Brothers
1 Brotherhood
Notas iniciais
“Sabia que não deveria ter chego tão cedo”, pensei comigo várias vezes, esperando-o naquela estação.
Todos olhavam estranhamento para mim, é claro, um rapaz alto, com a franja sobre os olhos, com uma roupa “incorreta” para a sociedade, provavelmente faria com que todos olhassem mesmo.
E a impaciência ainda me dominava. Esperar meu melhor amigo não é algo fácil, principalmente quando sei que ele acorda vinte minutos antes do horário combinado. Mas já me acostumei, sério.
Logo uma face convidativa e familiar me aparece. Com seu olhar meio sem jeito e com sua cara ainda de sono, o menor vem em minha direção.
- Asagi, desculpe! – O menor me abraçava, colocando os braço em volta do meu pescoço, ficando na ponta dos pés para conseguir me abraçar perfeitamente.
- Não tem problema, Hizumi. Eu já me acostumei com os seus atrasos. – Eu sorria para ele. De forma alguma conseguiria ficar irritado com ele! Hm, digamos que ele é quase meu irmão. Uma amizade tão longa, tão produtiva, que começou a partir de um passeio ainda na época do colégio, não deve ser jogada fora, por nada nesse mundo, principalmente quando você também é o melhor amigo dessa pessoa.
- Ok, então, só me deixe comprar a passagem de embarque e aí podemos ir.
Sabia que estar com ele era algo “mágico”, no bom sentido, claro. Ele é meu melhor amigo, e eu sou o melhor amigo dele. Uma vez paramos para contar a quantos anos nos conhecíamos, e quantos anos contamos mesmo? Ah, sim, seis anos.
- Podemos ir, Hizumi?
- Claro, vamos.
Dirigimos-nos até a catraca, coloquei minha passagem e passei, assim como Hizumi o fez.
Fomos até o primeiro vagão do metrô, conversando sobre todas as coisas possíveis e imagináveis. Fazíamos isso constantemente, mas nenhum de nós dois percebia isso, apenas aproveitávamos em estar juntos, coisa que recentemente era bem vago. Tínhamos nossos compromissos, nossas bandas, nossas vidas, mas nunca esquecíamos um do outro. Mesmo nas piores situações, mesmo nos momentos mais críticos, estávamos apoiando um ao outro. Damos consolo, nos ajudamos. Rimos juntos, choramos juntos. Brincamos juntos, nos divertíamos juntos.
Entramos, sentamos, e como sempre, ele quis ir na janela. Como ele era menor que eu, eu ia guiando-o, pois como tinha medo dele se perder no meio da multidão. Ele é tão pequeno que tenho medo de perder ele enquanto entramos ou saímos em alguma estação, por isso que sempre seguro ele pra quando a multidão chegar, ele simplesmente não “ir embora”.
Começamos a conversar sobre várias coisas. Demoraria uns 30 minutos até o nosso ponto de descida. Ele me contava coisas tristes, os problemas que estava passando, e sobre a namorada do amigo dele que ele tanto amava. Claro, acontece. Eu simplesmente não sabia o que dizer para ele. Nunca estive nessa situação e meus relacionamentos anteriores foram uma lástima. Eu tentava ser forte o bastante pra conseguir consolar ele, ainda bem que conseguia.
O tempo passava rapidamente enquanto estávamos juntos. Quisera eu que sempre que algo ruim ou pessoas chatas estivessem do meu lado, o tempo passasse tão rápido assim, mas mesmo o tempo passando rápido junto com ele, eu aproveito ao máximo.
Logo nossa estação chegou. O ritual de sempre foi feito: segurar ele pelo braço e ir abrindo caminho.
Tínhamos que pegar outro metrô, então até chegar lá, ainda fomos conversando. E não me pergunte como, sempre temos assuntos diversos e diferentes. Acho isso estranho, porque é divertido toda vez que você vê a mesma pessoa, você fala coisas diferentes e aleatórias com ela. Eu acho muita graça isso. Significa que a nossa amizade não está morta, nem ao menos esfriando.
Chegamos ao outro metrô e logo fomos conversando ainda mais.
Nossa estação era a próxima.
Chegamos.
Subimos as escadas e fomos até o ponto de encontro com outros amigos nossos. Ainda bem que semana que vem, tudo isso aconteceria novamente.
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