Brotherhood
23 Mexendo com o passado
O destino sempre gosta de ser irônico. Isso que pensa Eric Cartman que está ao lado de sua mãe se dirigindo para a casa dos McCormick. Pelo menos agora a família do seu ex-melhor amigo está equivalente a dos outros moradores de South Park. Se bem que não importaria sua mãe tivesse se apaixonado pelo Stuart quando era pobre, afinal sua mãe é uma mulher adulta e sabe o que está fazendo. Por sorte o noivo de sua mãe tomou um jeito na vida e agora é um pai exemplar.
Engraçado pensar que Liane Cartman vai ser futuramente Liane McCormick ou que Stuart McCormick venha a ser Stuart Cartman. O mais curioso que isso vai gerar um contato com Kenny e Karen. Para a filha mais nova do seu futuro padrasto não teve contato muito na infância, mas Kenny que pode ser um problema.
Sua mente traz as lembranças dos momentos que passou com ele. De todas as aventuras que passou junto com ele, Stan e Kyle. Da luta que teve para salvar a vida dele tentando aprovar as pesquisas das células troncos. Pensava que ele tinha morrido definitivamente, mas no nada ele volta. O problema que a amizade parece que não foi o mesmo. Tem que admitir que parte foi a culpa dele, afinal ainda continuava com a mentalidade de implicar com a pobreza dele. Mas eles não se davam bem mesmo assim antes disso?
O que será que mudou tanto?
Ser conivente com Stan e Kyle a não falar com ele, só por causa de peles de frango. Escolher Craig em vez dele em um passeio escolar (lembrando que foi o momento que passou a andar mais com Butters). A rivalidade formada por causa entre Coon e Mysterion. E por aí vai...
Depois que aprontou com Kyle sobre os eventos que envolveram uma “vaca ruiva” ele entrou em consenso com Stan e Kyle a não mais andar com ele. Por fim seu ex-bromance escolheu ficar no lado do judeu e do hippie em vez dele.
Mas isso incentivou a montar seu próprio grupo ou como gosta de pensar sua própria irmandade formado por Marjorine, Davin e Kevin. Tem que admitir que precisou controlar muito seu ego para o novo grupo de amizade desse certo, principalmente para o Kevin que não tinha muito contato antes. Com Marjorine e Davin pelo menos poderia usar seu humor negro como sempre, mas com Kevin teve que ser mais... amistoso.
Sua concentração é quebrada quando a porta se abre e mostrando Stuart todo arrumado. Sua mãe e ele se beijam brevemente. Para Cartman não é algo que incomoda. Afinal se comparar que já viu até vídeos pornográficos de sua mãe por acidente isso até pode ser algo não incomodo.
– Eric. Que bom que quis se juntar a nós – Stuart estende a mão para o Cartman.
– É um momento muito importante para minha mãe. Eu não poderia perder esse momento – responde o rapaz.
– Então não tem nenhum problema com esse relacionamento?
– Se fosse anos atrás eu questionaria de minha mãe teria casado por um pobre, mas vejo que você saiu dessa meta.
– Racista como sempre – Stuart ri.
– Quem não é racista nessa cidade – da os ombros – apenas não era falso em expressar minha opinião. Mas enfim fico feliz por você ter assumido compromisso com minha mãe.
– Esse é o meu garoto – diz Liane.
Os três entram na casa.
– Eric — diz uma voz feminina.
– Karen – é surpreendido pela garota o abraçando.
– Faz muito tempo que não te via.
– Pois é. Eu e Kenny deixamos de ser amigos há um bom tempo.
– Eu até hoje queria entender o motivo disso, mas deixando isso de lado. Pode subir no quarto e chamá-lo? Ele está fazendo muita birra com o casamento dos nossos pais.
– Vou tentar – Cartman sobe as escadas.
Kenny está no quarto deitado, escutando som alto. Se fosse anos atrás estaria lendo uma playboy, mas já teve diversas experiências sexuais e já não sente tanta necessidade de correr atrás desses conteúdos. E também pegaria mal se ficasse direto com uma revista pornográfica no colégio que daria uma pinta daqueles velhos tarados que já não consegue pegar ninguém ou daria impressão que estava fazendo isso só de fachada para esconder algo.
Escuta a porta bater.
– Entre – diz sem se levantar.
Esperaria que entrasse seu pai ou sua irmã, mas entrou alguém inesperado.
– O que você está fazendo aqui?
– Caso você não tenha lembrado hoje é o almoço entre nossas famílias.
– Eu não estou interessado. Quero que se foda tudo.
– Ficar com birra não vai te levar a nada.
– Você não entende.
– Que você ainda não superou a morte de sua mãe e irmão?
– Como sabe.
– Eu te conheço Kinny. Já fomos amigos.
