Hoje eu cresci, tentei superar tudo o que aconteceu comigo durante esses anos. Com muito esforço eu consegui.

De duas em duas semanas eu visito o túmulo do meu pai, o que passei naquele tempo foi um inferno.

Eu estava fazendo lição enquanto escutava musica no volume mínimo ,quando escutei algumas batidas na porta do meu quarto.

Tirei os fones então.

– Pode entrar. – Falei

Minha mãe entrava com uma xícara simples com chá dentro.

Dei um sorriso

– Você parece estar nervosa nesses últimos dias, então eu preparei um chá para se acalmar um pouco antes de ir dormir. – Disse minha mãe aparentando estar cansada.

Levantei os ombros e me despreguicei.

–Obrigada mãe, eu estava precisando assim MUITOO de um chá. – Falei sorrindo e rindo.

– Você sabe que você pode contar seu problemas pra mim, você sabe que eu estarei disposta a te ajudar. – Disse minha mãe

Ela sempre foi assim, quer me ajudar em tudo que pode, nas horas boas ou ruins. Se For preciso ela larga todos os pratos que esta lavando no chão para me ajudar.

–Não tenho problema nenhum mãe, está tudo bem. – Falei disfarçando tomando o chá.

Minha mãe apenas sorriu e saiu do quarto.

Coloquei os fones novamente nos ouvidos, e notei a paisagem atrás da janela ao lado de minha cama, o dia estava chuvoso e friozinho do jeitinho que eu gosto.

– Detesto eles. – Falei — Trocaria todos eles por um dia de neve nessa cidade.

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Mais um dia frio naquela escola.

Estudantes passavam conversando pelos corredores e se divertindo mexendo em seus celulares antes de começar as aulas.

Fui beber um pouco de água no bebedouro distante vazio.

O mesmo trio de garotos de sempre me viram no corredor e se aproximaram.

– E aí guria, tem grana? – Disse o loirinho do trio

– Se eu tivesse grana, eu nem estaria aqui. – Falei

– Ui, ui, ui ela ficou nervosinha. Cuidado ela vai ter um ataque. – Disse o ruivo.

– M-me deixem. – Falei

Tentei sair dali quando o loirinho colocou o braço na frente e me jogou contra a parede.

– Não vou falar outra vez bonitinha, ou passa a grana ou vai arcar com as consequências. – Disse o loiro

Acabei me sentindo ameaçada e dei todo o dinheiro que tinha para eles

O terceiro que era o moreno nunca me ameaçava e nem fazia nada apenas ficava calado.

– Já tem o que quer, agora deixe ela em paz. – Disse o moreno

– É bom ter obedecido bonitinha. – Disse o loirinho indo embora juntos com os dois.

Apenas continuei encostada na parede, deslizando de leve até o chão onde comecei a chorar.

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Pensei em pedir ajuda a professora mas acabei desistindo por que isso só iria piorar as coisas.

Não queria contar para minha mãe, já chega todos os problemas financeiros e a tristeza que ela carrega.

Então eu teria que levar esse peso nas costas totalmente sozinha? Como se eu não tivesse ninguém no mundo.

Mas de qualquer forma ninguém iria me ajudar mesmo.

Cheguei em casa normalmente e fui tomar um banho para tirar todas as coisas ruins e esses pensamentos de mim.

Me tranquei no quarto e esperei até minha mãe chegar do trabalho.

E acabei adormecendo...

–Olha só quem chegou, a lezada esquisitinha. – Disse Stefani

– Sem vias de dúvidas é uma L-E-Z-A-D-A, tá se achando a melhor é bobona? — Disse uma das garotas.

–Eu espero que você não conte nada pra nossa professorinhá tudo bem? Por que se não eu vou te que te dar toda minha lição de casa outra vez. – Disse Stefani

–Então quer dizer que você quer mesmo ser a número um da sala não é Ana Banana? – Disse Stefani

– P-por f-favor, m-me deixem, e-eu nunca fiz nada pra v-vocês. – Dizia

Quando de repente eles começaram a ficar ensaguentados e desaparecer, tudo começou a desmoronar e a sair sangue das paredes, eu me via ainda criança com aquele uniforme todo sujo tentando fugir dos corredores ensaguentados mas não conseguia.

Olhei para trás e vi outra de mim já com meu visual atual segurando uma arma na mão apontando para mim mesma.

Quando o chão se destrui e eu ainda criança estava caindo no fogo como se eu tivesse sido jogada no inferno.

Dando gritos e berros, aquilo não fazia sentindo nenhum.

– Isso ainda não acabou — Dizia uma voz enquanto eu queimava nas chamas.

Acabei acordando, notei que era apenas um sonho... ou melhor um Pesadelo.

Lágrimas começaram a sair em meu rosto enquanto eu me lembrava de tudo o que aconteceu no pesadelo.

– Já é a segunda vez que tenho pesadelos essa semana, o que está acontecendo comigo? – Perguntei a mim mesma.

Olhei na janela e notei que o dia ainda estava nublado e garoando.

Decidi mexer no meu computador e dar uma navegada pela internet para descontrair um pouco, e jogar meu jogo preferido, Outlast.

Quando minha mãe chegou ela veio direto ao meu quarto e deu umas batidas na porta.

– Pode entrar. – Falei

– Filha, pelo seu alto desempenho nas aulas decidir dar um presente para você. – Disse ela

Dei um sorriso.

– Obrigada, mas não precisava. — Falei

Minha mãe então tirou da sacola uma caixa não muito grande que parecia ser um celular da Apple.

Apenas fiquei surpresa por que o celular que uso não é tão moderno como esse.

Dei um sorriso e dei um grande abraço nela.

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O dia amanheceu novamente nublado.

Coloquei um casaco preto com uma toca por que estava frio.

Cheguei na escola normalmente e me sentei para ler o livro “ Extraordinário”.

Quando duas garotas se aproximaram de mim.

– Fala aí baranga, já foi a feira das Carmelitas Descalças hoje? – perguntou uma delas.

Apenas olhei e tive vontade de mostrar o dedo do meio, mas a professora passava perto.

– Do jeito que é escrota deve ter fugido de lá. – Disse a outra.

– Ah, olha só o que ela está lendo... — Disse ela enquanto pegava o livro de minha mão.

–Extraordináriamente patético, enfia esse livro dentro do seu rabo – Disse ela enquanto taca o livro na minha cara.

A outra apenas ria e sairam andando.

– Você viu a cara de trouxa dessa guria? – Disse ela enquanto caminhava para longe.

– Não sei se aquilo pode ser considerado um Ser Humano né, deve ser uma E.T pra ser tão esquisita, haha. – Disse a outra.

Apenas tive vontade de sair correndo chorando, mas seria vacilo. Então decidi ficar na minha e voltar a ler.

Notei que mais alguém estava caminhando em minha direção.

Continua..