Brooklyn, 1980.

2 Capítulo l – O começo


Notas iniciais
Como eu ando estudando em tempo integral e fazendo auto-escola nos tempos livres, vou demorar um pouco mais para escrever cada capítulo. Então decidi publicar os capítulos dia sim e dia não. Enfim... Boa leitura!
Ps:Por favor, deixem comentários... Assim poderei saber se estou indo bem, ou não na história.

Ao ouvir seu nome, Gerard entrou em transe. Lembrou-se da primeira vez em que o menor o havia pronunciado.
O dia de verão mais quente do ano estava chegando ao fim e um silêncio apático pairava sobre o subúrbio de Logan¹. Os carros em geral reluzentes estavam empoeirados nas entradas das garagens, e os gramados, que tinham sido verde-esmeralda estavam ressequidos e amarelos – pois o governo tinha aumentado o valor da conta de água durante a estiagem. Privados das atividades de lavar carros, cortar gramados, os habitantes de daquela cidadezinha de interior se contentavam com os drinques gelados, se recolhiam à sombra de suas casas frescas; as janelas escancaradas na esperança de atrair uma brisa totalmente inexistente. As únicas pessoas ao lado de fora era um grupo de adolescentes, reunidos em campo abandonado.
Estavam todos sentados em um círculo na grama. Gerard Way, um garoto um pouco acima do seu peso ideal, de cabelos pretos, aparência anêmica e meio doentia de alguém que cresceu em pouco tempo bebia uma vodka barata que haviam roubado de sua avó enquanto seu melhor amigo, Robert — um rapaz magricela, cabelos compridos até a altura do ombro e um pouco ensebado – manuseava um cachimbo com facilidade e o acendia. Tragava-o com facilidade, prendia a fumaça por um instante em seus pulmões e logo repassava o cachimbo para o colega ao lado. Enquanto mais da metade do grupo já estava deitado e rindo, Robert e um garoto ruivo se levantavam ao ver um rapaz de provavelmente um metro e sessenta de altura, um pouco curvado por estar de cabeça baixa passava por ali. Parecia cortar caminho quando os dois se aproximaram e o abordaram.
Um pouco assustado, o menino retirava a franja da frente dos olhos e ajeitava seus óculos.
– Ei, boneca... – dizia Robert em um tom debochado enquanto empurrava o garoto contra uma árvore de uns cento e poucos anos – Belos óculos, não é Dan?
O garoto sem saber o que fazer, retirou seus óculos e tentou guardá-lo em seu palitó, mas o garoto atrás de Robert já o tinha tomado e jogado-o no chão. Pisando nele por fim.
– Por favor, me deixem ir – falava Frank, em prantos.
– Olha só, a garotinha vai chorar – ria Dan, provocando lágrimas no garoto – Vamos, me passe seu dinheiro.

Gerard ao ver seus amigos encurralando um rapaz totalmente indefeso, bufou e revirou os olhos. Logo já estava de pé, apesar do efeito da maconha e do álcool caminhava com certa destreza até chegar no trio. E em um tom autoritário interrompeu o futuro furto:
–O deixe em paz, mas que inferno. Já conseguimos o que queríamos por hoje e Dan, você acabou de sair do castigo, não ferre tudo de novo – rosnou Gerard.
Os valentões se entreolharam e riram debochadamente – Ah, não vai me dizer que você está com dó desse viadinho de merda – retrucou Robert que já fechava sua mão e em um punho socou Frank bem no olho, fazendo-o cair de joelhos.
– Pelo amor de Deus, Bert... – o “chefe” da pequena gangue levantava o menor, mas ao perceber que seus dois melhores amigos duvidavam de sua liderança. Gerard empurrou o rapaz contra o muro e lhe socou em cima de sua costela. Fraturando-a.
Ao ver o menino jogado ao chão, ergueu seu olhar para os rapazes. Mantendo sua postura, viu seus amigos de cabeça baixa, reafirmando assim sua posição no grupo.

x

Após o incidente. O grupo se dividiu e cada um foi para sua própria casa, deixando o pobre rapaz estirado ao chão. Gerard já estava em seu quarto, deitado em sua cama, não parava de pensar naquela cena ocorrida há algumas horas antes. Sentindo um remorso tão grande, desejou em pensamento que encontrasse o menino dos olhos cor de avelã.
Já era noite quando sua avó,Helena gritava-o para o jantar. Extremamente desanimado, Gerard desceu as escadas e se encaminhou para a sala de jantar. Mas ao ver aqueles olhos novamente, que tanto desejara. Ofegou em desespero, mas antes de perguntar o que estava acontecendo, o garoto sentado na mesa, arregalou seus olhos com dificuldade por estar com o um deles inchado. Ambos chocados, a senhora finalmente apresentava os convidados para o neto.
– Gee, esta é Linda e este rapazinho aqui é o Frank, filho dela– falou a senhora em um tom bondoso – Meus queridos vizinhos, este é meu neto, Gerard.
– Olá Gerard – sussurrou Frank.
– Boa noite Frank – engoliu em seco sua saliva e direcionou o olhar para a mãe, tentando captar algum sinal entre eles – Boa noite Linda, sejam bem vindos.

Enquanto jantavam, Gerard descobrira que alguns assaltantes mascarados roubaram os óculos e alguns trocados da visita. Aliviado por ele não ter denunciado-o para sua mãe assim que trocaram olhares. O rapaz de cabelos negros chamou o outro para seu quarto. Onde então tiveram uma longa conversa e pedidos de desculpas a parte.

Era manhã de segunda feira e Gerard estava pronto para o começo das aulas, isso nunca tinha acontecido até Frank aparecer em sua vida. E em uma semana, os dois haviam juntado dinheiro para os novos óculos do menor. E como um irmão mais velho, Frank, se espelhava em Gerard.
Anos foram se passando e os dois ficaram mais unidos do que qualquer amizade entre irmãos. Mas o que ambos sentiam, não era amor de irmão e sim um amor diferente, mas não sabiam o que era aquele sentimento que estava tomando conta dos dois.


Notas finais
¹ - Logan é uma cidade localizada no estado norte-americano de Utah, no Condado de Cache. Sua região metropolitana possui 127.945 habitantes.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.