Bulletproof

2 Cap. 1: Máscaras de uma magnata


Notas iniciais
Gente, sei que faz um tempão que não apareço. Mil desculpas por isso. Sem mais delongas, o capítulo 1.

Assim que ela saiu do helicóptero, em plena pista, sentiu o cabelo revoar por sobre o rosto e viu seu assessor, postado ao lado da escadaria de seu jatinho particular.

Caminhou em sua direção, passando reto e ciente de que o homem a seguiria logo atrás, anunciando todas as novidades. Tentava ainda se acostumar com o comportamento esperado pelo mundo dos negócios, algo tão sutil, se considerado comum, mas tão perverso em sua opinião. Se pudesse, nunca trataria o senhor daquela forma imparcial e levemente rude.

Lembrava, quando pequena, costumava tratar os funcionários de uma forma igualitária, inocente... Sempre sorrindo e sendo mimada pelos adultos por suas expressões infantis.

— Srta. Fyers, o Comitê mudou o lugar da reunião de última hora... — Acompanhava pelo tablet em mãos. — Ao invés de Carolina do Norte, a reunião foi transferida para Nova Iorque, com escala em Nebraska.

A jovem suspirou, afinal, com a súbita mudança, provavelmente chegaria atrasada ao jantar em Starling City, algo que não estava muito disposta a arriscar fazer.

— Ficará hospedada no Grand Palace Hotel. — Ele prosseguiu. — É um hotel cinco estrelas muito requisitado por famosos.

A moça não achava estritamente necessário um hotel de luxo para algumas poucas horas, porém, segundo seu assessor, hotéis caros significavam dinheiro e dinheiro significava estabilidade. Assim, poderia receber maiores ofertas de empresários internacionais e reconhecimento global em um futuro próximo.

— Sr. Newman, chegarei a tempo do meu compromisso à noite?

— Sim, Srta. Fyers. Pedimos para adiantarem a reunião para as treze horas por motivos pessoais.

Ela assentiu, concordando com o feito e sentando-se na poltrona de couro do jato. Logo estariam voando e gostaria de adiantar os diversos assuntos pendentes antes de pousarem em Nebraska.

— Não posso arriscar ser vista por repórteres, não hoje. — Pestanejou. — Quais são as estatísticas contra mim, caso eu não compareça à homenagem e ao velório?

— Sua impopularidade seria relativa, mas a Hi-Tech Internacional e a Empresas Almerich eram bem fiéis ao Sr. Fyers. Creio que perderíamos seus investimentos, os quais correspondem juntos a 15% de nossas finanças. A curto prazo, desestabeleceria ainda mais esse período de sucessão, porém, a longo prazo, acabaria com a possível concorrência futura da Hi-Tech Internacional. Conseguimos informações confiáveis de que a companhia está assinando um contrato de vinte anos com o Grupo Merlyn Global.

— Impressionante... — Travou o maxilar, contendo irritação. — A Companhia Akihiro ainda está com aquela proposta de pé?

— Aparentemente, sim. Hoje pela manhã, recebemos outra ligação aguardando sua resposta.

— Hm, marque uma reunião para esta semana. Vamos romper primeiro com a Hi-Tech Internacional. Enquanto ela estiver nos apoiando, nunca conseguirei me distanciar totalmente do Grupo Merlyn Global, certo?

— Ao que tudo indica. — O Sr. Newman acenou. — Sim, seria nossa melhor chance.

— E também estaríamos rompendo antes de assinar acordo com a Companhia Akihiro. Não teríamos índices tão altos de descontentamento e não haveria o risco da Empresas Almerich desconfiar e não concordar com o nosso modo de tratar de negócios.

— Sim, Srta. Fyers.

— Muito bem... — Engoliu em seco, aliviada por ter concluído sua ideia com êxito. — Poderia inserir isso na minha pasta? Falarei com o Comitê sobre as mudanças burocráticas hoje.

— É claro, Srta. Fyers.

— E confirmou minha reserva? — Lembrou. — Com as especificações que pedi?

— Sim, Srta. Fyers, tudo conforme o planejado.

— Ótimo. — Permitiu-se dar um sorriso amável. — Obrigada, Sr. Newman.

O homem sorriu-lhe de volta e passou a escrever no tablet.

— Com licença, Srta. Fyers.

A jovem olhou um pouco para cima e fitou os quatro funcionários: dois homens e duas mulheres. Aparentemente, logo dariam início ao processo de decolagem e precisavam, devido às regras da Corporação, apresentar-se a ela. Caso a magnata não sentisse agrado ou segurança o suficiente em relação à tripulação, tinha o direito de pedir outra equipe.

