B'shert

3 Noites Escuras Produzem Estrelas Brilhantes


Notas iniciais
ALO ALO, perdoem a demora, para variar. Novamente, agradecimentos para a rainha Lara, que betou rapidin e felizmente sempre brota quando preciso dela. xD Obrigada, Lara, você é uma super beta. A Gabi, minha amiga não mais secreta, espero que tu goste e desculpa, de novo, a demora. Espero que gostem, boa leitura!

"Fear fun, fear love
Fresh out of fucks, forever
Tryin' to be stronger for you
Ice cream, ice queen
I dream in jeans and leather
Life's dream, I'm sweet for you"

— Venice Bitch, Lana Del Rey.

“Estúpido, estúpido, estúpido!”, pensava Sirius, saindo da sala comunal da grifinória na corrida, passando por James e Lily no caminho, deixando-os extremamente confusos.

Havia acabado de conversar com Moony, e até achara que ficaria tudo bem, mas ele tivera que tentar descontrair o clima com o comentário sobre o tradicional visgo de Hogwarts… Agora tinha certeza: o relacionamento dos dois estaria arruinado para sempre e ele perdera um amigo. Porém Padfoot já havia perdido tanto nos últimos tempos, inclusive qualquer perspectiva de uma relação com seu próprio irmão de sangue, que ele não sabia se poderia suportar continuar perdendo mais e mais, como andava acontecendo.

Machucava-o tanto a possibilidade de perder Remus por algo tão idiota quanto ver Regulus andando por aí com a “elite sangue puro”, sendo o mais novo herdeiro Black. Notava-o ligeiramente perdido, diante de tanto peso nos seus ombros.

Sirius andou com pressa a caminho da torre de astronomia, lugar que gostava de ir para pensar e ver as estrelas, mesmo que naquela hora estivesse indo lá exatamente para não pensar. Contudo o dia não havia anoitecido ainda e, assim que chegou lá, não tinham estrelas no céu para confortá-lo. Então, sentando-se no chão, pensou que mesmo que houvessem estrelas no céu naquela hora do dia, nem poder ver todas elas seria o suficiente para amenizar o que sentia. Mas tudo bem, porque ainda assim esperaria o anoitecer ali, rezando para que a noite o trouxesse alguma clareza de mente. As estrelas eram a única coisa ligada a sua horrível família que nunca conseguira odiar, por mais que tivesse tentado.

Desde o dia que testaram o feitiço de Remus e Lily, uma chama brilhava dentro de Sirius, por conta da bússola que apontara, visivelmente, para ele. Chama que logo foi apagada pelos olhares aparentemente inconformados que Remus lançava para o seu próprio pulso. E tudo que ele conseguia se lembrar após isso foi o medo, o medo que cultivava cada vez mais forte nos últimos tempos e assombrava os seus sonhos: o de perder mais alguém. Do lado de fora do castelo, a guerra estourava, o que não contribuía em nada para amenizar isso.

Padfoot tentara arrumar as coisas, consolando Moony e dizendo que não havia se chateado com o acontecimento da bússola, que tinha entendido que eles tinham um forte amor fraternal, mas de alguma forma conseguira estragar tudo muito mais. Além disso, odiava-se por ter sido infiel a si mesmo. Agora gostaria de poder se socar e depois voltar no tempo. Merlin, ele diria, na verdade, que não havia nada de errado em gostar de garotos… Quem sabe até falasse para Remus algumas coisas a mais sobre como se sentia.

— Pads? — ouviu uma voz chamá-lo, interrompendo seus pensamentos. Não o surpreendeu nem um pouco que era James, com o mapa do maroto em uma mão e a outra enfiada dentro do bolso segurando alguma coisa volumosa. O amigo guardou o mapa, então se sentou ao lado de onde ele estava, no chão. Do bolso retirou uma garrafa de whisky de fogo, provavelmente contrabandeada para o castelo de Hogsmeade. — Achei que seria uma boa hora pra gente abrir isso.

Abriram a garrafa e passaram-a um para o outro até que ela estivesse quase na metade. Nesse ponto, Sirius já se sentia embriagado, pois ele dava goles grandes, ao contrário do amigo. Padfoot tomou um último gole e o apreciou descer ardendo pela sua garganta antes de decidir falar:

— Sabe, Prongs… Você tem muita sorte — dizia, enrolando um pouco a língua e olhando para o céu, que já havia escurecido. — Sabe, de ter a Lily.

— Eu tenho. — Ele parecia pensativo. — Isso é sobre Moony, não é?

Sirius franziu as sobrancelhas e só então deixou de olhar as estrelas para virar-se em direção a James.

