Brooke Junior - E a Clava de Hefesto
3 Sinto a fúria de clarisse
Notas iniciais
Eu, logo quando vi o acampamento, pude ver o quanto ele era interessante, e no amanhecer do dia o diretor de atividades me convidou para conhecer o acampamento. Aceitei, é claro.
Quíron me levou a um salão onde eram servidas as refeições dos campistas, que sentavam nas mesas correspondentes aos seus Chalés. Tudo lá era muito moderno, coisas de ouro e prata. Mais adiante ficavam os Chalés... 1- Zeus, 2- Hera, 3- Poseidon, 4- Deméter, 5- Ares, 6- Atena, 7- Apolo, 8- Ártemis, 9- Hefesto, 10- Afrodite, 11- Hermes, 12- Dioniso, 13- Hades, 14- Íris, 15- Hipnos, 16- Nêmesis, 17- Nike, 18- Hebe, 19- Tique, 20- Hécate, 21- Éolo, 22 — Perséfone e 23- Jano. ( o mais numeroso era o nº 11. )
Uma das coisas que me deixou impressionado foi o Coliseu, onde ocorria os eventos de competição entre os campistas para defender os seus chalés. Tudo muito lindo, e arquitetura projetada por Minerva, deusa das artes e foi contratada por Zeus somente para isso ( ahusha ). Por fim, Quíron disse que eu deveria ficar acampado no chalé de Hermes, já que nenhum deus havia me reclamado como filho. Era regra do acampamento.
– Mas... Quíron, você não tem uma maneira de descobrir quem é meu pai?
– Sinto muito meu jovem. – Suspirou Quíron. – Se eu ao menos soubesse algumas pistas sobre o seu passado...
– Eu... eu não consigo me lembrar de nada, exceto de um homem me carregando no colo e cantando uma música de ninar para eu dormir. Ele era muito feio aparentemente. – Falei com cara de nojo.
– Não se preocupe com isso filho! Vamos tentar resolver isso da melhor maneira possível. – Indagou Quíron.
Então o velho me acompanhou até a entrada do chalé de Hermes, onde alguns garotos que pareciam mendigos e outros bem vestidos, falaram:
– Eiii.... Mais um filho de Hermes? Você não se cansa não pai?
– Meninos, ele não sabe ainda quem é o seu pai. – Disse Quíron. – E eu quero cumprir o costume que nos foi posto aqui no acampamento. Ele deve ficar.
– Aqui já está cheio demais! – Disse um garoto de cabelos negros. – Muita bagunça aqui.
– Já disse que vou cumprir as regras garoto! Agora silêncio e trate bem o novo campista. – Esbravejou Quíron.
Entrei sem falar com ninguém e procurei um beliche vazio, o que era difícil, mas consegui achar um. Enquanto colocava minha bagagem no beliche, um menino de cabelo loiro me deu um tapa nas costas e falou:
– Melhor que descubram logo que é o seu pai, para sair logo daqui! Ou irá sofrer. Os outros amigos dele apoiaram.
“Que recepção mais amigável”. – Pensei. Quando ouvi uma voz de menino atrás de mim:
– Parem com isso pessoal! Nosso pai deve estar envergonhado com vocês. Sabem por acaso se ele é nosso irmão ou não?
– Cala a boca, inútil. – Gritaram eles, com ar de desdém.
Alguém me tocou nas costas.
– Ei parceiro. Como vc se chama?
– Brooke Juni. – Falei. – Mas, quem é você?
– Sou Ally Rey, filho de Hermes. Pelo visto você não sabe quem é seu pai né?
– Infelizmente, não. – Disse eu, cabisbaixo.
– Sabe? Fui rejeitado também quando cheguei nesse chalé. – Ele olhava pro além. – Por isso não tenho amigos aqui. Quer dizer, tenho um agora.
Passamos o resto da manhã conversando sobre o acampamento e sobre outros assuntos antes de irmos para o almoço. Ele me contara que quando ele chegou no chalé, os outros filhos de Hermes enfiaram a cabeça dele na privada. Tive que me conter para não rir dele, e torcia para que isso não acontecesse comigo. Ah... Queria que meu pai não fosse Hermes, sinceramente.
Descobri também que um semideus traiu o acampamento e os deuses do olimpo, e advinha quem era o pai dele? Hermes. Povo mau.
Ally Rey não contou todos os detalhes dessa história do semideus que traiu o olimpo, como se eu não pudesse saber. Mas eu estava feliz.
Enfim, cheguei no meu treinamento de esgrima, em um ginásio gigante, e como eu só dispunha de espada, foi o que usei para treinar. Percebi que não levava jeito para a coisa, mas passei a tarde inteira “brincando” com ela.
Quíron, na hora do jantar deu um aviso:
– Amanhã teremos um evento campistas!
