Brotherhood
7 Assuntos Inacabados
“O que mais detesta em Eric Cartman?” é uma pergunta que Kyle faz consigo mesmo.
Para seu alivio o ex-gordo não anda mais com o grupo de seus amigos, assim ficou muito longe dos comentários antissemita por um bom tempo. Claro que sempre existia algumas manifestações racistas de seu antigo rival, mas nada como era antes. Diminuiu bastante foi a partir do momento que ele começou emagrecer.
“Como ele conseguiu emagrecer?” essa é a outra pergunta que martela na sua mente. Pior que a aparência mais gorda passou para ele de alguma forma e de outra. Como isso foi acontecer? A resposta imediata é culpar o recente magro por sua atual anatomia, mas o judeu não engordou do dia para noite, mas foi pouco a pouco ao longo dos anos. Que inocenta seu rival.
Mas ainda assim Cartman é manipulador. De alguma forma o rapaz ficou mais manipulador ainda com o passar dos anos. Conseguiu ao longo dos anos ser popular na sua escola, principalmente com as garotas. De alguma forma, conseguiu ser o ‘sonho de consumo’ entre as garotas. Mesmos até as garotas que estão namorando não escondem o interesse de té-lo. Isso porque o judeu escutou Nicole falando com Wendy sobre como Eric é bonito e que se não fosse por Token, seu namorado, até investia nele.
Por inconveniência teve que fazer trabalho em dupla forçado com Cartman. Como sempre ele está persuadindo sua mãe com conversas mansas e Sheila está caindo. Uma coisa que o judeu nunca entendeu: como que Eric, um antissemista declarado, consegue passar a imagem de criança comportada para sua mãe?
Pelo menos o trabalho escolar não é nada demais: apenas criar um relatório da influência do seriado americano de “Sex and the City” na sociedade. Algo simples, mas necessário ter muita pesquisa para escrever sobre o assunto.
Assim finalmente os dois ficam sozinhos no quarto para fazerem o trabalho juntos.
– Kyle – disse o menor com uma voz neutra.
– Cartman – responde o maior com uma voz sem entusiasmo.
– Seremos breves nesse trabalho. É só enrola descrevendo a história da série. Nada muito demais.
– E a pesquisa?
– Precisa de pesquisar sobre o assunto?
– Claro que sim. Diferente de você, eu sempre quero tirar as notas melhores.
– Inclusive nesse trabalho idiota?
– Sim.
– Vai em frente, pesquise. Me avise quando acabar – Cartman sem menor cerimônia se deita na cama do judeu.
– Deixa de ser bundão e me ajuda a pesquisar sobre o trabalho.
– Eu na sua casa. Você tem computador e internet pode começar a fazer isso. Se passar a senha do Wi-Fi eu posso te ajudar – pergunta com um sorriso de desafio.
Kyle não diz nada. Pega notebook para ligar e começar a pesquisar.
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– Vamos lá – disse Scott jogando com Kenny online um jogo de Playstation 4. O jogo é “Playstation All-Stars Battle Royale 2”.
Por coincidência os dois estão jogando on-line com Kevin e Davin. A batalha é o loiro com o diabético versos o ruivo e o moreno. Assim aproveitam a jogar conversa fora.
– Que aconteceu com Stan e Kyle? – pergunta Scott.
– Kyle foi fazer aquele relatório de dupla e Stan meio que está se isolando de todos – responde o loiro.
– Por que o Stan está assim?
– Imagino que sua namorada tenha terminado com ele de novo – suspira – sempre isso acontece.
– Isso já aconteceu quantas vezes?
– Acho que umas duas ou três vezes. Eu mesmo perdi as contas.
– Pelo menos ele tem uma namorada de longa data.
– Inveja?
– Não. Apenas fico de cara como ele consegue ter um relacionamento que vem dês da infância. Sei que ele queria conquistá-la naquela época quando conheci você, Stan, Kyle e Cartman.
– Na verdade ele queria reconquistá-la.
– Então já namorou antes? Porra. Qual foi o motivo da separação?
– Até hoje eu não sei. Sei que ela pediu pra melhor amiga na época para terminar com ele. Eu imagino que Wendy estava cansada de tentar beijá-lo e sempre ser vomitado pelo seu namorado. Sei que até namorou Token logo seguida.
