Brompton Cocktail

3 Heard there's peace just on the other side.


- Então, que tal tocar um pouco naquele Studio que nós gostamos? Para relaxar um pouco. Você sabe que ainda precisa contar essa noticia para a sua querida Leana, hein.

- É eu sei. Espera um pouco, Brian, Matthew, vocês não falaram para suas namoradas sobre o que houve, não é?

- Não.

- Ótimo. Vocês sabem como mulheres são fofoqueiras, nessas alturas Leana já estaria me matando por não ter sido a primeira a saber. E Brian, você sabe como Michelle é fofoqueira. – Jimmy riu.

Brian deu um soquinho no braço dele e riu também. Todos foram em direção ao Studio.

Todos riram e foi assim até a noite.

Sentado na cama, Jimmy olhava para a caixa. Ficou lendo por alguns segundos o nome “Bromptom Cocktail” e então, tirou uma pílula de dentro da caixa e ficou observando-a. Começou a pensar no dia de sua morte. Ele sabe que esse dia está por vir, na verdade, a única certeza da vida é a morte. Mas a dele iria chegar mais cedo do que queria. Balançou a cabeça para afastar esses pensamentos e engoliu a pílula de uma vez. Ao deitar na cama ficou pensando se deveria escutar seu pai uma vez na vida e fazer um transplante. Mas só de pensar que alguém iria ter que se sacrificar por ele, já mudava de idéia. Ele podia até pegar o coração de um cadáver, mas é sempre a primeira coisa que para de funcionar, então é complicado. Não tinha escolha. No meio desses pensamentos, Jimmy começou a pegar no sono e dormiu.

O barulho do telefone tocando o acordou. Era Leana. Ele tinha que falar para ela hoje, sem falta. Como será que ela reagiria? Parou um pouco de pensar e atendeu.

- Oi amor.

- Oi amor, bom dia! – disse Leana, animada. Isso o deixava triste, só de saber que algumas palavras iriam conseguir tirar toda essa animação do amor de sua vida.

- Eu preciso falar com você… Me encontre na praça às quatro horas da tarde, tudo bem?

- O que houve?

- Por favor, não pergunte.

- Agora eu estou preocupada.

- Até as quatro, beijo.

- Mas…

- Te amo.

Jimmy desligou. Até então não parava de pensar em como falar isso para ela. Como será que ela iria reagir? Na verdade, como ela deveria reagir? Seus pensamentos foram cortados pelo barulho do telefone, de novo. Dessa vez, era o Johnny.

- Eaí cara.

- Eaí.

- Como você ta?

- Vivo.

- Que bom.

- Pois é.

Johnny riu.

- Vamos sair para beber a noite?

- Hoje não dá, Johnny. Irei contar para Leana na praça às quatro horas. Pretendo passar o dia com ela, quem sabe, ela dormir aqui.

- Ah, tudo bem. Você tem coragem, cara. Você vai conseguir.

- Obrigado. Espero conseguir mesmo.

- Boa sorte, tchau.

O relógio da praça estava dando quatro horas e em um banco estava sentado Jimmy com seu cigarro. Estava apavorado, quase surtando. Quando viu Leana se aproximando, ele quase pirou.

Ao contar, sua reação foi pior do que ele esperava. Ela chorava, falava que se fosse para ele morrer, ela iria junto. E pior, falou que fazia o transplante. Ela era a ultima pessoa que Jimmy queria que falasse isso. Seu choro estava partindo seu coração. Mas com o tempo, Jimmy espera que ela vá se conformando. Como ele previu, passaram a noite inteira juntos. Isso fez bem para Jimmy. Tão bem que quase se esqueceu de tomar seu remédio.

E os anos foram se passando, agora ele estava com 28 anos. Era véspera de natal, o ano estava quase acabando. Queria chegar até dia 9 de fevereiro para completar 29 anos. Mas ele sabia que não passaria dos trinta.

- Alô?

- Olá, Jimmy. Feliz natal! Sabe o melhor presente que poderíamos ganhar?

- Qual?

- O nosso novo CD ganhou um prêmio de melhor CD do ano!

- Uau, demais. Precisamos comemorar!

Jimmy ouviu risadas atrás da voz de Brian.

- Todos estão aqui em casa, vem. Vamos sair para beber, comemorar e tudo o mais.

- Mas é claro, estou a caminho. – e então Jimmy desligou e foi se arrumar.

Esse foi um dos melhores dias de sua vida. Se divertindo com os melhores amigos, as melhores amigas – que seriam as namoradas dos companheiros – e com Leana.

Estava tudo perfeito, até que ele começou a sentir muita dor. Mas não podia falar para ninguém, não podia fazer com que eles se preocupassem, só que o lugar onde Jimmy estava sentindo dor, o preocupava. Como pode, sentir tanta dor assim no coração?

- Hum… Pessoal, eu vou para casa, ok?

- Mas já? – perguntou Johnny.

- Já são três horas da manhã. Preciso estar lá quando a minha irmãzinha acordar.

Todos concordaram, mas mesmo assim acharam muito estranho. Jimmy pegou o carro correndo, quando chegou a sua casa, quase não se agüentava mais em pé. Agora a dor estava passando para todos seus ossos, fazendo com que todos seus membros começassem a tremer. Não pensou duas vezes, foi no quarto de sua irmã e abriu a porta devagar. A luz da janela iluminava um pouco seu rosto, ele chegou perto com um sorriso e uma lágrima no rosto. Ajoelhou-se ao lado dela e a cobriu com um cobertor. Deu um beijo em sua testa e logo em seguida, falou:

- Eu te amo. – e outra lágrima caiu em seu rosto.

Estava saindo do quarto de sua irmã quase rastejando, e então quando chegou em sua própria cama, no quarto ao lado, sentou e pegou o remédio. Leu novamente aquele nome estranho. Bromptom Cocktail. Pegou uma pílula com a sua mão tremendo demais, mas viu que era tarde demais, largou o copo e a pílula e procurou um papel e uma caneta. Fez um tremendo esforço para conseguir escrever uma frase no papel. E ele escreveu: “Agora eu sei como esse mundo pode superar um homem. Me desculpe, eu amo vocês Brian, Leana, Zacky, Johnny, Vallary, Michelle, Matthew, pai, madrasta. Eu espero que um dia minha irmãzinha possa me perdoar por ter deixado-a.”

E então, na noite do dia 28 de dezembro de 2009, Jimmy Owen Sullivan veio a falecer.

Notas finais
Eaí, o que acharam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!