Brothership

1 Capítulo Único


Era a primeira vez que Brendan ia para algum lugar à noite sem o acompanhamento dos pais. Seu irmão mais velho, Lucas, tinha dezessete anos e, mesmo que fosse apenas dois anos mais velho que o outro, isso garantia a ele uma certa experiência que Brendan não tinha. Dessa vez, ele teve a autorização da mãe para levar o irmão mais novo a um show de rock.

- Já ouviu falar em Art Cube? – Lucas perguntou a Brendan, enquanto pagava os ingressos ao rapaz do guichê.

- Acho que não. – o garoto disse, tentando se lembrar.

- Cara, você se diz fã de J-Rock e não conhece Art Cube? Cara... Você não tá perdendo nada, eu garanto. – Brendan riu da piada do irmão. Na verdade, ele sempre ria do que o irmão dizia.

Os dois sempre foram bastante unidos. Não eram como a maioria dos irmãos de cidade grande, que nunca se falam — quando muito, o assunto sempre é alguma disputa envolvendo garotas ou provas de coragem; às vezes, as duas coisas.


O caso de Brendan e Lucas era diferente: os dois sempre se deram bem. Talvez fosse pelo fato de que os dois nunca tivessem “motivos” para brigar. Brendan sempre fora mais quieto, tímido, e Lucas, mais extrovertido e desenvolto, tentava ajudar o mais novo a se livrar de seus bloqueios. Por isso, sempre foi mais “amigo” do que o tradicional “irmão mais velho”.

O show já havia começado. Um pouco de pirotecnia básica para anunciar a chegada da banda. E, no palco, surgiram três figuras andróginas, o corpo pintado de branco, roupas pretas e cabelos enormes e coloridos. Brendan olhou uma ou duas vezes à sua volta, e, curiosamente, vários fãs também estavam vestidos daquela forma esquisita. Ele bem conhecia o figurino que os astros do J-Rock usavam, mas... Lucas nunca havia mencionado que os shows fossem tão parecidos com festivais de cosplay. Ele, como todo iniciante da vida noturna, não estava se sentindo muito bem com aquele visual básico que trajava: calça xadrez, camisa verde-cana, jaqueta marfim e boné vermelho com um desenho de caveira. A única coisa que fazia seu irmão ficar mais “misturado” à multidão era um piercing no nariz. Mas praticamente todo garoto de dezessete anos tinha um piercing, então Lucas também estava destoando do resto.

A maior surpresa de Brendan, ainda maior do que o espanto frente àquele modelito gótico das pessoas à sua volta, foi o nome que surgiu no telão: Art Cube. Ué, pensou ele, mas o Lucas acabou de dizer que essa banda é uma porcaria!

O irmão, parecendo adivinhar o espanto de Brendan, gritou em seu ouvido:

- Relaxa! Eles só vão cantar uma música! – Devido ao som demasiado alto da guitarra e dos gritos, Brendan quase não entendeu.

Logo, a música começou. Brendan começava a ter uma pontada de dor de cabeça, como sempre tinha quando se arriscava a ouvir um gutural no MP3.

Na verdade, nem gostava tanto assim de J-rock pesado. Era mais para agradar o irmão mais velho; Brendan chegava a idolatrar Lucas. Este sempre foi do tipo “irmãozão pra toda hora”, que não utilizava a idade mais avançada para brincar ou excluir o mais novo. Na verdade, Lucas sentia-se um pouco responsável pelo bem-estar do irmão. Realmente, era bem mais do que um amigo.

A música, para a felicidade de Brendan, acabou. Qual foi a felicidade dele ao ver os verdadeiros astros daquele show: Maximum the Hormone. Ah, como ele adorava as músicas daquela banda – que, pra dizer a verdade, nem podia chamar de J-rock legítimo. Era um som mais ocidental, forte e ao mesmo tempo suave. Aquele estilo, sim, ele adorava. Mas aquela não fora a única emoção que sentiria naquela noite.

Aproximaram-se duas garotas. Brendan quase não notou, visto que eram como as outras góticas que estavam curtindo o show. Não teria percebido, de fato, se as duas não parassem de frente para os dois irmãos.

- Diz aí, gato? Tá afim de sentir um arrepio? – uma das garotas, a mais nova, falou.

Peraí, Brendan pensou, isso foi uma cantada? Pra mim?

Ele não sabia o que dizer. Ficou lívido, sem ação por um momento. Foi quando alguém tocou em seus ombros.

- Amor, essas aí tão te aborrecendo? – Lucas disse, com a voz mais gay que conseguiu.

Brendan não achou graça, nem riu da situação – não antes que as garotas saíssem de perto, assustadas. Brendan sentiu-se novamente aliviado, só não sabia como seu irmão tivera coragem de fazer aquilo. Mas, de qualquer forma, isso o reconfortava; era por essas e outras que idolatrava tanto o irmão.

- Valeu, cara. – Brendan disse, com o rosto de Lucas ainda encostado em seu ombro. Ele apenas riu e voltou a assistir ao show.

- Relaxa. É pra isso que os amigos servem, maninho.

Notas finais
Ah, eu gostei tanto de fazer essa fic.
Espero que vocês gostem de lê-la. =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!