Bruxos De Blair
2 Capítulo 1 - Matando Casamentos
Notas iniciais
Eu já me imaginei casando um dia... Tudo bem que qualquer garota já se imaginou num vestido de noiva, mas o que quero dizer é: Desde que Crisnela começou os preparativos para o casório do ano em Baltimore isso não sai da minha cabeça... O divertido seria que papai pagaria por tudo para me agradar – não que eu seja uma garota mimada, mas desde que ele se separou de minha mãe, tem feito o possível e o impossível para nos deixar mais próximos.
Naquela manhã de sexta eu dormi e cheguei atrasada na aula por alguns minutos, o que fez o Sr. Rivergomery não me deixar entrar na aula de história. No bater da terceira aula me encontrei com Danna e a primeira coisa que ela me diz é:
- E então? Vai me colocar pra dentro do casamento hoje, não vai?! – ela praticamente berrou.
Revirei os olhos.
- Qual é a maldita graça desse casamento? Eu já disse que te coloco pra dentro sem problemas. – respondi com um ar preguiçoso.
- Ora, Oliver! Vamos falar sério, seu pai é um dos caras mais ricos da Baía de Chesapeake. A festa será enorme! Quem não entende porque você não chamou o Jeremy e o pessoal fui eu.
DannaFlowers fazia o tipo de garota popular e cheia de amigas, típica líder de torcida com estrelinhas saindo de sua boca toda vez que falava e os caras babando pela sua bunda. Se eu dissesse que ela era feia ou mais ou menos, estaria mentindo... Danna era alta (principalmente se comparada a mim) e loira com olhos pequenos e castanhos claros, tipo atlético e uma personalidade meio controladora, por isso ela concorria com a maior expectativa de vitória à Presidente da Turma (grêmio estudantil, ou tanto faz...).
- Ele mesmo diz que não gosta desse tipo de festa. – eu disse com um risinho estranho – Agora, falando sério, não vai ter ninguém interessante lá! Quer garantir meu voto e me acompanhar na festa chata, é?
- Lógico, porque você, como minha melhor amiga, tem que ser persuadida para votar em mim... Idiota!
Eu sempre fui o tipo da garota pequena e sem muitos atrativos visuais, devo dizer que melhorei do último ano para cá, mas que só me destacava nas matérias de cálculo na escola e num tipo de rebeldia adolescente que eu só usava para provocar meu pai, por isso não me sobressaia em nenhum momento quanto à popularidade. Só não era esquecida por causa da Danna e sua “chama” para universitários e jogadores inescrupulosos.
Começamos a rir bobamente, quando me virei e trombei de uma vez com uma máquina fotográfica com flash embutido piscando para mim. Tudo bem que não era para mim, mas sim para a Senhora Perfeição, mas eu REALMENTE tomei um susto.
- Bom dia, Danna e Oliver! – Jeremy falou como se cantasse – Querem posar juntas em alguma foto?
- Que os raios caiam sobre você e sua maldita câmera, Jeremy! – berrei, me levantando de uma vez e passando a mão sobre minha jaqueta como se nada tivesse acontecido – Quer me matar de susto?!
- Coitado, Oliver. – Danna o defendeu – Ele só está fazendo o trabalho dele...
Não que eu odiasse fotos, mas Jeremy irritava bastante toda vez que chegava atrás de nós com os flashs de todos os lados. Danna, por outra lado, adorava!
Somos, nós três, amigos desde a sétima série, e agora já éramos Seniors! O tempo passava extremamente rápido para nós, devo admitir. Num segundo Jeremy era o garoto nerd e franzino da série... Opa, ele continuava assim. Enfim, Danna era meio boba e brincava de Barbie com sua irmã, hoje era a garota mais bonita do colégio. Eu, por outro lado, estava esperando o momento certo para “sair do casulo”, digamos assim... Oliver Hayes não se deixa vencer jamais!
- E então, já souberam da novidade do último ano? – Jeremy falou excitado.
- Opa, festa?! – Danna riu. Eu também ri, mas foi mais pela reação dela.
- Festa em Burkittsville de madrugada numa casa do tio de Klaus Freeman pelo aniversário do Chandler York, só estaremos nós com bebida liberada por causa do aniversário dele.