– Você nunca se preocupou comigo.
– E naquela vez que me arrisquei para liberar as pesquisas de células troncos?
– Sei muito bem que usou isso para proveito próprio.
– Sim, mas você tinha morrido. Então quis seguir minha vida em frente.
– Para você sempre segue em frente.
– Mas o que você quer que eu faça? Te ressuscitar? Me matar? Virar emo? Cai na real, Kenny. Acha que você é o único que sofre na vida? Está enganado – foi no notebook do Kenny.
– Mas o que está fazendo?
– Estou hackeando o banco de dados da policia – não demora muito para conseguir – aqui o relatório da morte de sua mãe e irmão.
– Eu já sei que aconteceu caralho.
– Parece que não sabe. Culpa seu pai por um acidente que ele não cometeu veja. Aqui está toda descrição da causa da morte. Que sua mãe e irmão foi atropelado acidentalmente por um carro lateralmente caindo de costa no chão que fraturou a coluna. Espera aí, tem algo errado aqui...
– O que tem de errado? – Kenny se levanta.
– Se eles caíram de costa do chão como o rosto do seu irmão ficou desfigurado?
– Isso faz sentido.
Cartman continua lendo.
– Quantos anos mesmo tinha seu irmão mesmo?
– Tinha uns trezes anos na época.
– Aqui no relatório está descrevendo seu irmão com idade de 10 anos.
– Impossível.
– Essa história está estranha. Precisamos de ajuda com isso. Acho que não vamos ficar para almoçar.
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– Eric – diz uma voz feminina.
– Oi Dorrie – o rapaz cumprimenta com um abraço a garota mais nova.
Kenny fica espantado ver Cartman abraçando alguém ruivo. A garota se chama Dorrie, mas seu passado se chamava Dougie. Assim como Marjorine, Dorrie é transexual e tem vivido como garota há um bom tempo.
– Eu preciso da sua ajuda – diz Cartman.
– E o que seria?
– Fazer um trabalho investigativo que requem hackear algumas coisas.
– Ta legal.
Os dois rapazes entram na casa da ruiva. Entrando em diversos bancos de dados descobriram algumas coisas interessantes sobre a família mãe de Kenny. Ela vinha de uma família rica, mas se perdeu pelas drogas. Descobriu que tinha uma herança de seus pais, mas nunca chegou a assumir. Após a morte dela descobriu alguém tomou posse da herança. Pesquisando mais descobriram o endereço do beneficiado.
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Kenny e Eric estão indo para uma cidade vizinha para resolver o mistério da morte de Kevin e Carol. Pegaram um ônibus e depois agora estão seguindo a pé.
– Sabe tem uma coisa que queria saber e nunca tive oportunidade de pergunta – diz Eric.
– O que?
– Seus pais tem uma fixação pela letra K? Kevin, Kenny e Karen. Isso foi uma homenagem a KKK – diz referindo Ku Klux Klan.
– Sei lá. Mas também você não tem muito que falar porque criou Kupa Keep.
– E o que quer tem nisso?
– Pelas iniciais Kingdom Kupa Keep da exatamente KKK.
– Sabe que não reparei nisso.
– Não? Pensava que tinha reparado já que você é nazista.
– Não sou. Apenas tinha simpatia até quando a cidade foi atacado pelos zumbis nazistas, mas se bem que você virou um por contra própria, ou seja, você foi mais nazista do que eu.
– Deixa disso. Alias por que está me ajudando?
– Eu tive um problema semelhante quando tive atrás de um hippie judeu para acertar as contas.
– Sei que você é racista e tal, mas o que ele fez pra você?
– Ele me estuprou aos meus três anos de idade.
Kenny se espanta com a revelação. Nunca no momento de amizade escutou Cartman revelar esse trágico fato. Sabia que Butters tinha sido pelo pai, mas não sabia que seu ex-melhor amigo também passou por algo semelhante. Isso pode explicar porque ele era tão agressivo no passado.
– Chegamos – disse Cartman de frente uma casa bem cuidada – esse foi o senhor Jack que recebeu a herança toda de sua mãe.
Kenny respira fundo e bate na porta. Não demora muito tempo para alguém atender.
– Kevin? – o loiro se espanta com o homem que atendeu a porta. Era um jovem só um pouco mais velho do que ele, mas reconhece perfeitamente quem ele é. Seu irmão que supostamente estava falecido.
– Kenny? – diz o outro maior.
– MAS O QUE SIGNIFICA ISSO? – Kenny fica com raiva.
– Acho que está obvio – disse Eric – se aproximando e empurrando o Kevin para dentro da casa – não pensei que você seria capaz de matar sua própria mãe por dinheiro.
– O que? – Kenny que entrou não está acreditando.
