Notas iniciais
NOTAS IMPORTANTES:
Hey... *corre*
Como vocês estão, leitores? EHUAEU Bom, acho que, primeiramente, devo pedir desculpas pela demora e dar alguma explicação. Como eu já vinha reclamando nos capítulos anteriores, eu estava com vários problemas aqui em casa e tals. Dois meses sem atualizar é muita coisa, mas acontece que, eu passei todo esse tempo tentando escrever esse capítulo -_- Ele estava sendo muito difícil de digitar, era uma parte de revelações, mudanças e tals. Eram muitas partes para escrever, e aí, como eu estava de férias, acabei ficando com preguiça; preferi sair e ficar fazendo qualquer coisa aleatória, pois não estava com inspiração, apesar de saber o que tinha de ser descrito.

Enfim, não estou de muito bom humor, então nem vou falar tanto. Em relação ao capítulo, vou dar uma resumida. Primeiro: sei que muitas de vocês vão querer me matar com várias coisas que vão ler, ehaue (ou não), mas... O capítulo já começa com a continuação do flashback do capítulo seis, a sequência do que aconteceu no passado do Kanda e do Allen. Então aconselho que deem uma relida lá, pois talvez não lembrem direito da festa que eles estavam, da declaração do Allen e etc. Na minha opinião, o que aconteceu entre eles era bem fácil de se adivinhar -super clichê- , mas algumas leitoras não conseguiram descobrir. UEAHEUAHE Mas eu amei as várias deduções que recebi ♥ Vai ficar meio confuso no inicio, porém o flashback tem uma última parte. E darei mais explicações nas notas finais. Segundo: Tem duas músicas incluídas, a primeira é no flashback, ela não é obrigatória, portanto, só leiam com a música se quiserem. Mas na última parte do capítulo tem outra e POR FAVOR, peço que leiam com ela. Eu vou avisar quando elas tiverem que ser tocadas.

Outro motivo da demora foi porque estou com vários outros projetos de Yullen em mente, ai eu ficava criando o enredo na cabeça e não me focava em B&D. >< Também notei que o número de leitores subiu bastante, então vou - dessa vez - , pedir com gentileza para que se manifestem, só isso. :)

Peço desculpas também pela demora em responder os reviews. Vou começar a fazer isso depois que postar o capítulo, espero que as leitoras que tiveram a decência de não me abandonar e me apoiar, me desculpem. ~♥ Foram vocês que fizeram B&D crescer tanto e chegar aos lindos 100 reviews, portanto, eu só agradeço por gostarem tanto. Obrigada.

Agora, os links das músicas: 1 - http://vimeo.com/25886180 | 2 - http://www.youtube.com/watch?v=w_LOOKssMpA (NÃO ESQUEÇAM DESSA). A primeira foi mais uma homenagem para uma amiga minha. LoL

O texto só está devidamente betado na parte do flashback, pois minha noiva amada estava ocupada. ♥ Por isso, desculpem qualquer erro.
Capítulo dedicado para as lindas, Sakura Hime e Paula (esta que me surpreendeu com uma recomendação). ♥ E, principalmente para a noivs Kami, pois essa história não seria nada sem ela, nada mesmo. :')

Boa leitura (eu disse que não ia falar mt) e, talvez, alguns nosebleeds. -v-

PS: Podem criticar algo se quiser, isso é sempre bem vindo, contando que não seja algo relacionado ao enredo que criei para a fic, pois ele está pronto, não pretendo mudar. >o< Mas é claro, podem dar sugestões e etc ♥

"Na dor ainda há cura."


Broken and Destroyed — Capítulo Oito.

Flashback ::: On

– Er... Hm... Eu vou pegar uma bebida e já volto! — comentou, parecendo uma pimenta, não conseguindo olhar diretamente para o moreno à sua frente. — Não saia daqui. — dito isso, praticamente saiu correndo para longe dali.

“Não, isso não pode estar acontecendo! Só pode ser brincadeira! Tudo isso em apenas dez minutos?!” Kanda pensou chocado, ainda sentado sobre o banco, começando a notar que, talvez, agora, ele soubesse o motivo de tanto odiar o Moyashi.

***


Allen podia sentir suas pernas tremerem à medida que, praticamente, corria para dentro da casa de Lenalee. Permanecia confuso com o acontecimento de segundos atrás, não conseguindo controlar as batidas aceleradas de seu coração.

“Ele ia... Me beijar?”. Perguntava para si mesmo, entrando pelas portas dos fundos, já dando de cara com inúmeros adolescentes que conversavam por ali, bebendo e dançando ao som exageradamente alto.

Já fazia um tempo que havia descoberto seus sentimentos por Yuu Kanda, porém nunca havia passado por sua cabeça que pudesse ser correspondido de alguma forma; afinal, o mais velho o odiava, certo?

Seus sentimentos atuais mesclavam-se entre felicidade, medo e choque.

“Eu preciso me acalmar e voltar pra lá”. Pensou determinado, atravessando o enorme salão de entrada, que, no caso, era o cômodo mais movimentado. Luzes piscavam, jovens dançavam, bebiam, se drogavam e alguns casais formavam-se em meio a toda aquela bagunça.

O albino locomovia-se rapidamente entre a multidão. Acabou por avistar Lavi em meio à pista de dança, o qual dançava e se atracava com uma garota do primeiro ano.

“Idiota!”. O pensamento invadiu sua mente quase que automaticamente, e não demorou em continuar a andar, chegando até a cozinha, lugar onde as bebidas mais fortes ficavam.

Allen estava com a cabeça cheia demais para atinar que o ruivo já havia notado seu retorno.

– Allen! – Lenalee, sua melhor amiga, o cumprimentou sorridente.

– Lena! – saiu de seus pensamentos, parando para prestar atenção na garota chinesa que preparava algo no liquidificador.

– Você sumiu! – sorriu radiante, fazendo um gesto com as mãos, pedindo para que o garoto se aproximasse – Você tá bem? Está com o rosto vermelho.

– Bom, acho que é por causa da bebida... Falando nisso, o que é isso que você está fazendo? – mudou de assunto rapidamente, começando a coçar os cabelos disfarçadamente, entregando-se por completo.

– Alleeeeen, você acha mesmo que me engana com essa cara?! – a adolescente ria de maneira irônica – O que aconteceu, hein?

– N-Nada... Por que acha que aconteceu algo? – Walker era o tipo de pessoa que não conseguia mentir.

Lenalee lhe fitou de forma assassina, mas teve seu futuro questionário interrompido, pela pessoa que adentrava o local de forma barulhenta.

