Bullets and Kisses
10 Capítulo 9 – Sim ou Não?
Notas iniciais
POV Rosalie
Quando o filme começou, me senti incrivelmente tensa. Mas não sei se é pra tanto. É lógico que é pra tanto sim Rosalie! Você tá sentada praticamente no colo de um cara que você conheceu a menos de uma semana, enquanto assiste um filme mega demorado. Argh Edward! Acho que você está prestes a entrar na minha lista negra, quase cunhadinho...
Continuando meu monólogo de... raiva? Não. Frustração? Talvez. Confusão? Com certeza sim. Não sei por que, mas me sinto incrivelmente fora de órbita quando estou ao lado de Emmett. E isso francamente, não era pra acontecer. Tenho uma grande lista de problemas que não preciso agravar, e sentir qualquer coisa que não seja ódio ou amizade por alguém do sexo masculino não está incluída nas coisas a serem feitas da minha vida.
Saindo de meus devaneios, olho ao redor da sala. Bella e Edward não estão mais no sofá. Ah, que novidade! Pra falar a verdade eles passaram bastante tempo assistindo o filme (sintam a ironia), que por sinal não parece ter chegado nem na metade. Alice e Jasper parecem concentrados na sua própria bolha, conversando baixinho enquanto estão enrolados por um cobertor que eu não faço ideia de como chegou ali.
E eu? Não sei. Já disse tudo o que precisava dizer no início desse desabafo. Estou me sentindo terrivelmente fora dos padrões nessa casa, mas ao mesmo tempo é tão aconchegante que tenho vontade de não sair mais. Pelo visto, acho que Bella e Jasper não vão voltar para o Morgan essa noite, porque, han?! Eles estão super bem com suas paixonites ou quase, no caso do loiro. Acho que vou ter que voltar sozinha... Olho no relógio do celular e vejo que já passa das 00:00. Droga!
Esse filme é uma merda. Ter vindo pra cá foi uma escolha bosta. E eu quero pular de um prédio. É, talvez não essa última opção, mas as outras afirmações são verdadeiras. Tomo a decisão de ir embora sozinha. É... melhor. Levanto-me de uma vez sem dar tempo do grandão me segurar e vou em direção ao casal do chove e não molha.
— Jasper, já vou indo... Avise pra Bella, ok?! – falo cochichando ajoelhada ao lado dele.
— Por que vai agora? Ainda tá cedo, e não quero você andando sozinha à noite. – responde bancando o preocupado.
— Não se preocupe, porque como você mesmo disse: está cedo. Vou porque estou cansada, e você e a Bells parecem que vão dormir aqui, então...
— Eu posso ir com você. – ele diz já pondo-se de pé, e Alice me olha com a expressão límpida. Ela quer que ele fique, mas não quer prendê-lo.
— Não, não. Fique aqui e faça companhia a Alice. Eu vou ficar bem, sei me cuidar sozinha.
— Tudo bem, mas quando chegar no apartamento, me ligue. – ele fala, contrariado. Sei como se sente... Quer ficar com a baixinha, mas não quer que eu fique só.
— Já disse, não se preocupe comigo. Vou ficar bem – dou um beijo estalado em sua bochecha. –Boa noite. – viro o rosto para Alice. – Muito obrigada por tudo Alice! Foi ótimo te conhecer, já deu pra achar que vamos ser amigas...
— Ah Rose! Foi um prazer enorme em te conhecer também. Em conhecer todos vocês. Espero que venham mais vezes nos visitar aqui em casa, e com certeza vamos ser grandes amigas! – ela fala sorrindo de um jeito meigo.
— Qualquer dia desses vocês também estão convidados a aparecer lá no nosso apartamento. Tchau e boa noite pra vocês. Não vou nem procurar a Bella e o Ed pra desejar boa noite, porque acho que já estão tendo. – solto uma risadinha pelo nariz, junto com os dois. – Jasper, vou levar o carro, e amanhã vocês pegam um táxi, ônibus, o que for. Beijos e juízo hein... – falo levantando e pegando as chaves do carro.
Cerca de dois milésimos de segundo percebo que Emmett não está mais na sala. Melhor assim... Mas, de repente sinto uma vontade de ir ao banheiro, e imediatamente me recrimino por isso. Porque merdas eu não fui antes, ou essa súbita necessidade ficava pra depois?! Argh Deus!
— Anh, Alice, só mais uma coisa... – falo me virando e ela espera que eu termine de falar. – Onde fica o banheiro?
— Lá em cima, segunda porta à direita. – responde com um sorrisinho.
— Obrigada – ela assente, e eu caminho em direção às escadas.
Quando já estou no último degrau me deparo novamente com o corredor marrom. Sim novamente, porque já viemos aqui fazer um pequeno tour horinhas antes. Dou alguns passos, e me deparo com 4 portas. Alice falou que era a segunda à direita, mas quando giro a maçaneta, identifico rapidamente um quarto escuro, com apenas um abajur ligado e a pequena Eleanor ressonando baixinho com a cabeça afundada no travesseiro.
Não sei porque, mas sinto como se tivesse um imã me puxando em direção à cama. Então, dando alguns passos tomando cuidado para não fazer barulho, me aproximo da cama e sento na pontinha da mesma. Eleanor nem se move... Ela é realmente uma criança encantadora. O rostinho claramente deixa passar a expressão doce e pura de sua inocência, o jeitinho carinhoso que ela trata os irmãos... Tanta vida pela frente.