– Pelo menos conseguiu reconquistá-la.
– Até conseguiu, mas o Stan parece que não se animou muito.
– Não. Batalhou tanto e depois não quis mais?
– Não. Ele quis té-la. O problema que Stan não meio que valorizou o relacionamento. Ele não ajudava sua namorada. Um grande exemplo que ele não moveu um dedo pra defender sua namorada quando a garota ia brigar com Cartman.
– Precisava defender? Me lembro que o ex-gordinho levou um cacete bonito da Wendy.
– Por sorte. Eu imagino que o Cartman podia ser fraco, mas nem tanto para perder pela Wendy na briga. Acho que ele se deixou perder já que tinha uma queda por ela.
– Cartman gostava dela? Mas na infância ele sempre aprontou com ela. Dês daquela briga como aquela vez que queimava o filme dela só pra ser o presidente de classe no lugar dela.
– Mas que muitos não se lembra que Wendy beijou o Cartman na frente de todos.
– Eita porra – Scott se distrai fazendo perder a partida – e ela estava namorando com Stan na época?
– Tanto que estava como beijou Cartman na frente dele.
– Caralho. Por isso que as mais comportadas são as mais safadas.
– Verdade – Kenny ri.
– Por falar nisso, é impressão minha ou Kyle está apaixonado pela Wendy?
– Você também percebeu?
– Não foi difícil de perceber, afinal o Kyle não chega nenhuma garota.
– Não sei se é isso mesmo. Kyle sempre foi o mais tímido entre nós. Só em duas garotas que ele chegou: foi uma garota chamada Rebecca que nem mora mais na cidade e a Nichole, mas a primeira meio que virou puta e a segunda o Cartman interferiu sobre isso.
– Como ele interferiu?
– Bem ele alegou que ele e Kyle eram namorados e manipulou ela e Token para ser namorados.
– Por que fez isso?
– Isso eu não sei. Eu não entendo.
– Ué? Você não era o melhor amigo dele?
– Sim, era... – Kenny suspira -... pra falar a verdade eu nunca cheguei a me preocupar com ele. Tipo ele me chamava o tempo todo de pobre na frente de todos e isso me deixava com muita raiva.
– Eu até posso compreender. Lembro-me que tirava sarro no meu jeito de falar por causa da diabete.
– Ele era terrível.
– Pode até ser, mas pelo menos ele não tinha pena de mim. Eu sempre detestei a opinião das pessoas de me acharem um ‘coitadinho’ só por ter diabete. Ele vaiava, mas pelo menos me tratava como igual.
– Ele nunca trata ninguém como igual. Ele sempre manipula os outros.
– Bem ele nunca me manipulou.
– Isso porque não quis o usar para um esquema dele.
– Mas pela aí? Não foi você, na época da guerra dos controles, que manipulou um grupo de crianças para serem fãs do Playstation 4 só porque ele não deixou você ser a... ‘princesa’?
– Mas isso foi diferente.
– Eu não vejo a diferença.
– Não se sentiu usado por Cartman ter manipulado para vencer a guerra dos controles?
– Eu queria jogar o Xbox One. De um jeito e de outro. Pra mim não importava como. Para a guerra era bem recomendado combater um inimigo em comum, os fanboys da Sony, mas para pegar o videogame era cada um por si. E você queria mesmo o Playstation 4 ou mesmo só queria ser ter seus súditos?
Kenny não responde.
– Por que está defender tanto o Cartman? – diz o Kenny.
– Não estou defendendo. Apenas estou levantando todos os pontos de vista. Sei que ele não é a melhor pessoa do mundo, mas pelo menos ele está na dele atualmente. Sorte nossa.
– Verdade.
Os dois continuam jogando.
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Enquanto isso na casa do Kevin, o moreno convidou Davin para jogar videogame. Tanto Marjorine como Eric estavam ocupados, a primeira fazendo algumas atividades domestica em casa e o segundo foi fazer um trabalho escolar com um colega da sua turma. Por acaso os dois encontram Kenny e Scott na rede e estão jogando “versos”.
– Que a força esteja sempre conosco – disse Kevin após começar a partida online.
– Você mesmo de Star War? – comenta o ruivo.
– Claro é a minha vida. Adoro tudo relacionado a ficção cientifica.
– Se quiser depois a gente joga “Halo”.
