Notas iniciais
A garota mais odiada agora reverte a situação... leiam, e espero que gostem.

Não me lembro mais de nada quando caí na boca de Jano. Só sei que ouvi passos de pessoas em meu redor tentando fazer fogueira, eu acho. Abri bem os olhos e pude ver Beckendorf colocando alguns curativos em Ally, da queda que levamos na boca de Jano. Então não estávamos no paraíso, quer dizer, a missão ainda não tinha acabado, e mais ou menos haviam se passado uns dois dias depois que saímos do acampamento.

– Onde estamos pessoal? – Disse eu, levantando-me.

– Essa é a grande questão irmãozinho. – Beckendorf ajudou-me a levantar e fez carinhos de socos na minha cabeça.

Olhei bem o lugar, era úmido e fechado, nada comparado com aquela caverna que estive com Jano. Á frente de nós passava um rio pequeno de águas escuras que borbulhavam, como se fosse um gêiser, e algumas passagens dobrando á direita e á esquerda.

De repente, quando a nossa fogueira estava quase pronta,(não sei como, deve ter sido Beckendorf, com a ajuda do pai) ouvi um grito de mulher ao longe... eu tive uma leve impressão no peito de que era a voz de Clarisse.

– Eu vou seguir a voz, esperem aqui, pode ser algo importante – Disse eu.

– Não! Pode ser uma armadilha. – Falou Ally. – Pode ser alguma “Syren” ou algo parecido, não esquece de que entramos na boca de Jano e não sabemos onde estamos.

– Mas eu... sinto que tenho que ir.

– Tá ok irmão. Disse Beckendorf. – Leve esta lanterna que solta laser que pode atravessar qualquer tipo de carne, mas, cuidado por aí, e não demora.

Eu peguei a lanterna e fui em direção ao riozinho que dava até meus joelhos, com aquela espuma negra, credo... segui por um corredor largo que havia algumas pérolas coloridas, como se fossem pedras preciosas, que estavam a desabar.

Mais uma vez ouvi o grito da mulher, e o eco me ajudar a orientar-me pelo caminho cheio de túneis. Eu estava indo na direção correta até me deparar com uma saleta, parecida como uma prisão. Lembrei da frase de Jano: “Desistam de tentar fugir das escolhas. Tem medo de arcar com as consequências das suas atitudes? Não podem ser chamados de homens”. Palavras que me davam medo.

Eu tinha apenas 16 anos, mas tomei coragem e entrei na prisão em direção ao grito. Estava completamente escuro, sério. Entrei, e quando eu estava do lado de dentro da saleta, a porta atrás de mim fechou-se, mas eu nem liguei, eu tinha que descobrir a voz, não sei por quê.

Ouvi um pequeno sussurro bem à frente, logo tentei acender uma tocha com minhas mãos vazias. ( e funcionou, acreditem, pois a lanterna tinha acabado.)

Fiquei paralisado... era ela, Clarisse, jogada ao canto da parede, chorando e soluçando, toda suja.

Nesse momento não pensei duas vezes, e corri para dar um abraço nela, que aos poucos começou a corresponder. Eu pude sentir o lado sensível de Clarisse, pois como filha de Ares era toda durona, com suas lágrimas percorrendo o meu ombro.

– Tá tudo bem... eu estou aqui, nada vai te acontecer, confia em mim. – Consegui dizer.

Não quis perguntar nada a ela por enquanto, apenas a deixei colocar para fora o choro enquanto acariciava seus cabelos negros. Naquele instante a raiva que eu tinha dela tinha se esvaído, pois me senti confortável por estar “cuidando” dela. Deixei-a ficar mais calma e perguntei:
– Pode me falar o que houve?
Ainda chorando, ela respondeu:
– Eles... eles disseram que... que iam me matar se você não morresse.

– Eles quem??

– Não sei Junior... era um exército com alguns monstros e humanos... e também um chefe comandando um gigante de 2 metros de altura. Me jogaram aqui para levar você para eles, se não, eu vou morrer.

– Então você vai me levar, não é? – Suspirei.

– Claro que não! Preciso muito de você, para a missão, e para o acampamento, e... Tá, confesso, não tenho raiva de você, e acho que estou começando a gostar de você. – Ela se acalmou mais.

– Que bom, — Falei. – Eu digo o mesmo...

Ela se sentou no chão, então tentei abraçá-la, e ela aceitou.

– Me perdoa Junior? Fui tão arrogante, querendo ser melhor do que todos e tal... e muito obrigada por me ajudar.

– Eu é que te peço perdão, por não reconhecer o seu valor, e ser mandão demais. Agora descanse, vou tirar você daqui.

Ela então me deu um beijo no canto da boca... me senti no céu. Tirei uma dúvida, eu estava gostando de Clarisse.

Fiz uma fogueira, graças ao meu papai que me deu poderes de fogo, e tirei um pacote de biscoito que era o único que eu tinha, e dei para Clarisse. Coloquei meu lençol no chão e deitei, vendo o que ela ia fazer ainda, mas senti compaixão e falei:

– Não quer dormir aqui do meu lado, te dou um pouco desse lençol. – Eu me pus a rir.

– Eh.. eu aceito. – Falou ela, meio desconfiada. – Estou exausta.

Eu pensei que simplesmente ela ia deitar no lençol para o lado oposto, mas eu me surpreendi, ela repousou sua cabeça no meu peito, e assim dormimos.

Logo ao amanhecer, levantei mais cedo que Clarisse e observei melhor o lugar, mesmo estando escuro ainda. Era uma sala quadrada, com uma porta com grades e outra com um trem atravessado... sim, um trem. Na parte que ficava exposta para dentro da sala havia um aparelho com letras e números, parecendo um cofre.

Acordei Clarisse e mostrei aquilo, e ela me disse que era o único jeito de sair dali, por isso que ela tinha chorado ontem.

A essa hora meus amigos estavam preocupados comigo com certeza, ou pensavam que eu tinha morrido, ou sei lá... e eu estava tentando bolar um plano junto com Clarisse para sair dali.

Notas finais
gostaram? espero que tenha alguem lendo kkk