Bullet
7 Capítulo 7 - Finally Found You
Notas iniciais
Deixei Betty em casa e fui direto para Thornill, apesar de tudo, ainda precisava urgentemente de um banho para tirar toda aquela tinta verde do meu corpo. Ao entrar na enorme casa, percebi que o silêncio era rei e me senti aliviada por isso. Subi para o meu quarto e tranquei a porta assim que entrei, sem fazer muito barulho, é claro.
Joguei as chaves e o celular em cima da cama e me dirigi ao banheiro, tirei cuidadosamente minhas roupas e entrei embaixo do chuveiro, a água quente percorria todo meu corpo, fazendo com que cada músculo do mesmo relaxasse. Fiquei ali sentindo aquele conforto por alguns minutos, e obviamente me livrando de cada vestígio de tintura verde que havia. Me sequei e me enrolei na toalha, voltando ao quarto pude ver que meu celular estava aceso em cima da cama.
Sentei-me na ponta da cama e desbloqueei o aparelho, havia uma mensagem na caixa de textos.
"De: Betty Cooper
Para: Cheryl Blossom
Cheryl, Polly está em casa e trouxe os gêmeos, espero que possa vir almoçar conosco amanhã, minha mãe a convidou. Chegue cedo, adoramos confraternizar antes do almoço."
Um sorriso brotou instantaneamente em meu rosto, já que meus pais deram um jeito de afugentar Polly antes mesmo que ela desse a luz.
"De: Cheryl Blossom
Para: Betty Cooper
Com certeza eu irei, estou ansiosa."
Larguei o celular e fui tratar de vestir um pijama e me colocar embaixo das cobertas, estava relativamente frio hoje. Não demorou muito para que eu pegasse no sono.
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Acordei por volta das nove horas da manhã no domingo, quando alguns raios de sol entravam pelas aberturas das cortinas, meu humor estava relativamente bom e isso era extremamente raro pela manhã. Espreguicei-me e verifiquei meu celular, algumas mensagens e curtidas, nada de novo.
Escovei meus dentes e procurei uma roupa apropriada para um doce almoço de domingo na casa dos Coopers, que por acaso eram minha família também. Coloquei um vestido vermelho, algo mais sóbrio e apagado, mas sempre com a mesma marca de Cheryl, nos pés, uma bota de cano curto preta. Apanhei a chave e desci as escadas rapidamente.
— Onde pensa que vai tão cedo, Cheryl? — Penelope disse se colocando a minha frente.
— Almoçar com os Coopers, ver meus sobrinhos — sorri cordialmente e um olhar desgostoso surgiu no rosto de minha mãe.
— Filhos da cobra Cooper, aquela maldita que acabou com Jason — ela cuspiu as palavras como se fossem fogo.
— Polly? — arqueei a sobrancelha — Não seja tão cínica, vocês acabaram com Jason, Polly o fazia feliz — eu disse furiosa — Agora se me dá licença — sai esbarrando em um de seus ombros.
Penelope sempre dava um jeito de tentar estragar até a miníma faísca de felicidade que poderia brotar em mim, mas hoje eu não deixaria que isso se consolidasse. Sai de Thornhill e dirigi em direção a área mais central da cidade, que era onde Betty morava. Ao estacionar na frente pude ver que haviam duas motos, ambas com adesivos de serpente.
Desci do carro e fui até a porta, com os nós dos dedos bati.
— Já estou indo — uma voz feminina ecoou de dentro da casa.
Esperei por volta de um minuto até ouvir passos se aproximando da porta e a mesma se abrir.
— Cheryl, que bom que veio — Polly me abraçou assim que me viu.
— Polly, está magra — foi a única coisa que consegui dizer, esboçando um fraco sorriso após a frase.
— Sabe, amamentar as crianças tem feito grande parte — ela disse sorridente — Entre, estão todos lá no fundo — ela abriu passagem e eu o fiz.
— A casa dos Cooper é bem diferente do que eu imaginava — eu analisava cada pedaço e moldura nas paredes.
— Parece uma casa normal? — Polly gargalhou — Pode ter certeza que é — ela se apoiou em meus ombros e me encaminhou até os fundos.
Ao chegar no jardim que se localizava na parte de trás da casa, pude ver Betty sentada ao lado de Jughead e FP Jones a frente. Assim que me viram, Betty veio me cumprimentar.
— Fico feliz que tenha vindo mesmo — ela sorriu e me abraçou desajeitada.
— É, eu também — pronunciei ainda a abraçando — Bom, onde estão os pirralhos? — eu disse me referindo aos meus sobrinhos, oque fez com que Betty revirasse os olhos e risse.
— Vai ter que esperar um pouco, estão dormindo lá em cima — Polly disse se sentando em uma das cadeiras.
— Cheryl, você veio — olhei para trás e lá estava Alice Cooper, com um avental típico.
— Obrigada pelo convite, senhora Cooper — eu disse sorrindo.
— Não agradeça, querida — ela sorria.
— Alice, onde eu deixo... — a voz não completou a frase.
Logo atrás de Alice, estava Antoinette Topaz, a garota de cabelos rosa que não saía do meu pensamento desde a noite anterior, por mais que eu odiasse admitir isso. Ela segurava uma tigela com belas peças de carne dentro, ao me ver, um sorriso surgiu em seu rosto, e no meu, não foi diferente.