– Não é verdade. Eu nunca faria isso com nossa mãe – disse Kevin – você sempre manipulou as pessoas, está querendo jogar meu irmão contra mim.
– Eu admito que sempre manipulei as pessoas. Se preocupa tanto com seu irmão, então porque forjou sua própria morte.
Kevin da um passo para trás.
– Você matou a nossa mãe? – Kenny olha para o irmão mais velho com os olhos arregalados.
– N-não – gagueja.
– Mandou matá-la ou colocou um ídolo no volante para parecer um acidente. Para simular sua morte você pegou um garoto qualquer, mutilou o rosto e colocou suas roupas nele. Como a policia tratou como acidente não fez testes de DNA e uma investigação mais detalhada para descobrir que tudo isso foi um golpe seu – Eric conta.
– Seu filho da puta – Kevin avança para direção do Cartman, mas Kenny entra na frente e acerta um soco que derruba seu irmão mais velho – como você pode fazer isso com nossa própria mãe?
– Falou o filhinho perfeito que tentou fazer nossa falecida mãe abortar – dar uma risada abafada.
Kenny jogar seu irmão contra a parede.
– Me fale. Por que fez isso?
– Para ter uma vida melhor. Nossa família vivia abaixo dos limites de qualidade de vida mesmo em South Park. A vadia da nossa mãe era filha de família rica, mas abriu mão de tudo para se entregar para as drogas. Fiz minhas pesquisas e sobre que nossos avós maternos tinham morrido e tinha deixado por herança a fortuna para ela. Se ela descobrir gastaria tudo com bebida e drogas. Tive que agir. Conspirei a morte dela para que o direito da herança iria ser passado para nós.
– E como belo irmão mais velho você pegou toda a herança. Tanto que forjou a própria morte para ninguém desconfiasse de seus planos – disse Eric.
– Nunca fomos uma família. Era cada um por si, irmãozinho. Você era o favorito dos nossos pais porque nasceu loirinho, tanto que ganhou o melhor casaco contra o frio. Já estava cansado daquelas brigas constante entre nossa família. Queria uma vida digna.
– Valeu a pena?
– E como. Se eu pudesse faria tudo de novo.
– Seu maldito vou te matar – Kenny partiria para cima do irmão mais velho, mas Eric o segurou.
– Kenny. Não vale a pena. Apenas deixe.
– Então ele vai sair impune por tudo que fez?
– Já temos provas para crimina-lo. Ele vai pagar pelos crimes cometidos.
– Se pensam que vou deixar vocês dois saírem assim estão engan... – Kevin não terminou porque Eric deu um chute na cara dele que fez desmaiar.
– Vamos embora.
Os dois saíram deixando Kevin desacordado. Logo chamaram a policia e deixaram todas as provas que Kevin tomou pose da herança e simulou sua própria morte na casa dele.
– Nunca pensei que meu irmão mais velho iria tão longe para se dar bem na vida – diz Kenny.
– Nunca se deram bem?
– Para verdade a gente quase não se falava. Via que Kevin que mais brigava com nossos pais, Karen só chorava e eu fingia que tudo aquilo não estava acontecendo.
– Era natural de sua personalidade já que você sempre foi o mais calado da nossa turma. Tanto que o Butters no passado te achava que era um cara legal por causa disso.
– Eu nunca fui com a cara dele, mas tenho que admitir que ele como mulher ficou bem apresentável.
Eric rir.
– Por que me ajudou? – Kenny pergunta.
– Pra falar a verdade eu não imaginava que ler os relatórios da morte de sua mãe iria revelar tudo, só queria mostrar que seu pai não teve nada haver com isso. Mesmo se fosse realmente acidente não foi a culpa dele.
– Sei que minha mãe não era a melhor mãe do mundo, mas amava ela. Era uma ótima mãe quando estava sóbria. Tanto que me ajudou muito para eu seguir a carreira de cantor de opera.
– Tanto que você foi para Romênia. Alias não tinha ganhou nenhum dinheiro com isso?
– Romênia era mais pobre que minha família já foi.
Os dois riram.
– Aquele lance que você foi estuprado foi sério mesmo? – pergunta Kenny.
– Infelizmente foi.
– Por que nunca contou nada sobre isso?
– Não queria ser reconhecido por fraqueza. Já bastava todos os insultos que sofria na infância.
– Como eu nunca descobrir isso quando a gente compartilhou o mesmo corpo?
– Porque você só conseguia saber o que estava pensando na hora, mas não as minhas lembranças.
Os dois ficaram em silencio.
– E agora? – pergunta Kenny.
– Cada um vai seguir seu caminho.
– Por que a gente não vira amigo novamente, afinal vamos morar no mesmo teto.
– Não vejo motivo para não recusar.
Os dois apertam as mãos, finalmente retornaram com a amizade.
CONTINUA
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