– Hey, pessoal! – o ruivo apareceu do nada, chamando atenção devido à capa preta e vermelha que trajava. Sua expressão, exageradamente pervertida, declarava seu estado completamente “chapado”.

– Lavi! – Lenalee parou o que estava fazendo e seguiu até o mesmo, o segurando pelos ombros – Eu já não tinha dito, “chega”? Olhe o seu estado. – esbravejou, sendo previamente ignorada pelo rapaz, que apenas a abraçou, não demorando em dirigir os orbes esmeraldas para o amigo mais novo, que os encarava de um canto da cozinha.

Allen notou imediatamente o olhar de Lavi em si e logo começou a entrar em estado de choque.

“Droga! Só faltava essa...”. Choramingou consigo, dando-se conta da enrascada que estava prestes a se meter. As coisas poderiam ser mais simples, não?

Desviou o olhar, tentando não dar atenção para o mais velho, fato este, que o albino repetia pela quarta vez naquela semana.

– Lena, a For me pediu para te chamar, disse que precisa de você, urgente... – Lavi comentou, sorrindo brevemente, soltando-se da amiga em seguida.

– O que aconteceu? – indagou curiosa.

– Não sei, ela só disse que era urgente. – respondeu sério, dando a impressão de que realmente se tratava de algo importante. Mas Allen sabia muito bem que o amigo estava mentindo, era incrível que Lenalee não notasse. Sentia raiva toda vez que isso acontecia.

– Allen, tome conta do Lavi por um minuto. – comentou rapidamente enquanto ajeitava sua saia, dirigindo um último olhar a Walker, o qual poderia ser traduzido como: “Você vai me contar o que aconteceu quando eu voltar”. Logo, não demorou em sair dali.

Em questão de segundos a tensão tomou conta do local. Allen baixou os olhos, tentando não encarar o amigo, que ele tinha certeza que lhe secava.

– Allen... – a voz de Lavi soou de forma grave.

– Sim? – o timbre usado pelo mais velho acabou fazendo com que os pelos de sua nuca se arrepiassem.

Não obteve nenhuma resposta, apenas notou que o outro dava passos lentos até si, não demorando em ficar exageradamente próximo.

– Me fala... – aproximou-se o suficiente para que as palavras fossem de encontro ao ouvido de Allen – Por que você está fugindo de mim? Ou acha que não notei?

O albino apenas se afastou de forma ardilosa, virando-se de costas e apanhando um copo com uma bebida qualquer.

– Eu não estou fugindo, mas que coisa... – tentou responder normalmente, mas sua voz soava sufocada. Virou o conteúdo do copo de uma vez só – o gosto era exageradamente forte –, não se dando ao trabalho de se virar para encarar Lavi.

– Tem certeza? Se for assim, me dá um beijo. – o rapaz pediu, soltando seu típico sorriso libidinoso.

– Você ficou louco? – Allen começava a ficar desesperado, precisava sair dali o quanto antes.

“Kanda” Repetia mentalmente o nome. E, quando fez menção de se virar para sair dali, o ruivo o prensou contra a bancada da pia, mantendo-o virado de costas, o encoxando por trás.

– Você fala como se fosse algo muito anormal entre nós. – Lavi comentou presunçoso em seu ouvido, enlaçando os braços na cintura do menor, que tentava – sem sucesso algum – se livrar de seu aperto. – Não acha que deveria me explicar o porquê de não estar... Me procurando mais? – a pergunta foi seguida com um aperto na nádega direita do mais novo, que arqueou as costas para trás, não desistindo de fugir dali.

– Lavi! – praticamente rosnou o nome – Definitivamente, não dá para a gente continuar com isso. – estava sendo ignorado pelo ruivo, o qual começava a distribuir beijos e mordidas por seu pescoço. – Lavi, você tá me ouvin... – fora impedido de continuar a frase, pois o amigo lhe virou de forma brusca, fazendo com que desse de cara com os orbes esverdeados que o fitavam de forma intensa.

“Ok, eu vou ter que soltar tudo agora.” Pensou receoso, achando que finalmente poderia conversar seriamente com seu “melhor amigo”.

(ligar música)

I know you want me, I made it obvious that I want you too… – Lavi começou a cantar, notando a expressão incrédula que o mais novo lhe dirigia. Manteve seus olhares conectados, descendo a mão esquerda até a cintura de Allen, aproximando-se de seu rosto até que ficasse a milímetros dos lábios. – So put it on me... – levou a mão direita até a nuca do albino, sorrindo sedutoramente, puxando-lhe o pescoço e colando os lábios ali mesmo – Let’s remove the space between me and you... – foi apenas quando, o ruivo voltou a encará-lo e lhe selar os lábios de forma inesperada, que se deu conta de que ele cantava a letra da música que tocava num volume muito mais alto do que já estava, fazendo com que as janelas da cozinha chegassem a tremer.

A essa altura do campeonato a bebida já começava a subir sobre a cabeça de Allen, fora que não conseguia mais se controlar totalmente. Afinal, ele perdia toda sua noção quando Lavi o beijava daquela forma.

Now rock your body ooh


Damn I like the way that you move

So give it to me ooh

'Cause I already know what you wanna do

Quando se deu conta, já estava correspondendo aos beijos e afagos do amigo que o arrastava até uma porta ao canto da cozinha. Lavi chutou a mesma, ainda agarrado a Walker, beijando-o de forma necessitada, mordiscando o lábio inferior de agressivamente. Logo, os dois se encontravam no pequeno corredor que dava para um dos cômodos da enorme casa de Lenalee.

Não se deram ao trabalho de sair dali, o ruivo empurrou Allen para a parede mais próxima, sorrindo de canto, voltando a atacar a pele alva do pescoço do menor, que subia as mãos por dentro de sua camisa, arranhando suas costas.

Voltou até a boca de Allen, arrancando novamente um beijo cálido, fazendo com que o albino perdesse cada vez mais a noção do que estava fazendo. Não querendo esperar mais, ele ajoelhou-se sobre o chão, pondo-se a subir a camiseta de Allen e passear a língua por todo o seu tórax, parando no umbigo.

– Eu não aguentava mais ficar sem você, Allen. – ergueu o rosto para fazer o comentário, notando que o garoto permanecia com os olhos fechados, respirando descompassado.

But tonight I'm fuckin you

Oh oh, you know

That tonight I'm fuckin you

Oh oh, you know

Walker apenas conseguia sentir o desejo consumir seu corpo a cada toque que Lavi lhe dava, acompanhado com a sensação de que o mundo à sua volta girava. E, claro, era o efeito do álcool. Ouviu as palavras do amigo, acompanhado do som de seu zíper sendo aberto e logo suas calças estavam a ser puxadas.