— Como você sabe? — Então se apressou a emendar: — Você sabe, não que…

— Ah, corta essa, cara — interrompeu James. — Eu não tinha completa certeza, mas agora tenho. Olha, até Peter já se ligou de que algo está acontecendo, e olha que, para ele, isso é muito. E Lily está louca da vida, ela vive tentando ajudar, acho que ela foi a primeira a perceber, mas vocês dois é que não se ajudam.

— Não é tão simples assim — resmungou Padfoot, emburrado. — Todos parecem fugir de mim ultimamente… Regulus, Remus…

James se levantou, guardando a garrafa e decidindo que já bastava de álcool.

— Não compare Remus com a relação fodida que você tem com a sua família. — Ele tirou a capa da invisibilidade do seu outro bolso. — Algumas coisas não temos controle e não podemos mudar, o que não é o caso dessa situação… Agora vamos, se alguém achar você assim, estamos ferrados.

ღ



Dias após a conversa bêbada entre James e Sirius, as coisas ainda não haviam voltado ao normal. A única coisa que havia normalizado, de fato, era que no dia seguinte as aulas recomeçariam após as extensas férias de natal e ano novo. Pensando nisso, Padfoot levantou extremamente cedo para fazer alguns deveres que havia esquecido diante da bagunça que havia sido o feriado. Após menos de uma hora, entretanto, viu Peter se esgueirando para dentro do salão comunal da grifinória e estranhou isso, pois não o via desde o natal.

— Onde você esteve? — questionou Sirius, fazendo Wormtail pular de susto, pois achava que estava sozinho.

— Fui pra casa no natal, você sabe… emergências — respondeu, evasivo, bocejando exageradamente. Havia algo estranho no amigo, mas não conseguia dizer o que. — Sabe, está tarde, digo, cedo… acho que vou dormir. Tchau. — Então subiu apressadamente as escadas que levavam até o dormitório.

Sirius esqueceu rapidamente o que acontecera com Peter, já que estava lotado de dever para o dia seguinte e não planejava levar mais uma detenção, pelo menos não por algo tão idiota. Ele gostava de economizar as detenções para feitos grandes. Assim, passaram-se mais algumas horas até que, finalmente, a sala comunal da Grifinória começou a se encher verdadeiramente, após ter passado dias meio vazia.

Padfoot, que havia conseguido terminar seus deveres, apenas esperava os amigos aparecerem para poderem ir tomar o café da manhã no salão principal. Não esperou muito tempo, pois logo Moony sentou-se ao seu lado, casualmente, como se os dois não tivessem passado meses sem se falar direito antes do natal, agindo estranho um com o outro até então, depois da conversa que tiveram nessa mesma data.

— Vamos tomar café da manhã? — convidou Remus, levantando-se e esperando o amigo acompanhá-lo. — Acho que Peter e James já foram.

Sirius deu de ombros e o acompanhou, um pouco surpreso pela aproximação inesperada, depois de tanto tempo. Caminharam em silêncio, como andavam fazendo com frequência nos últimos tempos, apenas estando lá um para o outro. Já no salão principal, Remus caminhou até a parte mais vazia da mesa da Grifinória, Pads o seguiu confuso e ocupou o lugar ao seu lado. Os joelhos dos dois se tocaram, inesperadamente lembrando o animago que havia insinuado beijar Moony no natal, o que o fez corar e se arrepender mais um pouquinho. Repreendeu-se por isso, contudo, já bastava de autopiedade.

— Então, como anda o seu projeto? — perguntou Sirius, tentando arrumar algo para falar.

— Vai bem, estamos apenas finalizando e aprimorando algumas coisas… Você e James já pensaram em algo?

— Sim, já até começamos a trabalhar em algo — mentiu, orgulhosamente. Eles realmente tinham pensado em algumas ideias, mas não tinham decidido por nenhuma delas ainda. — Você vai ter que esperar para ver.

— Ah, que bom… — Moony respirou fundo, como se estivesse tentando criar coragem para falar algo. — Olha, eu conversei com a Lily a respeito do nosso projeto e… Ah, que droga, Sirius.

— O que é uma droga? — questionou, um pouco ofendido que a conversa estivesse tomando rumos mais ásperos.

— A droga é que na verdade não havia nada de errado com o feitiço que criamos. — Remus ia ficando vermelho e com as pupilas cada vez mais dilatadas. Ele parecia com raiva, pois tomou fôlego, então começou a falar num tom rápido e baixo, já que a mesa se enchia cada vez mais e Moony não gostaria que a conversa se tornasse pública. — Porcaria de amor fraternal nenhum, Pads. Bom… não para mim.

— Remus… — Sirius começou a falar, com os olhos arregalados e meio perplexo.

— Não diga nada — pediu rapidamente, interrompendo qualquer que fosse a coisa que Padfoot iria falar.

