Bullets and Kisses

5 Capítulo 4 – Dói muito... Mas vai passar, né?


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS, É IMPORTANTE! Oi meus amores! Estou eu de volta com mais um capítulo, e espero que gostem e comentem muito. Sinto muito por ter ficado sem postar por todo esse tempo, mas como havia dito no capítulo anterior, estava em semana de provas finais, então não tive tempo. Mas agora estou de férias e vou tentar ao máximo para ficar atualizando a fic sempre. Dependendo do número de comentários os capítulos vão sair mais rápido, porque eu gosto de ter pelo menos 1 comentário para postar um próximo capítulo, e agora estou postando capítulos bem maiores, então eu peço encarecidamente que comentem ao menos para dizer que está aí, hahaha. É isso, um beijão e nos vemos na próxima.

POV Rosalie

Observo as ruas se transformarem em um borrão, enquanto sigo em direção ao apartamento. E a medida que faço esse trajeto, a chuva aparenta aumentar, e tenho uma maior dificuldade de enxergar com essa neblina toda. Lembro de tudo o que aconteceu no dia de hoje. De como me senti diferente indo para aquela nova faculdade, de que percebi que finalmente tenho a minha tão sonhada independência... Hum. Talvez não fosse tão boa assim. E finalmente lembro do garoto de covinhas e olhos azuis. Sei que devo me afastar, que ele só traria problemas pra mim, no final de tudo. Que ele provavelmente está sendo gentil comigo, mas se estiver interessado em mim, será só para uma transa rápida, e bye, bye!

Devo começar a ser mais cautelosa em relação às pessoas ao meu redor. Ninguém sabe o que os outros pensam. E infelizmente, pode-se dizer que eu sou uma fugitiva. É, isso mesmo que você acabou de ler. Mas não qualquer fugitiva; eu sou o tipo mais covarde. Estou fugindo da minha vida, dos meus problemas, e do meu passado trágico. É, eu sou uma covarde, e não sei quando me transformei nisso.

Saindo de meus devaneios, noto que o carro está muito silencioso e de repente tenho uma constatação. Está faltando uma coisa, ou melhor, alguém. Ah meu Deus! Eu esqueci a Bella! Cacete, tá fazendo o maior frio lá fora. Ela vai me matar. Ouço meu celular tocar, e rezo para que seja minha amiga. Por favor, seja a Bella! Por favor, seja a Bella! Please, seja a Bella! Olho para o visor, e sinto um misto de alívio e frustração. Por que, eu não lembrei que tinha uma baixinha morena e agitada me esperando?!

Rosalie Lilian Hale, onde é que você tá caramba?! — ela praticamente berrou no celular. — Eu tô sozinha, encharcada, e completamente congelada aqui. – então, eu ouvi o que pareceu o som de um animal morrendo, do outro lado da linha.

Olha, Bella eu sinto muito, muito mesmo por ter esquecido de você. Aguenta aí só mais um pouquinho, eu já tô chegando.

É bom mesmo! Daqui a pouco eu pego um resfriado, ou pior, uma pneumonia. Vamos, corra nesse velocímetro, se der, venha voando, porque se em 5 minutos você não estiver aqui, eu juro Rose, se a senhorita não morreu até agora, vai chegar a sua hora rapidinho, e vai ser pelas minhas mãos! uiii, que medo dela, solto uma risadinha abafada, e desligo o celular, antes que ela tenha mais tempo para falar alguma coisa.

Refaço então o trajeto em direção à universidade, e me sinto repentinamente, muito cansada. Começo a pensar, o que eu tô fazendo aqui?! Eu deveria parar de ser uma maricas, e voltar pra casa, encarar minha vida fracassada, e tentar dar a volta por cima. Deveria estar lá, apoiando meu irmão, e ajudando nas investigações, como também, cuidando do que sobrou devido uma decisão caótica. Mas não, agora que consegui minha liberdade eu tô aqui, tentando fingir que sou apenas uma adolescente de vida normal, sozinha no mundo, e que está apenas cuidando da própria vida. E vejamos aonde eu estou!

Rio internamente quando finalmente chego no estacionamento da faculdade e vejo minha melhor amiga correndo até o carro, pisando em todas as poças de lama possíveis. Eu já falei que ela é desengonçada? Pois é, ela é muito.