— Somos sua tripulação, Srta. Fyers. — A funcionária apresentou-os. — Sou Maggie e esta é Leah e nós somos suas comissárias de bordo, responsáveis pelo seu bem-estar durante a viagem. Estes são o seu comandante, James, e seu copiloto, Uriah. — Apontou os rapazes, os quais acenaram com a cabeça respeitosamente. — Estaremos acompanhando a senhorita de Starling City à Nebraska, com tempo aproximado de três horas e meia de voo. O serviço de bordo oferecerá o que for necessário, toilet no fundo da aeronave e saídas de emergência sinalizadas, uma na frente e outra atrás. Em caso de despressurização, use as máscaras de oxigênio e respire normalmente e a base do assento oferece uma boia flutuante. Quaisquer informações a mais que precisar, estaremos a seu dispor.

— Obrigada.

Os quatro deixaram a ricaça e o seu assessor e começaram a se organizar para decolagem, a qual fora bem tranquila, apesar da pequena turbulência. Nesse meio tempo, discutiram mais sobre a empresa e analisaram gráficos e mais gráficos sobre os anos que viriam, nas mãos da pequena Fyers.

Algumas horas depois, após a escala em Nebraska, chegaram em Nova Iorque. Um carro a aguardava e, logo atrás, um outro carro acompanhavam-nos, caso houvesse qualquer imprevisto e, ambos, seguiram rumo ao hotel de luxo, o Grand Palace Hotel, enfrentando um trânsito turbulento, mas tão característico da cidade.

A fachada era suntuosa, com uma pintura na tonalidade creme e marcada por traços negros. Magnífico, imaginava. Entrou, sob a companhia do Sr. Newman e dos dois guardas e, na recepção, após o check-in, permaneceu no quarto somente a aguardar o horário da reunião, a qual seria em breve.

Decidiu não pedir serviço de quarto, pois não sentia fome. Estava apreensiva sobre o que anunciaria: rompera os laços com o Grupo Merlyn Global sem nem ao menos consultar o resto da equipe. Seu voto era o que mais pesava, porém, e se ele não contasse perante às opiniões dos outros?

Ficou refletindo até o assessor enviar um e-mail, avisando sobre o horário. Suspirou e mascarou sua preocupação ao caminhar pelo corredor do edifício, relembrando em sua mente o que deveria falar.

Ao, enfim, pisar na sala de reuniões, todos os membros da Corporação já faziam-se presentes. A jovem não chegara atrasada, tinha cumprido com o horário marcado, mas a maioria deles não expressava bom humor ou, ao menos, a boa vontade de vê-la.

— Boa tarde. Sentem-se por favor. — Apontou as cadeiras. — Agradeço por concordarem em adiantar o horário de nosso encontro.

Alguns murmuraram um "Tudo bem.", enquanto outro limitaram-se apenas a acenar com a cabeça. Notou, contando, que dos treze membros, seis estavam claramente insatisfeitos com a jovem e eram com esses que ela deveria ter cuidado e dar uma atenção especial.

— Por favor, como de costume, assinem os papéis que o Sr. Newman está distribuindo. — Molhou os lábios. — Dizem a respeito da política de sigilo sobre tudo a ser discutido hoje.

Aguardou pacientemente as assinaturas e percebeu a desconfiança dos mesmos seis, os quais liam de forma atenta o formulário, caso algo houvesse mudado e a garota tentasse dar um golpe futuro. Ela disfarçou seus sentimentos e esperou.

Quando todos estavam de acordo, conseguiu começar.

— Primeiramente, quero propor uma mudança. — Arqueou a sobrancelha. — Como já devem estar cientes, rompi esta manhã com o Grupo Merlyn Global...

— Essa decisão deveria ter sido feita em conjunto. — Um homem declarou, cortando-a. — Antes de simplesmente encerrar as alianças, a senhorita...

— Não exatamente... — Ela interrompeu-o igualmente. — Como herdeira direta da Corporação Fyers, tenho a liberdade de tomar decisões fora do Conselho, sem consultá-lo, quando a empresa em questão estiver envolvida em casos de corrupção. Está nos documentos assinados por todos vocês quando meu pai ainda estava vivo.

— Está implicando que o Grupo Merlyn Global foi cortado por isso?

— Sim.

— O que são alguns pontos de corrupção perto de perder legitimidade? — Ele começou a olhar ao redor, buscando suporte. — Agora, mais do que nunca, a senhorita precisa do apoio de pessoas como Malcom Merlyn. A Corporação Fyers precisa...

