Bullets and Kisses
4 Capítulo 3 – Saindo dos Eixos
Notas iniciais
POV Emmett
Abutres de merda. Eles podem esperar você por horas. Dias. Noites também. Olhando fixamente através de você, escolhendo que partes suas vão arrancar primeiro, que pedaços serão os mais doces, os mais macios, ou simplesmente a parte que será mais conveniente.
O que eles não sabem, o que nunca previram, é que a presa está fingindo. Os abutres é que são fáceis. Justamente quando eles pensam que tudo o que têm que fazer é ser pacientes, relaxar e esperar que você se acabe, é nessa hora que você ataca. É quando você os choca com sua atitude, com quão pouco está se lixando.
Um adversário na agência, algum babaca aleatório tentando expor sua fraqueza com insultos, uma mulher tentando amarrá-lo – acontece o tempo todo.
Desde muito novo eu vinha sendo bem cuidadoso para viver minha vida desse jeito. Aqueles imbecis de coração partido que saíam por aí entregando a alma à primeira interesseira que sorrisse para eles estavam fazendo tudo errado. Porém, de alguma forma, era eu que estava nadando contra a maré. Eu era a exceção. O jeito deles era o mais difícil, se você quer saber minha opinião. Deixar a emoção de fora e substituí-la pelo torpor ou pela raiva – muito mais simples de controlar – era fácil. Permitir-se ter sentimentos tornava você vulnerável.
A última vez que me permiti pensar em tal assunto, sobre sentimentos, foi há muito tempo. Lembro como se fosse hoje. Lembro também que eu me senti mais inseguro, que em todos os momentos da minha vida...
Flash Back On:
Mesmo com o suor na testa e a respiração entrecortada, ela não parecia doente. Sua pele não tinha o brilho cor de pêssego com o qual eu estava acostumado, e seus olhos não tinham mais tanta luz, mas ela ainda era bonita. A mulher mais bonita que eu jamais veria.
Sua mão caiu pesadamente a cama, e seu dedo se contorceu. Meu olhar trilhou suas frágeis unhas amareladas, subindo por seu fino braço, seguiu até o ombro ossudo, por fim se assentando em seus olhos. Ela estava olhando para mim, as pálpebras como duas fendas, abertas apenas para me mostrar que ela sabia que eu estava ali. Quando olhava pra mim, ela realmente me via. Não olhava além de mim, pensando nas dezenas de afazeres que preencheriam seu dia, nem ficava indiferente às minhas histórias idiotas. Ela me ouvia, e isso a fazia feliz de verdade. Todas as outras pessoas pareciam assentir sem ouvir, mas não ela. Ela nunca.
— Emmett – disse ela, com a voz rouca. Pigarreou, e os cantos de sua boca se viraram para cima. – Venha aqui, meu amor. Está tudo bem, vem cá.
A cutucada do meu pai me impulsionou vários passos para frente, perto o bastante para que minha mãe pudesse me tocar. Ela esticou os longos dedos, e toucou meu braço.
— Está tudo bem, Emmett – sussurrou – A mamãe tem uma coisa para lhe dizer.
Enfiei o dedo na boca e o empurrei em volta da gengiva, inquieto. Assentir fazia com que seu sorriso se alargasse, então me certifiquei de fazer grandes movimentos com a cabeça enquanto caminhava em sua direção.
— O que vou lhe pedir é muito difícil, filho. Mas sei que você consegue fazer isso, porque agora você é um garoto crescido – concordei mais uma vez, espelhando o sorriso dela. Sorrir quando ela aparentava estar tão cansada e desconfortável não parecia certo, mas ser valente a deixava feliz. Então, fui valente. – Emmett, eu preciso que você ouça o que vou dizer e, mais importantes, preciso que você se lembre disso. – ela deu uma respiração funda e cansada, então continuou –Você pode fazer isso pela mamãe? Pode tentar se lembrar do que vou dizer? – fiz que sim novamente com um movimento de cabeça, ela pôs uma das mãos na minha bochecha, mas somente por poucos segundos, antes de começar a tremer e cair de volta no colchão. – Em primeiro lugar, não tem problema ficar triste. Não tem problema ter sentimentos. Lembre-se disso. Em segundo lugar, seja criança por muito tempo. Brinque muito, Emm. Faça coisas bobas, você e seus irmãos cuidem uns dos outros, seu pai também. Mesmo quando você crescer e sair de casa é importante voltar. Tudo bem?