– Jogo bom, mas estou cansado de jogar no Xbox One e 360. Demora para sair o novo jogo.
– Pelo menos quando lança tem inovações e novidades. Diferente da saga Call of Duty que todo ano é a mesma porra.
– Verdade – ri o moreno – bom nesse jogo – disse referindo o que está jogando agora – tivesse a personagem da Bayonetta.
– Pensava que você não era muito afim... das personagens femininos.
– Por quê?
– Bem... você sabe... sua preferência é algo... hã...mais masculino.
– Sim, eu sou gay, mas isso não impede de admirar as personagens femininas dos videogames, mesmo que eu não sinta atração sexual por elas. Diferente dos personagens masculinos.
– Qual é seu personagem masculino que é seu sonho de consumo?
– Eu tenho muito tensão Sephiroth.
– Sephiroth? Ele tem uma cara de menina.
– Negativo. Ele tem uma cara bem masculina. Só tem um cabelo grande. Diferente do Eric que tem cabelo grande e feições femininas.
– Verdade.
Os dois riem.
– Então. Se o Sephiroth tivesse aqui , o que faria com ele? – pergunta o ruivo.
– De primeira eu faria um boquete nele ao mesmo tempo que tocava o música tema do Dark Vader.
Davin ri chegando ao ponto que se descontrolou e perdeu a luta no jogo. Kevin fica vermelho de vergonha e se encolhe.
– Cara. Vai ser nerd assim... – continua rindo. Quando percebe que Kevin está sem graça para ri – sério. Não leve tão a sério. Desculpe aí se magoei seus sentimentos.
– Fico mais triste que não consigo um namorado.
– Olha. Tem que se soltar mais Kevin. Sei que você gosta de muita coisa, mas você tem que se abrir mais. Eu, Marjorine e Eric podemos ajudá-lo.
– Isso é muito incomodo.
– Não é nenhum incomodo. Nós quatros somos amigos.
– Obrigado Davin.
– Não tem de que.
Os dois continuam a jogar.
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– Cartman. Achei a pesquisa – disse Kyle, mas não teve nenhuma reação do menor – Cartman? – repara que o mesmo está dormindo – acorde seu vagabundo – grita.
– Eu não sou surdo – se levantando na cama aos poucos – deixa de ser tão judeu.
– Posso ser judeu, mas pelo menos eu não tenho uma cara de garota.
– Veja pelo lado bom. Eu sou o mais próximo que você pode ter uma garota na sua cama – da um sorriso sarcástico.
– Seu filho da puta – tenta tacar uma borracha no menor, mas Eric se levanta e esquiva – você sempre foi o problema para todo mundo.
– É mesmo? – diz com uma cara de sono.
– Você me fez passar por muita coisa desagradável na infância.
– Como o que, por exemplo?
– Você me usou para tentar acabar com “Family Guy”. Não sei, por que você o odeia.
– Eu era gordo no passado. Era um saco de ser chamado de ‘Cara da família’ o tempo todo.
– Mas isso não justifica seus atos.
– Pra mim apenas foi um plano não bem sucedido. Que mais que eu fiz?
– Você quase me fez chupar as suas bolas no passado.
– Bem. Você chupou as minhas bolas, lembra?
– Não foi eu, seu miserável. Foi uma materialização de sua imaginação.
– Eu disse que de um jeito e de outro você iria chupar as minhas bolas. Antes que você argumente mais, lembre-se que foi você que sugeriu a aposta. Eu não tenho culpa que você tem desejos homossexuais por mim.
– Pelo menos eu não falei para todo mundo que era seu namorado no passado.
– Eu tive meus motivos. Meus planos era fazer Nichole e Token ficarem juntos, mas a neguinha tinha uma queda por você. Tive que afastá-la os olhos de você de um jeito e de outro.
– Seu desgraçado. Ela gostava de mim e você impediu de eu ficar com ela.
– Negativo. Eu fiz que atenção dela fosse para Token. Agora não fui eu que fiquei de braços cruzados e não fez nada contra isso.
– O que eu podia fazer? Ela já estava namorando com Token.
– Você poderia ter exposto meu plano para ela. Isso acabaria com o namoro dela e você poderia ter ficado com ela, mas você não fez nada. Não foi a minha culpa – da os ombros.
– Você me fez passar vergonha no mundo todo quando me chantageou a não revelar que tinha pintado aquela maldita vaca.
