Bruxas Nunca se Vão
6 Pesadelo
Notas iniciais
Maka levantou no meio da noite e foi até a janela, ficou olhando a mesma lua sangrenta de sempre. De repente dois corvos pousaram no peitoril da janela, primeiro Maka tomou um susto mas depois relaxou. O mais estranho é que eles estavam conversando.
–Tem certeza de que eles não sabem? — perguntou um.
–Fique calma, são só um monte de bakas — respondeu o outro.
–Eles me pareceram bem inteligentes, oni-chan — disse o primeiro.
–Nada vai dar errado se você não se apavorar — respondeu novamente o segundo.
–Nani? — disse Maka, então ela caiu da cama.
Tinha sido um sonho. Olhou pela janela, ainda era noite.
Ela foi até o banheiro e pela janela pôde ver os dois corvos que estavam ali de manhã, os mesmos de seu sonho. Ela não sabia porquê, mas aquele sonho a deixava tão aflita, e as vozes, Maka as reconhecia de algum lugar, só não conseguia dizer de onde.
"Crá!" soltou um corvo e Maka se assustou então resolveu voltar a dormir.
Ela deitou e se revirava de um lado para o outro mas não conseguia dormir. Aquele sonho já estava virando pesadelo, não a deixava em paz. "Poderia ser um aviso? Acho que não", pensou Maka.
E aquelas vozes, tão familiares.
Maka se revirou na cama novamente.
–Droga, droga, droga! — ela disse e por fim gritou — DROGA!!!
–Qual é o seu problema, Maka-chan? — Blair grunhiu — Blair quer dormir!
–Então vai dormir lá fora! — ela pegou a gata e a colocou para fora do quarto, batendo a porta.
As lágrimas escorrendo pelo rosto de Maka ardiam feito fogo.
–Eu estou ficando louca! Qual é o meu problema? Foi só um sonho comum, por que não consigo dormir?
Maka deu um longo suspiro e se sentou, o rosto apoiado nos joelhos, agora também molhados de lágrimas. Soul bateu na porta e ela tentou ao máximo manter a estabilidade na voz, sem muito sucesso.
–E-entre. — Ela disse passando a mão no rosto para enxugar as lágrimas.
A porta abriu-se somente um pouco e Maka encontrou os olhos cor de rubi de Soul. Como ela o amava! E ele nem suspeitava.
–Está tudo bem? — perguntou Soul.
–Sim — ela respondeu.
–Então por que estava gritando e colocou Blair para fora? — ele entrou no quarto e se sentou na frente de Maka. — Mentirosa.
–Ah, Soul... — ela suspirou mas não conseguiu falar, apenas desabou em choro novamente.
–Ei, ei... — Soul a abraçou — Está tudo bem.
O coração de Maka acelerou, os corpos dos dois tão perto e ela não podia sequer dar o mais leve beijo nele.
–Soul, me escuta — ela afastou o garoto — Eu tive um sonho muito estranho, na verdade nada muito estranho, mas foi como se fosse um aviso e eu sinto que algo muito, muito ruim mesmo vai acontecer.
–Se acalme, Maka, nada de ruim vai acontecer — ele passou a mão pelos cabelos louro-claros de Maka ia se levantar, mas num gesto quase desesperado, a menina passou os braços envolta do pescoço de Soul para um abraço sufocante.
–Não! Fique aqui... — ela chorou mais — Por favor.
–Tudo bem, mas eu preciso estar vivo pra isso.
Maka o soltou, deixando-o respirar.
–Gomen — ela o abraçou novamente, agora menos apertado.
Soul enxugou suas lágrimas e sentou-se ao seu lado, porém no chão. Maka estaria tão linda se não estivesse chorando, pensou.
–Tente dormir, prometo que quando acordar vou estar aqui — ele sorriu e Maka fez que sim com a cabeça e logo em seguida se deitou.
Eles passaram um bom tempo acordados, novamente os olhos esmeralda de Maka fitando os rubis de Soul, um segurando a mão do outro, os dedos entrelaçados. Até que, finalmente, Maka adormeceu.
Ela acordou de novo com o berro do despertador em seu ouvido. Sua mão ainda junta com a de Soul que dormia sentado no chão e encostado na parede. Ela esfregou os olhos e chacoalhou Soul pelos ombros.
–Soul, acorde, me desculpe eu não devia ter feito você dormir aqui e... — o garoto a interrompeu,
–Eu cumpri minha promessa? — perguntou ainda meio dormindo.
–Hai — respondeu Maka confusa.
–Então tudo bem — ele sorriu ainda de olhos fechados.
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