Mexi a cabeça para cima e para baixo, desesperado para agradá-la.
— Um dia você vai se apaixonar, meu filho. Não se acomode com qualquer uma. Escolha a garota que não vem fácil, aquela pela qual você vai ter que lutar, e então nunca deixe de lutar por ela. Nunca... – ela respirou fundo – deixe de lutar por aquilo que deseja. E nunca... – ela retraiu as sobrancelhas – nunca se esqueça que a mamãe ama você. Mesmo que você não possa me ver. – uma lágrima rolou por seu rosto. – Eu sempre, sempre vou te amar.
Ela inspirou de maneira entrecortada e então começou a tossir. A enfermeira, Becky, disse ao meu pai que era melhor trazer meus irmãos, para se despedirem. Ela então se abaixou e disse:
— Sua mãe quer ficar aqui com você. Ela gostaria muito disso. Mas Jesus quer que ela fique com ele agora.
Franzi a testa.
— Eu preciso dela mais do que Jesus.
Ela sorriu, depois beijou o topo de meus cabelos. Em seguida meu pai entrou com meus irmãos mais novos, e a pequena Elle nos braços. Edward foi na frente, enquanto Alice praticamente se jogava nos braços de nossa mãe, sem entender o que era aquilo tudo, mas já com lágrimas nos olhos, por tentar deduzir. Mamãe a abraçou, com dificuldade, mas amavelmente, e disse-lhe em seus ouvidos, algumas palavras que não pude entender. Depois chamou Edward, e repetiu o mesmo processo feito com Alice e comigo. Em seguida, estendeu seus braços, para pegar no colo, minha irmã mais nova, Eleanor.
— Eu amo muito vocês. – ela disse, com a voz entrecortada. – Muito, mesmo. Quero que independente de tudo, cada um saiba que, sempre vou estar ao seu lado. Não importa o que aconteça, nunca esqueçam o quanto a mamãe ama todos vocês, meus filhos – então, ela recomeçou a tossir, e dessa vez, não consegui pensar mais em nada, a não ser que estava perdendo minha mãe. Becky disse alguma coisa no ouvido de meu pai, e ele balançou a cabeça, fazendo sinal para meus irmãos.
— Muito bem, crianças. Agora despeçam-se de sua mãe, e Edward, leve seus irmãos para a cama. – eu sabia porque ele falava assim. Tentava ser forte na nossa frente, mas no fundo, sabia que estava arrasado. Fiquei aliviado por fazer o pedido ao meu irmão, pois eu realmente, não sei se conseguiria fazer algo naquele momento.
Então, Edward nos acompanhou em direção à escada, e foi dar um banho em Alice, enquanto eu levava Elle para o berço. Quando a estendi em direção à sua almofada, ela começou a chorar, se recusando a ficar sozinha. Eu sabia como ela se sentia, então a deixei em meus braços e fiquei balançando-a até que dormisse. Fui tomar meu próprio banho, e enquanto voltava para o meu quarto, lembrei de cada uma das palavras da minha mãe. No fundo da mina mente, prometi a ela que faria todas as coisas que ela me pedira. Assim que a tristeza fosse embora, eu sempre brincaria, e sempre lutaria, arduamente.
Flash Back Off
Decidi há um bom tempo que alimentaria dos abutres até que um colibri aparecesse. Um beija-flor. O tipo de alma que não empatasse a vida de ninguém, que simplesmente caminhasse por aí se ocupando das próprias coisas, tentando levar a vida sem puxar ninguém para baixo de suas carências e seu egoísmo. Corajosa. Inteligente. Esperta. Bonita. De fala suave. Uma criatura que arruma um companheiro para a vida toda. Inatingível até que tenha uma razão para confiar em você.
Sai de meus devaneios, enquanto olhava o relógio, parado em frente ao jatinho particular da família, esperando sair daquele lugar o mais rápido possível. Estava apressado, mas não era como se alguma coisa estivesse do outro lado do mundo, me esperando. Simplesmente não entendia em como podíamos nos atrasar tanto para uma simples viagem. Ah, eu entendia sim. Minha irmã.
— Aliceeeeeee!!!!! Vamos logo com isso! Já está tarde, e nessas horas, já devíamos estar em Forks.