Foi com muito esforço que conseguiu reorganizar seus pensamentos e agarrar Lavi pelos ombros, puxando-o para cima.

– Lavi... A gente precisa conversar sério! Não podemos mais fazer isso. – suas palavras soavam desesperadas, porém ele ainda ofegava.

– Por quê? Para com isso...! Já estamos nessa há tanto tempo. – o ruivo falava baixinho, agindo rapidamente em descer sua mão esquerda até a bunda do menor, puxando-lhe a perna em seguida, passando-a por sua cintura. – Você sabe que não consegue resistir, assim como eu... – comentou roucamente, atacando novamente a boca de Allen, que já se encontrava avermelhada.

– M-Mas... – o adolescente tentava resistir, mas se perdia ao sentir a ereção do amigo chocar-se contra a sua. – Agora é... Diferente... – era difícil conseguir falar em meio ao beijo. – Lavi, por favor! – praticamente suplicou ao sentir o outro invadir sua boxer com uma das mãos. – E-Eu mfff... – tentava falar em meio aos baixos gemidos que começavam a escapar de seus lábios, a cada movimento de vai e vem que o maior fazia em seu membro.

“Droga, eu não mereço ficar com o Kanda, não consigo, sequer, me controlar. Pareço até uma vadiazinha qualquer...”. Pensou tristemente, sentindo-se meio tonto, tentando empurrar o ruivo de si, contudo ele era bem mais forte.

Eu me apaixonei... – usou as mãos para puxar o rosto de Lavi, encarando-o seriamente nos olhos. Sua face estava corada e sua voz havia saído mais baixa que o normal.

E, em questão de segundos, antes que Lavi pudesse abrir a boca para questionar algo, os dois presentes ali puderam ouvir certa movimentação no inicio do corredor.

Allen assustou-se de imediato, virando o rosto para ver de quem se tratava e, para sua completa infelicidade e desespero, era a última pessoa que ele gostaria que visse aquela cena: Kanda.

O coração do albino praticamente saiu pela boca ao acordar do estado de transe, notando que aquilo realmente era a realidade; e isso só aconteceu quando os olhos prateados encontraram-se com os orbes negros, que o fitavam de maneira inexpressiva.

A situação era pior do que poderia imaginar: Estava com as calças abaixadas, seu “melhor amigo” lhe agarrava em uma parede e mantinha a mão dentro de sua cueca.

– Yuu! – Lavi afastou-se de Allen, o qual definitivamente não sabia o que fazer.

Tch – o moreno simplesmente deixou com que o estalo saísse dentre seus lábios, virando as costas para aquela situação, segurando-se o suficiente para não quebrar a cara daqueles desgraçados: principalmente a do moyashi.

“Maldito, filha da puta...”. Xingamentos começavam a invadir seus pensamentos enquanto ele respirava fundo, voltando rapidamente pelo caminho por onde havia vindo procurar pelo mentiroso que dissera a pouco estar apaixonado por si. “Bem digno vindo dele...”. Pensou de forma irônica.

– Kanda! – Allen gritou, o seguindo praticamente correndo. Havia subido suas calças de qualquer jeito e deixado Lavi na cozinha, sem nada entender. – Kanda, espera...! – tentava a todo custo segurar as lágrimas que estavam prestes a cair, e a embriagues acabava por atrapalhar ainda mais.

O japonês continuava a retirar-se dali, locomovendo-se entre todo aquele amontoado de pessoas, ignorando completamente a voz de Allen. Na verdade, ele nem sabia o porquê de estar se sentido... Traído? Ele não era gay, não tinha motivos para estar fugindo dali e sentindo tanta raiva, acompanhada de sentimentos estranhos.

“Foda-se!”. Era o que usava para situações em que ele não sabia como resolver.

– Kanda, você achou o Allen? – avistou Lenalee próxima da porta de entrada, conversando com uma amiga.

Não se deu ao trabalho de responder, apenas atravessou a porta, visando deixar aquele lugar o quanto antes.

Não demorou muito para que Walker chegasse ali, a face extremamente corada.

– Allen?! O que está acontecendo? Por que está chorando? – Lenalee perguntou assustada, segurando os ombros do albino, que, só agora, havia percebido que estava chorando. Algumas pessoas próximas começavam a notar que algo estava acontecendo, mas apenas observavam.

– Lena, cadê o Kanda? – perguntou sem fôlego, olhando para o lado de fora – Eu preciso ir atrás dele. – quase derrubou a amiga ao sair correndo para fora.

Teve que correr muito mais para finalmente alcançar o moreno, que já virava a esquina da rua.

– Ei, Kanda... Me escut... – tentou falar de maneira desesperada, puxando o mais velho pelo braço, acabando por ser interrompido pelo empurrão que recebeu, quase caindo para trás. Em seguida, teve sua blusa puxada de forma bruta pelo amigo, avistando o punho do Kanda que estava pronto para lhe acertar o rosto.

– Allen, Kanda! – uma voz feminina gritou em choque, era Lenalee.

A garota correu na direção dos dois, tentando separar o albino do mais velho e, depois de muito esforço, conseguiu afastá-los, pondo-se entre eles.

– O que está acontecendo? Vocês ficaram loucos? – a chinesa tinha uma expressão assustada, pois tinha medo que Kanda voltasse a tentar atacar o menor. Sua face comprovava que isso poderia acontecer. Era a primeira vez que o via tão fora de si e, apesar de já ter assistido várias brigas do moreno, nunca o vira com aquela expressão raivosa, diferente da habitual sem demonstrar emoções.

– Ei, que porra está acontecendo? – Fora Lavi quem finalmente havia chegado ao local. Tinha sido avisado por um amigo que Lenalee saíra desesperada atrás de Allen e Kanda. Apesar de ter bebido exageradamente, manteve-se sóbrio ao ver que a situação não estava nada boa.

Kanda suspirou, afastando-se das mãos da amiga, que o seguravam. Simplesmente virou as costas e saiu dali, pondo-se a descer a rua escura.

– Allen, tá tudo bem? – Lenalee perguntou abraçando o amigo, que havia caído sentado sobre o asfalto; ele tremia e as lágrimas começavam a escorrer livremente e, logo, começava a soluçar. Seu peito doía muito e, talvez, parecesse desnecessário chorar daquela forma, mas ele se culpava pela merda que havia feito. Allen realmente gostava de Kanda. Vê-lo agir daquela forma, sem ao menos lhe dar chances de se explicar, tornava tudo pior. Mas, talvez, não tivesse o que explicar, ele não prestava, era o que pensava enquanto Lenalee o abraçava protetoramente.