— Como é que você me esquece no primeiro dia de aula? Já percebeu o frio que tá fazendo lá fora?! – vejo o quanto ela está tremendo e ligo o aquecedor no máximo. – Pois é! E eu corria o risco de pegar uma doença, além de ser assaltada, morta, incinerada e jogada de um penhasco para ninguém saber de nada... – depois dessa palavra, eu parei literalmente de ouvir e me concentrei inteiramente na estrada, que por sinal, estava extremamente escorregadia.

Continuei dirigindo, até que avistei o nosso tão aconchegante, e devo admitir, longe, Morgan Hall. Dei graças a Deus assim que estacionei o carro na garagem e então corri para dentro do apartamento, sem me importar de estar molhando o piso ou não. Disparei em direção às escadas, e assim que cheguei ao meu quarto, peguei uma toalha e sandálias havaianas, e caminhei para o banheiro com o intuito de tomar um longo e demorado banho.

Despi-me e antes de entrar no chuveiro, observo minha imagem refletida no espelho. Acho que não mudei muita coisa desde a última vez que estive na Europa, mas as alterações que tive são com certeza gritantes, a começar pelo cabelo. Quando era pequena, meus cabelos eram longos e claros. Não claros do tipo tom de mel, mas sim de uma cor quase branca, a cor do primeiro raio de sol ao amanhecer... Lembro que meus pais me chamavam assim, raio de sol. Acho que não ouço isso há algum tempo...

Eu tinha olhos grandes e arregalados. Pode-se dizer que eram altamente curiosos, porque eu era assim. Meus cílios longos e fartos, destacavam uma cor diferente, mas muito bonita, que era minha íris. Herdei a cor do meu pai. Era quase um tom de cinza, escuros, mais ao mesmo tempo claros, como neblina. Sempre fui alta, e me orgulhava disso. Tinha o corpo proporcionado na medida certa, e chamava a atenção de todos os meninos que passavam. É, isso realmente não me faz falta.

Hoje, enquanto lembro isso, olho para a mulher que me tornei. Continuo alta, mas agora meus olhos estão fundos e pequenos. A cor enérgica se foi, e o brilho que sempre tinha, não se encontra mais. Meus cabelos escureceram, apesar de continuarem em um tom de loiro bonito, atualmente estão curtos comparando à tempos passados, um pouco maiores que a altura dos ombros, e acho que considero a única parte que ainda me resta de beleza em todo o corpo. Continuo magra, e meus seios estão maiores, de um jeito proporcional, e acho que disso não posso reclamar. Dou uma risadinha sarcástica, e penso no que minha mãe sempre disse: “a beleza física não importa tanto quanto a beleza interior, porque essa sim vai definir o que você é.”

Acho que não tenho mais esse quesito. Tudo o que vejo na minha frente é uma garotinha assustada, covarde e estúpida. É Rosalie, é isso que você é. Uma estúpida idiota, que tomou a pior decisão a sua vida, e agora vai pagar por isso, uma vozinha na minha cabeça diz, e antes que me dê conta, estou com o punho fincado no espelho, que agora se encontra aos pedaços, com um líquido vermelho que me dou conta ser meu sangue. Reparo que minha mão agora se encontra completamente cortada, banhada de sangue, e provavelmente com alguns cacos de vidro enfiados nela. Eu não ligo. Talvez seja melhor eu sentir dor mesmo, porque pode ser que a dor física, seja maior que a que eu estou sentindo emocionalmente.

Rapidamente, escuto um estrondo na porta, e Bella entra correndo com a cara preocupada, talvez por ter ouvido o som do vidro se quebrando, ou somente por hábito de estar cuidando de mim. Ela deveria achar que eu sou uma desequilibrada mental, mas sabe muito bem que eu nunca agi tão impulsivamente assim. Acho que pelo susto, ou apenas pelo impacto, minhas pernas começam a ceder e vou de encontro ao chão, e se não fosse pelo apoio dos braços de minha amiga, eu realmente teria caído.

— Ah meu Deus, Rose! O que aconteceu? Fala comigo por favor! – tentei de tudo para que saísse, nem que fosse uma palavra da minha boca, mas elas pareciam presas na minha garganta. – Por favor, Rose. Fala comigo, eu tô aqui. Ah Deus! Sua mão! Rose, por favor amiga! Eu tô aqui, fica calma, respira, fala alguma coisa. – ela realmente já estava começando a ficar histérica, tenho que fazer alguma coisa. Mas como, se meu corpo simplesmente não obedece?!

