Bullet
5 Capítulo 5 - Girls Like You
Notas iniciais
Ao voltar para casa, subi para meu quarto e ao entrar tranquei a porta. Me joguei na cama exausta, meus pés estavam me matando devido ao uso do salto alto, olhei para o relógio no criado mudo e o mesmo marcava 2 da manhã. Peguei meu celular e quando me dei em conta já estava ligando para Betty Cooper.
" Cheryl, aconteceu algo?" — a voz do outro lado da linha estava desconfiada.
" Oi prima, não aconteceu nada" — disse animada.
" Cheryl, está tarde, não sei se percebeu" — Betty saiu da festa muito antes de mim, tendo em vista que após a confusão Jughead foi embora.
" Gostaria de saber se quer fazer compras comigo amanhã" — precisava achar um programa para o final de semana, e isso não incluía ficar em casa.
" Oh... é que eu vou ajudar Jughead com a reforma do White Wyrm amanhã" — ela disse
" Ótimo, adoro trabalho voluntário, passo pra te pegar as 09, nos vemos" — disse rapidamente e desliguei, qualquer coisa pra ficar fora de casa servia.
Levantei e aproveitei para tomar um banho. Vesti meu pijama e me deitei novamente, adormeci.
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Acordei com o despertador tocando, eram 08 horas e os raios de sol invadiam as frestas da cortina vermelha. Levantei e fiz todos os procedimentos matinais, comecei a revirar meu guarda-roupas mas logo desisti quando lembrei que ajudaria em uma reforma, coloquei uma blusa simples e um short de cintura alta, um tênis casual e um lenço amarrado em meus cabelos para que eles não caíssem sobre meu rosto. Apanhei as chaves do carro e desci as escadas, Penelope e Claudius riam alto em um dos cômodos, loucos como eram provavelmente se regozijavam de alguma maldade.
Sai rapidamente para evitar outro confronto logo de manhã. Dirigi até chegar a área central de Riverdale, parei em um posto de gasolina após perceber que o carro possuía pouco combustível. Com muita dificuldade, consegui aprender a manusear a bomba, enchi o tanque e fui até o caixa pagar. Ao entrar na pequena conveniência, pude ver um rapaz alto e magro no caixa.
— Bom dia, gostaria de pagar pela bomba 2 — eu disse fazendo com que seu olhar vagarosamente pousasse em mim.
— Tá — ele disse carrancudo e começou a digitar na pequena máquina a sua frente — 40 dólares — seu olhar novamente se voltou para mim.
— Aqui está — disse tirando uma nota de 50 da carteira
O pequeno sino de porta apitou anunciando a chegada de alguém.
— Eai, Mitchel, tem oque pedi? — a voz masculina soou atrás de mim.
— Aqui está — o atendente tirou um pacote de trás do balcão, o homem que antes estava atrás de mim agora se encontrava do meu lado.
— Exatamente oque precisávamos — ele possuía cabelos pretos e olhos azuis até demais, ao perceber que eu o encarava ele sorriu — Certo, o pagamento — ele deu algumas notas para o rapaz do caixa que as guardou na caixa registradora.
Ele virou as costas e saiu pela porta, pude ver que em sua jaqueta havia uma serpente verde. Saí rapidamente atrás dele, que seguia seu caminho até a rua a pé.
— Ei, está indo para o White Wyrm — ele se virou para mim.
— Estou, Cheryl — o sorriso brotou novamente em seus lábios.
— Como sabe meu nome? — perguntei surpresa.
— Sou Joaquin, Kevin me falou sobre você — meus olhos se arregalaram, afinal, como ele conhecia Kevin e porque Kevin falara de mim — Não se preocupe, apenas coisas boas — ele riu.
— Então, te dou uma carona — subi no carro e abri a outra porta para ele, que ficou parado — Anda logo, não tenho o dia todo — ele finalmente entrou no carro.
Fomos até a casa de Betty, quando ela viu Joaquin ficou surpresa, mas logo desataram a conversar.
Chegamos até o White Wyrm e já havia certa movimentação acontecendo ali, algumas pick-ups encostadas com materiais de construção e algumas motos faziam parte do estacionamento. Descemos do carro e Jughead vinha em nossa direção.
— Cheryl, oque está fazendo aqui? — ele adotou para si um tom sério.
— Jug, está tudo bem, ela só quer ajudar — seu olhar pousou em sua amada que já o abraçava de lado, e depois se voltou para mim, que sorri.
— Tudo bem, toda ajuda é bem-vinda — ele disse ainda desconfiado.
Alguns homens mais velhos carregavam vigas de madeira para fora do bar. Realmente era uma reforma, das bem completas.
— Ei, oque está fazendo aqui — uma voz soou atrás de mim
— Eu vim ajudar na reforma — sorri de canto, por algum motivo estava nervosa com a situação.
— Ah... — a garota parecia confusa — Ótimo, há muito trabalho por aqui — ela olhou ao redor e sorriu — Pode me ajudar com as latas de tinta.
— Como quiser — sorri e ela saiu andando, apenas a segui.
Chegamos a uma pequena sala, onde haviam ferramentas e também as latas de tinta, o silêncio permanecia entre nós duas, não era tão estranho ficar perto das outras garotas como era dela, um estranho bom.
