Budapest
10 Cap. 10 - Life happens
Notas iniciais
Ainda dentro do avião, eles o colocaram em uma maca, onde dois médicos começaram a tratar seu ferimento, estancando seu sangramento. Quando um dos agentes perguntou a Natasha quem ela era, foi fácil enganá-lo dando um nome falso e respondendo apenas que era uma agente, e que ajudara o Gavião Arqueiro a se infiltrar no prédio.
Enquanto trabalhavam para estabilizar Clint, Natasha se afastou deles, e pode ouvir um dos médicos conversando diretamente com o Diretor da SHIELD em um dos computadores no avião, explicando os riscos do que ele pedia.
– Precisamos retirar a bala, mas para isso é preciso realizar uma cirurgia bem delicada, e, portanto somente quando chegarmos a base mais próxima, poderemos dar inicio ao procedimento.
– É possível trazê-lo de volta?
– Sim, o avião tem a infraestrutura necessária para leva-lo, mas mesmo assim senhor, na situação em que o Agente Barton está, seria arriscado forçá-lo a uma viagem tão longa.
– Então eu não quero ouvir desculpas. Vocês tem o que é preciso para trata-lo neste avião, façam o que for preciso para mantê-lo vivo e tragam-no de volta.
– Mas Diretor...
– Não quero ouvir “mas”, West. Estou tomando total responsabilidade do que estou lhe pedindo para fazer. Voltem para os Estados Unidos imediatamente.
– Sim senhor.
Com as ordens explicitas do Diretor, o piloto mudou o curso do avião e eles seguiram para o país americano. Após algum tempo, Clint entubado, não havia acordado ou apresentado mudanças na sua situação.
Natasha observou quando o médico que vira a pouco, West era seu nome, se aproximou de Clint repousando a mão em seu braço.
– Clint, seu teimoso. — ele disse baixo, e Natasha pensou que talvez aquele fosse um amigo do gavião. — O que você fez agora?
Como resposta ao suspiro pesado que ele soltou, os aparelhos ligados ao peito de Clint começaram a apitar. Ele estava tendo uma parada cardiorrespiratória. O médico imediatamente pôs-se a reanima-lo.
– Você não vai morrer agora, não comigo aqui Clinton. – ele disse olhando para o monitor, que mostrava uma linha reta de batimentos, enquanto fazia a massagem cardíaca. Quando os outros paramédicos aproximaram-se ele pediu o desfibrilador, que rapidamente lhe entregaram. – Carga máxima, afastem! — o corpo de Clint se sobressaltou na maca, mas o monitor não teve mudanças. – Afastem! – e assim ele fez mais duas vezes, sem resposta. – De novo! Afastem!
Natasha já não conseguia segurar as lágrimas que irromperam por sua face, enquanto sentia seu peito apertado observando a cena.
– Clint... – ela sussurrou. – Não, não...
E então, como num milagre, de repente, o monitor voltou a mostrar os batimentos, e todos respiraram mais calmos.
– Ah, graças a Deus. – disse West, balançando a cabeça, e fechando os olhos.
Quando Clint estava novamente estabilizado, outro paramédico se aproximou e West, que ainda estava ao lado da maca, se dirigiu a ele.
– Não podemos arriscar perde-lo outra vez assim.
– O que você quer fazer?
– Vou fazer a cirurgia. – ele disse o encarando. – Temos que tirar a bala. As chances dele de sobreviver diminuem a cada segundo com ela dentro do seu organismo... Pode atingir uma artéria principal a qualquer instante se ela se mover.
– Vamos fazer então.
Os agentes prepararam uma sala para cirurgia, e levaram Clint onde permaneceram com o Gavião por intermináveis horas de angústia para Natasha.
Finalmente eles saíram de lá; a cirurgia havia sido realizada com êxito, e Natasha comemorou silenciosamente.
