Bruxas Nunca se Vão
20 Uma Luta Aguardada Há Tempos
Notas iniciais
Soul transformou-se em foice ao mesmo tempo em que Victor transformou-se num enorme tridente dourado decorado com pérolas. Maka e Blue se entreolharam e sorriram mas de repente Maka sentiu-se confusa. Algo em Blue estava diferente, ela parecia... séria.
Talvez Blue fosse como Black Star — sempre brincalhona e divertida mas séria quando precisasse.
Pensar em Black fez o coração de Maka apertar. Como seus amigos estariam agora? E Mary? E seu pai?
"Tomara que estejam bem. Eu vou salvá-los... eu prometo".
A loira piscou algumas vezes para não chorar e, quando voltou a si, Blue já não estava mais na sua frente.
–Nani?! — exclamou e viu um vulto dourado e azul passar ao não mais que dois centímetros acima dela. Quando voltou — se para a frente, Blue estava em seu lugar de antes.
–Precisa ser mais rápida e atenta se quiser salvar seus amigos, loirinha — Blue disse e Maka suspirou.
– Gomen-nasai — desculpou-se e sentiu seus joelhos fraquejarem. — Eu não consigo me concentrar!
– Maka! — Soul exclamou e voltou à forma humana, segurando a namorada antes que ela caísse no chão.
– Está tudo bem — ela falou e se sentou, abraçando os joelhos, as lágrimas manchando a saia xadrez. — Eu só... Eu só... Gostaria de não ser tão inútil e fraca.
– Você não é inútil, e muito menos fraca — Soul falou colocando seus braços em volta da garota, lembrando — meio sem jeito — de todos os Maka Chop's que recebera desde que se conheceram.
E ele podia ser um cara cool mas, vez ou outra, sentia o mesmo que Maka — fraqueza e impotência — mas pensar em tudo o que havia feito fazia esse mal-estar sumir.
– Você é corajosa e forte, muito inclusive, e, sinceramente? Por favor, né! Foi você quem matou Medusa e salvou o mundo da insanidade do Kishin! — Ele disse e Maka sorriu levemente, ainda não fora totalmente convencida.
– Sim, mas com a ajuda dos meus amigos e professores.
– Tem coisas na vida que não conseguimos fazer sozinhos e é por isso que eu sempre estarei ao seu lado quando precisar, e agora nossos amigos precisam de você.
Maka arregalou os olhos de repente e franziu o cenho. Se ela estivesse certa, precisava ir embora dali e resolver negócios inacabados.
– Nee Soul, minha cabeça está latejando, acho que não consigo continuar — disse ela e o albino arqueou uma sobrancelha. Era estranho vê-la desistir de algo tão facilmente.
– Tudo bem então, vamos pra casa -ele respondeu meio confuso e ajudou a shokunin a se levantar.
Kristin apareceu toda suada, as bochechas parecendo dois tomates. Ela passou o dorso da mão na testa e suspirou, estava começando a pensar que era pequena demais para dez horas de treinos.
– Pausa... para... descansar — disse arfando e apoiou as mãos nos quadris. — Onde vocês vão?
– Maka não está se sentindo bem, vou levá-la em casa — Soul respondeu e passou o braço pela cintura de Maka.
– Ah... Melhoras! — Kriss falou e sorriu. -Ja ne!
–Ja ne — a dupla respondeu e desapareceu por entre as árvores.
Victor voltou à sua forma humana e estalou os braços e as costas e abraçou Blue. Kristin murmurou algo como "Kawaii" e suspirou.
– E a Eruka? — perguntou.
–Treinando com Free — Victor respondeu e Kriss e Blue se entreolharam e sorriram maliciosamente.
– Treinando... Sei... — disseram juntas e os três começaram a rir.
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Maka e Soul já estavam no meio do caminho quando a loira ouviu um leve bater de asas e sons de corvos. Ela sorriu e arqueou uma sobrancelha. Estava certa, as duas almas que havia sentido eram mesmo das gêmeas.
Seu sangue começou a ferver e seu coração acelerou. Não podia — não conseguia — mais esperar por aquela luta tão aguardada.
– Soul — disse ansiosa. — Transforme-se em foice.
– O quê? O que foi agora?
Uma fumaça negra formou-se no ar e num galho de uma árvore acima deles, dois corvos tornaram-se belas e aterrorizantes bruxas.
Claire transformou-se num machado e Katherine começou a rir histericamente.
– Konichiwa, Maka Albarn — disse ela, abrindo suas enormes asas negras e reluzentes, em seguida pulando e aterrissando na frente da loira que apenas sorriu, destemida.
– Não tenho medo de você, Katherine — ela disse e a bruxa fez um biquinho, simulando tristeza.
– E por que teria? — Disse em tom tranquilizador e irônico, enrolando uma mecha dos cabelos louros de Maka no dedo indicador, e só então Maka reparou que suas unhas pareciam garras.
– Afinal, — Katherine continuou — eu sou apenas a aluna nova, boazinha e inocente em quem seus amigos tanto confiaram. É uma pena que não tenham escolhido a pessoa certa pra isso.