— B...bem. E... eu tô be...bem – consigo falar, e apesar de estar gaguejando, percebo como ela respirou fundo de alívio. Então ela me ajuda a ir ao box, e tomo um banho rápido, para que possamos ir ao hospital. Urgh, odeio hospitais. Visto minhas roupas íntimas, e cubro minha mão com uma toalha, apertando o máximo possível para estancar o sangramento.

— Vamos, temos que ir ao hospital mais próximo. Mais onde é que tem um nessa cidade, meu Deus? Não importa, vamos logo. – então, calço uma sapatilha e coloco um vestido de malha preto. Descemos as escadas, e no momento não está mais chovendo, mas o céu continua nublado.

— Bella, eu sinto muito, muito mesmo. De novo. Eu juro que nunca fiz isso, mas eu...

— Xiiiiiiiii – ela me interrompe. – Tá tudo bem, eu entendo. Você nunca fez isso, mas uma hora ou outra ia acontecer. Não que eu estivesse esperando que você se descontrolasse, mas eu sei o quanto deve ser difícil. Eu não aguentaria tanto tempo me mantendo calma assim. Você é forte Rose. Vai dar tudo certo. – me lembro do monte de vezes que ouvi essa frase. Acho que ‘tudo’ é uma palavra impactante demais. Enfim, chegamos ao carro, e nos encontramos em um pequeno dilema. Bella não sabe dirigir.

— Ah não! Não, não, não, não, não! Sem chance, você não vai dirigir esse carro com a mão assim! Nem pensar, vamos chamar um táxi, se é que nessa cidade tem um. – então ela pega o celular, e quando está a ponto de discar um número, eu seguro seu braço, com a mão boa.

— Bella, pensa bem. Eu consigo dirigir muito bem com a mão esquerda, e além do mais, chamar um táxi iria demorar muito mais, e iríamos gastar dinheiro sem necessidade. – tento fazer com que ela mude de opinião, porque do jeito que as notícias correm rápido aqui, toda a cidade iria saber da nova moradora com a mão destroçada e iriam fazer diversas especulações de como esse feito aconteceu. Portanto, chamaria a atenção para mim, e no momento isso não é bom.

— Tá, tudo bem. Mas não encosta nesse volante com essa mão, pelo amor da minha santinha! – é ela realmente estava preocupada. – Tá, vamos logo com isso. Me dá seu braço direito pra mim segurar. Anda.

— Pra quê isso? Posso saber? – dou uma risada alta, porque isso realmente é engraçado. É, ela nunca vai se acostumar a ver essas coisas.

— Como pra quê?! Eu preciso saber que você tá bem, caralho! Rosalie, isso é sério. Você pode ter uma hemorragia, e sua ignorância à isso está me incomodando. Chega de conversa, vamos logo, liga esse troço!

— Ei, ei, ei! É esse ‘troço’ que está te mantendo quentinha e protegida sabia?! E sem ele, você provavelmente estaria bem pior! – dito isso, ligo o carro, e dirijo em direção ao... Peraí.

— É, hum, Bella... Onde fica o hospital mesmo? – ouvindo isso, ela bate a mão na cabeça, e solta a MINHA mão no colo. Admito, isso doeu pra cacete!

— AAAAAAAIIIIIIIIII, putzzz, que doooooorrr!!!! – deixo sair um grito esganiçado, e depois Bella começa a pedir desculpas, e resolve que precisamos pedir informações aos moradores, sobre onde fica o tal hospital.

Pra quem fazia parte de um dos órgãos mais prestativos e inteligentes do mundo, eu estava ficando meio desleixada quanto à tomar decisões. Ah é, lembrei por que não faço mais isso. Eu não sirvo pra tomar decisões corretas. Encontramos um casal no quintal do que, parecia ser sua casa e tomamos a decisão de perguntar onde ficava o hospital. Eles deram algumas informações sobre qual o melhor caminho a tomar, e depois de um sorriso agradecido, segui as instruções de onde ficava a instalação, chegando lá alguns minutos depois. Não tinha como se perder em uma cidade tão pequena como aquela, mas enfim.

