Bullying
26 Capítulo 26
Notas iniciais
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Se perguntassem a Faustus porque ele tinha beijado seu aclamado “saco-de-pancadas” a resposta seria. “Não faço ideia.”
Uma coisa que Claude mais odiava no mundo era ser acusado de coisas que não fazia. (Claro que não se importava de negar descaradamente o que fazia de errado para os outros, mas negava o que realmente tinha feito.)Isso o deixava irritado a tal ponto de não conseguir medir as consequências e acabar fazendo coisas das quais se arrependia depois.
Se separaram, olhavam um para o outro e nada conseguiam falar.O nerd o empurrou,fazendo-o tropeçar. Os olhos dourados encaravam fixamente os vermelhos, Claude abriu a boca para falar algo mas não conseguiu. [“Ele...correspondeu. Mesmo depois de tudo ele correspondeu ao meu beijo.”]
O bully ,em outra ocasião, poderia ter ficado orgulhoso. Afinal era isso que queria, teve a confirmação “oficial” de que realmente Michaelis gostava dele. Acariciou o rosto do garoto de óculos, tocando a bochecha e os lábios,beijando-o novamente.
“Você gosta disso, não é? “Murmurou, sua boca roçando a do CDF. “Então era verdade o que eu sempre suspeitei, você gosta de mim. Estou certo?” Não precisava responder, a forma como tudo estava acontecendo era suficiente. Não percebeu o sorriso que apareceu em seu rosto, um sorriso malicioso e quase cruel.”Michaelis.”
No fundo da sua mente pensou que tinha ,agora, meios de continuar sua brincadeira, contudo seus pensamentos mudaram quando se afastou e olhou nos olhos do outro,percebeu algo que nunca tinha visto nos olhos vermelhos. Raiva e ódio.
“Não ouse brincar com sentimentos, Claude!” [“Não e atreva a brincar com os meus sentimentos!”] Quase gritou, mas se conteve. Chamar atenção era a última coisa que queria naquela hora. Aproveitando que o bully ainda estava um tanto desnorteado ,tentou escapar mas seu pulso foi segurado e de novo foi empurrado para a parede. Faustus olhou para os dois cantos do corredor, ainda estavam vazios e ninguém parecia nem perto de passar por eles.
“Eu não estou querendo brincar com os sentimentos de ninguém,” [“Mentira.”] “Eu quero que escute. “ Segurou o rosto do garoto de óculos, levantando-o e o forçando a olhá-lo. “Eu não mandei os trigêmeos escreverem nada. Sequer sabia que eles fariam algo.” [“Mais uma mentira.”] “Acredite, posso ser muito ruim mas não teria coragem de fazer algo que iria contra a vontade de alguém...como um ...você sabe o que. “ [“Eu pensei em te estuprar tantas vezes..”] “E eu sei que foi o Ash que tentou fazer isso com você.” Sebastian arregalou os olhos.
“Co-como?!”
“Encontrei um botão ou foi um broche, já não lembro, caído entre os cacos do vaso que ele derrubou. “ [“Meia verdade.”]
“Isso não tem nada haver com você, Claude.” [“Errado, Sebastian. Isso tem MUITO haver comigo. Você....só não precisa saber.”]Respondeu mentalmente. “Me deixa em paz, pelo menos por enquanto. Ok?” Novamente tentou escapar do aperto mas não conseguiu. Abaixou a cabeça, não podia mais encará-lo. Os beijos tinham despertado algo nele, algo indesejável. Esperança.
Esperança de que a pessoa que fez sua vida um inferno por três anos seguidos pudesse ter desenvolvido sentimentos por ele. Ao longe escutaram barulhos de passos e um pequeno grupo de garotas apareceram no começo do corredor. Se separaram , Claude recolheu a mochila e os fones de ouvido que tinha deixado cair no chão.
“Sebastian...”
“O-o quê?”
“Não diga a ninguém sobre esses beijos. “ ['Merda, não era isso que eu queria dizer.”]
“Isso nunca passou pela minha cabeça.” O tom decepcionado não passou despercebido pelo bully.
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“ Você terá mesmo coragem de fazer isso?- by Thompson”
O garoto de olhos violeta riu, respondendo rapidamente a sms.
