Bruxos, Veelas e outras lendas - One-shot's
1 Conto de Bruxos e Veelas
Notas iniciais
Muito antes dos bruxos se espalharem pela terra, quando a raça humana ainda era jovem, quando os deuses ainda andavam pela terra a magia reinava absoluta. As criaturas magicas vagavam livremente pelo mundo. Os povos da floresta amavam e protegiam suas florestas e os seres que nela viviam. Os duendes e anões viviam em suas cavernas. Os sereianos de diferentes raças viviam em suas comunidades. Os dragões voavam livremente pelo céu desafiando outras criaturas aladas pela supremacia. Mas os humanos também existiam nesse mundo. As vezes eles eram tão belos que atraiam atenção de quem não deveriam, atraindo o ódio e inveja de seres mágicos conhecidos por sua beleza. As vezes eles atraiam a atenção até mesmo de seres divinos. A uniam do divino com o mortal era conhecido como semideus. Eles eram conhecidos pelos seus poderes e feitos em nome de seus pais divinos, mas nem todos eram tão dignos de fama como outros.
Em uma pequena vila em um continente que ainda não tinha nome ou senhor vivia um rapaz. Ele era o filho mais novo de sua mãe, a curandeira de sua vila. Ele possuía três irmãos mais velhos, fortes e inteligente. Ele entretanto era magro e fraco em comparação aos seus irmãos. A única coisa que as pessoas viam de bom nele era sua habilidade com ervas e cuidando dos feridos. Era certo que um dia ele seria um curandeiro assim como sua mãe. Em vez da mulher considerar isso como algo bom ela apenas via o mal no rapaz. Da mesma forma que os irmãos ele era um fardo o qual a mulher tinha que aguentar. Nenhum deles era filho dela de verdade. Eram filhos de seu marido com uma suposta “deusa”. Para que as crianças não crescessem sendo consideradas filhos bastardos o marido a forçou a aceita-los e fingir que eles eram filhos dela.
O nome do rapaz era Ask. Ele tinha cabelos negros cumpridos e desgrenhados, barba rala, pele clara quase pálida e um corpo fraco. Ask podia não ser idolatrado pela força como seu irmão Asen, ou pela velocidade como Aleksan, ou pelo dom da caça como Apostol. A única coisa que ele dominava era o conhecimento das ervas e como usa-las para tratar ferimentos e doenças. Mesmo que não fosse tão respeitado na vila quanto seus irmãos ele não se considerava infeliz, pois o que ele amava era as florestas. Todos os dias Ask fugia para as florestas que todos temiam por causa das criaturas que viviam nelas. Enquanto todos temiam os poderes dos seres da floresta Ask... amava um desses seres.
Ele sempre se lembraria como a conhecera na montanha Scomius (que futuramente seria chamada de Vitosha na Bulgária). Ele estava perdido a mais de um dia e quase fora morto por uma criaturinha usando um horrendo gorro vermelho. Quando ele a vira sentada em cima de uma pedra cantando ele se vira totalmente dominado por seus encantos. Ela era a mulher mais bela que ele já vira em sua vida tendo longos cabelos loiros, olhos azuis, uma pele clara e delicada usando um longo vestido feito de penas brancas quase tão luminosas quanto sua pele. Ela o convidara para dançar com ele e mesmo sendo péssimo nisso ele dançara por dias sem conseguir parar totalmente dominado pelos encantos dela. Quando ela se sentira satisfeita encerrara a dança o que o fizera cair inconsciente devido a exaustão. Ela o achara no mínimo interessante sendo o primeiro a dançar com ela por tanto tempo sem pisar nas linhas que ela desenhava no chão. Geralmente aqueles que se atreviam a pisar nos círculos que elas desenhavam os quebrando atraiam infortúnio e ruina para suas vidas, mas ele fora diferente. Ela cuidara dele até ele se recuperar e quando se despediram ele prometera voltar.
Todos os dias ele voltava para apreciar o máximo possível de sua companhia e conversar com ela. Ela não o achava fraco como todos que caiam por seus encantos, mas também o achava interessante por trata-la como se visse mais do que sua beleza. Mesmo que ela tivesse desejos maiores do que estar em sua colônia nos bosque e montanhas ou estar com ele e aproveitando aqueles momentos ela o ensinara algumas coisas e se divertira um pouco. O que ela ensinara era algo pequeno para sua raça, mas que não era compartilhado com seres inferiores. Ele não se mostrara um aluno tão exemplar quanto ela desejava o que a fizera o olhar com um pouco mais de superioridade do que antes. Mal sabia ela que o que o ensinara não poderia ser feito pelas pessoas normais nem mesmo no mínimo possível.