— Cheryl, pode segurar a escada pra mim? — ela disse me tirando da distração.
— Claro, posso sim — me aproximei e segurei a escada.
A cada degrau que ela subia um pedaço de suas pernas passava pelo meu campo de visão, havia sido que ela vestia um short parecido ao meu, deixando sua pele bronzeada a vista. Desconfortável com a situação, passei a fitar apenas o chão.
— Está tudo bem? — ela perguntou e eu pude perceber que ela já havia descido.
— Está tudo ótimo, parece ter algo errado? — eu disse na defensiva
— Não — ela balançou a cabeça negativamente e riu em seguida.
Empilhamos algumas latas por cor e colocamos em um canto, para que facilitasse na hora de usar.
— Então Cheryl... – Toni começou a falar me obrigando a olhar para ela – Achei que tivesse coisas mais interessantes para fazer aos sábados – ela continuava a mexer nas latas.
— Bom, acho que estou cansada do habitual – dei de ombros – Sempre tive fascínio por novas experiências – ao dizer isso um barulho estrondoso ecoou pela pequena sala e algo líquido pousou sobre meus braços e pernas.
— Droga – Toni exclamou ao olhar para si mesma e para mim – A tampa estava aberta – agora ela limpava suas mãos em um pano que havia por ali.
— Verde – foi a única coisa que consegui dizer ao perceber que estava coberta por tinta verde.
— Espera, vou limpar pra você – ela se aproximou de mim e começou a passar o pano por meus braços, tirando o excesso de tinta. Nem preciso dizer que aquilo fez meu corpo tremer.
— Ótimo, já chega – eu disse a afastando de mim, oque fez com que ela corasse – Vamos continuar, quando terminarmos vou para casa tomar banho.
Depois desse pequeno acidente, continuamos o trabalho em silêncio, nem uma das duas se arriscava a comentar sobre mais nada.
Poderiam ter se passado facilmente 2 horas nessa organização, ao final eu me encontrava sentada no chão, e Toni da mesma forma um pouco mais a frente.
— Já é meio dia – ela disse tentando cortar o silêncio – Deveria ir comer algo.
— Não estou com fome – pousei meu olhar sobre ela, seus cabelos estavam bagunçados, tirando toda a organização do rabo de cavalo.
— Agora, pode me dizer porque realmente veio até aqui – ela disse levantando uma das sobrancelhas.
— Eu já disse – tentei fingir indignação, e ela apenas jogou a cabeça para o lado – E também, porque não aguento ficar em casa – abaixei minha cabeça ao falar essa última frase.
— Ei – ela levantou e se sentou ao meu lado – Pode me contar oque está acontecendo se quiser – uma de suas pernas se encostou na minha.
— Eu só não aguento mais viver naquela casa, ao lado de pessoas perversas e indecentes – me senti a vontade ao falar aquilo, porém minha cabeça permanecia baixa – Depois que Jason se foi, ficou muito mais difícil aguentar tudo, ele me entendia e sempre me apoiou, agora estou sozinha, sem o amor até mesmo da minha mãe – senti meus olhos se encherem de lágrimas.
— Claro que não – ela disse séria, oque fez com que eu olhasse diretamente em seus olhos – Tem pessoas ótimas ao seu redor, prontas pra te ajudarem e te amar, basta você deixar que elas se aproximem – seu olhar transmitia ternura, me sentia confortável naquele minuto.
— Sempre que deixo as pessoas se aproximarem, elas acabam indo embora – a primeira lágrima escorreu por minha face, mostrando o quão vulnerável eu estava ao falar sobre aquilo.
— Se está se referindo ao Jason, foi um acidente e... – não deixei que terminasse de falar.
— Heather, esse era o nome dela – ficava cada vez mais difícil falar – Era minha melhor amiga no primário, sempre dormia em casa, uma noite minha mãe nos viu deitadas na mesma cama, depois disso nunca mais vi ou ouvi falar de Heather – desabei, coloquei minha cabeça entre os joelhos e abracei os mesmos como uma criança, fazendo com que a cena do dia citado se repetisse. Sempre fora muito difícil aceitar esse meu lado que gritava, Penelope sempre me obrigava a posar com belos garotos e eu acabei por gostar, mas nunca aceitar totalmente.
— Cheryl, eu não sabia – ela suspirou fundo, adotando um ar preocupado.
— Diga que eu não mereço amar e nem ser amada – murmurei ainda com a cabeça entre os joelhos.
— Para com isso – ela se irritou – Olha para mim – atendi a sua quase ordem – É claro que você merece amar, e mais ainda ser amada, garotas como você merecem o mundo – ela sorriu e pegou na minha mão, fazendo com que a mesma corrente elétrica percorresse meu corpo – e quando eu digo garotas como você, eu digo garotas sensacionais, lindas, incríveis e inteligentes – só consegui sorrir – Essa é a Cheryl Blossom, mais sensível do que eu podia imaginar – ela disse e rimos juntas.
Ficamos ali por mais alguns minutos, com ela me contando mais sobre a reforma e a história do White Wyrm, e sinceramente, eu não podia pensar em estar em algum outro lugar.
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