Quando descemos do carro, percebo que a toalha que antes era azul bebê, estava da cor vermelho vivo, que ficava quase roxo, misturado ao tom da toalha. Bella já está quase verde, então decidimos entrar logo, antes que alguma de nós desmaie.

Entramos, e rapidamente somos atendidas por uma mocinha, que aparenta ser poucos anos mais velha que nós, e nos dirige um sorriso receptivo, mas assim que nota minha mão esse mesmo sorriso se transforma em uma cara preocupada, e em seguida nos leva apressadamente à uma sala de tons verdes, em que se encontra um homem de jaleco branco, que rapidamente deduzi ser o médico.

— Ora, ora, se não devem ser as novas moradoras de Forks. – ele não nos olha ao falar isso, apenas lê o histórico fornecido a ele pela atendente. – Bom, sou o Dr. Daniel Sloan, mas podem me chamar apenas de Daniel. Então, vejamos o que temos aqui. – ele pega gentilmente minha mão ensanguentada, que ainda está atrelada à de Bella, sendo que esta demora um pouco para soltá-la. – Hum, está bem machucada e suponho que ainda tem fragmentos de vidro na sua mão. Temos que tirá-los e fazer uma lavagem para não infeccionar. Em seguida vou ter que dar alguns pontos. Será que as senhoritas gostariam de dizer o que aconteceu?! – percebo seu tom divertido, e acho que tenta amenizar o clima de tensão, mas tenho que dizer, não está ajudando.

— Peço desculpas, Dr. Sloan mas eu sou um pouco desastrada, e acabei caindo em cima de um copo quebrado, e me apoiei justamente com a mão direita, então aconteceu isso. – é, eu sei que a explicação foi uma bosta, mas não consegui pensar em mais nada no momento.

— Sei como é – ele deu uma risadinha – Me acompanha, senhorita...?

— Hale. Meu nome é Rosalie Hale. – aponto para Bella, que parecia ter morrido ao meu lado, porque por incrível que pareça, não expressou nem uma palavra até agora. – E essa, é minha amiga Isabella Swan.

— É um prazer em conhece-las, senhoritas. Bom, vamos cuidar dessa mão. – então ele me arrasta à sala ao lado, onde é possível ver vários medicamentos, injeções, aparelhos e outras coisas.

Então ele começa a retirar os cacos de vidro, e vejo que parece surpreso por eu ainda não ter gritado. É querido, já passei por coisas piores. Depois de algum tempo, começo a reparar que ele também parece ser novo, na faixa de uns 24 anos no máximo. Alto, forte mais não muito. A pele aparenta estar bronzeada, e fico surpresa, porque nesse lugar parece não haver sol suficiente para realizar esse feito. Cabelos claros, e acho que os olhos são verdes. Não deu tempo de analisar isso. Mas era bonito, apesar de não ser o meu tipo.

Bella está ao meu lado em quase todo processo, menos na retirada dos cacos de vidro e no momento em que ele vai dar os pontos. Quem eu quero enganar?! Ela não viu nada, porque estava morrendo de medo, hahaha. Terminados os pontos, finalmente me levanto, e agradeço ao médico por tudo.

— Muito obrigada mesmo, Dr. Sloan. Mas agora, tenho que ir, minha amiga está lá fora, provavelmente tendo um ataque por me esperar por tanto tempo. Mas, muito obrigada por tudo, pode deixar que eu vou pagar à sua recepcionista. Com licença. – então antes que eu saia, ele me puxa pelo braço que não está machucado, e me oferece uma barra de chocolate, que parece ser da marca que eu mais gosto.

— Por você ter se comportado tão bem – então começamos a rir, e seguimos de volta à recepção. – Não precisa me agradecer, senhorita Hale. Esse é o meu dever. E eu já disse que pode me chamar de Daniel.

— Então você pode me chamar de Rosalie. – estendo a mão boa em sua direção com a intenção de cumprimenta-lo e para a minha surpresa ele a pega e beija meu pulso. Dou um sorriso em agradecimento, e saio em busca de Bella.

Depois que nos encontramos, ela olha para a minha mão, que agora está enfaixada, e faz uma cara aliviada. Pagamos à recepcionista, que se despede com um olhar de satisfação no rosto, e seguimos em direção ao carro.

