Bullied

1 Capítulo 1 Seja bem-vinda ao pedaço do inferno.


Notas iniciais
Essa fanfic é escrita por duas pessoas; postamos capítulos aproximadamente a cada duas semanas. Como iniciantes, gostamos sim de reviews e críticas (desde que sejam construtivas para o empenho de todo o enredo).
Vamos falar de vários temas, portanto, se você for uma pessoa imbecil o suficiente para ter algum tipo de preconceito por algo ou alguém, não leia.
Por enquanto, é só isso. Boa leitura ♡

Talvez eu realmente tenha passado um pouquinho dos limites dessa vez. Apesar de que ser expulsa de um colégio já não seja algo novo para mim, dessa vez foi diferente. Imaginei a mesma chatice de sempre: O diretor rabugento contando ao meu pai os motivos de estar me expulsando e seu olhar de ira e indignação misturados. Confesso que os motivos nunca são razoáveis, mas, desta vez, foi extremamente longe de tudo que eu pudesse sequer imaginar.

Por sorte – ou não -, Marcus, um amigo da família, trabalha como funcionário no reformatório que, a partir de agora, será meu novo lar. Ou meu novo ponto de ataque, tanto faz...

Empurrei com força o portão enferrujado da entrada do pequeno pedaço do inferno, mas algo me fez ficar estática no lugar. Fitei novamente o ferro à minha frente, que me fez lembrar de algo que eu realmente desejaria apagar.

O fogo se espalhou rapidamente por todo o local, levando consigo gritos altos e agudos, além de pessoas desesperadas correndo agoniadas em busca de uma saída. Mas, em meio ao caos, eu estava sorrindo.”

Um toque leve empurrou-me delicadamente. Fazendo-me voltar à porcaria que consequentemente sou obrigada a chamar de realidade, e adentrar completamente ao início do campus da Blood & Hold.

— Eu preciso acertar algumas coisas por aqui – alertou. – Você pode continuar sem mim daqui pra frente? Bom... Você precisa ir até à sala do Sr. Gregory, entregar seu histórico, pegar seu uniforme que a propósito já está pago e por fim a enumeração do seu dormitório. No campus há diversos alunos, tenho certeza que algum deles sentirá prazer em te ajudar a encontrar o caminho.

Antes que pudesse reclamar de qualquer outra coisa, Marcus virou-se e correu apressado sabe-se lá pra onde. Ajeitei a mochila em minhas costas e peguei a mala, arrastando ao gramado.

Havia diversos alunos, como Marcus dissera, mas estavam todos aparentemente atarefados para ajudar qualquer pessoa.

— Olá – uma garota de cabelos azuis saltou em minha frente, sorrindo como se quisesse ajudar –, Scarlet Williams. Estou certa?! É a garota nova, né?

Revirei os olhos. Não, imagina... Estudo aqui desde o ano em que as torres gêmeas foram ao chão. Mas gosto de andar com minhas malas por aí, caso seja necessário mudar de roupa no minuto seguinte, e você?

Sim. Sou nova por aqui – forcei um sorriso simpático –, como sabe o meu nome?

— Marcus havia me dito que uma amiga viria para o reformatório não tem muitos dias – Comentou. – Me chamo Sunshine. Meus pais são hippies, não julgue.

Forcei outro sorriso, embora não houvesse graça em seu comentário. Seu nome era um tanto quanto sarcástico. Sunshine tinha longos cabelos azuis e lentes de contato lilás. Sua camiseta era preta, mas havia uma cruz invertida de cor branca estampada ali. “Raio de Sol” não era uma boa definição para uma garota como aquela.

Sunshine se ofereceu para pegar a mala. Eu teria recusado. Mas, como sou uma pessoa um tanto quanto preguiçosa, permiti. Pedi para ser levada até a sala do diretor, mas não aconteceu. Sunshine mostrou-me cada detalhe do reformatório. Depois de um tempo andando com ela, quase perguntei se não gostaria de me mostrar a cor da água dos vasos sanitários. Sunshine me mostrou exatamente TODO o lugar. Me senti em um episódio de Dora, a aventureira.

A Blood & Hold era um lugar até que interessante. Um lugar maravilhoso com portas emperradas e janelas sujas e quebradas. Tão lindo quanto o Paraíso.

— Bom – suspirou –, a sala do Sr. Gregory fica naquele corredor. Vire a direita, e quando encontrar alguém com tatuagens, é lá.

— Obrigada.

Parei em frente à porta de descrição “SALA DO DIRETOR” e revirei os olhos. Qual a necessidade de letras tão exageradamente grandes? Tenho quase absoluta certeza que uma pessoa cega também viu.

