrasada. Desliguei o chuveiro e entrei novamente em meu quarto. Vesti a mesma roupa de sempre: calça jeans, all star, blusa com estampa de banda e uma blusa com capuz por cima. Olhei no espelho e meus cabelos estavam ainda mais bagunçados hoje, passei meus dedos por eles e como em um milagre eles ficaram um pouco mais apresentáveis. Peguei minha mochila, Iphone e fui para a cozinha.
- Bom dia senhorita EstouRevoltada!! – meu tio, Thomas Grunger, com o seu bom humor de sempre me cumprimentou com a boca cheia de cereais.
- Bom dia, Tom – sorri para ele, peguei um sanduiche em cima da mesa e fui em direção a porta.
- Até mais Lisa! – eles disseram em uníssono e eu saí, indo para a escola.
Estamos no outono, faz frio, mas não é o mesmo frio do inverno. As arvores estão nudas e a maioria das ruas enfeitada com um denso tapete de folhas secase alaranjadas. Eu gosto do outono, temperaturas amenas, as pessoas ainda se escondem e as arvores, mesmo quase nudas, não perdem a sua beleza.
Fui a pé para a escola, eu costumava ir de carro, mas meus tios me proibiram de usá-lo depois de uma multa por dirigir bêbada. Baixaria! Eu estava bastante lúcida, só não vi um aviso sobre a velocidade. Mais baixaria ainda! Me deram duas multas, a primeira vocês já sabem e a segunda por estar 5Km a mais do que a velocidade permitida. Baixaria total! Eu sou obrigada a ir a pé para a escola. Não totalmente obrigada, tem o escolar, mas este está fora de cogitações. Me enturmar com essas pessoas está totalmente fora de meus planos.
Cheguei à escola no mesmo horário de sempre. Sentei-me em uma das mesas do pátio e logo Melissa já estava ao meu lado, tagalerando sobre um novo aluno. Como se isso me importasse, mas era o jeito de Melissa. Ela não parava de falar por um segundo sequer, às vezes eu tinha vontade de levá-la a um precipício e jogá-la no vácuo, me livrar daquele falatório. Mas não é um coisa que você queira se livrar totalmente, às vezes o falatório dela consegue me distrair e me dar mais coisas sobre o que pensar, às vezes ela me tira o pensamento monótono.
Em poucos minutos a turma já estava completa. Adrian, Alex, Fallen, Jasper, Josh, Lívia Melissa, Ryan e eu. Nossa turma era a turma dos populares, o que torna ainda mais irônica a minha vida. Odiar tanto as pessoas e ser popular entre elas. Além de populares, éramos a turma dos ecléticos, visualmente, é claro. Melissa era invejada pelas outras meninas do colégio, tinha uma beleza descomunal, cabelos loiros em um liso perfeito, olhos intensos e verdes, boca rosada e proporcional ao rosto, corpo de modelo. Fallen seguia o estilo de Melissa, mas seu corpo tinha mais curvas e seus olhos castanhos contrastam com pele exageradamente branca. Lívia fazia o estilo menina fofa, era baixinha, cabelos loiros e cacheados com a franja caindo romanticamente sobre os olhos verde folha seca. Entre os meninos, ambos eram altos e fortes, jogavam no time da escola e arrancavam suspiros das meninas, tolas e idiotas. E para provar que eram ecléticos tinha eu. Cabelos bagunçados, pretos e com uma franja ousada que me fazia perguntar o por que de não cortá-la. Olhos com a mesma expressão de tédio e azuis. Magra e consideravelmente baixa.. E somos assim, ecléticos visualmente. Sobre opiniões, eles são iguais, banais e irritantes. Eu não penso nada, fico calada a maior parte do tempo, não gosto de gastar o meu tempo discutindo coisas fúteis.
Me encolhi ao ouvir o grito histérico de Melissa, hoje ela está passando dos limites. Ela falava sobre o aluno novo. Ela ainda nem o conhecia, nunca o tinha visto, dizeram que ele era novo na cidade também. Ela estava histérica deste jeito para vê-lo. Melissa era o tipo de pessoa que dava em cima de todo mundo, mas como ela era popular, todo mundo disfarçava e acreditava que os meninos que babavam nela. Talvez até fosse verdade, mas ela forçava um pouco a barra. Fallen parecia irmã de Melissa, as duas só pensavam em homens, porém Fallen era um pouco menos histérica, ela não sai por aí gritando apenas porque um menino é gostoso, perfeito e está a fim dela. Fallen também não era de contar vantagem, ela ouvia mais o que Melissa falava, ajudava nos planos malucos dela e só mostrava parecer com ela quando Alex aparecia para completar o nosso grupo.
O primeiro sinal soou e eu dei um suspiro de alívio. Logo eu já poderia ir para a sala e ficar longe do bando dos patéticos. E não me julgue por favor, pois eles são sim patéticos, mas ficar perto deles é uma forma de garantir uma melhor vida escolar, não que eu me interesse por isso, mas conforto é sempre bom.
- OH MEU DEUS!!! – pronto. A minha vontade de jogar Melissa de um penhasco voltou.
Melissa olhava fixamente para o estacionamento um pouco a frente de onde estávamos. Uma Ferrari F430 conversível preto acabava de estacionar e fazer com que todos presentes olhassem para ele e abrissem institivamente a boca. Eu fiquei impressionada com o carro, não havia muitos carros de luxo em Glens Falls, e os poucos que haviam eram dirgidos por adultos, não por um mísero estudante.
A pessoa que dirigia a Ferrari desceu do carro e caminhou até desaparecer na entrada de um dos prédios. Nem preciso mencionar que tanto as meninas quanto os garotos pararam de olhar o carro e fitaram o novo miserável, não é? Com certeza este era o aluno novo, eu nunca tinha o visto aqui na escola, tudo bem que eu não presto atenção nas pessoas, mas ele era menino e com certeza Melissa iria comentar sobre ele, me fazendo saber quem era.
- Eu não disse que ele era gostoso? – Melissa falou com uma voz de puta que me fez revirar os olhos.
O segundo sinal soou e eu me apressei para ir para a primeira aula. Ouvi as meninas falando algo sobre nos encontrarmos no intervalo, mas não parei ou voltei, continuei indo para a aula de Literatura. Sentei-me no fundo da sala como de costume. Normalmente eu não assistia as aulas, apenas ia a escola por obrigação. Eu chegava na sala, sentava-me no mesmo lugar de sempre, colocava o capuz e o fone de ouvido e dormia, não dormia totalmente, mas cochilava o suficiente para que os professores chamassem a minha atenção ao final da aula.
Fiz o mesmo de todos os dias e a aula começou. Srta Collins interrompeu o começo do meu cochilo e me fez ficar acordada durante a sua aula. Passaram-se dez minutos desde o ínicio de sua aula e alguém bateu à porta. Srta. Collins a abriu e cumprimentou a surpervisora e... E o aluno novo!
- Chegou bem a tempo de pegar o trabalho para a próxima aula! – ela exclamou abrindo espaço para que ele entrasse. – Apresente-se para a turma. – disse e se despediu da surpervisora.
- Meu nome é Damon. Damon Salvatore. – ele sorriu de lado. Parecia confortavel com a situação. Revirei os olhos ao ouvir as meninas suspirarem.
Notas finais
Espero que tenham gostado e me acompanhe nos próximos capítulos.
Até lá. Bjos!
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