– Realmente, eles foram tolos demais para perceber a cretina sem coração que você é — Maka disse apenas deixando a raiva que tinha de Katherine fluir e envolver sua pequena alma. Era como um furacão.
– Assim você me ofende — Katherine respondeu novamente fazendo biquinho.
– Parem de conversa vocês duas e vamos acabar logo com isso — Claire disse impaciente e Maka sorriu.
– Por mim já teríamos acabado — sussurrou para si mesma. — Soul...
– Não Maka! Você não está bem, vamos pra casa.
–BAKA! Não estou passando mal, foi só uma desculpa, agora FAÇA O QUE ESTOU MANDANDO E TRANSFORME-SE EM FOICE! — Gritou já irritada.
Soul espantou-se com a atitude da parceira, a última vez que a havia visto desse jeito foi quando Chrona quase havia sido morto pela mãe. Mas ele já deveria saber que existiam causas maiores por trás da dor de cabeça dela, afinal, Maka não era do tipo que desiste fácil.
– Santo Kami-sama! Você e sua teimosia... — disse ele e transformou-se em foice.
– Não Soul, não é teimosia, é determinação, raiva, vingança e, mais que tudo, decepção — a loira respondeu e segurou a arma, finalmente dando início à luta.
Maka tentou acertar Katherine mas a mesma se fechou em suas asas, que funcionaram como um escudo. A bruxa desferiu o próximo golpe, passando a lâmina do machado a centímetros da cabeça de Maka, que deslizou pela grama e foi parar atrás de sua oponente, acertando-a na asa esquerda com a foice e, para sua surpresa, abrindo um corte enorme que fez Katherine urrar de dor e virar-se já tentando acertar Maka com seu machado mas a loira pulou para trás, desviando dos golpes.
A bruxa sorriu de um modo maligno e sussurrou algo que Maka não ouviu e então o bico do corvo do chapéu de Katherine se abriu e soltou um som agudo e ensurdecedor, fazendo a loira tampar os ouvidos com as mãos.
– Soul! — Maka gritou e a arma respondeu.
– Hai! Já entendi!
– Tamashi no kyoumei — disseram e sentiram suas almas se conectarem e formarem praticamente uma, tal energia era indescritível — havia algo diferente — e Maka só percebeu o porquê quando viu que havia ido direto para o Majogari, coisa que só havia acontecido uma vez.
–O quê você fez? — Soul perguntou surpreso.
– Não se... — Maka mal terminara a frase e tivera que se defender. Katherine quase a tinha acertado mas a loira desviou para a direita a tempo e perdeu apenas uma mecha de cabelo.
– Você fala demais — disse Katherine dando uma rasteira em Maka, fazendo-a cair de costas no chão. A bruxa aproveitou a situação para golpeá-la com o machado mas Maka foi rápida e colocou o cabo da foice na frente, ganhando apenas um pequeno corte no cotovelo esquerdo.
Katherine continuou a pressionar o machado contra a foice, mas o Majogari não seria quebrado tão facilmente.
– Será que já venci? Você é tão fraca — disse Katherine com desdém e Maka sorriu.
– Tenho certeza que não — retrucou a loira e empurrou a foice para cima com toda a sua força, afastando a bruxa de si o suficiente para que conseguisse levantar.
Maka se levantou e pulou para trás de Katherine. Ela afundo a lâmina da foice na asa já danificada da bruxa e a pressionou para baixo, arrancando metade da asa.
Katherine berrou de dor e ódio. Era como se sua alma houvesse sido partida ao meio, doía como o inferno. A parte de trás do seu vestido preto já estava encharcada pelo sangue que escorria do que um dia fora sua asa.
Claire voltou a forma humana e segurou a irmã, que caiu de joelhos, ainda chorando de dor e ódio. A outra gêmea tocou o pedaço de asa que ainda estava preso ao corpo de Katherine e esta gritou novamente.
– Sua idiota! Não percebeu que tá doendo?!
Claire a olhou com reprovação semicerrou os olhos.
– Desculpe, a idiota aqui só está preocupada com a irmã perfeita que tem e está tentando ajudar.
Maka olhou para Claire e as duas se encararam por um tempo. Ela via a tristeza no olhar de Claire. Talvez ela realmente não fosse má, apenas não quisesse deixar a irmã sozinha depois de tantos anos juntas, talvez só tivessem uma a outra. Era algo confuso que Maka não entendia muito bem mas já havia passado por algo parecido com Chrona.
– Deixe-me ajudar — Maka murmurou e Claire negou.
– Melhor não, ela está muito irritada — a bruxa murmurou de volta e uma fumaça negra surgiu no ar mas desta vez as gêmeas não viraram corvos, apenas desapareceram.
Maka ficou parada, refletindo. E se tudo o que pensasse fosse verdade? E se Claire estivesse mesmo se deixando levar pelo amor que sentia pela irmã? E se...?
A loira não conseguia esquecer a tristeza que os olhos de Claire mostraram. Ela amava a irmã e talvez Katherine tirasse proveito desse amor para fazê-la ficar ao seu lado.
– Maka? — Soul chamou já na forma humana. – Tá tudo bem?
– Sim, só... Vamos pra casa — disse ela limpando a terra dos joelhos esfolados.
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