Coloquei a mão sobre a maçaneta enferrujada e a girei, adentrando ao local. Cortinas avermelhadas, tapete avermelhado, mesa e janelas de madeira, cheiro de limão e paredes brancas repletas de quadros com diversos diplomas ou fotografias; dessa forma podíamos resumir tal lugar. Dei de cara com um homem calvo, feio e barrigudo me olhando como se não gostasse nem um pouco de minha presença ali. Fechei a porta e me sentei – me joguei – na cadeira à sua frente.

— Gostaria que antes de entrar batesse na porta, Srta. Williams.

— Foi mal.

— Está com seu histórico escolar?

Abri minha mochila e retirei de lá o tão importante – com péssimas notas – histórico. O entreguei de má vontade. Afinal, não demonstraria ser uma pessoa que não sou. Ele que se acostume com meu gênero.

— Certo, Scarlet... – Sua voz mostrava um grande tom de irritabilidade, o que também acabava por mostrar que não havia nada “certo”. Ergueu sua mão e entregou-me um pedaço de papel de cor verde. – O seu quarto é o número 104. Passe aqui amanhã para buscar seu uniforme antes do segundo período. O professor da primeira aula já está sabendo sobre sua chegada, portanto aceitará que fique sem o uniforme. Mas, venha buscá-lo. Nos feriados ou fins de semana, qualquer roupa pode ser usada. Seja bem-vinda.

— Valeu, Gregory.

— Sr. Gregory, por favor.

— Foi mal de novo, Gre... – Me atrapalhei de propósito e sorri ladino – Sr. Gregory.

Ele fez uma cara rabugenta – diretores, quais nunca? – e eu me encaminhei para a porta.

— Srta. Williams?

— O que é?

Ele cruzou as mãos sobre a mesa.

— Estou ciente do que houve em seu último colégio, e gostaria que soubesse que jamais permitirei este tipo de comportamento ou ato por aqui. Estamos entendidos?

Bufei.

— Claro, Gregory.

“Sr. Gregory”, gritou antes que eu saísse fechando a porta com bastante raiva e impaciência. Eu estava odiando esse lugar, e fazia questão de demonstrar isso.

Agora só me resta um probleminha...

Onde ficam os quartos mesmo?

Resolvi perguntar para o primeiro babaca que passasse perto de mim. E não foi uma tarefa difícil, já que noventa de cem alunos por aqui possuem cara de retardados mentais. De qualquer forma... Uma ajudinha não custava nada, certo?

— Oi?

Um garoto se virou para mim, e franziu o cenho em um “Sim?” silencioso.

— Meu nome é Scarlet, sou nova por aqui.

— Tate. Bem-vinda.

— Obrigada. – Forcei um sorriso. – Pode me dizer onde ficam os quartos femininos nesse fim de mundo?

Ele deu um sorrisinho, e me analisou completamente. Do pé até o último fio de cabelo.

— Por acaso eu tenho cara de barraquinha de informações, linda?

Estreitei os olhos. Seu tom de voz era tão sarcástico e forçado quanto o seu “linda”.

— Olha aqui seu...

— Ei, Stefanny – me interrompeu –, como vai o Sportacus? E a vida em Lazy Town, como anda? – Ele riu, pegando em meu cabelo rosa.

Meu sangue ferveu. Esse filho duma criatura demoníaca está me comparando a uma garota de um desenho do Discovery Kids?

Antes que eu pudesse revidar, Tate saiu correndo, rindo como um imbecil. O que ele devia ser, claro. Fiquei petrificada, e olhei novamente ao pequeno pedaço de papel com o número do meu quarto que o Sr. Gregory havia me entregado.

— Não ligue para o Tate, é um otário. – Uma voz suave e calma penetrou por meus ouvidos – Está na cara que é ele quem vê Discovery Kids todo dia. Meu nome é Harry. E você é, pelo o que eu escutei, Scarlet. Certo?

O garoto tinha cabelos negros e olhos azulados em um tom extremamente profundo. Seu rosto parecia ter sido desenhado pelos Anjos. Por segundos, tive a sensação de estar conversando com um anime.

— Sim.

— Vem – sorriu –, te mostro a ala dos quartos femininos.

Agradeci, e nós nos encaminhamos até uma grande placa não tão distante do campus que estávamos que apontava para duas entradas: “ALA FEMININA” e “ALA MASCULINA”.

Por acaso eu nasci cega e não sabia?

— Bom, é por aqui. Imagino que consiga achar seu quarto, a enumeração está exposta nas portas.

— Valeu, Harry. Eu dou meus pulos daqui. Foi um prazer conhecê-lo.

Eu estava tão meiga, que estava me assustando.

— Boa sorte.

Sorri e saí à procura do quarto de enumeração 104.

POR QUE UM QUARTO TÃO LONGE, SENHOR?

Isso só pode ser algum tipo de macumba do Gregory.