Horas mais tarde a aeronave pousou em uma base da S.H.I.E.L.D. nos EUA. Eles correram com Clint para dentro, encaminhando-o até a área hospitalar, esquecendo-se da presença da desconhecida no avião.
Ela encontrou uma jaqueta com o emblema da SHIELD, e vestiu-a, escondendo o sangue de Clint seco em suas roupas, e conseguiu se infiltrar entre os agentes, seguindo para a enfermaria, se escondeu do lado de fora do quarto onde ele estava sendo mantido, observando a movimentação lá dentro durante um longo tempo.
Depois que os enfermeiros saíram, restando apenas o médico que havia feito a cirurgia, e que preenchia o relatório. Um homem alto, negro, usando roupa de couro preta e um tapa-olho, surgiu com passos apressados no corredor, e entrou na pequena sala, sendo seguido por outro, um pouco mais baixo que usava um terno também preto.
Os dois entraram, e Nat aproximou-se, encostando suas costas ao lado da porta para ouvir a conversa lá dentro.
– Doutor West.
– Diretor Fury, Agente Coulson.
– Qual a situação?
– Ele está estável, no momento. Ele teve uma parada cardíaca no avião e precisamos fazer a cirurgia para retirarmos a bala, e conseguimos estancar a hemorragia. Se tivesse acertado dois centímetros mais a esquerda, poderia ter perfurado o coração, mas dessa vez ele realmente teve muita sorte. Foi necessário intubá-lo antes, mas agora ele já consegue respirar normalmente; ele deverá ficar desacordado por algum tempo, devido à medicação que lhe foi dada. Barton é forte, irá sobreviver.
Natasha suspirou aliviada ao ouvir as últimas palavras do médico.
– Obrigado, Doutor. Pode ir agora, se quiser.
– Nada além do meu trabalho, senhor. E por favor, se Clint acordar, peça a ele que não arranque a minha IV como ele sempre faz, diga apenas que West pediu. – o médico sorriu, quando Coulson assentiu. — Foi um prazer vê-los. Com licença.
Ele deixou-os, saindo sem prestar atenção na figura parada ao lado da porta.
– Foi um risco trazê-lo de volta, você sabe.
– Eu sei, Coulson. A única alternativa em que podemos acreditar por enquanto é que tenha sido a Viúva Negra a fazer isso, e nesse caso, não podíamos correr o risco de ela tentar mata-lo outra vez se ele continuasse lá, o que nós dois sabemos que ela é capaz. – Coulson assentiu. – Notícias sobre o paradeiro dela?
– Infelizmente não, senhor. Barton manteve contato durante algum tempo, mas depois, perdemos total conexão com ele. Em seu último relatório, o Gavião a havia localizado, mas não sabemos sobre o paradeiro dela desde então.
– Quero que a encontre Coulson. Se realmente tiver sido ela quem quase matou Clint, eu a quero presa imediatamente.
– Sim senhor, farei o que for preciso.
– E Phill; o que sabem sobre a mulher que emitiu a mensagem de emergência do celular do Barton?
– Até agora, quase nada. Os agentes que atuaram na extração disseram que ela afirmou ser uma agente e estar ajudando o Agente Barton em Budapeste, pedindo ajuda quando ele se feriu mais gravemente e entrando no avião junto com eles. Com a situação do Barton, eles não procuraram saber mais sobre ela, e depois que pousaram em Nova York, ela não foi vista novamente. O nome dado por ela, não consta no sistema.
– Certo. Por hora temos assuntos mais importantes a tratar, quando Barton se recuperar poderemos ver sobre isso. Agora, temos que focar em capturar a Viúva.
– Claro diretor.
Natasha escondeu-se quando percebeu a movimentação até a porta, e quando o homem branco de terno, o Agente Coulson supôs, saiu, ela aproximou-se novamente.
– Ah... Clint, Clint. – ela o ouviu suspirar. – O que você fez? Por que se deixou abater? – disse Fury para o arqueiro adormecido – Preciso de respostas que só você pode me dar. Então fique bom logo, rapaz. Precisamos de você.