Ask ao completar dezesseis verões e a cerimonia de maior idade decidira que era hora de levar a relação com sua amada Eltra. Ele a pediria para ser sua esposa. Tendo colhido as melhores flores que encontrara e tendo trabalhado e os anéis que ele mesmo fizera. Ele a pediria em matrimonio e realizariam os ritos como os costumes mandavam passando a usar os anéis na mão direita como o costume de sua terra mandava (Futura Bulgária). Se tudo desse certo eles poderiam viver na colônia dela longe dos aldeões e ter filhos que se casariam com veelas. Para ele seria o melhor principalmente depois de ouvir constantemente falar sobre sequestros e pessoas sendo levadas para longe como escravas.
Ele se aproximara do ponto de encontros deles mais nervoso do que nunca esperando a encontrar sentada na mesma roca que a conhecera, mas ela não estava lá. Ele ficara desapontado, mas não fora a primeira vez que ela se atrasara. Ele fora até a rocha e se sentara. Quando horas e horas tinham se passado ele começara a ficar preocupado passando a procurá-la, mas mal sairá do lugar e vira um pedaço de pano verde que não tinha notado até então. Pegando o lenço feito com um tecido incrivelmente fino e macio com um símbolo de uma cobra preta. Ele sabia perfeitamente o que aquele símbolo queria dizer. Eram os escravizadores.
Ele correra desesperado para sua vila pedindo ajuda de seu pai e seus irmãos, mas em vez de ajuda fora ridicularizado. Eles não acreditavam que alguma mulher, principalmente uma muito bela se atrairia por ele. Ele tentara recorrer aos aldeões, mas nem mesmo os que tratara ofereceram ajuda. Se vendo sem escolha ele pegara suas coisas e resolvera que partiria em busca de sua amada. Seu pai lhe dissera que se fosse embora nunca mais volta-se e fora o que ele fizera.
Ask viajara por semanas procurando rastros dos sequestradores de aldeia em aldeia, mas não encontrara nenhuma informação sobre eles. Ele então se vira sem escolha se não recorrer aos seres da floresta. Mesmo arriscando sua vida mais de uma vez tendo que usar o pouco que aprendera com sua amada ele não desistira de sua busca.
Um ano depois de procurar sem parar por sua amada se vendo quase derrotado pelas diversidades ele encontrara uma mulher incrivelmente bonita. Ela se apresentara como sua mãe e dissera possuir diversos nomes. O importante era que ela estava disposta a ajuda-lo na busca de sua amada se fosse isso que ele realmente deseja-se, mesmo que aquilo lhe trouxesse dor um dia. Ela o presenteara com um pequeno pedaço de madeira que dissera ajuda-lo a fazer suas magias e lhe ensinara algumas palavras que o ajudariam em sua busca.
Estando com sua esperança renovada ele voltara a viajar enfrentando todo tipo de provação. Em seus encontros com seres mágicos ele os enfrentara e derrotara depois de árduas batalhas. Como recompensa ele obtinha de suas mentes formas de usar novas magias. Ele estudava incansavelmente o que vinha aprendendo e procurava formas de ficar mais e mais forte para recuperar sua amada.
Dois anos depois de ter encontrado sua mãe ele viajava montado em um cavalo branco com um belo chifre que chamava atenção por onde passava. Ele tinha usado a magia que aprendera com espíritos para viajar para aquelas terras tão distantes do seu lar de origem. Certo dia ele fora pego desprevenido por ladrões que o atacaram antes que ele pudesse notar suas presenças. Ele fora roubado e quase morto. Quando acordara estava no que parecia ser uma cela em uma carroça com grilhões em seus pés e mãos. Ele tinha sido capturado por sequestradores, mas não os que vinha procurando. Tendo sua cabeça raspada e vestido apenas com um pedaço de pano sujo para cobrir sua virilha ele fora colocado para trabalhar na construção de um grande monumento empurrando grandes blocos de pedra.
Após três anos como escravo sendo forçado a trabalhar quase até a exaustão seu corpo tinha mudado muito. Ele ainda era branco e chamado pelos nativos do que acreditava ser fantasma na língua deles, mas mesmo assim estava mais forte. A magia dentro dele o ajudara a suportar tudo aquilo sem adoecer ou enfraquecer. Ele estudara e planejara sua fuga durante dois anos conquistando a confiança de outros escravos. Ele conseguira liderar uma revolta e fugira sozinho sabendo que se fica-se com seus companheiros morreria.