“Vocês falam como se fossem santos. Admitam ,isso eram o que queriam desde que começaram com essa desculpa esfarrapada de plano.”
“Foi Claude que invetou tal desculpa esfarrapada.- by Canterbury”
“E vocês ficaram superfelizes em ajudá-lo com a desculpa. Já que até me colocaram na história. Mas eu agradeço, isso me deu brechas para colocar toda a minha crueldade em “dia”.Obrigado mesmo.” Provocou.
“Melhor parar com as provocações,Landers.- Thompson.”
Ash olhou para a irmã, ambos sorriram maliciosamente. A garota tinha em mãos uma generosa pilha de folhetos.
“Humilhação publica? Aaaanw tadinho, não vai nunca se recuperar do trauma.” Debochou com uma voz enjoada e infantil.
“E o melhor de tudo, ninguém nunca vai saber que formos nós.” Gabou-se. “Estou apenas brincando, já que vocês estão na escola serão perfeitos para me ajudarem a espalhar os cartazes e me darem um álibi. Não quero ninguém suspeitando de mim.”
“Já imaginou a cara de todos quando virem o que tem nesses folhetos?” A garota de olhos violetas sussurrou suavemente na orelha do irmão. “Vai ser um espetáculo.”
“Tal impureza..” Landers pegou um dos folhetos que ela segurava. “Tão pecaminoso , demônio pecaminoso. Era para ser apenas uma brincadeira e agora me pego desejando mais.” Suspirou dramaticamente.
“Você é um idiota.”
“Iremos chegar pouca antes do termino da segunda aula, espalharemos todos os folhetos pelos corredores.”
Após tal mensagem, os três gêmeos nada responderam.
“Vou me arrumar para a escola, afinal hoje promete ser O dia.” O garoto deu de ombros e desligou o computador se levantando, o sorriso em seu rosto só poderia ser descrito como maníaco.
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Mey-rin percebeu que o amigo parecia abatido,não estava prestando atenção na aula e nem anotava nada.(Tudo bem que a primeira aula foi a de Hannah e era MUITO tediosa mesmo, porém, Sebastian parecia longe. Perdido em devaneios.)
“Hey, tem alguma coisa errada?” Cutucou as costas dele com o lápis, sussurrando para que a carrasc- , para que a professora não os ouvisse.
“Não tem nada errado.” O ruiva não era idiota e sabia muito bem que o sorriso que o menino demonstrava era falso. Olhou em volta, Ash não tinha dado as caras naquele dia. (Pelo menos por enquanto, desde daquela manhã tinha sentido pressentimentos ruins quando pensava naquele albino desgraçado) o “babaca” estava como sempre,”grudado” no celular, mandando sms para-não-se-importava-quem contudo ele sempre olhava “disfarçadamente” para o nerd ,que vez ou outra também ficava o encarando.
[“Ok, isso está estranho.”] Ser fujoshi tinha uma desvantagem muito grande. Mesmo que ela não quisesse “shippar” ninguém, sempre acabava shippando. Tentou ,várias e várias vezes, prestar atenção no que a professora falava mas não conseguia de forma alguma. Uma coisa estranha que estava acontecendo é que todos pareciam mais concentrados em seus celulares do que na aula, tudo bem que isso não era novidade porém , TODOS estavam com seus celulares na mão, vendo e trocando coisas por via bluetooth. Se não estivesse com sua mente pensando no que escutou quando chegou, poderia tentar descobrir o que eles tanto bisbilhotavam em seus aparelhos móveis.
/”Será que é verdade? “/ Eu duvido que seja, é impossível!”/ “Será mesmo que o nerdzinho e o Claude estavam nos maiores amassos hoje antes de começar a aula?”/ “Acha que a Paula falou sério quando disse isso?!” /”E tinha alguma razão para ela mentir?”/
Tinha escutando, sem querer, umas patricinhas fofocando no pátio. Uma delas parecia muito animada com a ideia de dois garotos se pegando nos corredores, já as outras cinco que conversavam com ela estavam com expressões de nojo e descontentamento no rosto. Pararam bruscamente quando viram a ruiva de óculos passando, como se tentassem esconder o assunto. Mey-rin fingiu não ter ouvido nada quando na verdade, estava altamente confusa e temerosa.