— É mesmo? — Indagou de forma cínica. — Todos concordam com isso?

Ao fitar o rosto de cada um, percebeu que, sim, consentiam.

— Ótimo, pois venho, como dizia antes do Sr. Castle privar-me de concluir meu pensamento, com uma nova ideia. Desejo encerrar a aliança com a Hi-Tech Internacional.

A sala explodiu em acirradas investidas. Cada um falando ao mesmo tempo sobre o que a jovem acabara de anunciar.

— A Hi-Tech Internacional está conosco há anos!

— Iremos à falência dessa maneira!

— Isso é ridículo! Se rompermos com a Hi-Tech Internacional, há o risco de outras empresas nos abandonarem por puro medo de serem cortadas.

A magnata ficou em silêncio, à espera das pessoas acalmarem-se. Já previa o escândalo que sua sugestão traria, mas até que apreciava aquele ambiente caótico. Lembrava seus anos na tenebrosa ilha e a constante adrenalina quanto à cada divergência de opinião acerca da questão sobrevivência.

— Por favor... — Mediu seu tom de voz sereno. — O que tenho em mente é para garantir o futuro dessa empresa... Assim que pararmos de receber fundos da Hi-Tech Internacional, nos aliaremos à Companhia Akihiro. Há bastante tempo ela aguarda nossa resposta e desejo, enfim, dá-la. A Hi-Tech Internacional está assinando um contrato com o Grupo Merlyn Global e, portanto, nos traindo... — Enviou um olhar de sabedoria silenciosa ao Sr, Castle. — E qualquer ato de traição descoberto pela Corporação Fyers será cortado pela raiz.

— É arriscado demais, Srta. Fyers... — Uma negra mordeu os lábios. — Tem certeza que é a melhor saída? Justamente nesse período de luto?

A moça respirou fundo.

— Tenho certeza de somente uma coisa... Se mostrarmos fraqueza agora, seremos vistos como um um alvo fácil pelo resto de nossas vidas.

— Então é isso? — O Sr. Castle arqueou a sobrancelha. — Uma adolescente herda uma empresa e começa com um golpe radical? A senhorita irá desmantelar o império que seu pai construiu do nada.

— Permita-me discordar... Diferente da Srta. Castle, eu não planejo deixar minha empresa à beira de um colapso mundial para depender de meu irmão. — Travou o maxilar. — Eu não serei descuidada, com as minhas próprias mãos eu protegerei a Corporação Fyers de qualquer ameaça, seja ela interna ou externa...

Com isso, a magnata conseguiu calá-lo e os outros membros aceitaram, por fim, sua capacidade de liderança.

— Podemos votar?

Todos concordaram e o rumo da empresa mudou a partir daquele momento e, puderam, então, seguir com os outros tópicos.

Ao fim da reunião, a jovem pediu por um minuto de silêncio em honra ao Sr. Fyers e, assim, cativou ainda mais os aliados, os quais levantaram-se em direção à saída em estado de satisfação, surpreendentemente. Exceto o Sr. Castle, é claro.

A garota não deixou mostrar sua postura receosa aparecer, mas sentia o perigo de continuar com um homem daqueles tão próximo das decisões da corporação.

— Quero alguém analisando cada ligação, cada conversa ou projetos assinados pelo Sr. Castle. — Murmurou para o assessor. — Tenho a impressão de que ele está nos sabotando...

O Sr. Newman assentiu, postado ao lado da empresária, fitando a saída dos representantes do Comitê, os quais falavam entre si sobre o futuro.

Quando estava a sós com o assistente, deixou-se cair em uma das cadeiras, extremamente aliviada por tudo ter dado certo.

— Pensei que a reunião nunca acabaria. — Confessou aos sussurros. — Preciso pegar um avião... Vamos, Sr. Newman. Por agora, vejo vitória.

–--+---

A jovem respirou fundo mais uma vez, fitando seu reflexo no espelho do hotel. Estava bonita, imaginava. Trajava um vestido justo e negro como a noite e scarpins de um tom avermelhado clássico, o qual lhe dava um ar ainda mais adulto. O cabelo caía em ondas pelas suas costas abertas, devido ao decote fundo da roupa, e carregava uma bolsa-carteira preta para combinar. A maquiagem mais uma vez impecável contrastava divinamente com as jóias que usava.

A razão de passar tanto tempo analisando a si mesma vinha de anos atrás, desde a ilha, onde havia se transformado em outra pessoa. De uma garota com acesso a roupas de marca e tudo que cabia-lhe importante, tornou-se uma pessoa sem possibilidade de ter uma vida de luxo e ostentação.

