Notas iniciais
passei um tempão sem escrever, pois tive muitas coisas para fazer, mas estou voltando, lendo os livros de meus amigos e escrevendo, espero que leiam.

Pela manhã, resolvi sair um pouco para investigar, o que não poderia ser tão legal passear por uma cela trancada... se Clarisse não estivesse ali, teria morrido de tédio em apenas 24 horas. Como não enxergava absolutamente nada, resolvi testar meu poder com o fogo, afinal, era filho de Hefesto, e queria ter aquele dom, mais visto como maldição entre os semideuses. Não foi preciso tanto esforço, logo saíram fagulhas e em seguida uma pequena tocha em minhas mãos, na parte da esquerda da cela, pois percebi que não era mais quadrada, estava alguns amontoados de crânios e ossos, logo atrás havia uma espécie de porta, mas com apenas um metro e meio de altura. Nela estava depositado um conjunto de teclas e números, em ordem.

– Bom dia garotão! – falou uma voz atrás de mim, e logo percebi que era Clarisse.

– Ah... Bom dia, estou tentando ser um herói e tirar a gente daqui.

Clarisse apenas riu, deixando escapar um pequeno orgulho, pois era difícil, para uma filha de Ares, deixar seu orgulho de lado assim tão fácil.

– E aí, “herói”? Já que encontrou isso, o que vamos fazer agora?

– Boa pergunta... – respondi, coçando o queixo.

– Eu queria te perguntar, mas não tive tempo. Onde estão os outros membros da missão?

Quando lembrei, minha expressão feliz havia desmoronado.

– A esse instante, devem pensar que eu morri e continuaram a viagem.

– Eles não podem fazer isso, Junior! Não se tiverem caráter.

– Eles deveriam... – falei, determinado. – O prazo para o resgate está próximo.

– Se eles foram embora, precisamos sair daqui. – indagou Clarisse.

– Boa, garota... é isso que estou tentando fazer.

Ela me deu um leve soco no ombro, enquanto andava de um lado para o outro.

– Olha... Já pensou em... Tipo, seu pai te ajudando de alguma forma? Hefesto não deve ser tão burro, aliás, os deuses sempre deveriam ajudar um filho não é?

– Faz sentido, mas nunca falei com meu pai... – disse, triste. Nem sei como começar uma conversa com ele, talvez ele não tenha ouvidos para mim.

– Faz assim, pense em seu pai, e põe para fora o que está sentindo.

Tive a impressão que Clarisse tentara falar com o pai dela outras vezes, só que era toda durona, achava também que o pai dela não deu muito atenção a ela. Mas, de qualquer modo, ela era mais experiente.

Pensei em suas palavras, fui a um canto, e falei. Pai, se estiveres me ouvindo... preciso de ajuda, sei que talvez não me escute, mas não vejo mais outra alternativa.

Por um segundo, parecia que meu pai estava processando algo, logo em seguida apareceu um cinto de couro, um pouco grande, do lado de fora da grade de proteção da tela, no lado direito.

Pai, não podia colocar isso aqui dentro da cela?, pensei. Mas de qualquer forma, obrigado.

Sabia que aquilo tinha alguma função, o difícil era alcançá-lo.

– Clarisse, pode entrar em ação agora? – disse, esperançoso.

– Cara, eu acho que isso é trabalho para você. – respondeu, apontando para as grades. – Se talvez pudesse derreter isso aí...

– Vou tentar, espero que dê certo.

– Você vai conseguir, — disse ela, me dando um abraço e em seguida outro beijo no rosto.

Foi difícil se concentrar, mas depois de um tempo, saíram algumas faíscas da minha mão.

– Sinto te dizer, mas precisamos de um pouco mais de fogo...

Fui ao máximo, estava queimando, literalmente, mas o fogo não me consumia... Demorou para que derretesse um parte da grade, até que não consegui mais, caindo no chão.

– Ótimo, Junior. Acho que agora eu consigo passar pela grade.

Clarisse pegou o cinto mágico, e ela mesmo o colocou em minha cintura. Agora fazer funcionar era o que eu não sabia.

Imediatamente, comecei a falar um monte de comandos aleatórios para ser se a coisa funcionava. Por que os deuses não explicam o que mandam para a gente, pensei. Até que falei uma frase meio inútil, mas funcionou:

– Me ajude a abrir isso!

O cinto ficou mais pesado, criando bolsos, coloquei a mão e tirei um aparelho com apenas um botão no centro. Apertei, é claro.

Então o dispositivo na parede com números e letras começou a falar, dizendo:

– “A sua mente abrirá as portas para você, sempre.”

Digitei vários números, de telefone, CPF... números da minha vida, algumas palavras, mas sempre ouvia “Não entendi, repita”

– Ah... Junior, pensa um pouco, Quíron não te deu algum código ou você não recebeu nenhum de seu pai? Algo assim?

– Não que eu lembre...

– É isso, “a sua mente abrirá as portas para você”. – disse, imitando a voz da porta.

É claro, tudo fazia sentido, os sonhos que tive não eram em vão! E um deles continha uma senha, eu tinha que arriscar, era a única saída que eu tinha.

Eu tinha esse código anotado, mas nem precisei pegá-lo, pois minha memória não me deixou de lado. Digitei: 1609 – BJH

É claro! Faz sentido, pensei. 16 anos, chalé 09, Brooke Junior, Hefesto!

Sorri ao ver a porta falando: “Bem vindo, filho de Hefesto!”

Clarisse, ao ver a façanha, sorriu também, entrando numa espécie de trem, e dessa vez, eu mesmo abracei-a. Mal esperei para sentar-me no banco, ela se encostou para dormir um pouco, não perguntei mais nada, quer dizer, exceto ao piloto que não hesitei em perguntar...

– Quem é você? Para aonde exatamente estamos indo?

– Boa tarde, não é? Deviam estar agradecidos...

– Me responda...

– Sou um dos servos de Apolo, enviado para guiar vocês até Los Angeles, mais alguma pergunta?

– Não, obrigado.

Não estava mais preocupado, estava indo na direção certa, Los Angeles, mas uma coisa faltava, seus amigos, seu irmão. Precisava encontrá-los o mais rápido possível, não tinha como mas tinha que arrumar um jeito, uma maneira. Talvez Clarisse não quisesse ajudar, mas se tivesse que ser sozinho, seria. Outra coisa que preocupava, era o prazo que Grover mencionou, “uma semana”... e só faltavam quatro dias, ou mais precisamente, três dias e meio.

Notas finais
gostaram? o prazo está proximo para a missao.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.