Bubbly
1 Bubbly
Notas iniciais
Dormia. Dormia feito um anjo, tão leve e calmo quanto um. Todos os traços e expressões de seu rosto descansavam, mergulhados em um sono profundo. Ele parecia distante, apesar de dividirem a mesma cama, sonhando com algo bom. Havia um sorriso em seu rosto, leve, quase imperceptível. Só ele, que o conhecia tão bem, poderia ter notado.
“I’ve been awake for a while now
You’ve got me feeling like a child now…”
Fazia algum tempo que Tom estava acordado, velando o sono de Danny. Ele sentia que poderia ficar ali por horas, daquela forma, admirando-o e sentindo o toque leve de seus braços envolvendo seu corpo, dando-lhe aquela sensação única de estar protegido, que somente ele poderia transmitir. Amavam-se. E para Tom, o simples fato de olhar para Danny e vê-lo dormindo tão calmamente ao seu lado, já era suficiente para fazê-lo feliz. Era um sentimento grande, sem palavras para descrever. Simplesmente o amava, como se fosse uma parte de si mesmo. Era um amor puro, que o fazia se sentir uma criança às vezes, que sempre descobre algo novo e fascinante todos os dias. Porque era assim que Tom sorria para Danny quando o via: como se estivesse vendo-o pela primeira vez, apaixonando-se de novo.
“Cause every time I see your bubbly face
I get the tinglies in a silly place…”
Tom estava tão perdido em seus pensamentos que levou um tempo para perceber que Danny despertava devagar. Sorriu quase que involuntariamente ao olhar naqueles olhos azuis, tão incrivelmente hipnotizantes. Beijou-lhe o rosto com carinho, sentindo o cheiro bom de sua pele, voltando a olhá-lo.
- Bom dia – sussurrou.
- Bom dia, meu pequeno – Danny respondeu com um sorriso ainda sonolento.
Era difícil escolher qual sorriso dele era melhor. Todos eram especiais de uma forma única. Tinha um para quando ele achava algo engraçado, mesmo que fosse algo idiota e sem sentido, mas que o fazia sorrir. Tinha também aquele sorriso de bom dia, ainda meio fraco e sonolento. De boa noite, boa sorte ou até mesmo aquele quando dizia a Tom que tudo ia ficar bem, quando passavam por algum momento ruim.
Mas, sem dúvida alguma, o sorriso de Danny que Tom mais gostava era aquele em que ele conseguia dizer que o amava, sem precisar dizer mais nada. Aquele sorriso que o fazia se arrepiar e sentir as borboletas fazendo cócegas em seu estômago, como aconteceu na primeira vez em que se beijaram. Era isso em Danny que havia conquistado Tom: sentir aquelas borboletas revirando dentro de si apenas vendo-o sorrir.
“It starts in my toes
Makes me crinkle my nose
Where ever it goes I always know
That you make me smile
Please stay for a while now
Just take your time
Where ever you go…”
E lá estavam as borboletas novamente, dançando no estômago de Tom enquanto Danny o beijava como sempre fazia quando acordavam. Era um arrepio que subia por todo seu corpo, desde a ponta dos dedos dos pés até os cabelos. Tomava conta dele e o resto do mundo desaparecia, e eram apenas os dois naquele momento. Fielmente entregues um ao outro, como sempre seria, e sabiam disso.
Danny então se soltou do beijo e murmurou um “eu te amo” para Tom, olhando-o nos olhos enquanto acariciava seu rosto. Pronto, era o que bastava para deixar um sorriso bobo no rosto dele o dia todo. Essa era outra mágica de Danny: fazer Tom sorrir sem o menor esforço.
- Vamos levantar pequeno, já deve ser tarde – Danny disse enquanto se sentava na beira da cama.
- Ah não, meu anjo…fica aqui, vai – Tom tentava puxá-lo de volta pelo braço, ainda deitado, falando meio manhoso – só mais um pouquinho…não custa nada. Hoje é sábado, pra quê a pressa?
Danny se virou, olhando seu pequeno e sorrindo. Ele sempre fazia aquilo quando queria algo porque sabia que o namorado não ia resistir àquele sorrisinho com aquela covinha aparecendo. Curvou-se, beijando-o no rosto onde a covinha se formava.
- E vai deixar de aproveitar o dia comigo pra ficar deitado aí? – disse rindo baixinho.
- Mas podemos aproveitar o dia aqui mesmo, só nós dois, juntinhos…
- Você sabe que não consigo ficar parado muito tempo, Tom.