Danna me olhou no mesmo instante.
- Jeremy, hoje é o casamento da Crisnela. Não vou poder ir... – eu respondi com um suspiro.
- Ahh, vamos, Olie! – ela choramingava – Não vai custar nada irmos depois das fotos, não acha?! Nem vão sentir sua falta lá!
- Obrigada por dizer que eu não valho nada, Danna. – retruquei.
Os dois seguraram minhas mãos e começaram a balançá-las como duas crianças.
- Você tem que ir, Oliver! – o menino-câmera falava com seus olhinhos pretos e grandes piscando ininterruptamente para mim – Os caras do futebol se juntaram com o time de basquete e roubaram os fogos de artifício de um galpão no porto e já prometeram explodir tudo hoje à noite na frente do cemitério! Imagine como vai ser isso.
Não adiantava insistirem... Eu nunca fui o tipo de garota a se manifestar em festa com cerveja liberada, meu gosto era melhor do que isso. Dei meia volta e voltei para o meu covil chamado aula de trigonometria, onde os menos dedicados ao cultivo mental eram barrados. Não estou brincando!
Faltar ou sair mais cedo da festa de Crisnela significaria a matraca dela enchendo minha paciência pelo resto dos meus dias. Talvez isso fosse até engraçado em outra ocasião, mas o problema era sair sem ser percebida e dirigir até outra cidade sem que papai soubesse e ainda voltar cedo o suficiente para não ficar de castigo até os 80 anos. Eu até poderia fazer isso, seria divertido.
“O que está falando, Oliver?!” pensei alto em meio às divagações “Faltar um jantar em família é uma coisa. Cabular aula tudo bem. Aceitamos até fugir de casa e acampar na fila do cinema para a estreia de Harry Potter, mas fugir do casamento é diferente”.
Para não ser pega pelo meu coração mole, entretanto, fugi logo que as aulas daquele dia acabaram! Tinha alguma coisa em mim dizendo que meus amigos me procurariam para que eu mudasse de ideia quanto à festa.
- Ei, Heyes! – alguém berrou. Olhei para trás e dei de peito com um corpo grande de um típico esportista desmiolado... Quase acertei.
- O que foi, Freeman?
Era Klaus Freeman, o meio-ruivo, ex-jogador de basquete que dava um e meio de mim e me olhava fixamente. Sinceramente, ele mais parecia uma versão nova e mais delinquente do vocalista de GooGooDolls, principalmente com aquele casaco de couro e pinta de drogado.
- Queria saber se você vai hoje à noite. Você e a Danna. – ele disse com um sorriso de canto. Klaus até que era uma boa pessoa... Quando tinha segundas intenções.
- Estou pensando ainda...
Ameacei continuar andando, mas ele segurou meu pulso e me puxou de volta.
- Vamos lá, Heyes. Se você não for a Danna...
- E eu já disse que não tem o que se preocupar... Ainda estou pensando porque tenho meus motivos. – eu ri antes de...
VUPT! Escapulir dele e correr para casa.
Meu lar era um casarão grande e todo branco, realmente enorme, como se fosse uma mansão! Morávamos juntos eu, meu pai, sua esposa, Crisnela (minha meio-irmã) e seu noivo (... marido acorrentado naquela noite), mas nenhum deles estava em casa no momento. Eu sabia que minha madrasta e Crisnela estariam no salão de beleza desde cedo, enquanto papai estaria na firma e o perdido do noivo dela estaria com sua mãe, então não fazia diferença entrar em silêncio ou com uma banda de carnaval circense.
Durante aquela noite, tudo tinha que estar perfeito. Perfeito realmente, senão Crisnela teria um ataque epilético.
Enfim, a noite caiu... Não tão rápido quanto eu desejava, mas foi suficiente para que eu conseguisse arrumar meu cabelo e não manchar o vestido de madrinha tão desesperadamente procurado. Não vou reclamar, era quase sereia, vermelho e com um decote que, a primeira vista, não era nada sem o meu par de companheiros...
- Aceito. – James aceitou sua sentença de morte.
- CrisnelaGadhamTrumman, aceita James Dormel como seu legítimo esposo? Para amá-lo com honra, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
- Aceito. – Crisnela respondeu com leves pulinhos emocionados.