Sirius Black, no entanto, possuía tanta coisa para falar. Tanta, que não gostou nem um pouco do fato que fora silenciado assim, após a bomba ser jogada no seu colo, mas teve que se conter, porque não demorou muito e os amigos se juntaram a eles. Estes, que não tinham nenhuma pista da conversa que havia acabado de acontecer, já chegaram conversando sobre os deveres que tinham que entregar no dia seguinte.

Inconsolado com a interrupção, Padfoot foi embora, com destino a sala que Remus e Lily tinham emprestado para o projeto, com apenas uma grande ideia em mente. Ele sabia exatamente o que fazer para Remus ouvi-lo.

ღ



Com o mapa do maroto e a capa de James no bolso, após um longo dia de trabalho, Sirius correu para o dormitório dos meninos, seguindo diretamente para a cama de Remus. Sentia-se cansado com o tanto de coisa que fizera naquele único dia, mas se forçou a seguir o seu plano com afinco. Abriu as cortinas da cama de Moony e arrancou-lhe as cobertas, fazendo-o soltar um palavrão enquanto acordava no susto.

— Você precisa vir comigo, agora! — exclamou Sirius, agarrando a mão de Moony, arrastando-o até o salão comunal sem dá-lo chance de responder. Lá embaixo, ele jogou a capa sobre o ombro dele e do amigo, que ainda estava sonolento demais para reagir propriamente e só o seguiu. Pegou o mapa do maroto e caminhou apressadamente, arrastando Remus por quase todo o caminho.

— Que diabos, Pads… — reclamou Remus, ofegante com a quantidade de degraus que subiam.

— Cala a boca, ou daqui a pouco Filch vai estar na nossa cola, e eu não quero que isso aconteça — respondeu, nervoso, enquanto checava o mapa do maroto para conferir algo.

Remus estava confuso e com sono, mas concordou. Não era a primeira vez que Pads o tirava da cama para alguma maluquice no meio da noite, no entanto, devido o que falara mais cedo, não esperaria isso hoje. Todavia, quando chegaram a torre de astronomia, realmente não sabia mais o que esperar daquela situação. Será que Sirius estava bravo pelo que o garoto falara mais cedo e ele chutaria a sua bunda ali de cima?

— E então? — indagou Moony a Black, que encarava as estrelas, parecendo quase feliz. Merlin, que seja dito: ele parecia louco com os olhos fundos e o cabelo longo bagunçado. Além disso, Padfoot cheirava àquele cigarro trouxa que tanto gostava e fumava por rebeldia. — Por que diabos você me arrastou para fora da cama no meio da noite, Sirius?

— Eu estive trabalhando em algo hoje — revelou o amigo, misteriosamente. Ele continuava encarando as estrelas, fascinado. — Você sabia que existe um feitiço em que você pode conjurar um animal para rastrear coisas? Eu li num livro semana passada.

— Não, eu… O que isso tem a ver com você ter arrastado até aqui agora, Sirius? — Moony se irritou, afinal, não estava sendo privado do seu sono para Sirius ficar construindo um drama misterioso. — Ao menos olhe para mim!

Pads se virou, olhando-o diretamente nos olhos. Ele realmente parecia feliz… Parecia brilhar, assim como a estrela que era.

— Eu fiz algumas modificações no seu trabalho, espero que não se importe. — Ele andou em direção a Moony.

— Do que você está falando, Sirius?

Padfoot pegou um frasco do bolso, que Moony reconheceu ser a poção modificada que

usavam em Amoris Revelio, destampou o frasco e posicionou-o no chão. Tirando a varinha do bolso, apontou para o local e recitou: — Canis Amoris Revelio!

Do frasco, saiu um grande cachorro preto, que avançou na direção de Remus, pulando em cima dele e derrubando-o no chão. Sirius realmente havia modificado o feitiço, “substituindo a bússola”, notou Moony, com lágrimas nos olhos. Substituira por algo melhor.

Black assistiu a compreensão chegar aos olhos de Remus tão rápido quanto o cachorro sumiu e ele se apressou para estar ao lado de Moony, que ainda estava estirado no chão. Deitaram os dois ali por um tempo, olhando as estrelas e admirando a grandiosidade dos céus e do que acabara de acontecer.

Naquele momento, Remus, enquanto desejava que o instante congelasse e durasse para sempre, esticou a mão e pegou a de Sirius, entrelaçando os dedos.

— Você é um cachorro, Sirius Black — declarou Remus, inclinando-se para, finalmente, beijar Padfoot. Após algum tempo, sentindo os lábios do animago macios nos seus, estava feliz por constatar: não sabia mais onde ele começava e o outro terminava.

Foi quando os dois souberem que tudo ficaria bem.