Sentia-se confortável e desconfortável ao mesmo tempo. Era estranho não usar couro ou coturnos, substituídos por seda ou chiffon, porém, vinha-lhe um sentimento de reconhecimento, devido ao seu tempo de menina rica. Apreciava a adrenalina pulsante e o perigo iminente, mas não reclamaria de passar a tarde em um spa.

O telefone do quarto tocou com seu som agudo, anunciando a chegada do carro. Olhou-se novamente no espelho, sacudiu o cabelo, deixando-o mais suave ao olhar, conferiu o batom e deixou o quarto.

No andar térreo, bem na entrada do hotel, havia um Audi A8 preto estacionado, aguardando-a. A porta foi aberta para ela e, graciosamente, entrou no veículo. Pôde, então, refletir mais um pouco sobre as mudanças ocorridas desde que havia conseguido sair de Lian Yu, a ilha na qual passou tormentas atrás de tormentas, mortes e sofrimento. Foram tempos difíceis, porém, necessários, admitia.

No período em que esteve cercada por água, precisou aprender a se defender sozinha, sem a escolta de guardas. Conheceu pessoas que passavam pelas mesmas circunstâncias e foi assim que sobreviveu: encontrando alguém com quem se identificar.

Em alguns minutos, avistou a fachada do restaurante, chique e iluminada. Já havia uma fila de espera grande do lado de fora, mas sua reserva já estava feita. Saiu do carro e postou-se à frente de uma moça, a qual era responsável pelas mesas.

— Boa noite, já tem reserva?

— Sim, no nome Celeste Fyers.

A mulher checou a lista e assentiu.

— Acompanhe-me, Srta. Fyers. Por aqui...

Dentro do restaurante, havia uma iluminação mais fechada, um tom mais noturno e aconchegante, com velas e telas penduradas às paredes, as quais também eram enfeitadas por cortinas de veludo. Um ambiente perfeito para apreciar uma boa culinária francesa.

Em um canto mais privado, de fato um pouco escondido e segundo suas especificações, Malcom Merlyn aguardava sentado à mesa e abriu um sorriso perverso ao vê-la.

— Aqui está. — A funcionária acenou. — Um bom jantar a ambos, com licença.

E retirou-se.

O ricaço levantou-se e puxou a cadeira à jovem, em um gesto cavalheiro, porém, com uma sutil falsidade. Certamente, tentava ao máximo cativá-la para reverter os ocorridos no encontro deles de mais cedo. Era um jogo de cintura que a jovem não tinha outra escolha senão jogar.

— Espero que não se importe, mas tomei a liberdade de juntar minha reserva à sua.

— Nem um pouco. — Também começou a jogar. — Presumo que ainda não tenha aceitado os termos de hoje de manhã...

— Foi meio precipitado, não acha?

Malcom ergueu o braço e um garçom preencheu as taças com um vinho branco.

Château Bayard. — Revelou o nome da bebida. — Ela passa anos e anos guardada em um barril de carvalho e, quando finalmente encontra-se com um teor alcoólico bom, a maioria dos lotes é atacada por um fungo... Esse fungo fica na própria madeira do barril, incumbado, eu diria, apenas à espreita. Assim, poucos são os vinhos remanescentes, boa parte simplesmente fica imprópria para consumo, desapontando aqueles que levaram tanto tempo medindo as pressões e temperaturas certas da safra. — Fitou a taça com o líquido. — Esse, por exemplo, continuou firme e está aqui, nesta noite, para podermos saboreá-lo.

Alguns segundos passaram-se sem que a moça proferisse uma só palavra. Ela estreitava os olhos levemente, de forma quase imperceptível, mas estava lá. O olhar desconfiado, sábio e ligeiramente cansado das protelações do homem.

— Está comparando nossa ex-aliança a um vinho?

— Deixarei isso por sua conta. — Ergueu a taça, ignorando o explícito "ex" da frase. — Brindaremos a quem?

A magnata suspirou levemente.

— A um novo futuro.

Merlyn não deixou o sorriso morrer, porém, ficou desconfortável e, então, brindaram. Ele ainda esperava convencer a jovem a retirar o que ela disse mais cedo, afinal, sempre conseguia o que queria.

— Creio que fizeram a reunião mensal do Conselho, não é mesmo? — Ele indagou. — Como foi?

— Dentro do esperado.

O homem deu mais um breve gole na bebida, achando graça da resposta aberta e totalmente vazia.