Com a visão periférica, observou as mesmas patricinhas do começo da aula, sentadas no fundo da sala, se maquiando e falando sobre algum ator famoso que provavelmente estava na moda. [“Paula, disseram elas. Essa tal Paula fica inventando rumores idiotas por aí.”]
Viu, nas cadeiras vagas da frente, uma menina de cabelos longos e castanhos,usando uma tiara vermelha com bolinhas brancas ,vestindo uma calça jeans e uma blusa branca que deixava muito pouco a desejar da vista dos seus enormes seios, copiando o que estava na lousa . Paula. (Uma das coisas ótimas de se ter memória fotográfica, ela sabia de cor o nome de todos os alunos daquela maldita classe.)
Se levantou da cadeira e foi se sentar perto da menina distraída.
“Hey.” Chamou suavemente. A morena a olhou,surpresa.
“Mey-rin?” Todos a conheciam, afinal depois que ela e Sebastian “compraram briga” publicamente com o valentão da escola ficaram … “famosos?!” Talvez essa palavra pudesse descrever. Paula sorriu docemente, largando a caneta que usava. “O que houve? “
“Queria saber de um boato que anda rolando por aí.” Comentou casualmente, a menina de olhos cor de chocolate se mexeu desconfortável na cadeira.
“E-ele não te contou?”
“Ele?” Arqueou uma sobrancelha, a menina fez um gesto, apontando com o lápis ,que mantinha na sua orelha,para o nerd sentado a poucas cadeiras atrás delas. “Não me contou nada, por isso vim te perguntar. Andei sabendo de umas coisas e queria ver se era verdade.”
“Que ele e o Claude estavam se beijando hoje no corredor?” (WOW! Diretamente no ponto. A ruiva pensava que ainda ia enrolar um pouquinho para chegar nesse assunto.) Balançou a cabeça positivamente. “Aqui.” Pegou o celular da bolsa, antes checando se Hannah não estava olhando para elas, mostrando a foto que tanto estava gerando polêmica naquela aula.
A garota de óculos arregalou os olhos, na tela do pequeno aparelho estava uma imagem que ,para sua infelicidade, confirmava seu medo. (Claro que já à algum tempo suspeitava que aquela grande implicância não passava de “amor” reprimido, mas...não!não!não! Sebastian tinha sido maltratado demais por Faustus, ele não poderia sofrer mais!) Na foto , por mais que a qualidade fotográfica não fosse das melhores, estava nítido o suficiente para ver, Claude segurava o pulso do moreno de olhos vermelhos e eles se beijavam quase...apaixonadamente no corredor.
“I-Isso tem que ser montagem.” Gaguejou.
“Não é. As pessoas também pensaram isso quando viram pela primeira vez mas olhe.” Apontou para a data e a hora que estavam aparecendo na tela junto com a imagem. “Eu tirei a foto hoje e até mesmo a hora está aí. Não é fraude.”
[“Não pode ser verdade! Não pode! Não pode! Não pode!”] Repetiu para si mesma, entregou o celular as pressas como se fosse um sanduíche cheio de larvas e fungos que quisesse se livrar . [“Tanto que eu pedi para que a minha mente fujoshi estivesse errada!”] Ouviu a professora reprendê-la por está indo de uma cadeira a outra, porém não deu muita importência a reclamação.
“Precisamos conversar, sério.”Sentou-se do lado do amigo.
“Conversar?” Michaelis se virou para ela, fingindo novamente um sorriso.
“Você beijou aquele babaca do Claude?” Perguntou sem se importar com o quão direta estava sendo. O garoto CDF arregalou os olhos.
“Não!” Falou exasperado.
“Você está mentindo!” Tentou falar baixo, seu tom de voz era acusatório. “Me mostraram a foto! Céus..por quê?”
“Eu te juro que não sei do que está falando.” Tentou argumentar. “Acredite! Por favor!” [“Não insista, não insista, não insista. “]Pedia silenciosamente para qualquer divindade que o escutava para que a amiga não continuasse a perguntar ou acusá-lo.