– Eu não tenho culpa que você sendo judeu não conhece as profecias do seu povo.
– Você matou seu pai biológico.
– Eu não matei, mas vocês que mataram. Se você e Stan tivessem ficado quieto o senhor e a senhora Tenorman estariam vivos até hoje.
– Admita Cartman. Tudo isso aconteceu porque você quis. Você que é o mal na vida de todos que o rodeiam. Até Stan e Kenny não suportaram mais sua presença. Você é o mal em pessoa. Nem mesmo Damien, que é o filho do diabo, tem um coração tão negro como você.
Cartman ri.
– Sim. Posso ter um coração negro. E posso ter feito muitos planos que te usou ou te manipulou – aproxima pouco a pouco no ruivo – já que está falando no passado vamos falar do seu passado também – da uma longa pausa e continua – lembra do dia que teve “South Park’s 45th Annual Cow Days festival”? Eu me lembro que estava eu, você, o hippie e o pobre no festival.
Você queria o prêmio da barraca de arremesso aonde tinha a foto da Jennifer Love Hewitt com a boca aberta. Lá tinha os bonecos de Terrance and Phillip e você queria muito – Cartman continua a falar – por fim você gastou o dinheiro que tinha e não conseguiu os bonecos. Tivemos a idéia de participar de um rodeio aonde o primeiro prêmio era uma boa quantia de dinheiro. Por pressão e por certa parte fui culpado por ter gastado seu dinheiro em algumas atrações que foram muito ruins, eu fui o candidato para participar do rodeio.
– Comecei o treinamento em um touro manso, mas seu desejo obsessivo de ter os bonecos fez você jogar uma pedra no saco do boi e assim me acidentei. Perdendo até a consciência. O médico falou que eu precisava de descanso para me recuperar e como todo bons amigos se preocupariam com a saúde de um amigo, correto?
– Porem principalmente você Kyle me usou mesmo assim. Obrigou-me a participar no rodeio fazendo eu me acidentar mais ainda ao ponto que pensei que eu era uma prostituta chamada Ming Li. Me usou para ganhar o rodeio para justamente ter seus malditos bonecos e depois me largou em qualquer canto. Por fim descobrir que virei uma boneca para Leonardo DiCaprio. Agora me diga Kyle: você diz que eu tenho um coração negro, mas você igual a mim ou até pior já que eu não me escondo em uma hipocrisia de ser politicamente correto.
Os dois se encaram por um breve tempo e por fim o judeu abaixa o olhar.
– Você me filma no momento de depressão e joga essa filmagem em rede nacional, faz os jakovasauros irem para França mesmo sabendo que tinha afeto neles, me crucificam e me esquecem por duas semanas, informam o Scott seu meu plano de acabar com ele e muita coisas contra a minha pessoa e ainda fala que sou do mal? Você, Kyle, junto com Kenny e Stan que me fizeram a dar o troco. Só que o tempo passou e eu deixei o passado para trás e fiz amigos de verdades.
– Ou melhor, você os manipulou – diz Kyle com ódio.
– E quem é você para falar de mim? Não foi você que colocou muita pilha, junto com o Stan, para o Kenny fazer qualquer coisa ao ponto que ele fez até um boquete em Nova York? Você diz que eu usava o Butters, mas você mesmo já o usou e muito. Ah Kyle. Você é tão judeu. Faça esse maldito trabalho sozinho.
– Seu filho da puta, esqueceu do trabalho – Kyle tenta segurar no ombro, mas Eric segura a sua mão.
– Estou pouco me fodendo com esse trabalho. Se quiser fazer o trabalho sozinho e não colocar meu nome. Ótimo! Eu não ligo. Seja um aluno perfeito. É só isso que você sabe fazer.
– Pelo menos eu tenho ser perfeito diferente de você que só faz as coisas para seu bem.
– Eu sou sincero comigo mesmo. E você Kahly – a forma antiga de chamar o judeu e depois vai embora.
Kyle começa a escrever o relatório para terminar o trabalho. Tem que admitir que não se lembrava que já tinha aprontado Cartman primeiro. Claro que ele sempre tinha zombado de sua religião, mas nunca tinha aprontado com ele. Por fim o judeu se livrou de seu rival. Tudo isso importa.
CONTINUA
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