Lavi aproximou-se dos dois, dando uma última olhada para a rua por onde o amigo – se é que ainda poderia o chamar assim – havia seguido, recordando-se do que Allen falara há pouco.

“Eu me apaixonei...”.

Foi bem fácil entender o que estava acontecendo. O pesar caiu sobre suas costas instantaneamente, afinal, era sua culpa que o melhor amigo estivesse sofrendo.

– Allen, me desculpa... – pediu de forma sincera, abaixando-se para apertar o ombro do mesmo, que parecia desligado de tudo que acontecia à sua volta.

– Desculpar o quê, Lavi? Sou só eu que não sei o quê eu está acontecendo? – Lenalee perguntou chateada, não entendendo completamente nada.

“Eu não posso deixar isso assim, ele precisa me ouvir...”. Allen pensou em meio ao choro, tentando se acalmar um pouco, sentindo-se completamente cansado. “Droga!”. Acabou por esconder a cabeça entre os joelhos, tentando controlar aquela sensação incômoda e dolorida que o fazia sentir um aperto no peito, coisa que nunca havia sentido por alguém; nem mesmo por Lavi.

Flashback ::: Off

***

Allen interrompeu as lembranças assim que ouviu o portão da garagem ser aberto, acompanhado do som do carro de Kanda.

Permanecia sentado sobre sua cama – após o banho – no quarto de hóspedes, não se dando conta de quanto tempo havia ficado perdido naquela memória antiga, a qual ele tentara evitar por muitos anos, porém agora estava cada vez mais difícil não se lembrar do passado. A relação entre ele e Yuu estava cada vez mais complicada; alguns dias passaram-se após o moreno o convidar para sair e nesse curto espaço de tempo, Allen começara a sentir coisas estranhas, tinha muita vontade de se aproximar cada vez mais de Kanda e tocá-lo de alguma forma. Mas essas lembranças faziam com que ele se controlasse, pois sabia que tudo era complicado demais. Não estava emocionalmente bem para se dar ao luxo de se entregar à meros sentimentos e desejos.

Era sábado, por volta de uma hora da tarde. O albino curvou-se para frente, pondo-se a amarrar os cadarços de seu coturno caramelado, acompanhado de uma calça jeans justa. Finalmente havia chegado o dia, Kanda e ele finalmente iriam sair.

O japonês o avisara que chegaria mais ou menos nesse horário, tinha um trabalho para apresentar naquele dia, por isso, só chegara da faculdade naquele momento; Também avisara para Allen estar pronto quando retornasse.

Allen levantou-se, caminhando diretamente para o espelho, apenas bagunçou os fios desprovidos de cor, pois só ficavam bem daquela forma desleixada. Por último, buscou pelo frasco de perfume em sua mala e o borrifou sobre si.

– Moyashi? — ouviu a conhecida voz chamar e quando se virou para a porta, Kanda já estava ali, o fitando de forma entediada. – Já está pronto?

– A-Ah, já sim! Como foi a apresentação? – perguntou de forma curiosa, seguindo até a porta, notando que Kanda tinha desaparecido dali ao ouvir sua resposta.

– Foi chata pra caralho... – respondeu indiferentemente à medida que se aproximava da porta do banheiro – Eu vou tomar banho, faça qualquer coisa aleatória enquanto me espera. – comentou por fim e logo a porta bateu.

O albino suspirou, voltando para o quarto e ponderou por alguns segundos se deveria ou não levar os documentos falsos.

– Ok, ok... Vou levar. – declarou para ninguém em especial, buscando somente pelo ID e o cartão de crédito.

Deixou o cômodo e pôs-se a descer as escadas rapidamente, vestindo sua jaqueta preta de couro, não demorando em alcançar o sofá branco e sentar-se.

Permaneceu sentado ali, passando os canais da TV, não encontrando nada que lhe chamasse a atenção. Muitos noticiários comentavam sobre um corpo que fora encontrado na sexta feira em meio à um lixão numa cidade próxima de Londres. O cadáver ainda não pudera ser reconhecido, estava completamente carbonizado, porém os legistas tinham esperança de conseguir descobrir sua identidade através de analises da arcada dentaria. Esse tipo de notícia fazia com que o albino se sentisse mal, então, desligou o aparelho sem mais delongas.

Alguns minutos depois o miado de Mugen soou de forma fina; Allen a procurou e a avistou de frente pra si e não demorou em que ela pulasse em seu colo.

– Mugen, você vai me encher de pelos! – Allen choramingou, mas a gata continuava a miar – Você quer comida, né? – questionou o óbvio, já se levantando e colocando-a no chão.

Caminhou até a cozinha e apanhou o pacote de ração que estava dentro do armário, sendo quase derrubado pela felina que se esfregava em seus pés.

– Pronto. – disse ao passo em que se abaixava para encher a vasilha.

Ouviu passos a descerem a escada e ergueu-se rapidamente.

– Vamos logo, Moyashi. – Kanda apareceu entre a divisória da sala de jantar. Vestia uma blusa preta de mangas compridas e, naquele momento, estava com os cabelos soltos.

Allen quase enfartou com aquela cena, era pouco, no entanto, sentir suas partes baixas formigarem e o coração bater um pouco mais forte eram prova de que realmente não estava bem. Praticamente deixou o queixo cair ao assistir o moreno segurar a fita de cabelo entre os dentes e juntar os fios negros para enfim prendê-los.

– Vai ficar aí parado com essa cara de idiota? – indagou ao mais novo, apanhando as chaves em cima da mesa e vestindo seu sobretudo bege.

– Er, desculpe... – o garoto comentou ao voltar ao normal, pondo-se a seguir o amigo até a garagem.

***

– Kanda... Onde nós estamos indo? Fala logo, poxa. – Allen questionava sorridente, contente em demasia por estar, enfim, fora de casa e tomando ar livre. Era muito estranho estar andando livremente pelas ruas.

Tch – estalou enervado, já se sentindo de saco cheio em ter aguentado o pirralho lhe fazer a mesma pergunta durante todo o trajeto até ali. – Só vou te levar no lugar que falei mais tarde, agora, vamos passar nesse maldito festival porque tenho que comprar umas coisas. – comentou entredentes, andando apressadamente bem à frente de Allen.

– Festival do quê? – Allen perguntou de forma curiosa, notando que muitas pessoas seguiam na mesma direção que eles.