“Eu não vou te julgar. “ Segurou a mão dele, o encarando. “Sério, eu não vou te julgar. Por mais que você tenha beijado o maior babaca do universo que eu queria que fosse para o inferno abraçar satanás mas..me diz, você realmente o beijou? Sabe que não vou confirmar com ninguém isso. “
“E-ele que me beijou.” Murmurou baixo, mas foi o suficiente para Mey-rin ouvir.
“Aquele filho da..!” Resmungou. “A Paula.” Balançou a cabeça, persuadindo o menino a olhar na mesma direção que ela. “Tirou uma foto de vocês dois no corredor,antes de começar a aula.” O garoto visivelmente ficou tenso. “E acho que a sala toda tá sabendo, ninguém sabe de verdade se realmente aconteceu, então para evitar alguma possível brincadeira invente que está doente, desmaie, sei lá!” Aconselhou. [“Ia ser fácil dizer que não estou me sentindo bem, PORQUE EU NÃO ESTOU ME SENTINDO BEM!”] Respirou fundo. [“Preciso falar com o professor Grell, não quero ficar aqui mais. Eu sei que no intervalo vão me humilhar por causa disso..eu..não quero mas suportar dor.”] Olhou para todos os colegas de classe, eles estavam olhando para ele. Alguns riam discretamente, algumas meninas tinham sorrisos maliciosos em seus rostos, outras pareciam com nojo assim como a maioria dos garotos. Ninguém sequer se atrevia a falar de Faustus, afinal ficou muito conhecido a grande surra que os valentões tinham levado a dois dias atrás por rirem um pouco do bully.
“Quando terminar a aula da Hannah, eu vou correr para a diretoria e falar com quem estiver lá para que eu saía daqui o quanto antes.” Abaixou a cabeça, seus cabelos foram acariciados pela amiga.
“Eu vou fazer esses filhos da mãe apagarem essa foto dos celulares.”[“Só não sei como.”] Complementou mentalmente.
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Ângela convenceu o porteiro a deixar ela e o irmão entraram na escola, disse-lhe que participavam de um projeto cultural e por isso chegaram tarde. Para alimentar sua mentira, mostrou um cartaz pregando o respeito mútuo que os alunos deveriam ter entre si e com os proficionais que trabalhavam na escola, disse ainda que tinha sido ideia da Madam Red,mostrou um bilhete com a escrita dela “explicando” (Quando foram transferidos tiveram que falar com a diretora ruiva e os dois receberam um pequeno bilhete, com a letra dela, com a lista dos materiais , a garota albina havia guardado o papel e com extrema habilidade copiara perfeitamente a escrita da mulher mais velha.)
Convencido pelo sorriso suave e a voz doce da aluna, o porteiro deixou-os entrar. Dizendo o quantos eles pareciam anjos ao tentarem “melhorar” a convivência entre seus colegas. Os dois gêmeos queriam rir da cara do pobre homem ao acreditar em tão tolice contudo, se contiveram.
“Tão fácil.” Ash comentou maliciosamente. Separaram a pilha de cartazes e cada um foi para um corredor, tomando cuidado para que nenhum dos professores os vissem. “Que comece a diversão.”
Jogaram os papéis por todo o chão, grudaram-os nas paredes e armários, colocaram debaixo das portas de todas as salas e saíram correndo porque não queriam ser vistos,jogaram os cartazes no pátio, enfim todo lugar visível depois e esconderam no terceiro andar, que estava desocupado.
“Agora basta esperar o sinal do intervalo e tudo começará.” A garota riu. O celular do irmão gêmeo tocou, uma nova mensagem. “Hum?” Ambos se entreolharam quando viram o que os trigêmeos tinham mandado anexado a sms, a foto tão polêmica do nerd com o bully se beijando no corredor,junto com isso vinha a frase "Interessante, não?". “Isso..” A albina balbuciou, olhando fixamente a imagem. “Isso...”
“Isso é ótimo” Ash gargalhou. “Agora todos acharão que as fotos são deles dois! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Claude levará a culpa por tal coisa!” Ao longe, o som do sinal se fez presente.
Continua...
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