É bem irônico. Quando eu era pequena, era bem parecida com ela e agora vejamos o que eu consegui... Ah Rosalie, ela nunca vai passar pela sua vida de merda... Uma vozinha na minha cabeça diz enquanto eu passo a mão na sua bochecha, então me dou conta de que já se passaram quase meia hora desde que eu entrei nesse quarto. Enfim, me inclino em sua direção e beijo sua testa até que ouço um ruído vindo da porta e me viro quase que instintivamente. E adivinha só quem estava lá...
— Desculpe, eu não quis interromper. – ele diz com um sorriso mostrando que não estava nem um pouco arrependido.
— Não interrompeu, eu já estava de saída. – respondo, já em pé.
— Eu sei, mas fiquei curioso por você achar o banheiro parecido com esse quarto. – rindo, me puxa para fora e ficamos cara a cara no corredor.
— Como você...
— Eu te ouvi perguntando à Alice onde era o banheiro. Mas acho que a baixinha não sabe distinguir a direita da esquerda.
— Sua mãe não te ensinou que é feio escutar as conversas dos outros? – falo quase sem fôlego e quando me dou conta já estou prensada na parede.
— Claro que ensinou. Mas eu nunca dei ouvidos. – responde, com o sorriso que não sai do rosto. Ah meu Deus, me dê força de vontade!
— Tá, ok. Agora eu preciso ir pra casa. – respondo, reunindo o resto que sobrou da minha sanidade e saindo do aperto dos seus braços.
— Te acompanho. – ele diz com um olhar malicioso, mas ao mesmo tempo cheio de expectativas.
— Não, não precisa.
— Claro que precisa. Por favor, não me prive de fazer isso. – ainda mais esses olhos de gatinho do Shrek pra cima de mim.
— Tudo bem Emm, mas já vou avisando que vai perder seu tempo. – mesmo que eu tenha achado ser impossível, os lábios dele expressaram um sorriso ainda maior.
— Então se ficar com você for perda de tempo, eu adoraria perder o meu pra sempre!
— Aposto que fala isso para todas as mulheres. – sorrio de lado enquanto começamos a descer a escadaria.
— Não, você é a primeira. – ele responde entrelaçando nossos dedos, e rapidamente me solto, envergonhada.
— Ok, vamos logo. – chegamos à sala, e encontramos Alice e Jasper conversando. – Tchau pessoal, até mais.
— Tchau Rose, e você Emmett? Aonde vai? – Alice pergunta rindo.
— Eu vou leva-la até em casa, Alice. Jasper, vamos no meu carro então pode levar o da Rose amanhã. – meu primo assente, mas antes que Alice abre a boca para contestar, Emm retruca – Sem perguntas por enquanto, baixinha. E não se preocupe se eu não chegar cedo.
— Hmm, sei. Tá bom. Tchau Rose. – a última coisa que vejo é ela acenando, até chegarmos na garagem.
Emmett abre a porta do seu monstruoso Jeep, e me pergunta para onde deve seguir. Dou as indicações e começamos a conversar sobre amenidades até que ele faz perguntas mais pessoas e que, me deixam desconfortável.
— Fale algo sobre você. Porque veio pra Forks?
— Anh, acho que nem eu sei responder a isso. Só... parecia o certo. – respondo, sinceramente. Eu realmente não sei.
— Entendo seu lado. Tem irmãos, pais, amigos, onde você morava?
— Tenho sim. Um irmão, pais e amigos... Mas e você? O que tem por trás do bad boy mais popular da universidade? – pergunto, tentando mudar de assunto.
— O que você quer saber?
— O que acha que preciso saber? Não sei nada sobre você e já fui jantar na sua casa. Acho que preciso de informações mais precisas do que um título dado por calouros em um estabelecimento.
— Chegamos. É esse aqui? – ele ignora minha pergunta e aponta para o grande prédio cor de marfim que se ergue a nossa frente.
— É sim, obrigada pela carona. Apesar de eu ter dito que não precisava.
— Vou ficar apenas com a parte do agradecimento. Não vai me convidar para subir com você? – ele pergunta quando saio do carro.
— Na verdade não. É melhor você ir embora.
— Nossa, eu realmente não esperava isso. – ele diz, mas continua com esse sorriso idiota. Argh, por favor né. – Não tenho nada pra fazer agora, e sei que você também não. Eu poderia ficar aqui e nos conhecíamos melhor, e eu lhe faria companhia.
— Tenho certeza que outras pessoas querem desfrutar da sua companhia bem mais que eu, e não hesitariam em lhe ajudar. – digo, com o resto de orgulho que tenho.
— Ah, mas você com certeza me interessa bem mais que essas supostas pessoas. Não se preocupe eu não mordo. – ele chega por trás de mim, e sussurra no meu ouvido. – Ah não ser que você me peça.
— Não tenho medo dos seus joguinhos – respondo quase sem voz.
— Hum, ótimo. Então posso entrar? – ele pergunta com divertimento. Entramos no térreo e ele me segue até o elevador, e para a minha infelicidade (Rosalie, sua grandessíssima mentirosa!) estamos sozinhos.
— Vamos logo, Emmett. E peço que não tente fazer nada que faça com que eu me arrependa de ter deixado. – falo quando as portas do elevador fecham. Quando aperto o botão do meu andar, sinto braços fortes me puxando.
— Tipo isso?! – então ele beija.
Continua?
Fale com o autor