Brother And Sister
22 Cash and surprise
Notas iniciais

–Mia. – chamou-me uma voz ao longe.
Abrir meus olhos devagar, o par de olhos azuis me encarava levemente assustados. Eu estava deitada em uma cama do hospital. Sentei-me depressa, depressa demais, tudo a minha volta girou, então voltei a me deitar.
– Jus...
– Calma. Ele esta bem, conseguiram, ele ainda esta inconsciente ainda, mas os batimentos estão estáveis. – falou tentando me tranquilizar.
Soltei o ar, aliviada por ele ter voltado, não sei se por mim, não sei se por ele ou somente pela aquela maquina dos infernos, mas gosto de pensar que ele ouviu minha voz e que voltou porque implorei.
– Ele quase...
– Vazo ruim não quebra só arranha. – deu um meio sorriso forçado. – meu pai disse que a doação que seu amigo fez foi muito importante, mas que precisaram de mais. – comentou.
– Onde ele esta? – perguntei.
– Charles e Caitlin o levaram para a lanchonete daqui do hospital, ele precisava comer depois que quase drenaram o sangue dele. – respondeu.
Aquela historia de sangue, de Aaron me fez me perguntar apenas uma coisa.
– Porque nem minha mãe e nem meu pai poderiam doar sangue para o Justin? – perguntei ao Ryan.
– Seus pais e seus avos estavam jantando fora, seu pai e sua mãe beberam daí o álcool tem que sair do organismo para um deles poderem doar. – respondeu.
– O que a gente faz enquanto ele esta inconsciente? – perguntei soltando um longo suspiro.
– Caitlin e eu vamos com você em casa, pra você tomar um banho, comer algo descente, descansar...
– Não quero sair de perto dele. – o interrompi.
– Imaginamos, por isso resolvemos que vamos levar umas coisas para sua casa que nos trocaríamos, comeríamos algo descente, descansaríamos e que voltaríamos os três juntos, sua mãe precisa de alguns documentos do Justin e deles então não vamos demorar. – disse dando um sorriso reconfortante.
Sorri retribuindo seu sorriso e soltei um suspiro derrotado.
– Fechado? – perguntou com uma mão estendida na minha direção.
Hesitei porem peguei sua mão e a apertei.
– Entendi porque você é um dos melhores amigos do Justin. – falei e sorri.
Ele retribuiu o sorriso.
– Por que eu sou bonito? – indagou brincando.
– Não, porque você é legal. – respondi.
– E bonito. – riu.
Fiquei aliviada por Ryan não ter ficado com raiva de mim pelo o que fiz ao amigo dele, ao meu irmão, me perdoaria menos ainda se Ryan também estivesse com raiva de mim.
Minha casa nunca ficou tão vazia, a pior parte era pensar que ele poderia não voltar, não estou falando de morte, mas sim dele esta com tanta raiva de mim que não queira voltar para casa e resolver ir morar sozinho. Deixei a água fria molhar meu corpo. Não tem lugar melhor para chorar do que embaixo no chuveiro.
– Mia, você esta bem? – Ryan bateu na porta.
Não respondi. Não tinha forças para mentir naquele momento, eu só queria me permitir sentir saudade, tristeza e culpa, queria sofrer em silencio.
Fui surpreendida pela a porta do Box se abrindo e revelar uma menina magra com os cabelos ainda úmidos com um olhar preocupado me olhando, seus olhos marejaram e sem se importar com a água que ainda caia, sentou-se no chão ao meu lado, me puxou para mais perto e me abraçou com toda a força que tinha.
– Ele vai ficar bem, vai tudo ficar bem. – falou enquanto me abraçava.
– Por que eu não consigo parar de chorar Cait. – perguntei me debulhando em lagrimas.
– Porque você o ama e sabe que apesar de estar dormindo ele esta sofrendo por querer ficar. –respondeu. – mas ele vai ficar, e vai tudo voltar ao normal. – complementou.
Não nem tudo voltaria ao normal, ele ainda estaria com ódio de mim, iria querer continuar longe de mim, não sei se eu estava sofrendo mais por eu ter causado o acidente ou por saber que ele nunca mais iria querer ficar comigo.
– Vamos, te ajudo a se vestir. – falou me ajudando a levantar.
Nunca vi tanto papel nada haver um com o outro, mas mesmo assim junto quanto tinha nas caixas da mamãe, precisa apenas de alguns documentos, que estavam bem difícil de encontrar. Ryan, Caitlin e eu procurávamos os mesmo papeis em caixas diferentes, ela disse que estaria na caixa azul, mas todas as caixas eram azuis, de diferentes azuis, mas ainda sim azuis.
Meu celular vibrou no bolso da minha calça. Tirei o mesmo do bolso sem tirar os olhos dos papeis.
– Alo. – comecei.