– Será que dá pra andar mais rápido? – Kanda parou bruscamente, esperando até que o garoto chegasse até si para que o segurasse pelo braço e o puxasse como se fosse uma criança.

Depois de mais alguns segundos, finalmente estavam em frente há uma imensa multidão que formavam filas em frente para uma bilheteria. De acordo com o que Allen tinha observado durante o trajeto de carro até ali, estavam em algum lugar no distrito de Chelsea, bem no coração de Londres.

– Mas que fila enorme, Kaanda! Afinal, onde nós estamos? – Walker questionou, realmente querendo saber de uma vez por todas.

– Estamos no Royal Hospital Chelsea, é um festival sobre jardinagem... – respondeu vagamente, vasculhando alguns dos bolsos de seu sobretudo bege com a mão desocupada.

Retirou dali dois ingressos e não demorou em soltar Allen e entregar um deles em suas mãos.

– Você? ... Num festival de jardinagem? – o albino não conseguiu impedir com que sua pergunta soasse de forma irônica, e que suas sombracelhas quase desprovidas de cor se arqueassem em dúvida.

– E o que tem demais nisso? – devolveu em falso tom de ultraje.

– Sei lá, você não tem cara de quem curte... Flores. – acabou por soltar um riso contido, voltando a ficar sério ao notar o olhar irritado que o moreno lhe dirigia.

Tch – estalou a língua e logo os dois passaram pela entrada – entregando seus ingressos –, a qual já chamava atenção por ser cheia de árvores exóticas.

Em questão de segundos, Allen se viu em meio há centenas de pessoas e, muitas flores e “coisas verdes”. Era um espaço aberto e não se via onde terminava. O tempo estava bom e os raios de sol circundavam por todo o local. Pessoas conversavam, fotógrafos corriam de um lado para o outro. À medida que andavam espaço à dentro, começavam a surgir vários espaços diferentes e, pelo que o mais novo conseguia notar, formava-se uma multidão ao redor das várias divisórias onde se podia enxergar somente as coloridas flores, arvoredos e tudo que pudesse estar envolvido a jardinagem. Ninguém podia negar, era tudo muito lindo e vibrante.

– Por que tantos fotógrafos? – Allen indagou, ainda deslumbrado com tudo que via pela frente.

– Você faz perguntas demais, Moyashi. – comentou normalmente, sorrindo contidamente ao assistir a expressão de bobo do outro – Esse festival se chama Chelsea Flower Show, é um dos maiores eventos do país, acontece todo ano e, como deveria ser óbvio, muitos famosos e grande parte da família real sempre comparece. – fez uma pausa para checar algo em um folheto que tinha apanhado quando entregou os ingressos – Esse ano terão quinze jardins em exposição.

– Jardins?!

– Sim, você não está vendo? – Kanda gesticulou para que o menor olhasse para frente, apontando para alguns dos espaços onde se formavam multidões. – Cada um desses é um jardim que passarão por votações até que se encontre o “mais bonito”. Como são quinze, não dá pra ver todos daqui. – explicava de forma entediada, mas muito simpática ao ver de Allen; Afinal, era estranho vê-lo falar uma frase com mais de cinco palavras.

– Nossa, parece ser muito legal, eu nunca tinha ouvido falar. – sorriu diante a explicação do outro.

– Talvez o problema seja você ser desatualizado demais. – comentou escarnico, adorando ver o bico irritado que recebeu em resposta ao seu comentário.

“Tão ridicularmente adorável...” As palavras preencheram sua mente de forma rápida enquanto fitava o menor reclamar, sem ao menos ouvir o que ele dizia. “Não! Eu não posso ter pensando isso, puta que pariu, só pode ser brincadeira. Estou mal... Muito mal.”, debatia consigo mesmo, não aceitando que aquele tipo de sentimento o estivesse transformando em uma, “Bicha sentimental que surtava com os comportamentos idiotas do maldito Moyashi.”.

– Kanda, você tá bem? – Allen perguntou, notando que o japonês ficara estranho, sua expressão irritada demais, as bochechas coradas e ele aparentava estar... Sufocando?! – Kanda? – aproximou-se bastante, levando a mão em direção ao rosto do moreno.

– Que foi? – questionou de forma áspera, voltando à realidade no momento em que sentiu o garoto se aproximar demais, porém foi mais rápido em segurar sua mão, impedindo-o de lhe tocar.

– N-Nada... Você só pareceu estar fora do ar por alguns segundos. – explicou sem jeito, os olhos presos no aperto de Kanda em seu pulso.

– Impressão sua. – respondeu à medida que desviava o olhar, soltando-o imediatamente. – Vamos, eu quero ir logo embora daqui. – declarou, sentindo-se gradativamente incomodado com todo aquele acumulo de pessoas.

E assim, Allen o seguiu em silencio, se distraindo várias vezes com tantos jardins bonitos. Pararam em alguns para observar e, por um momento, o albino pode notar que Kanda parecia realmente gostar muito daquele tipo de coisa. Talvez não demonstrasse por vergonha, ou simplesmente porque multidões realmente tirassem seu bom humor para com flores e plantas.

O ex-estudante de medicina tinha medo que um desastre acontecesse e que ele acabasse sendo reconhecido por alguém, no entanto, com o passar do tempo em que andavam por ali, vendo e apreciando tantas coisas legais, acabou por esquecer sua preocupação.

– Que fila enorme... – disse quando Yuu finalmente havia parado — O que exatamente você vai comprar? – perguntou, não conseguindo mais esconder a curiosidade de saber o porquê de Kanda vir até um local tão lotado, sendo o antissocial que sempre fora.

– Sementes de flor de Lotus... Mas das que não são fáceis de encontrar. – respondeu baixo.

– Lotus? – indagou surpreso – E onde você pretende plantá-las? – Allen tinha a face envolta em dúvida. Não tinha notado um lago ou qualquer coisa do tipo em que pudesse se manter esse tipo de planta na casa do japonês.

– Eu já as cultivo há muito tempo... – Kanda respondeu normalmente, dando alguns passos à frente quando a fila andou.

– Como eu não vi? – perguntou ainda surpreso, se chateando ainda mais por constatar de vez que não sabia nada sobre alguém que tivera grande importância em sua vida.

– Um dia, talvez, eu te mostro... – disse baixo, soltando seu típico sorriso de canto e dando as costas para o menor.

– (...) Ne, é impressão minha ou eu não sei nada sobre você? – inquiriu incerto, chamando a atenção de Kanda, que demorou em responder.