Finalmente: Quarto 104. Quase pude escutar o coro de “Aleluia” ao encontrar. Entrei ao quarto, e dei de cara com duas outras garotas. Uma usava saias tão curtas que cheguei a pensar na possibilidade de estar em um cabaré, e outra usava calças jeans e um moletom cinza. Sabia que não estava calor, mas não era necessário o uso de agasalhos em tempos como estes.

Joguei as malas sobre a cama, e logo após a mochila. Uma das garotas – a mais vadia – levantou-se do chão ao ver tal cena.

— Quem é você e qual a razão de ter jogado suas tralhas em minha cama? – Perguntou.

— Scarlet – respondi –, perdão... Não sabia que era sua cama.

A garota tinha cabelos louros presos em um rabo-de-cavalo. Caminhou até sua cama e jogou minhas coisas ao chão, tomando posse de todo o colchão.

— Pois agora você sabe – sorriu –, a única cama vaga é a parte de cima do beliche de Alison. Essa, é minha.

Esfaquear. Envenenar. Espancar... O que eu poderia fazer?

— O.k. – forcei um sorriso amarelado, sem confusões no primeiro dia, por favor.

A menina de moletom ajoelhou-se e me ajudou a recolher todas as malas. Chamava-se Alison, e sabia disso por conta da vadia loura.

— Obrigada – sorri, enquanto Alison carregava as malas até minha cama e as deixavam por lá.

— Não foi nada – disse –, não quer ir comigo até ao refeitório? Estão servindo sobremesa hoje, e há boatos de que a sobremesa é um bolo de chocolate.

Se há uma outra coisa que eu mais adore além de Pringles, Coca Cola, livros, seriados e música, eram bolos de chocolates. Não havia nem como recusar. Nathalia, a garota loura, não veio com a gente. Alison comentou que ninguém esperava por uma novata do dia pra noite. Mas, que ao fundo, todos conseguiriam adaptar-se com minha presença. Aquilo, de fato, me fez sentir como se eu fosse um peso morto.

O que talvez, eu realmente fosse.

O refeitório estava cheio de pessoas, e Alison ofereceu para buscar a nossa comida enquanto eu arranjava um lugar para nos sentarmos. Fui em direção a primeira mesa que vi, ajeitei-me na cadeira e por lá fiquei.

Uma invasão de pensamentos entrou em minha cabeça, quase como se eu não pudesse controlá-los. Uma faísca apareceu contra meus olhos, e por fim, um rosto lotado por cicatrizes e queimaduras. Fui desperta por tal “pesadelo” com o toque de uma bandeja contra meu cotovelo.

Levantei minha cabeça e me dei de cara com um garoto. Usava uma camiseta preta, “F CK all we need is U” estava estampado em letras brancas e grandes. Sorriu torto e cínico, era odiável o modo em que ele se parecia comigo. Detestável... Quero dizer.

— Scarlet – Alison aproximou-se –, vamos...

— O que há de errado? – Perguntei.

— Essa mesa é nossa – o garoto disse, embora não houvesse ninguém ao seu redor. – Peço que retire sua bunda gorda dessa cadeira, novata.

— Então quer dizer que em reformatórios também há pessoas retardadas como nos colegiais? – Soltei uma risada. – Pois saiba, que daqui eu não vou sair e não há quem me tire. Sente-se, Alison.

Alison tremia. Por uma fração de segundos, pensei que não teria coragem. Mas estava enganada. Alison, mesmo que parecendo não querer, sentou-se ao meu lado.

— Eu acho que você não entendeu – o garoto sorriu –, eu e meus amigos queremos nos...

— Você e quem? – Perguntei. – Que amigos? Você está tão sozinho quanto freiras em cabarés.

Alison riu, e abaixou a cabeça. O garoto em nossa frente corou. “Jason! O que houve?”, uma voz ecoou. Alison encolheu-se na cadeira, e ali eu soube que não seria boa coisa.

Era Tate, e mais um grupo de quatro pessoas. Todos nos olharam como se fossem nos expulsar dali a força, mas o garoto não permitiu.

“Está tudo bem... pessoal”, disse, antes de desaparecer com todos os seus prováveis seguidores e sentar-se em uma outra mesa.

Notas finais
NH: Vocês realmente acreditam que "está tudo bem"? dfhgd Certeza? Se não, acho que posso adiantar algo para vocês, leitores (se há de fato alguém por aqui­). Já temos o começo do nosso grande problema construído. Não percam o segundo capítulo ♡ Grandes surpresas ainda estão por vir, e sei que não vão se arrepender. Como somos duas pessoas, vamos demorar um pouco para enviar os capítulos para o nyah. Ao meu ver, duas semanas serão tempo suficiente para postarmos alguma coisa. Por enquanto,só temos isso, e espero que tenham gostado. Sugestões, como sempre, são muito bem-vindas, xoxo - H.
Até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.