Built for sin

1 Built for sin.


Notas iniciais
Espero que gostem!

Ali estava ela se vestindo enquanto eu fumava, era realmente raro que eu o fizesse, sabia o mal que fazia, mas em situações como aquela, ou era o cigarro, ou perdia o controle.

A pele de porcelana dela contrastava com o vermelho sangue das unhas, se fosse realmente o que a cor parecia seria meu, meu sangue, pois no fundo sabia que ela me odiava por usá-la.

Eu sempre soube que o que fazíamos era errado, pecaminoso, mas eu sempre arrumava um pretexto para minha consciência para ir com ela, a garota que tinha gosto de céu, mas que Deus e eu sabíamos que era feita de pecado.

Sorriu para mim e se aproximou para me beijar, mas eu precisava resistir aquela tentação, Jesus resistira ao deserto em jejum e eu precisava me conter com relação aquela garota.

- Mirielle é melhor não, acho que nós dois temos que parar com isso. – Falei incerto, pois cada vez que meus olhos analisavam involuntariamente seu corpo, eu a desejava.

- O que foi Kyle? Você parece tão sôfrego, se quiser posso dar um fim ao seu suplicio querido. – Piscou para mim maliciosa, detestava quando usava essa linguagem mais rebuscada pelo simples fato de saber que eu achava isso excitante. Estranho? Eu diria apenas excêntrico.

- Eu estou falando sério. – Respondi a afastando, precisava me conter, por Deus, literalmente. – Quero que pegue o trem que vai sair da cidade e volte para sua faculdade!

- Depois que já caiu em tentação de novo é muito fácil não é? – Falou em tom depreciativo.

- Se você acha isso quem sou eu para mudar sua ideia? – Respondi mantendo a expressão séria, ela em um movimento rápido subiu em cima de mim e colocou as mãos no meio das minhas pernas,segurando firmemente em meu membro que reagiu rapidamente ao seu toque, senti o perigo de ceder iminente e travei. Eu não respirava, não conseguia pensar em uma forma de escapar daquela situação, mas eu precisava, não podia me dar aos prazeres da carne novamente.

- Não parece que quer que eu vá embora padre Kyle. – Sussurrou em meu ouvido e cada pelo do meu corpo se arrepiou, mas minha consciência gritava contra meus desejos insanos. Recobrei meus movimentos e a empurrei fazendo com que ela caísse no chão com um baque surdo.

- Pois é exatamente o que eu quero. – Eu estava imparcial, ia conseguir manter minha dignidade aquela vez, era o necessário. O certo.

- Largue tudo isso e fique comigo, eu te amo. – Falou colocando uma das mãos delicadas em meu rosto, seu olhar implorava, os olhos azuis marejados.

- Não posso, por favor vá embora. – Tentei parecer frio, sabia o que sentia por ela, eu a amava, mas aquilo era proibido, errado, chegava até mesmo a ser nojento.

- Tudo bem. – Ela sorriu e remexeu sua bolsa, os olhos molhados, tentando parecer forte enquanto segurava as lágrimas, mas eu a conhecia bem o suficiente para saber que logo choraria. A cena estava partindo meu coração, mas aquela era a vontade de Deus, eu havia escolhido meu celibato, precisava pedir perdão e parar. – Eu vou embora, mas você nunca mais vai me usar. – Virou-se para mim com um revolver na mão, algumas lagrimas escorrendo por sua face. A maquiagem borrada, o olhar insano. Desesperado.

- Mirielle... – Não, ela não ia fazer aquilo, Elle não era aquele tipo de garota, mas ali estava ela com aquela arma na mão apontando para meu peito. – Acalma-se pelo amor de Deus. — Tremendo coloquei o cigarro na boca, aquela podia ser a ultima vez que eu fazia meus atos inescrupulosos.

Me aproximei dela, que tremia muito, me olhava com uma mistura enorme de sentimentos. Eu lembrava de tantas coisas, tantas que havíamos passado, ela não podia fazer aquilo.

- Não existe Deus para que eu dê meu amor. Eu vou atirar. – Falou enquanto chorava, a ignorei e cheguei próximo até a arma encostar em meu peito, apontando diretamente para o meu coração.

- Se é isso que quer atire. – Olhei sem seus olhos azuis, podia ver sua hesitação no fundo.

Mirielle não teria aquela coragem e mesmo tendo certeza disso no fundo eu ainda tinha um mal pressentimento, estava me sentindo um lixo, até que ponto eu fizera ela chegar, aquela situação era minha culpa. Talvez eu merecesse morrer, mas eu não queria.

Fechei os olhos rezando para que ela largasse a arma e parasse com tudo aquilo antes que eu estivesse morto e ela fosse uma assassina.

Ouvi o barulho do tiro e só após senti a dor lancinante, abri meus olhos e fitei aqueles olhos azuis que eu tanto gostava desde pequeno, meu sangue agora estava em suas mãos e ela parecia a beira de um ataque de pânico, eu queria poder dizer algo para Mirielle, ela balbuciava desajeitados “me perdoe”. Eu a perdoei. Desejei que tudo entre nós não tivesse chegado a esse ponto, onde eu ia morrer e ela provavelmente perder toda a juventude na cadeia. Supostamente uma louca que havia matado o bom padre. Eu nunca havia sido um bom padre, eu não valia absolutamente nada, eu merecia o que estava acontecendo.

Não consegui mais manter os olhos abertos, caído no chão, mas já não havia dor, então simplesmente lembrei de quando éramos crianças e não havia nada disso, quando éramos apenas irmãos. E sorri, aceitando a morte.

Notas finais
Desejo que tenham gostado da história! Por favor sem ofensas, críticas construtivas são puro amor! Um beijo amores.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!