— Calminha aí, grandão. O jatinho não vai sair do lugar sem a nossa permissão. Então, deixe de ser tão apressado. Estou guardando as coisas de Eleanor também, e você e Edward estão apenas olhando pro nada. – baixinha irritante. Ouço passos apressados, e me viro a tempo de ver Elle correndo na grama, em minha direção, com Edward em seu encalço.
Observo minha irmãzinha caçula correndo, e vejo o quanto ela cresceu. Acho que, de meus irmãos, a que mais se pareceu comigo, foi Eleanor. Os cabelos em torno da cintura, os olhos azuis, tão claros como água, o rostinho pálido... E lá se foi meu ânimo, pois assim que a vejo tentando recuperar o fôlego, lembro da maldita doença que minha pequena tem, apesar de ser controlada. Tumor cerebral. Não entendo como alguém tão jovem e tão cheio de vida como ela pôde ter um futuro tão...Não. Não, vai acontecer nada com ela. Isso eu não vou permitir.
— Maniiinhooo! – mais uma vez ela tenta respirar o mais profundamente que pode. – Onde voxê tava?! – rio do seu jeitinho infantil de falar.
— Oi minha flor! – pego-a em meus braços e lhe dou um abraço enquanto aspiro seu cheirinho – Eu estava aqui, sozinho, abandonado, esperando a Alice terminar de arrumar tudo pra finalmente podermos ir. – faço cara de cachorro abandonado.
— Aaah, tadinho dele, Ed. Vamo, ficar aqui com ele, esperando a maninha demolona. – seguro o riso, porque sei que ela fala a verdade.
— Hahaha, princesa, é melhor ir chamar Alice. Isso sim. Porque se ela não aparecer em 1 minuto aqui, vamos deixar que ela fique sozinha aqui. – responde Edward.
— Já cheguei, seus chatos. Se vocês não perceberam, tive que me virar sozinha em tudo. Então, se não se importam, vão pegar as malas, que estão ali na escada. Papai já sabe que estamos saindo. – urgh, que garota mandona. Bom, já falamos com o coroa, então não são mais necessárias despedidas.
Eu e Edward entramos na mansão, e pegamos as malas na escada. Quando descemos, encontramos as meninas já dentro do jatinho, já confortáveis e prontas para a decolagem. Pelo que posso ver, só falta nós dois, então corremos e o piloto nos ajuda a colocar as malas no bagageiro do avião. Seguimos para dentro, e nos acomodamos esperando o jatinho levantar voo. Depois de algum tempo, acho que cerca de algumas horas, me sinto cansado, e me entrego ao sono.
...
No dia seguinte, já reacomodados no apartamento, bagunçado desde a última vez que estivemos aqui, e que parece mais uma casa, de tão grande. Nos arrumamos, e fomos comer para ir para a faculdade, ou, no caso de Elle, escola.
— Ai, ai, ai! Tô tão animada para o meu primeiro dia de aula na escola nova. Mal posso esperar pra fazer novos amiguinhos. – sorrio ao ouvir a felicidade na voz da minha irmã caçula.
— Que bom, florzinha. Ficamos felizes de ouvir isso. – digo, e voltamos a comer, porque para falar a verdade, acho que Eleanor é a única mais animada nessa coisa toda. Ela não morava conosco nos anos anteriores, mas com o tempo “insuficiente” de nosso pai para cuidar dela, resolvemos trazê-la para morar aqui. Pelo menos até o tempo que nos resta nessa investigação, acabar.
Terminamos o café, e vamos em direção ao jipe prata, estacionado na garagem. Depois de alguns minutos de conversa, essa vinda mais por parte de Elle, deixamos primeiro ela na escola. Desço do carro, e vou deixar minha irmã na sala de aula. Rapidamente, encontro pares de olhos seguindo em nossa direção, mais especificamente em mim. Ótimo, o dia já começou bem.
— Bom dia! – disse, a mulher, que deduzi ser a professora. – Deve ser a nova aluna. Eleanor Cullen, estou certa?
— Sim, sim, sou eu! Agora, vamos! – seguro uma risadinha do jeito entusiasmado dela, enquanto puxa a mão da professora, esquecendo que ainda estou ali.
— Elle?! – chamo seu apelido. – Não vai nem me dar um abraço, não?! – então sinto seu corpinho pequeno junto ao meu enquanto ela tenta, colocar as mãos ao redor do meu pescoço.