Escondida, Nat viu-o saindo, seguindo o mesmo caminho que Coulson tomara minutos antes, deixando o caminho livre para que ela pudesse entrar.
Após se certificar que não havia ninguém no corredor, ela entrou, vendo Clint desacordado naquela cama; seu peito descoberto deixando a mostra o curativo no local onde a bala o atingira, os eletrodos medindo as batidas regulares de seu coração e o liquido que pingava lentamente ao seu lado, sendo conduzido até suas veias.
Ela aproximou-se do leito devagar, retirando o capuz que cobria seu rosto, e logo seus olhos estavam marejados. Droga de sentimentos, ela pensou.
Delicadamente, ela tocou sua mão, enquanto observava sua face.
– Seu idiota... Por que foi fazer isso?
– Por você. – ele respondeu lentamente, surpreendendo-a ao abrir os olhos, e ao sentir os dedos dele, segurando sua mão de volta.
– Mas ele poderia ter te matado.
– Seria por uma boa causa.
– Não, não seria. Minha vida não é um fardo seu. Você não precisava ter feito isso.
– Sim eu precisava. Fiz uma promessa a mim mesmo, naquela noite Natasha.
– E que promessa estúpida foi essa? Tentar se matar? Porque você quase conseguiu.
– Proteger você. Custe o que custar. Esse se tornou meu objetivo depois que te conheci.
– Eu estava certa. Essa é com certeza a ideia mais estupida que você já teve.
– Você mentiu para mim, Nat.
– Do que você está falando?
– Disse que não viria até aqui. Que fugiria quando eles chegassem.
– Desculpe, mas eu não suportaria fugir sabendo que você... Podia morrer Clint.
– E neste ponto, voltamos ao marco inicial. Eu morrer. Que diferença isso faria ao mundo?
– Que se ferre o mundo, a questão é você. Você não pode morrer, eu não vou deixar. Essa é a minha promessa, então. Impedir que você seja um idiota completo e acabe se matando.
– Ah é?
– Acredite se quiser, mas agora, você é a única coisa que eu tenho.
– Você tem que sair daqui. Se te pegam, você vai estar em sérios problemas.
– É verdade. Mas não me importo, porque se descobrirem que você não me matou, também ficará em uma situação delicada.
– Talvez, não por não ter te matado, mas por ter me envolvido... De modo pessoal.
– Está insinuando que gosta de mim, Agente Barton? – ela sorriu.
– Muito mais do que pensei. – ele riu fraco. – Agora vai, para o seu próprio bem. Esconda-se, e fique segura. Logo eu estarei recuperado.
– Mas você...
– Nat, por favor. Eu estou bem.
Ela bufou.
– Ok, eu vou.
– Que bom. Esteja por perto para quando eu sair daqui.
Ela o pegou desprevenido ao beijá-lo, e quando se afastou da cama, a porta se abriu novamente, revelando o Diretor Fury, juntamente com três agentes, entre eles o Agente Coulson.
– Depois que terminarem, vão até a ponte e... – o diretor interrompeu suas ordens ao perceber a presença da ruiva no quarto a sua frente. — Senhorita Romanoff?! É realmente uma ótima surpresa tê-la aqui. Você está presa. – disse ele indicando com a cabeça, para que os homens se movimentassem.
Os agentes adiantaram-se a segurando pelos braços, e diferente do que Clint imaginou que aconteceria, ela apesar de resistir inicialmente tentando soltar-se, se rendeu por fim, fácil demais.
– Diretor Fury, não. Espere, o senhor não entende... – começou Clint tentando levantar da cama, sem sucesso devido a sua condição física.
– Agente Barton, fique onde está. – avisou Coulson.
– Clint você fez um ótimo trabalho. Obrigada por trazê-la até nós.
– Não! – ele tentou continuar.
– Levem-na. – ordenou Fury, antes de arrastarem-na para fora da sala.
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