— Eu preferiria... — Pausou. — Com licença.

O celular de Malcom havia tocado e, ao ver quem era, recusou a chamada, deixando a garota nada mais, nada menos que curiosa. Outras três vezes o toque soou e, da mesma forma, ele não atendeu.

Aproveitando, a jovem verificou o seu celular discretamente, apenas para se deparar com uma série de mensagens e e-mails do assessor. Abriu um dos textos, o qual fora enviado há uns cinco minutos, e empalideceu. "Suas exigências não puderam ser cumpridas por completo, devido a um imprevisto na lista de reserva.".

— Pai.

A mulher ergueu a cabeça imediatamente e Merlyn respirou fundo e sorriu de modo falso, fitando o filho, Thomas, parado ao lado da mesa com uma expressão nada satisfeita.

— Pensei que tínhamos um acordo! — O jovem anunciou, frustrado. — Já não bastava tirar meu dinheiro, agora aparece no exato restaurante em que eu reservei um jantar com minha namorada?

O mais velho encarou a moça com um olhar quase sincero de desculpas e, então, voltou ao mais novo.

— Um jantar com Laurel? — Conteve a irritação de ter o próprio interrompido. — E o que exatamente Oliver faz aqui com vocês?

A garota endireitou-se ao escutar o último nome. Um nome preenchido por lembranças, lágrimas e morte; tudo guardado em segredo dentro de si, aprisionando seu passado em Lian Yu. Para não demonstrar o choque de estar presa em um restaurante onde, aparentemente, Queen estava a uns metros às suas costas e, da última vez em que se viram ela estava com um par de flechas no tórax, permaneceu em um silêncio quase mortal, aguardando o tão esperado fim da discussão entre pai e filho.

Tommy estava com o punho cerrado, o maxilar travado e iria responder, mas por alguma razão, desistiu e decidiu recomeçar:

— Pai, nós estamos tentando fazer isso dar certo! — Arquejou. — Pelo menos uma vez na vida você poderia me apoiar?

Malcom engoliu em seco, prestes a rebater, quando um senhor de meia-idade apareceu. Era provavelmente o gerente, o qual precisava manter a calma no lugar, antes que problemas fossem arranjados para ele.

— Com licença, há algum problema aqui?

Os três entreolharam-se e, logo, fitaram o gerente e o recinto como um todo com alguma desculpa sendo arrumada, mas não puderam falar, porque um outro homem surgiu. Este fez a mulher ter um frio na barriga, antecipando potenciais finais para o jantar.

— Não, senhor. — O loiro sorriu. — Estamos todos bem, perdoe o tumulto um tanto desnecessário.

Assim que conseguiu dispensar a atenção gradativa dos outros presentes no salão, Oliver Queen fitou o grupo a sua frente. Primeiro, Thomas, depois, Merlyn e, por fim, a magnata. Ele empalideceu e franziu a testa, porém, notando a expressão desesperada da moça, decidiu atuar também. Seja qual fossem seus motivos para estar ali, viva, aproveitando uma refeição com o pai do amigo e querendo esconder uma parte de sua identidade, não eram de sua conta. Não mais...

A garota quase congelou, presa em memórias e mentiras, de sua parte. Ela arrependia-se demais e uma das maiores razões para ter escolhido Starling City, além de Malcom Merlyn, era o arqueiro, pois sentia a obrigação de dar uma desculpa melhor que a própria morte, forjada na ilha. Seus planos eram adiar o encontro dos dois para alguns dias após a Corporação se acostumar com sua forma de trabalho, suas escolhas. E lá estava ele, feliz e infelizmente.

— Tommy, vamos. — Pegou o braço do moreno, fazendo menção de sair. — Laurel disse que conhece um lugar melhor...

Por um instante, pareceu querer resistir, só que, deixando o nome da amada pesar em sua consciência, o homem permitiu-se ser levado e direcionou um último olhar seco ao pai.

— Foi bom vê-lo, Sr. Merlyn. — Oliver sorriu e encarou a jovem com uma expressão significativa. — Perdoe a interrupção, Srta....

Ela ergueu um pouco o queixo, tentando transparecer qualquer pista de que o conhecesse para, dessa maneira, o empresário nâo ter qualquer vantagem ou formas de chantagem para serem usadas mais tarde, quando o jantar e a total informalidade desaparecessem e eles fossem, enfim, inimigos de negócios.

— ... Fyers. — Molhou os lábios vermelhos. — Celeste Fyers.

Notas finais
É isso. O que acharam? Comentem, ok? Até a próxima. Xxxxx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.