O deserto era impiedoso, mas ele não desistiria de procurar por seu amor. Ele conseguira refazer sua varinha depois de varias tentativas procurando os melhores materiais. Em sua viagem por aquelas terras escaldantes ele conhecera as criaturas magicas dela e algumas de suas divindades com quem aprendera muito. Ele recebera marcas magicas e ensinamentos daqueles seres de quem conquistara a amizade.
Em sua viagem ele se vira obrigado a ir para uma terra muito mais distante. Era uma terra diferente das que conhecera com povos que pareciam ser um pouco mais tribais do que ele, mas com quem ele aprendera mais sobre ervas e formas de curar. Ele vira muitos amigos morrerem em ataques de criaturas que ele nunca tinha visto o deixando novamente sozinho.
Quando conhecera os espíritos que os nativos cultuavam ele aprendera com alguns e enfrentara outros. Entre os poderes que adquirira ele aprendera a se transformar em um grande lobo negro. Com os espíritos ele aprendera certas magias que o ajudariam a procurar por sua amada e aqueles que tiraram ela dele, mas para isso precisaria de algo dela, algo que ele sabia onde encontrar.
Ask fizera toda sua viagem de volta até a montanha onde conhecera sua amada. Ele encontrara uma pequena caixa que ele mesmo tinha enterrado com um fio de cabelo que cairá da cabeça dela e uma das penas de seu vestido. Ele fora até a colônia onde ela nascera querendo aprender mais sobre sua amada como a magia pedia. Quando as irmãs e familiares dela o viram elas se sentiram ofendidas por suas belezas não fazerem efeito nele. Ele era diferente de todos os mortais que já tinham visto. Tinha um corpo forte, bonito e com uma quantidade enorme de magia em seu corpo. Elas o queriam para elas mesmo, mas seu “fascínio” não funcionava nele e isso as irritava. Por mais lindas que fossem seu “fascínio” não afetavam aqueles que estivessem verdadeiramente apaixonados, mas isso não impedira a ira delas.
Depois de derrotar toda a colônia de sua amada ele as forçara a revelar seus segredos para ele. Pela primeira vez ele ficara sabendo como a espécie de sua amada se chamava já tendo ouvido historias sobre elas. Elas eram chamadas de Somodivas ou samovilas, mas tinha aqueles que as chamavam de Vila ou veela. As veelas eram uma espécie peculiar. Por muitos seres das florestas ou montanhas eram consideradas rainhas das fadas. Quando tinham filhos com seres da floresta davam origem a veelas se fossem meninas e se fossem meninos seriam da espécie do pai. Ele descobrira que muitas veelas não nasciam assim e eram foram mulheres levianas que ao morrerem se tornaram veelas. Elas tinham o poder de encantar qualquer um com sua magia natural chamada “Fascínio” ao mesmo tempo que possuíam próprias magias. As veelas só se apaixonavam por aqueles que pudessem lhe dar descendentes fortes, mas mesmo assim em seu estado atual também poderiam ter outros parceiros. Era algo que as gerações futuras tristemente não poderiam.
Como sempre nem tudo que ele aprendera podia ser usado por ele, mas mesmo assim Ask não era mais o mesmo. Ele viajara por seu mundo e aprendera muito. Ask sempre se vestia de preto como se estivesse sempre de luto pela distancia de sua amada tendo dois anis em seu dedo anelar da mão direita. Ele realizara a magia para procurar por sua amada ficando incrivelmente feliz do feitiço funcionar indicando que ela estava viva. Ele passara a seguir a direção que a pena amarrada em seus anéis com o cabelo dela indicava voltando a sua jornada.
Havia se passada dez anos que sua jornada tinha tido inicio. Ele viajara tanto a procura de sua amada não esquecendo dela por nem mesmo um dia. Por fim depois de tantos anos ele sentia que em fim a encontraria em uma terra pela qual já tinha passado, mas que na época não tinha um senhor. Ele se deparara com um vilarejo ao redor de uma grande construção de pedra tendo o senhor dela se chamando de “rei”. Ao se aproximar do chamado “castelo” ele vira pedaços de pano verde balançando ao vendo com o símbolo que ele tanto odiava.
Ask invadira o castelo exigindo que entregassem sua amada. Pessoas vestindo roupas de metal que depois descobrira se chamarem armaduras o atacaram, mas ele em sua fúria usara sua magia matando quem entrasse em seu caminho. Nem mesmo as criaturas magicas escravizadas que o atacaram foram capazes de se opor a sua fúria. Quanto mais ele adentrava o castelo mais oponentes se colocavam em seu caminho, mas ele os matava sem piedade.