— Tchau, irmãozinho. Dá um beijo na Ali e no Ed pra mim. – concordo, mas apenas para não decepcionar minha pequena. Não vou dar beijo na Alice, muito menos no Edward. Então, sem esperar a professora, ela saiu correndo em direção à sua sala.
— É, hum... – a suposta professora ficou sem jeito, então se esforçou para continuar. – É, acho que não fomos apresentados. Sou Camiryn James, hmmm, professora da turma que é... A Eleanor vai cursar. – tentou terminar a frase, sem gaguejar, com falta de sucesso. Okay, isso já deu o que tinha que dar, não vou me meter com a professora da minha irmã. Por mais, que a experiência fosse interessante.
— Emmett Cullen, irmão de Eleanor. – estendo a mão, ato que ela repete, e beijo a dela delicadamente, e depois escuto a buzina do meu carro sendo apertada. – Bom, foi um prazer conhecê-la senhorita James, mas infelizmente preciso ir, estou atrasado para um compromisso. Com licença. E ah, só pra avisar quem virá buscar minha irmã, não serei eu, mas Alice. Uma mulher de cabelos negros curtos, baixa e de olhos castanhos.
— Oh, sim, sim. Entendo perfeitamente – acho que ouvi um estrondo de uma cadeira caindo na sala em que ela deveria estar agora. – Eu também preciso ir, o dever me chama. Pode deixar, que quando chegar essa moça, saberei. Com licença. – então ela sai aos tropeços, em direção à sala de aula, e eu, volto para o carro, e dirijo a caminho de Forks High Scool.
O caminho da escola de Eleanor até a faculdade não é longo, e rapidamente chegamos lá. Descemos do carro e pegamos os horários. Alice faz moda, Edward pretende terminar de cursar administração, e eu faço Engenharia Mecânica. Antes de nos separar, ouço Edward dizer alguma coisa como: “Está cheio de gatinhas novas no pedaço, esse lugar continua sendo o paraíso.” Rio, e sigo a caminho da sala 306, mesmo sentindo vários pares de olhos nas minhas costas e interrupções no meio do caminho por algumas mulheres novatas, que por sinal, já querem dar uma ‘conferida’ em mim.
Depois de algum tempo, me encontro acomodado na carteira, e percebo que o público da sala é inteiramente masculino. Ahahaha, eu já devia saber, escuto uma vozinha na minha cabeça dizer. Mas, felizmente não vai ser toda aula assim. Cerca de 10 minutos se passaram, desde que o professor começou a palestra, e a sala estava quase completamente ocupada. Quase. Exatamente ao meu lado sobrou uma carteira. Melhor assim.
Então, de repente, entra na sala, uma loira. Não consigo ver nem ouvir muita coisa, mas percebo que o professor diz que ela errou a sala, mas então a moça revida, e mostra-lhe um papel, que acho que prova sua teoria de que sua sala é realmente essa. Admito, estou surpreso com essa mulher. Não são feitas apresentações, e Singer pede que ela sente-se na carteira ao meu lado, e que eu levante a mão para que ela saiba onde me encontrar. É, realmente hoje é meu dia de sorte. Levanto minha mão, e percebo que ela vem em minha direção, mas sem se importar muito com todos os olhares dirigidos a ela pela sala toda.
Quando se senta, pude perceber que nem se quer me dirigiu o olhar, e acho que não pretende. Mas, eu não fui impedido de apreciar a paisagem, e porra, ela era linda. Alta, cintura fina, e apesar de não ter o maior par de seios que já tinha visto, eram fartos e empinados, e pecebi que realmente tudo nela parecia ser perfeito. Decido chamar a sua atenção com uma cutucada, mas acho que ela não gostou. Se virou rapidamente na minha direção, com o intuito de provavelmente, me dar uma boa resposta, mas para antes de abrir a boca, fica quieta e me olha nos olhos. Percebo a cor de sua íris, e fico encantado com aquele estranho tom de cinza. Me parece, de alguma forma, familiar.
Depois de sua “análise” à minha pessoa, acho que ela vai se virar, então decido me apresentar. Apesar da surpresa, ela responde, e ouço o quanto sua voz é linda. Conversamos um pouco, e ela parece completamente desinteressada em mim. Isso é novidade.