– Não é impressão sua – respondeu secamente, dando uma rápida olhada pelo ombro.

– Hmm, você deveria falar mais então. – sugeriu simpático.

– Falar o quê? – o moreno virou-se bruscamente, dando de cara com Allen, falando de forma arrogante.

“Ele definitivamente é bipolar.” Constatou em pensamentos, suspirando e desistindo de se aproximar pelo menos um pouco.

– Esquece. – riu sem humor algum – Eu vou ali comprar algo pra comer enquanto você espera aí, ok?

– Não vou pedir para anunciarem seu nome se você se perder, Moyashi. – comentou ao se virar, sério, porém era notável certo tom de sarcasmo.

– Você nunca faria isso – dessa vez riu verdadeiramente – É bem ali na frente. – apontou para o local — Impossível você não me ver com a cor de cabelo que tenho. – por fim, virou as costas e saiu dali.

***

Após aproximadamente uns quarenta minutos, Allen já havia comido quatro cupcakes dos vários que tinha comprado; Eram todos enfeitados com flores comestíveis. Kanda estava demorando muito, por isso, ele sentara-se em um banco em frente a um dos maiores jardins dali, nomeado, M&G Centenary Garden”. Ele analisava com atenção uma flor que lhe prendera a atenção em demasia. Tinha a impressão de tê-la visto em algum lugar, porém não conseguia se lembrar de quando e onde. E por algum motivo, também desconhecido, aquele floreado lhe trazia um sentimento estranho, tristeza muito que provavelmente. Depois de alguns segundos observando, a mente do albino começava a ser invadida com a recordação de um grito feminino que repetia seu nome numerosas vezes. Assustou-se imediatamente, não sabendo o porquê de se lembrar de algo que não fazia a mínima ideia do que poderia ser.

– Oe – Kanda chamou a atenção do menor que permanecia de costas. Fora fácil encontrá-lo, estava em frente ao local que parou para comprar as sementes. – Moyashi?

Allen deixou seus pensamentos ao ouvir a voz do amigo lhe chamar, acabando-se por se virar rápido demais, afinal, ainda estava confuso e em choque. Por consequência, acabou trombando com Kanda, o qual o encarou irritado. O japonês estava com uma sacola verde na mão esquerda e uma flor na direita.

– Está em choque, anão de jardim? – riu irônico, afastando-se de proximidade entre os dois.

– Não. Eu só... – ainda aparentava estar com o pensamento longe. – Espera... Do que você me chamou?! – Allen irritou-se com o apelido; fazia anos que Kanda não o chamava assim.

– Toma! – Kanda impediu que ele respondesse, estendendo a bela flor de lotus branca que segurava em mãos. Arrependeu-se amargamente de tal atitude ao notar o albino corar e o encarar sem entender. “Ele está mesmo achando que é um presente?!” Pensou enervado ao decorrer dos segundos tensos de silêncio. Quando Allen finalmente apanhou o florido, sorrira de uma forma tão linda que quase arrancou o folego de Yuu Kanda.

– Eles deram de brinde e, afinal, combina com seu apelido, pode jogar fora se não quiser... – comentou mal humorado, virando-se para finalmente ir embora.

“A quem você está querendo enganar, Kanda? Você sabe que foi sim um presente!” Sua consciência jogou as palavras de forma acusatória, fazendo-o praticamente bufar em frustração.

– Obrigado, Kanda. – finalmente a voz de Allen foi ouvida de forma alegre. No entanto, o mais velho notou que aquele agradecimento fora dito de forma emocionada demais para ser somente pela Lotus.

Tch – simplesmente estalou a língua, começando a andar, não se dando ao trabalho de olhar para o Moyashi.

– Me espere! – Allen pediu, sentindo-se muito feliz, não somente pelo fato de Kanda ter lhe dado algo de presente, mas sim por notar algo diferente no olhar do rapaz. Era como se houvesse sentimento ali. O conhecia o suficiente para notar os momentos em que o mesmo usava da brutalidade e indiferença para camuflar algo totalmente contrário. Pelo menos isso não mudara com o tempo...

“Será que ele...?” Interrompeu as palavras de preencherem sua mente a apenas acelerou o passo, alcançando o japonês e enlaçando seu braço direito contra o dele num gesto inusitado.

Kanda deu uma parada brusca ao sentir o outro agarrar seu braço, tinha sido pego de guarda baixa. O olhou em dúvida, porém o garoto fingia não estar fazendo nada demais, apenas admirava – ou fingia – admirar a flor em sua mão esquerda. Por fim, resolveu que não faria tão mal continuar com algo tão simples. Começaram a andar para fora dali, sem nada mais dizer. Algumas pessoas os olhavam com curiosidade, no entanto Allen encontrava-se ocupado demais para notar, estava contente por ter enxergado um leve sorriso escapar dos lábios de Yuu. Melhor ainda era saber que a causa de tal gesto era ele.

∞ ॐ ∞


– Você simplesmente não tem fundo, Moyashi? – perguntou perplexo, notando que o pirralho havia comido praticamente toda aquela pizza enorme; só restavam dois pedaços na bandeja. Ele mesmo não tinha fome, portanto só tinha comido uma fatia.

– Eu estava com fome, poxa... – Allen comentou, ainda mastigando a massa — E você mesmo disse que não estava! – continuou, começando a sentir-se culpado por estar aparentando ser um esfomeado. Não que Kanda já não soubesse disso há muito tempo.

Fazia uma hora que haviam saído do festival, e o mais velho resolvera levar o albino para jantar. Mas como sempre, o Moyashi só gostava de comer porcarias, portanto não teve outra escolha a não ser encontrar uma pizzaria. No caminho de carro até ali, permaneceram-se em profundo silêncio, mas assim que chegaram e sentaram-se à uma mesa, Allen começou a falar sobre diversos tipos de comida e a fazer perguntas para Kanda, o qual respondia de bom grado. Ele nem havia notado que estava falando mais que o normal e que não estava sendo grosso na maioria de suas respostas. No entanto, Allen tinha concluído que Yuu tinha um péssimo gosto culinário.

E o mais notável, era o clima estranho que cada um dos dois sentia pesar sobre eles. Uma simples troca de olhar vinda de ambas as partes parecia significar muito mais que do que deveria ser. Tudo estava acontecendo tão naturalmente, que nenhum deles se importava com a possibilidade de estarem expondo os verdadeiros sentimentos que vinham tentando esconder a todo custo.

– Ok, Ok... – Kanda comentou normalmente – Termine logo isso, tenho que te levar ao lugar que falei. – olhava o relógio do celular ao dizer tais palavras.

