B'shert
4 epílogo
I can't save us, my Atlantis, we fall
We built this town on shaky ground
I can't save us, my Atlantis, oh no
We built it up to put it down
Now all the birds have fled, the hurt just leaves me scared
Losing everything I've ever known
It's all become too much, maybe I'm not built for love
If I knew that I could reach you, I would go
— Atlantis, Seafret.
Primeiro de novembro de 1981.
Foi apenas anos depois que Remus soube que tudo não ficaria bem.
Por que seus melhores amigos, Lily e James, estavam mortos e Sirius, logo ele, fora preso como traidor, matando doze trouxas e possivelmente Peter também. Peter, que, no seu último momento, demonstrara mais coragem do que em todos os seus anos em Hogwarts.
E ele estava completamente sozinho, de novo. Sentia-se indigno de ser amado, de novo, pois não conseguia acreditar que Padfoot, seu Pads, havia cometido as atrocidades que o jornal anunciava. Se Black fosse mesmo tão ruim quanto os acontecimentos indicavam, sua bússola ainda apontaria para ele? Ainda seria sua alma gêmea?
Rapidamente pegou seu sobretudo remendado e partiu para o Beco Diagonal, esperando que as lojas estivessem abertas, pois Lupin tinha ingredientes para comprar.
— Vamos, isso precisa dar certo — pediu, ao chegar em casa com as sacolas, com o que precisava. Espalhou tudo na mesa, afastando o cachecol da Grifinória que Sirius largara ali havia duas noites, então buscou o seu velho caldeirão, na despensa que os dois compartilhavam, evitando perceber as coisas de Black ali.
Já era de noite quando Moony terminou de reproduzir aquela versão modificada de Amortentia, que complementava o projeto que era dele e… costumava ser de Lily também. Apressou-se para esfregá-la no seu pulso, então pegou sua varinha:
— Amoris Revelio — recitou, admirando a bússola, que não via fazia tanto tempo, surgir no seu pulso. Ela girou loucamente por um tempo, como de costume, então parou, apontada para o norte. Imaginou ser Azkaban, então caiu pesadamente no sofá da sala deles, ao perceber que algumas coisas nunca mudavam.
Ao mesmo tempo, Sirius Black, que já começava a sentir pesadamente o efeito dos dementadores, que estavam sempre por perto, sentia-se quase feliz por ainda poder sentir raiva. Fora enganado, estava tendo a sua felicidade cada vez mais roubada, porém ainda tinha a raiva e o desejo de um dia encontrar Peter e poder partir seu pescoço com as próprias mãos.
Afinal, havia sido jogado ali, naquela cela, como um traidor, por culpa da sua própria raiva, luto, desespero, mas também de Wormtail, que um dia jurara ser seu amigo. E hoje se amaldiçoava por não ter percebido as suas estranhezas e sumiços em Hogwarts como um divisor de águas. Afinal, pessoas escolhiam lados e ele devia ter percebido que Peter escolhera um diferente dos amigos.
Além de tudo, odiava-se por não ter confiado o suficiente em Moony, sua alma gêmea, e por não tê-lo escolhido ao invés do homem, que era mais rato do que homem. Sabia que tinha decepcionado Remus, e agora ele devia pensar que Sirius era um traidor. E talvez fosse mesmo, pois traira seus ideais e o seu amor.
Agora, só desejava sua varinha de volta para que, quem sabe, pudesse fazer o feitiço Canis Amoris Revelio, mesmo sem a poção, para que o cão achasse Moony e isso, com sorte, o dissesse algo.
Padfoot se agarrou a memória do dia que sentira o cheiro de Remus, naquela sala de aula emprestada que usavam para fazer o trabalho, dentro do caldeirão que continha a poção Amortentia. Um dia, ele jurou, seria um homem livre novamente.
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