- Eu vos declaro, marido e mulher.
Beijo. Fim da troca de alianças. Palmas e mais palmas, pessoas jogando arroz como se fosse um filme dos anos 40 e uma corridinha do altar para o fim da igreja. Aquele não era o fim típico de um casamento, mas estava valendo.
A festa estava começando já no grande Buffet K’noleir, um lugar bem clássico com escadarias e tapetes vermelhos. Sinceramente, eu gostaria de casar ali, seria realmente divertido.
Papai me tomou o braço e fomos juntos para todos os cantos, ele me apresentando para mais e mais amigos seus, a maioria trabalhava na sua empresa. Todos eram muito atenciosos, velhos e gordos com seus paletós caros e perfumes fortes Armani. Sentamos com eles alguns poucos minutos antes que nos chamassem para as fotos em família, o que demorou pouco para mim que era apenas meia-irmã de Crisnela.
- James, sua gravata já está saindo do lugar. – repliquei, dando um jeitinho nela.
- Obrigado, Olie. Estou suando muito? – o noivo perguntou e eu respondi apenas com um acenar de cabeça.
James era realmente bonito para Crisnela, e apesar de ser um filhinho de papai bobo era uma boa pessoa que me dava trégua nos jantares de família com as tradições bobas e clássicas da vovó.
- Já cansou das fotos? – brinquei por um segundo antes que Crisnela aparecesse, com seu enorme peso, maquiagem forte e vestido que mais parecia um bolo, atrás de mim.
- Quem cansou da sua presença aqui fui eu... Oliver, já pode ir embora, querida. – então ela me empurrou, tomando a gravata de James para si e puxando de uma vez.
Vi a cara de agonia de meu meio-cunhado e só fui capaz de rir. Juntei-me ao meu pai novamente e fiquei mais um tempo com divagações inúteis de como seria bom estar na festa do Klaus Freeman.
“Oliver, pense um pouco! Você está num casamento! Por que não vai se divertir um pouco?” pensei nos meus botões.
- Você não conhece ninguém aqui e por isso fica com essa cara de entediada, não é? – papai falou em meu ouvido.
Papai me olhou por cima dos seus óculos grossinhos.
- Conheço sim, papai – disfarcei. – O senhor mesmo me apresentou para muita gente aqui na festa.
Não, eu não conhecia ninguém, mas não conseguia evitar falar atropelado quando estava com papai. Ele era o tipo do homem alto de cabelos grisalhos e voz rouca que sempre usava os mesmos óculos de aro fino e lentes grossas por mais dinheiro que tivesse para comprar uma clínica de oftalmologia e corrigir sua visão a partir da tecnologia.
- Você está inquieta, Olie. — ele disse, enquanto eu sorria.
- Inquieta? Eu? Não sei do que está falando...
Ele riu. Riu mesmo!
- O que você quer fazer? Diga logo, estou deixando passar tudo por enquanto. Notas baixas? Festas? Garotos?
- Certo, já pode tentar parar de adivinhar. — falei, rindo. Parei por um segundo e percebi que tinha que andar logo com tudo aquilo. Eu tinha que me divertir, certo? Levantei no instante seguinte e sorri novamente para ele — Pai, vou fugir.
Ele olhou em volta lentamente.
- Danna já falou comigo, disse que ia te esperar na frente do Buffet meia noite, por isso é melhor se apressar se quiser chegar a tempo.
Olhei para o relógio como impulso, 23h55m.
Retirei os saltos do pé enquanto olhava para ele. Estava, claramente, se divertindo com minha expressão.
- Pai, o senhor é o melhor!
- Só não vá se drogar e tente voltar sóbria para casa, sem tatuagens e sem furos no corpo...
- Ah, tenho certeza que o senhor não vai olhar o meu corpo... Todo. – gargalhei, dando de costas e correndo para o portão do Buffet com o par de sapatos na minha mão e o vestido impedindo minha corrida (nada atlética, por sinal).
Como meu pai disse anteriormente, Danna estaria me esperando na frente do buffet com o suaBMW chique de teto solar e arranhões na porta por causa da sua completa falta de senso... Mal sabíamos nós duas que aquela noite mudaria nossas vidas por completo.
Fale com o autor