– Achou os documentos que te pedi? – perguntou mamãe.
– Estou procurando, mas todas as caixas são azuis, qual delas mãe? – perguntei.
– É uma azul com roxo. – respondeu.
Olhei em volta, todas as caixas no chão e aberto, procurando a que mamãe se referia. E lá estava ela, ainda fechada.
– Achei, já estamos saindo. – falei e desliguei.
Ryan e Caitlin me olharam.
– É a azul com roxo. – respondi fechando a caixa na qual eu procurava o que mamãe tinha pedido. – vamos arrumar logo isso e ir. – falei já ficando de pé.
Ryan quem pegou o que precisávamos e fechou a caixa. Ryan empilhava as caixas no alto do closet enquanto eu e Caitlin olhávamos os documentos.
– Esqueceu um papel Ryan. – falou Caitlin se levantando da cama e indo em direção ao criado mudo.
Caitlin se agachou e pegou algo e o analisou por um momento, sua expressão mudou de curiosa para confusa e por fim chocada.
– Hã, Mia, acho que vai querer ver isso. – disse ela esticando o papel para mim.
Ryan se aproximou e puxou o papel da mão de Caitlin antes que eu pudesse pegar. Ele também analisou o papel e me olhou confuso.
– O que é? – perguntei me aproximando e puxando o papel de sua mão.
Tinha um nome no inicio do papel “laboratório” o nome do laboratório e a data “22-05- 95” tinha o nome do meu pai e da minha mãe e mais embaixo o nome do Justin. Li todo o relatório e a única palavra que me chamou atenção fui a principal e em negrito “negativo”
Essa palavra se passou pela minha cabeça repetida vezes, olhei para Ryan espantado.
– É o que estou pensando? – perguntou Ryan.
– Sim. – forcei a palavra a sair.
– Meu Deus. – disse Caitlin. – Então quer dizer que...
– É. – a interrompi. – preciso de mais, me ajudem a procurar. – falei indo para o closet.
– Deve esta na mesma caixa que esse estava. – falou Ryan passando na minha frente e puxando todas as caixas de volta. – não podemos demorar ou sua mãe vai suspeitar. – observou.
Eu não estava acreditando em nada do que estava acontecendo, não estava querendo aceitar que meus pais passaram a vida mentindo para mim e para Justin. Estava decidida o que iria fazer, em uma mão os documentos que mamãe precisava, na outra os documentos que mamãe provavelmente não queria que existisse. Assim que chegamos ao hospital fomos direto para onde mamãe e papai provavelmente estariam.
– Apesar da parada cardíaca dos ferimentos Justin ficará bem, ele acordou.
Todos suspiraram aliviados inclusive eu.
– Que bom que chegou Mia. – disse papai me olhando com um sorriso largo.
– Vovô, vovó vocês poderiam resolver isso aqui? – disse entregando os documentos do Justin a eles.
Vovó sorrira e assentira.
– Mãe, pai, eu preciso falar com vocês. – falei e me virei indo em direção a outro corredor.
Sentir sendo seguida por eles, parei dois corredores depois de onde estávamos. Virei na direção deles, e antes que eles falassem qualquer coisa eu estiquei o segundo envelope para eles.
– Que porra é essa? –perguntei me referindo ao conteúdo.
– Você encontrou? – perguntou mamãe pegando o envelope e abraçando-o.
– Achei, li e reli umas trezentas vezes no carro. –respondi. – é verdade? – perguntei.
Papai assentiu.
– Mas...
– Quando pretendiam contar? – perguntei interrompendo mamãe.
Papai suspirou.
– Nunca, pensamos em contar quando Justin tinha 15 anos, mas não conseguimos. Você estava indo embora, não queríamos perder ele também. – respondeu papai.
Mamãe estava com os olhos marejados.
– Como? – perguntei.
– No inicio não sabíamos. – falou mamãe deixando as lagrima rolarem. – Justin com pouquinho mais de um ano ficou doente e tivemos que fazer um exame de sangue e achamos estranho ele não ser compatível nem comigo nem com Jeremy. – continuou. – então resolvemos fazer o exame de DNA e... Você já sabe o resultado.
– Foi um choque para nós dois, investigamos por conta própria tudo, não queríamos que ninguém mais soubesse. –continuou papai. – conseguimos encontrar a enfermeira e ela nos contou que ajudou outra enfermeira a trocar os bebes. – papai forçava-se a contar a historia tentando não se deixar levar pela as lembranças.
Fiquei em choque.
– Por- Porque elas trocaram? – perguntei.
– O bebe de Pattie tinha morrido no parto e a progenitora do Justin não tinha condições de criá-lo, então elas trocaram, na esperança de estarem fazendo o certo. – respondeu papai.
Eu não estava acreditando no que ouvia.
– Justin não é meu irmão. – falei para mim mesma ainda em choque.
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