Passo o dia lembrando da loira da primeira aula. Seu rosto, seus olhos amendoados de um jeito único e a minha constatação. Por trás da beleza e da inocência forjada, havia algo mais, algo frio e calculado. Até quando ela sorria, eu podia ver o pecado impregnado nela que casaco nenhum podia ocultar. Aqueles olhos coroavam o nariz pequenino e as feições suaves. Para qualquer outra pessoa, ela era pura e ingênua, mas aquela garota estava escondendo alguma coisa. Eu sabia disso porque esse mesmo pecado vivera dentro de mim a vida toda. A diferença era que ela o mantinha bem no fundo de si, e eu permitia que o meu saísse da jaula com regularidade.
Na hora do almoço, encontro Edward e começamos a conversar.
— E aê, mano. Como foi o dia? – pergunto.
— Cara, não poderia ter sido melhor. Especialmente porque eu conheci uma gatinha, e ela tá totalmente na minha. – isso realmente não me surpreende. Mas Edward é diferente de mim, em alguns aspectos, e esse é um deles. Ele quase sempre se apaixona por uma garota, a felizarda o deixa, e sou eu que tenho que consolá-lo dizendo ‘vai pra próxima’.
— Sério Edward?! – pergunto, sarcástico. – Me diga primeiro como ela é e o que aconteceu na aula de administração.
— Rapaz, ela... – ele é interrompido por um bando de garotas que param na nossa frente.
— Oi Emmett! – dizem em uníssono. – A gente queria saber, se você e seus irmãos não iriam querer ir na festa que vai haver na casa do Jason no sábado. – uma delas falou, levantando a saia milimetricamente a cada palavra. Estava a ponto de confirmar, mas uma lembrança me parou, dizendo que não iria dar. Eleanor.
— Infelizmente garotas, não poderemos ir esse final de semana. Tenho um compromisso importante, e meus irmãos também, e como disse, infelizmente não pode ser adiado. – respondo simplesmente.
— Owwwnnnnn – disseram, todas juntas. – isso é, realmente uma pena. Quem sabe, vocês não arrumam um tempinho pra dar uma passadinha lá, hum?!
— Com certeza, vamos tentar. – dou uma piscada de olho e com a mão no coração, como se estivesse mesmo arrependido por não poder ir a tal festa, dou meia volta, e saio de perto da estante de comida, e caminho em direção a alguma mesa vaga.
Quando estamos nos aproximando da mesa em que está o time de basquete, ouço uma voz, que esperei pra ouvir o dia todo. Só que a dona da voz estava acompanhada de uma garota de estatura média, e cabelo longo com cor chocolate.
— Man, aquela ali é a garota que eu te falei. Ah, e só pra constar, o nome dela é Isabella Swan. – e continuou a falar outras coisas que não dei ouvidos, porque estava concentrado na loira de olhos encantadores à minha frente.
Depois que nos cumprimentamos, e conheci de verdade a tal ‘só Bella’, hahaha (sim, isso ainda é engraçado), o celular de Rose (sim, você leu correto, eu a chamei de Rose) começou a tocar, e ela disse que iria atender em outro lugar, me senti meio vazio, então, quando ela ameaçou sair, eu a abracei forte. Inclinei minha cabeça até seu pescoço, e inspirei seu perfume. Ahhh, nunca tinha sentido um cheiro tão bom quanto aquele. Era um cheiro de rosas, misturado com algum aroma frutal. Combinava com ela, e isso me lembrava ao cheiro do perfume da mulher que eu mais amei na vida.
Relutantemente, a soltei de meu abraço, e senti como ela estremeceu, quando a toquei. Ela também gostou. Com a desculpa de que precisava realmente atender ao celular, ela foi caminhando até a porta do corredor, onde a saída ficava logo a direita. Alguns instantes depois, me virei e notei que meu amigo e a garota de cabelos castanhos haviam sumido. Okay, então. Melhor pra ele. Quando o intervalo acabou, depois de ter conversado com alguns colegas de fraternidade, e algumas garotas puxarem papo, que por sinal vou me lembrar mais tarde, percebi que Rose ainda não tinha voltado. Então decidi ir chamá-la, até que ouvi a última parte da conversa:
— [...] Eu também o amo muito, mesmo que talvez não acredite. – então ela ouve uma resposta, e desliga, com a feição entristecida e culpada. Não sei direito o que senti quando ouvi aquelas palavras saindo da boca dela, mas com certeza deixou um gosto amargo na minha e uma faísca de raiva, que não entendi o motivo. Decido sair e voltar por onde vim, ela já está voltando para dentro do campus.