– Mas você nem me falou aonde é esse tal lugar, estou morrendo de curiosidade há dias! – o albino chegava a fazer bico em frustração.

Tch – diferentes dos habituais estalos, esse fora acompanhado de um sorriso discreto, mas que não deixou de ser percebido pelo mais novo.

– Que foi? – Allen questionou, rindo levemente enquanto fitava o moreno.

– Nada oras. – Kanda o encarou de volta e, por algum motivo ridículo, teve vontade de rir junto, mas conseguiu se controlar, levantando-se da cadeira. – Vamos. – já tinha pago toda a conta, mesmo com a insistência de Walker em lhe ajudar.

– Pelo jeito eu só vou saber quando chegarmos lá... – falou emburrado, pondo-se a levantar da cadeira. – Me espere lá fora que eu vou ao banheiro.

∞ ॐ ∞

Meia hora depois, Walker e Kanda encontravam-se dentro do carro, o silêncio já não era tão desconfortável, sendo quebrado ora ou outra por perguntas do menor, todas relacionadas à cidade de Londres.

– Chegamos. – Yuu comentou secamente, após estacionar o carro ao lado de um parque.

Já passava das oito da noite, o sol começava a se por, dando lugar para as nuvens escuras, acompanhadas de um céu alaranjado.

Os dois rapazes deixaram o carro e começaram a caminhar em silêncio, o albino um pouco mais atrás, notando a considerável quantidade de pessoas passeando por ali.

“Jubilee Gardens” Fora o que Allen havia lido em uma placa. Mas não teve mais tempo para se distrair, pois bem um pouco à sua frente, próximo do parque por onde andava, estava uma enorme e vistosa roda-gigante.

– Eu não acredito... – pensou em voz alta. Não era imaginação sua; Kanda realmente estava o guiando até ali e seria impossível não reconhecer aquele lugar. – É sério isso?! Você me trouxe...

– Ao London Eye? Sim, não era óbvio? – Kanda cortou o albino, perguntando de forma irônica.

– Eu... Eu... – Walker não sabia o que dizer, seu coração começara a disparar de forma frenética, deixando-o sem palavras e com uma expressão surpresa, pois esse lugar definitivamente não chegava nem perto dos que havia cogitado.

Quando finalmente chegaram à entrada da Millennium Wheel, uma das maiores rodas-gigantes do mundo, até Kanda encontrava-se um pouco nervoso. Pensava que, talvez, tivesse exagerado um pouco. Aquilo estava romântico demais... Assemelhando-se cada vez mais a um encontro, coisa que ele mesmo não tinha planejado incialmente, não racionalmente, é claro.

Pela segunda vez naquele dia, o mais velho procurou por algo entre seus bolsos, retirando de lá os ingressos.

– Você é sempre tão preparado... – Allen comentou, notando que haviam filas tanto para comprar ingressos, como para entrar no local.

– Mais do que você imagina. – riu sarcástico, dirigindo-se em seguida à um dos atendentes, falando sobre algo que o albino não pode ouvir.

O homem moreno sorriu para Kanda e em seguida fez sinal para que ele e Allen o seguissem. Passaram entre a fila, chegando ao local onde se entrava, ali já esperavam algumas outras pessoas que tinham comprado ingressos antecipados. A roda acabara de descer, trazendo consigo alguns casais e famílias que saiam de dentro das cabines. Era um lugar muito agradável, pessoas sorrindo e conversando por todos os cantos.

Quando todos aqueles que já esperavam entraram nas primeiras cápsulas, Allen fez menção de segui-las, mas foi previamente interrompido pelo toque de Kanda em seu ombro.

– Que foi? – indagou confuso, virando-se para encará-lo.

– Nós não vamos nessa... – respondeu a meio fio de voz, tentando impedir com que Walker olhasse em seus olhos.

Apenas puxou o estudante de medicina pela manga da jaqueta, guiando-o até uma cabine vazia.

– Bom passeio! – o atendente comentou brevemente, dando uma piscadela em seguida.

– Só iremos eu e você?! – Allen perguntou surpreso, não acreditando que Yuu tinha se dado ao trabalho de comprar ingressos para uma cabine privativa.

“Ele quer ficar sozinho comigo...” Constatou o óbvio em pensamentos, fitando o chão do teleférico, andando lentamente até atingir o seu interior.

– Você sabe muito bem que não gosto de lugares lotados. – Kanda respondeu normalmente, tentando a todo custo, esconder aquele emaranhado de sentimentos, expectativas e receios que lhe rondavam ao pensar que ficaria trancado ali dentro por trinta minutos com o Moyashi.

– Claro, como eu pude me esquecer... – Allen riu irônico, ficando sem graça em seguida ao ver que a porta acabara de ser travada.

Observaram em silêncio os outros compartimentos serem preenchidos de pessoas, até que enfim, o monumento foi ligado, começando a se mover lentamente. Dos vidros transparentes era possível de se enxergar as margens do Rio Tamisa bem abaixo deles.

Segundos passavam-se, e estavam cada vez mais distantes da terra. Allen não sabia o que fazer, estava nervoso, não conseguindo nem se movimentar direito. E não era só pelo fato de estar sozinho com Kanda, mas também por ter um leve medo de altura.

Andou até a parede de vidro, começando a observar a paisagem lá de baixo, e mais acima era possível de se ver os últimos momentos do por do sol.

Kanda apenas sentou-se sobre o enorme banco central, fitando as costas do albino, o qual permanecia distraído em analisar cada detalhe que seus olhos pudessem capturar.

Yesterday I died, tomorrow's bleeding

Ontem eu morri, o amanhã está sangrando

Fall into your sunlight

Caído em sua luz solar.

The future's open wide beyond believing

O futuro está aberto além do inimaginável

To know why hope dies

Para saber porque a esperança morre

Losing what was found, a world so hollow

Perdendo o que foi encontrando, um mundo tão vazio.

Suspended in a compromise

Suspenso em um compromisso

The silence of this sound is soon to follow

O silêncio desse som é cedo pra seguir

Somehow sundown

De algum forma, o sol se foi

Alguns minutos depois a noite já se fazia presente, por isso, as luzes da London Eye já estavam ligadas, fazendo com que Allen notasse pelo reflexo do vidro o olhar de Kanda lhe observando.


“Droga” Repetiu para si mesmo, tentando espantar a vontade de correr até ali e agarrar o moreno, lhe dizer tudo que estava engasgado. Permaneceu em pé, a mão direita recostada sobre a parede transparente da cápsula. Ainda estava surpreendido com a visão que tinha dali de cima. Sentia um frio percorrer sua barriga, não sabendo se deveria dizer algo ou simplesmente ficar calado.