- Tá bom, vai – disse sorrindo, sentando-se ao lado dele e beijando-o no ombro – vamos dar uma volta por aí…
“The rain is falling on my window pane
But we are hiding in a safer place
Under the covers staying safe and warm
You give me feelings that I adore…”
A casa deles ficava em um lugar mais afastado da cidade, entre montanhas que na maioria das vezes estavam com os picos cobertos de neve. Era bastante arborizado e tinha um lago grande bem perto. O jardim se resumia a um gramado bem verde e algumas árvores frondosas, mas bem espaçoso. Gostavam daquele lugar, era seu refúgio quando estavam cansados da vida na cidade grande e da cobrança toda que vinha por causa da banda. Ali podiam ter momentos só dos dois, podiam curtir um ao outro.
Estavam há um tempo já caminhando na grama, os dois sem os sapatos, rindo e conversando. Era incrível como o tempo passava rápido quando estavam juntos e eles não tinham receio em conversar sobre nada. Claro que às vezes Tom falava sobre algumas coisas que Danny não compreendia, mas isso só os fazia rir mais ainda.
- Ih, começou a chover – Tom disse sentindo as primeiras gotas caindo do céu nublado.
- É, e a gente nem percebeu que isso ia acontecer…
Rindo, Danny pegou Tom no colo e, pendurando-o no ombro, começou a correr em direção à casa, fazendo o namorado rir. Mas, no meio do caminho, resolveu parar e ficou girando com ele na chuva, deixando os dois ensopados em poucos minutos. Mas não ligavam, era mais uma daquelas coisas inesperadas que um dos dois fazia e só tornava tudo mais especial.
Algum tempo depois, já haviam tomado um banho quente e Tom preparara duas canecas fumegantes de chocolate quente. Sentaram-se perto da janela na sala, vendo a chuva caindo lá fora, batendo no vidro. Danny pegou um cobertor grande, enrolando-se nele junto com o namorado, enquanto tomavam o chocolate quente e riam das piadas e bobeiras que Danny falava.
Eram coisas simples, mas aquele sentimento crescente de felicidade que Tom sentia quando estava com Danny valia mais do que qualquer coisa. Ficar ali, somente abraçado com ele, quentinho e protegido, era algo que nada poderia pagar.
“What am I gonna say?
When you make me feel this way
I just…”
- Diz de novo que me ama?
- De novo, Tom? – Danny ria – desse jeito vai cansar de ouvir minha voz…
- Bobo, até parece que não me conhece…não vou cansar nunca…te amo…
- Também te amo, meu pequeno…
“I\'ve been asleep for a while now
You tucked me in just like a child now
Cause every time you hold me in your arms
I’m comfortable enough to feel your warmth…”
Tom adormecera no sofá enquanto viam um filme. Danny olhou-o e sorriu, acomodando-o melhor contra seu peito, acariciando seus cabelos. Puxou uma coberta sobre os dois, pois agora fazia um pouco de frio. Beijou Tom na testa carinhosamente, envolvendo-o com os braços e fechando os olhos.
Mesmo dormindo, o outro sentia cada toque, cada beijo, fazendo-o sorrir de leve. Mexendo-se devagar, aconchegou melhor o corpo junto ao de Danny. Respirou fundo, sentindo seu cheiro e seu calor aquecendo-o, levando-o a desejar que aquele momento jamais acabasse.
“It starts in my soul
And I lose all control
When you kiss my nose
The feeling shows
Cause you make me smile
Baby just take your time
Holding me tight…”
Agora era Tom que dormia e Danny estava ali, velando seu sono. Tiveram um dia ótimo, mais uma vez. Era incrível como nunca cansavam da compainha do outro. Pelo contrário, necessitavam estar juntos para se sentirem completos e felizes.
Danny olhava seu pequeno, dormindo calmo. Sorriu e se inclinou um pouco, beijando a ponta do nariz dele, bem devagar para não acorda-lo. Tom deu um sorrisinho de leve, deixando aparecer sua covinha, permitindo que Danny a tocasse com a ponta dos dedos. Envolveu-o nos braços em seguida, fechados os olhos. Sorrindo.
Era simplesmente isso que um representava para o outro: um sorriso. Bonito, sincero, apaixonado. Eram o motivo da própria felicidade. Já não podiam mais viver separados, porque um era a metade perdida do outro e finalmente haviam se encontrado. E jamais iriam se separar. Jamais.
Fale com o autor