Quando encontrara o senhor daquele castelo protegido por seus cavaleiros ele matara os cavaleiros e desmembrara o chamado “rei” usando uma de suas magias para mantê-lo vivo temporariamente merecendo sofrer muito mais. Quando estava prestes a matá-lo ele tivera que enfrentar uma nova criatura magica com cabeça de águia e asas. Ele rira enquanto bloqueava as bolas de fogo que eram mandadas contra ele e com facilidade a vencera forçando a criatura a cair no chão coberta com o próprio sangue. Quando ela assumira a forma de uma mulher de longos cabelos claros Ask sentira como se seu mundo tivesse acabado. Ele vira a mulher que tanto amara, por quem procurara por diferentes terras se arrastando em direção ao rei mutilado.
Ask não entendia o que estava acontecendo. Acreditando que aquilo fosse alguma artimanha de seu inimigo ele adentrara as memorias da mulher. Ele vira como ela sempre o achara pequeno e fraco, sempre o subestimara e o considerará inferior. Mas diferente dele ela se apaixonara por aquele homem que da mesma forma que ele tinha sangue divino, mas muito inferior se comparado ao dele. Ela mesmo depois de tê-lo beijado tantas vezes e por quem ele estava disposto a fazer de tudo ainda se entregara a outro
Ask estava furioso com tudo o que vira na mente da mulher e aprendera em uma parede presa por correntes. Ele a forçara a ver ele matar o rei de forma lenta e cruel. Quando as crianças que ela tivera com o falecido rei surgiram ele as prendera em seus anéis resolvendo guardar as belas meninas para quando fossem adultas. Quando terminara ele usara sua magia para a levar de volta para a colônia onde nascera e na qual ele conquistara o respeito pela força. Quando questionado pelo motivo por trazer uma delas em tal estado ele contara furiosamente o porque, mas ele não tinha ido até lá para contar sua historia. Ele usara seu poder para paralisar a todas. Pegando sangue o suficiente de cada uma delas ele fizera um poderoso ritual no qual lançara uma maldição sobre a raça daquelas mulheres que atingiria todas até as que estivessem mais distante.
A maldição que Ask lançara era inquebrável aprovada por sua mãe que sempre assistira ao sofrimento de seu filho. As veelas não se interessariam por aquele que fosse facilmente dominado por seu fascínio. O maior desejo delas seria encontrar o homem para quem fosse destinado ou que conseguisse as conquistar. Elas poderiam amar um único homem em suas vidas podendo chegar a morrerem se ele morre-se. Se tivesse filhos com seu amado e ele morre-se elas viveriam o suficiente para criar seus filhos antes de morrerem consumidas pela tristeza. Elas seriam mais temperamentais se transformando contra suas vontades se estivessem com raiva assustando e enojando qualquer um que estivesse sobre seus encantos. Seus poderes de transformação antes ilimitados seriam limitados podendo se transforma em apenas éguas, lobas, serpentes, falcões ou mesmo cisnes, como fazem as Valquírias. Elas não poderiam mais ter o poder de assumir a forma de outras mulheres ou ficarem invisíveis de seus inimigos. Quando rejeitadas pelo amado elas iriam enfraquecer e perder sua beleza até morrerem de tristeza.
Com essa maldição ele garantira que nem uma outra veela fizesse outra pessoa passar pelo que ele passara. Ainda não contente com tudo o que fizera e pela década de sofrimento que passara Ask usara sua magia para forçar as veelas daquela colônia a darem um fio de seus cabelos para ele junto com um pouco de seus sangue. Ele fizera um poderoso feitiço dominando todas as veelas do local as tomando como suas. Ask fora conhecido o primeiro bruxo e suas mulheres foram conhecidas como Emblas (que passara futuramente a ser considerada como uma única mulher chamada de Embla).
Os filhos de Ask receberam nomes diferentes e os mais velhos foram presenteados com as filhas da veela que ele amara que morrera por ter perdido seu amado como a maldição dizia que aconteceria. Desses filhos muitos formaram suas próprias famílias se casando com veelas, ninfas, valquírias e outros seres mágicos para manter a magia forte em seus sangues. Por mais que alguns filhos de Ask tenham tido filhos com pessoas normais a maioria preferia manter distancia dessas pessoas. Eles dariam origem a famílias que seriam muito conhecidas no mundo bruxo futuramente. Esse fora o inicio dos primeiros bruxos puro- sangue que passariam a honrar seu sangue casando com outros puro-sangue e dos bruxos que concederam seu sangue para mortais garantindo que raramente com o passar dos séculos a magia dentro deles desperta-se.
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