— Pode colocar em cima da mesa, Toni, obrigada — Alice disse segurando o ombro da garota, que passou por mim para chegar até a referida mesa.
— Posso vê-los dormindo? — eu perguntei olhando para Polly.
— Claro que pode, estou com preguiça para acompanhar você, segunda porta a esquerda — ela disse simples e eu assenti com a cabeça.
Fui para dentro da casa e subi as escadas lentamente, ao chegar no corredor logo localizei a porta que ela havia dito, havia as iniciais J e D ali, por mais que eu não soubesse os nomes dos gêmeos imaginei que fossem deles.
Entrei com cautela no quarto, para que eles não acordassem, o quarto possuía tons claros, algo como amarelo claro, e o cheiro era confortante e infantil. Me aproximei do berço e finalmente vi meus sobrinhos, um garoto e uma garota, assim como eu e Jason. Me arrisquei a passar uma das mãos sobre a testa do garoto, seus cabelos eram loiros assim como o de Polly mas o nariz era afilado como o de Jason, sorri ao lembrar-me do meu irmão.
— Vai acordar eles — uma voz soou próxima a mim.
— São tão lindos — eu disse tentando conter uma lágrima que ameaçava cair.
— São fofos — Toni disse se pondo ao meu lado — Bonitinhos — ela sorriu.
— Oque está fazendo aqui? — perguntei quase sussurrando para manter a harmonia no ambiente.
— Parece que Betty quer instaurar a paz totalmente — ela disse passando uma das mãos pelas traves do berço da garotinha.
— E FP? — perguntei curiosa em relação ao líder dos serpentes.
— Pelo que parece, ele e Alice tem um lance — ela sorriu maliciosa e eu arqueei a sobrancelha, afinal, nem desconfiava de tal situação.
— As coisas acontecem rápido por aqui — franzi o cenho.
— Alice já foi uma serpente, eles namoraram quando jovens — ela deu de ombros e eu pasmei de vez.
Um dos bebês tremeu como se fosse acordar e eu me afastei, oque arrancou uma risada de Toni.
— Chega por enquanto — eu disse virando as costas e indo em direção a porta.
Assim que passei pela porta a ouvi fechar, Toni havia saído exatamente no meu encalço. Dei dois passos e senti algo segurar minha mão.
— Podemos conversar? — Toni trazia consigo um ar sério — Não é nada demais — dessa vez transmitiu mais leveza, talvez tenha percebido minha preocupação.
— Claro, podemos — me encostei na parede e ela ficou a minha frente, assim como na noite passada.
— Se lembra do que eu disse ontem? — ela jogou a cabeça para o lado levemente.
— Sobre qual parte? — fingi não saber do que ela estava falando.
— Sobre Betty não ter com oque se preocupar — ela arqueou uma sobrancelha e eu suspirei fundo — Só não quero que fique assustada ou sei lá, sinceramente, não sei — ela disse meio confusa e eu sorri.
— De forma alguma, essa é você, Toni Topaz — desencostei da parede e fiquei muito próxima a ela — No final, não somos tão diferentes — sua respiração vacilava — Eu também prefiro as garotas — eu sussurrei em seu ouvido e pude perceber que ela se arrepiou.
Minha mente estava em um loop alucinante, oque eu acabara de falar não condizia com minhas ações habituais, nunca seria capaz de admitir aquilo para alguém, talvez nem para mim mesma, mas naquele momento era tudo que eu queria, e para ela.
— Mas esse é um segredo que deve ser guardado — completei me afastando dela.
— Com uma condição — ela disse e seu sorriso era malicioso.
— Qual é? — perguntei.
Em um ato rápido, senti meus lábios serem tocados por algo quente, a essa altura meus olhos estavam fechados e eu não sabia ao certo como reagir. Meu corpo foi invadido por uma sensação de calma e aconchego. Sua língua pediu permissão e eu sem hesitar deixei com que ela explorasse cada canto da minha boca, passei minhas mãos pelos cabelos macios de Toni e ela tinha os braços em volta de minha cintura de forma carinhosa. Nossas línguas dançavam em perfeita sincronia, um beijo que se mantinha calmo e harmonioso, a cada movimento eu podia sentir o gosto de menta dela, poderia ficar ali para sempre. Nos separamos quando o ar se fez necessário.
— Nossa — foi oque consegui dizer enquanto recuperava o folego.
— Seu segredo está terrivelmente bem guardado comigo — ela sorriu ofegante.
— Eu aposto que sim — fui surpreendida por um selinho.
— Vamos, eu disse que ia ao banheiro — ela disse e eu ri.
Descemos as escadas e saímos uma por vez, para que não houvesse nem uma suspeita sobre oque acabara de acontecer. Obviamente eu fui a segunda a sair, afinal, ir ao banheiro é mais rápido.
O restante da manhã foi regado por longas conversas sobre os mais variados assuntos, de alguma forma, consegui me sentir acolhida, os Coopers me trataram de forma gentil e muito amável, como se fosse meu lar. Era inevitável que alguma vez ou outra meu olhar e o de Toni se cruzassem, nos arrancando sorrisos disfarçados. Depois de muitos anos, eu finalmente estava sentido algo real, e queria muito saber onde ia dar.
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