— Ai Rose, eu pensei que fosse morrer de preocupação! Nunca mais faça isso, por favor. – apenas balanço a cabeça, assentindo e dirijo de volta ao nosso apartamento.

Quando chegamos, já são cerca de 19:50, e decidimos pedir uma pizza. Enquanto esperamos, começamos a falar sobre o dia uma da outra sem mencionar no meu momento de idiotice de agora à tarde.

— Ai Rose, o Edward é tão lindo... Ele foi muito fofo comigo o dia todo, e eu sinceramente acho que vai rolar. Depois que você saiu a gente ficou conversando, e ele me beijou. Acredita nisso?! E foi o melhor beijo da minha vida, sério! Mas mudando de assunto... – aí vem – Você não ia me falar sobre como conheceu o grandão de covinhas não?

— Era só o que me faltava. Fico muito feliz por você e pelo Edward, só pra constar. Ele parece ser uma boa pessoa. – respiro fundo, e decido contar logo tudo de uma vez. – Bom Bella, não pode acontecer comigo nada do que você disse, pra começo de conversa. Nos conhecemos na sala em que eu fui para a palestra. Eu cheguei um pouco atrasada, porque era bem longe do campus, então o professor falou que eu não estava na sala certa, e blá blá blá. A mesma conversa de sempre. Mostrei meus documentos...

— Chega logo nos finalmentes! – a intrometida me interrompeu.

— Deixa eu concluir, ou não conto mais nada. – ela assentiu – Continuando, mostrei meus documentos, e ele se tocou que eu realmente estava no lugar correto. Não havia mais nenhum lugar sobrando na sala, a não ser ao lado do Emmet...

— Aaaaaahhhhhh, isso é tão romântico!!! Parece que foi o destino. Era mesmo pra vocês se encontrarem! – respiro fundo, e tento terminar minha narrativa antes que ela diga mais alguma coisa.

— Por favor, deixa eu terminar, aí DEPOIS, só depois você pode fazer suas suposições imaginárias, ok?! – ela assentiu novamente, e dessa vez aguardei até que ficasse literalmente calada. – Enfim, eu me sentei ao seu lado, e como você já sabe, só havia homens presentes lá – Bella já ia abrir a boca, quando eu levantei o dedo – Huhum! Não, não. Nem pense, deixa eu terminar. Bom, ele começou a me olhar, e eu dei uma, hum, conferida nele também.

— Eitaaaaaaa, que o dia foi ótimo hein, senhorita Hale?!

— Tá, chega. E, ele se apresentou, conversamos um pouco, mas o professor Singer acabou nos interrompendo. O resto você já sabe. Nos encontramos no refeitório e tudo mais.

— Por falar em refeitório, alguém ligou pra você, e eu não tive a oportunidade de perguntar quem foi... Então diga-me senhorita Rosalie Hale, quem era? Algum pretendente que eu não tenha conhecimento, ou algum investigador idiota? – me arrepiei só de pensar nessa última possibilidade.

— Não, não fala isso nem de brincadeira. E não era nada disso. Era...

— Era...?! Quem era Rose? – dei um sorriso triste ao responder.

— Era o Noah, Bella. Noah. – uma lágrima cai sozinha dos meus olhos, e tento fazer com que nenhuma outra se junte a ela.

— O... Noah?! Seu irmão, Noah?! – balanço a cabeça em sinal afirmativo. – Ah meu Deus, Rose! – ela levanta do balcão que estava sentada, e me dá um abraço apertado. – Você tá bem?

— Tô, tô ótima. Eu, falei com ele e... Tá tudo bem. Ele me pediu pra voltar, e eu o entendo Bella. Mas, acabei de conseguir minha liberdade. Não dava mais pra permanecer lá, olhar pra cara dele e relembrar o que eu fiz. Simplesmente não me sinto preparada. Quero dar tempo ao tempo, e esperar que em algum momento, toda essa dor passe. Eu sei que não é culpa dele. É minha, e eu me arrependo profundamente por isso, mas eu tenho que tentar seguir em frente, e espero com todas as minhas forças, que ele também consiga fazer isso.