POV Rosalie
Depois que o dia acabou, me sentia completamente exausta. Quando terminei minha conversa com Noah fiquei atordoada com tudo o que ele me falou, e com tudo o que viria a acontecer se eu não estivesse lá, para ajudá-lo. Mas, eu não posso, simplesmente não posso fazer exatamente nada no momento.
Me dirijo à garagem, esperando ansiosamente por entrar no banco macio e quentinho do meu carro, porque justamente hoje, resolveu cair uma forte chuva. Quando estou me aproximando da porta do automóvel, alguém me puxa pra trás e esbarro em uma montanha de músculos gigante. Pera aí. Tento ver alguma coisa que identifique a cara da pessoa mas é impossível, então, ouço uma das vozes que esperava ouvir de novo ansiosamente:
— Calma, sou só eu. É que queria te devolver isso. – Emmett falou e me entregou uma apostila com meu nome escrito, e que logo reconheci minha letra. – Achei que fosse sua.
— É minha sim, obrigada por ter me entregado. Aliás, onde você a encontrou? Procurei ela por todos os cantos possíveis. – perguntei.
— Estava do lado de fora do campus, na grama que você foi sentar quando recebeu aquela ligação. Acho que deve ter caído da sua bolça. – reparei que ele franziu a testa ao relembrar do meu celular. Nah, acho que deve ser imaginação minha.
— Ah, tudo bem. Obrigada novamente. – ficamos nos olhando por alguns segundos, e eu já estava ensopada. – É, hum, acho que vou entrar. Até amanhã Emmett.
— Okay. Até amanhã, Rose. – então ele me deu um abraço apertado e um beijo na bochecha, até que apareceu um volvo prata buzinando para que ele fosse pra lá. Deu pra perceber que no volante estava Edward, mas ao seu lado estava uma garota que eu nuca tinha visto antes. Dei de ombros e dei mais um tchau ao grandão de covinhas, enquanto partia com meu próprio carro em direção à minha casa, ouvindo a música que mais sentia falta de cantar. (n/a: pensem que essa música é cantada pela Rose e pela mãe dela, onde a voz da Paula é a da sua mãe, e a da Taylor, é dela).
Long Live (Paula Fernandes e Taylor Swift)
Lembrei desse sentimento
Gritando dentro de nós
Éramos todos meninos
E em cada um vivia uma paixão
Como na cena de um filme
Vencemos pesadelos
Enfrentando os dragões
Criados por nossos medos
Fruto da imaginação
De frente a uma nova era
Na onda de uma canção
Nós construímos história
Mente, alma e coração
Long live the walls
We crashed through
How the kingdom lights shined
Just for me and you
I was screaming long live
All the magic we made
And bring on all the pretenders
One day we will be remembered
I said remember this feeling
I passed the pictures around
Of all the years that we stood there
On the side-lines wishing for right now
We are the kings and the queens
You traded your baseball cap for a crown
When they gave us our trophies
And we held them up for our town
De frente a uma nova era
Na onda de uma canção
Nós construímos história
Mente, alma e coração
Long live the walls
We crashed through
How the kingdom lights shined
Just for me and you
I was screaming long live
All the magic we made
And bring on all the pretenders
I'm not afraid
Long live all the mountains we moved
I had the time of my life
Fighting dragons with you
I was screaming long live
The look on your face
And bring on all the pretenders
One day we will be remembered
Hold on
Just spinning around
Confetti falls to the ground
May these memories break our fall
Lembrei do momento
Que fiz promessa pra nós dois
Pintando o nosso destino
Puro e simples, pleno
E sem fim
Que fosse assim
Sem um "goodbye"
Fosse pra sempre um "cheguei"
O sonho que construímos
Me vi feliz, eu te achei
Será muito mais
Que achar
Será muito além
Que pensar
Long live the walls
We crashed through
I had the time of my life with you
Long, long live the walls
We crashed through
How the kingdom lights shined
Just for me and you
I was screaming long live
All the magic we made
And bring on all the pretenders
I'm not afraid
Singing
Long live all the mountains we moved
I had the time of my life
Fighting dragons with you
Long, long live
The look on your face
And bring on all the pretenders
One day we will be remembered
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