E antes que ele explicasse, a multidão gritou; “QUAL! QUAL! QUAL!”
– Calma pessoal. – Disse ele, manso. – Será a “Captura da Bandeira”.
Explicando... era um evento onde eram divididos os 13 chalés em duas equipes, onde cada equipe esconde uma bandeira pelo acampamento. O objetivo é pegar a bandeira rival, e claro, sem morrer e sem sofrer ferimentos para não se complicar depois.
Junto com meu chalé estava o de Hefesto, Atena, Ares, Afrodite e Apolo, sendo que o único chalé estrategista era o de Atena e Afrodite, o resto era cara-a-cara mesmo.
Senti que meu time não estava nem aí, principalmente o meu chalé, foi então que veio uma loucura, ou melhor, uma ideia na minha cabeça. Pensei: “Tenho que fazer a diferença, fazer algo diferente.”
Senti algo me dizer que eu devia atrair o time oposto para perto da bandeira e interceptá-los, como numa armadilha. Peguei alguns objetos de ferro que encontrei, algumas engrenagens e trabalhei a noite inteira no meu projeto.
Uma hora antes de começar o evento, pela manhã, terminei o meu projeto: Uma armadilha na qual o individuo pisava e em vez de lançado para cima era lançado para o lado, em direção a uma gaiola de ferro inoxidável com um botão no centro dela. Quando o corpo do prisioneiro tocasse o botão, emitia um som de uma pessoa gritando “socorro”. Então as filhas de Afrodite se encarregariam de ajudar a atrair os homens para o local perto da bandeira com seu poder de sedução.
“Parece infalível!” – Pensei. – Estava orgulhoso de mim mesmo. Por fim, só esperar e descansar antes do evento começar.
– Atenção campistas! – Bradou Quíron. – Preparem-se para o evento de hoje, distribuam-se para a floresta, um time de cada lado. Temos um coordenador que irá cuidar do andamento do evento, Sr. Aitorgos.
Enquanto os times preparavam suas armas, eu corri e instalei minha armadilha perto da bandeira, claro, com ajuda de meu amigo.
Meus companheiros de chalé e dos outros correram juntos para a frente, devia estar começando o evento, fiquei de olho um pouco afastado da bandeira.
Acreditem, meu plano deu certo! A armadilha que fiz capturou uns 20 homens, estava com um sorriso de um canto a outro do rosto. A minha alegria acabou, quando ouvi uma voz:
– Renda-se Juni. – Falou uma voz feminina, com a espada no meu pescoço.
Eu ficara tão alegre com meu feito que não pude escutar os seus passos atrás de mim. Podia muito bem me render a ela, ser levado como prisioneiro, pois nosso time venceria, mas falei:
– Render-me? Acho que não garota!
Tomei coragem e ataquei a coxa dela com minha espada. Eu devia estar louco, ela já estava no acampamento há anos e eu, um simples novato com apenas um dia de treinamento com a espada.
– Ahh... Novato safado! – Gemeu ela. – Vai sentir a fúria de Clarisse, filha de Ares, o deus da guerra!
Ela investiu contra mim algumas vezes, tentei desviar a lâmina da sua espada com a minha, mas inutilmente a lâmina passou raspando meu tronco, deixando jorrar sangue.
Resultado... fui o único a parar na enfermaria do acampamento naquele dia, e como fofoca se espalha rápido, todo mundo já sabia. Foi então que cheguei a duas conclusões: treinaria mais antes de lutar com minha espada, por que eu podia ter morrido, e Clarisse já tinha deixado algumas vítimas com essa brincadeira; e a segunda conclusão era que precisava de um escudo.
Na hora do jantar Quíron anunciou que nosso time tinha ganhado e me parabenizou pela criação das armadilhas, Clarisse estava na mesa ao lado e falou:
– Sua ousadia o levou á enfermaria não foi Brooke?! Veio ferir logo a mim, filha do deus da guerra? Me poupe garoto inútil.
– Você teve sorte Clarisse, de eu não ter te matado logo. – Falei, tentando não passar vergonha em meio à multidão.
– Como ousa falar em sorte? Nunca perdi no mano-a-mano com nenhum marmanjo deste acampamento, e você é muito auto-confiante para o meu gosto.
– Te farei pagar pelo que disse e pelo que fez, só para me divertir um pouco. – Disse eu, para ver se ela baixava a bola.
– Sonhe.... sonhe, criança! – Que o teu desconhecido pai te ajude. – Foi embora, rindo muito.
Além de tudo isso, ganhei um lindo presente naquele dia, um grande corte perto da costela com 16 pontos. Decidi, portanto, investir em armadilhas e em criações, pois já tinha dado resultado, e em estratégia. Mas não abandonaria o treinamento de esgrima à tarde, para o caso de ter que me defender cara a cara.
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