— Ah Rose. Não precisa se explicar amiga. Eu entendo tudo o que você tá passando, e não sei mais o que fazer pra você não se culpar. Já se passaram 2 anos e meio Rose. Eu sei que você não queria que nada disso tivesse acontecido. A CULPA NÃO É SUA! Seu irmão sabe disso muito bem, e ele também se sente culpado, mas nem um de vocês dois é. Nenhum. E agora estamos aqui, e tudo o que você precisa é relaxar, extravasar toda essa energia negativa, e continuar sua vida. Arrumar algum gatinho... – ela faz uma cara sugestiva, e antes que eu possa responder, a campainha toca. É a pizza.

Enquanto Bella vai atender, eu penso em tudo o que ela disse. No fundo eu sei que ela tem razão. Mas não consigo deixar de ser essa pessoa dura e fria que e tornei para o mundo. É difícil, mas eu tenho que tentar seguir em frente, porque nada é definitivo e um dia, eu vou ter que voltar pra casa e enfrentar meus medos. Mas, espero que esse dia demore bastante para acontecer.

Em alguns minutos depois, Bella volta com um refrigerante e a pizza, que por sinal está com uma ótima aparência, e começamos a comer e falar bobagens. Assistimos a um filme de ação, e comemos sorvete, para logo depois irmos dormir. Quando entro no quarto, em menos de 5 segundos, minha amiga entra.

— Que foi?! – pergunto.

— Não sei. Talvez eu esteja preocupada, porque minha melhor amiga está com a mão em frangalhos, e não se importa. Ou eu apenas estou pensando em como ela vai conseguir dormir com essas merdas no punho. – ela dá de ombros, e eu deixo escapar uma risadinha.

— Ah Bellinha, não se preocupa comigo, coração. Eu tô bem, juro pra você. E a senhorita sabe muito bem que essa não é a pior coisa que já aconteceu comigo. E pode ter certeza, não vai ser a última. Vai, vai pro seu quarto dormir, porque eu tô ótima. E acorda cedo, porque eu só desperto fácil no primeiro dia de aula, porque no resto...

— Argh, tá legal. Boa noite.

— Noite. – já estou com os olhos quase fechando, portanto não digo muita coisa.

— E, Rose?!

— Hum?!

— Bellinha é a sua avó. – ouço ela dizer, e deixo um sorriso tomar de conta do meu rosto, antes de entrar na escuridão.

POV Emmett

Assim que entro no carro, vou para o banco do passageiro, e Alice começa a me bombardear de perguntas sobre minha nova ‘colega’ de aula.

— Huum, quem é a loira? Deixa eu adivinhar – ela coloca a mão no queixo como se realmente estivesse pensando sobre o assunto – ela é mais uma de suas milhares de conquistas dessa universidade. E hum, só pra constar eu acabei de trocar o sofá lá do apartamento, portanto se for levar qualquer uma das suas “amiguinhas” para lá pense duas vezes, e você também Edward. Agora, se vocês não lembram, temos a Eleanor pra cuidar e ela não é obrigada a aturar isso.

— Primeiro de tudo Alice, A LOIRA não é nenhuma conquista a mais ou a menos. Conheci ela hoje, e apesar de ser uma gata e eu ter tido muita vontade de leva-la para aquele sofá, que por sinal não está mais nesse mundo, ela não é esse tipo. Ela merece mais do que um idiota fodido que nem eu. – nem acredito que disse isso, como foi que essas palavras saíram da minha boca e eu nem percebi?! – Segundo ponto, é que não precisa se preocupar quanto à nossa irmãzinha. Eu não vou fazer nada que a chegue a constranger Elle. E terceiro ponto, eu e Edward decidimos comprar o apartamento ao lado, para que você e Eleanor ficassem mais à vontade.

— Concordo com o Emmett. Você com certeza vai se sentir bem melhor morando sem a gente, e qualquer coisa que acontecesse estaríamos ao lado. E a loira é super legal, ela merece coisa melhor que o nosso irmão. – olho pra ele com uma carranca, e o idiota apenas ri. – Aliás, mudando de assunto, já estou com uma nova pretendente, e em breve vou apresentar a você, baixinha. Talvez ela chegue a ser sua nova cunhada. – depois de ouvir isso, esqueço o que ele disse anteriormente e fico somente rindo.

— Nossa! São muitas notícias boas! Vocês morando em outro lugar?! Que maravilha! Deus ouviu minhas preces! E no primeiro dia de aula e já tenho uma suposta cunhada! Quer me dar detalhes sobre ela, por favor?! – e assim ele começa a falar da nossa nova “quase cunhada” e vamos em direção à escolinha de Eleanor, que quando chegamos já está do lado de fora nos esperando.

Depois de chegarmos em casa, Alice leva Elle para um banho, e eu vou preparar um jantar pra nós. É, eu sei cozinhar apesar de parecer uma atitude de mulherzinha, aprendi quando tinha 14 anos, com nossa madrasta Esme. Ela era legal, mas nunca ficava longe do papai, portanto o acompanhava onde quer que fosse.

Alguns minutos depois, estamos todos comendo uma macarronada com queijo e outros temperos, e suco de maracujá, que Edward acabou fazendo. Alice vai lavar a louça, então levamos Eleanor pra sala e colocamos alguns brinquedos para que possa se distrair. Passamos a noite conversando amenidades e Elle contava as novidades de sua nova escola.

— Foi ótimoooo!!! Era tudo tão colorido na minha salinha. Tinha estrelinhas no teto, e eu fiz muitos amiguinhos. Tem a Marina, o Nico, a Lalá, a Mia, o Trav... Ai, ai, são tantos, hihihi – ela começa a rir, mas ao mesmo tempo vem uma tosse esganiçada, que deduzo ser por conta a doença, então decidimos ir dormir.

Pego Eleanor em meus braços, e subo as escadas até chegar ao seu quarto. Abro a porta, e observo o quarto que Alice decorou para nossa caçula. Todos os detalhes tão delicados, sendo a cor rosa predominante. Levo-a até sua cama e antes de enrolá-la e sair do quarto, sinto um puxão no casaco.

— Canta uma musiquinha pra mim, por favor! – ela me observa com o olhar pidão.

— Eu não sei cantar minha flor. Vou chamar a Alice para fazer isso, ok?! – ela assente, mas seu rostinho está triste. – O que foi princesa? O irmão não sabe cantar, e com certeza você iria se assustar.

— Não iria não. Sua voz é ninda – rio do seu jeitinho de falar ‘linda’ – Por favorzinho Em!

— Tá, mas nunca diga isso pra ninguém, ouviu?! – olho para ela, que concorda. Meu Deus! O que eu vou fazer?! Calma Emmett, é pela Eleanor. Tudo pela sua irmã. Ninguém vai saber que você fez essa merda. Solto uma risada baixa, e começo a cantarolar uma música que mamãe costumava cantar, antes de nós dormirmos quando crianças.

What Are Words

Anywhere you are, I am near

Anywhere you go, I'll be there

Anytime you whisper my name, you'll see

How every single promise I keep

Cause what kind of guy would I be

If I was to leave when you need me most

What are words

If you really don't mean them

When you say them

What are words

If they're only for good times

Then they don't

When it's love

Yeah, you say them out loud

Those words, They never go away

They live on, even when we're gone

Quando termino, vejo que ela se encontra em um sono profundo, e um sorriso no rosto. Não acredito que fiz isso, mas faria novamente pra vê-la sorrir. Saio de seu quarto, e vejo que tudo já está escuro. Vou para a sala, e pego as chaves do meu carro, com a carteira antes de sair para minha nova hospedagem. Já está tudo arrumado mesmo, então não temos necessidade de nos preocupar.

Chego no meu quarto e guardo minhas coisas no criado-mudo perto da cama. Jogo os sapatos em algum lugar do quarto, deito no colchão, e fico olhando para o teto, até que surge a imagem da linda loira que conheci hoje de manhã. Ela com certeza não é igual a todas as outras que estudam na faculdade. Naah, realmente não é. Ela não mostrou interesse nenhum em mim, sendo que mais da metade da população feminina daquela faculdade já passou pelas minhas mãos, e a outra metade está na lista de espera.

Solto uma risada de escárnio, e lembro de todos os seus detalhes. Quando conversamos, discerni duas coisas: ela não falava muito, e quando falava era meio megera. Mas não sei... eu meio que curti isso nela. Ela armava uma fachada para manter imbecis como eu bem longe, mas aquilo me deixou ainda mais determinado. Ela era petulante e teimosa, e eu gostei disso a cada minuto que se passava.

Hum, faz tempo que não tenho um desafio assim. Vamos ver no que isso vai dar. Se ela quiser jogar, vamos jogar.

Notas finais
Comentem, please! Beijos, Mack Lutz.