–... É estranho, né? – não conseguiu se segurar por muito tempo, deixando com que a pergunta escapasse de repente.

And finding answers is forgetting

E encontrando respostas é esquecendo

All of the questions we call home

Todas as perguntas que chamamos de 'casa'

Passing the graves of the unknown

Passando as sepulturas do desconhecido

– O quê exatamente? – perguntou sério, ainda sentado sobre o espaçoso assento.

– Sei lá, a gente aqui... Juntos depois de tantos anos e sem estar se batendo ou discutindo... – estaria corado se encarasse o japonês. Não sabia se era um bom momento para tocar nesse assunto, mas as palavras simplesmente saiam.

– Milagres acontecem de vez em quando. – Kanda zombou, pondo-se a fitar os próprios sapatos.

Reason clouds my eyes, with splendor fading

A razão encobre meus olhos, com o esplendor desvencilhando-se

Illusions of the sunlight

Ilusões da luz do sol

A reflection of a lie will keep me waiting

Um reflexo de uma mentira me manterá esperando

With love gone for so long

Com amor acabado há tanto tempo


– Eu senti sua falta. – Allen confessou de forma triste, praticamente jogando a cabeça contra o vidro ao soltar tal declaração.

Kanda fora pego desprevenido, prova disso era a estranha e inesperada felicidade que lhe invadia ao ouvir tal frase. Suas mãos soavam frio, e ele demorava em responder.

“Eu também senti a sua.” Pensou extasiado, tentando encontrar uma resposta para dar ao albino.

– Eu sei... – fora a única coisa que conseguiu pronunciar.

– Eu confesso que sempre quis te ligar, implorar suas desculpas e dizer o quanto você fazia falta... – fez uma pausa para recuperar o ar que tinha perdido enquanto tentava se obrigar a falar – Mas, no fundo eu sabia que nada disso iria resultar em alguma coisa... – sua voz aumentava gradativamente a cada palavra que dizia. – Eu sei, sei que não deveria estar dizendo esse tipo de coisa a essa altura do campeonato, mas acontece que, ver você me trazendo à um lugar desses só me faz acreditar que sou importante de alguma forma, portanto, eu só queria que soubesse que eu também o vejo dessa forma. – Walker estava prestes a virar-se quando sentiu uma mão tocar seu ombro de forma afetuosa.

– Eu acredito em você, Moyashi. – nem o próprio dono da frase acreditara no que acabara de dizer, afinal, haviam se passado vários anos em que ele insistira em pensar o contrário.

And this day's ending is the proof of time killing all the faith I know

E esse fim de dia é a prova do tempo matando toda a fé que eu conheço

Knowing that faith is all that I hold

Sabendo que a fé é tudo que eu tenho

And I've lost who I am, and I can't understand

E eu perdi quem eu sou, e eu não posso entender

Why my heart is so broken, rejecting your love

Porque meu coração está tão quebrado, rejeitando seu amor

Without, love gone wrong; lifeless words carry on

Sem, amor que não deu certo; palavras sem vida continuando

But I know, all I know's that the end's beginning

Mas eu sei, tudo que eu sei, é que o fim está começando

– Acredita mesmo? – Allen perguntou em dúvida, levando sua mão esquerda até a do moreno, a qual repousava em seu ombro. Não quis erguer o rosto para encarar os orbes negros, pois tinha medo do que poderia encontrar ali. Apenas puxou o braço de Kanda, enlaçando sua mão contra a sua própria. E aquele simples gesto fora o suficiente para aquietar o coração de ambos.

– Sim... – respondeu de forma sincera, apertando um pouco mais a mão do outro.

Logo, a vista da cápsula ficara mais bonita. Walker conseguia vislumbrar quase toda a cidade de Londres. Principalmente o Big Ben, que brilhava em frente à eles.

– Obrigado. – Agradeceu, sorrindo contidamente.

Who I am from the start, take me home to my heart

Quem eu sou desde o começo, me leve pra casa para meu coração

Let me go and I will run, I will not be silent

Deixe-me ir e eu vou correr, eu não vou ser omisso

All this time spent in vain; wasted years wasted gain

Todo esse tempo perdido em vão; anos desperdiçados, ganhos desperdiçados.

All is lost but hope remains and this war's not over

Tudo está perdido, mas a esperança continua e essa guerra não acabou.

Tch – Kanda apenas estalou a língua, dando um passo à frente, visando ficar bem ao lado de Allen.

Parecia estranho se sentir tão... Confortável. Era como se um peso tivesse sido retirado de suas costas e, assim como ele, Walker sentia o mesmo. Estar ali, vivenciando o momento e se decidirem por deixar todos os males entendidos do passado esquecidos, era algo indescritível.

Os minutos passaram, no entanto o moreno e o albino apenas permaneceram de mãos dadas, apreciando tanto a paisagem, como a presença um do outro.

There's a light, there's a sun taking all these shattered ones

Há uma luz, há um sol tomando todos esses destruídos

To the place we belong, and his love will conquer

Para um lugar que nós pertencemos, e o amor dele vai predominar

(This love will conquer, all)

(esse amor vai predominar acima de tudo)

∞ ॐ ∞


– Eu me diverti muito hoje, Kanda. – Allen disse sorridente, retirando-se do carro em seguida. – Estou surpreso com o fato de você ter falado frases com mais de três palavras.

– Acho que bati a cabeça hoje de manhã, talvez seja isso. – respondeu ironicamente.

Após terminarem o passeio pela London Eye, Kanda os trouxera de volta para casa. O caminho todo até ali havia sido preenchido por conversas sobre acontecimentos passados, lembranças cômicas do colégio. Porém nada relacionado ao desentendimento fatal.

– Você só não quer admitir que também se divertiu pra caramba. – comentou com certo tom de deboche à medida que subia as escadas da garagem.

– Menos, bem menos, Moyashi. – pediu irritado, jogando as chaves sobre à mesa, assim que adentrou sua casa.

Allen caminhou até a cozinha, buscando por um copo, pois estava morrendo de sede.

– Estou com muito sono. – comentou distraidamente após soltar um longo bocejo.

Kanda apenas havia parado em um canto para brincar com Mugen.

– Hm – o moreno se distraia demais quando estava dando atenção para a felina.

Agora que estavam dentro de casa, Allen sentia como se algo pudesse acontecer a qualquer momento e tinha receio de falar algo que estragasse o bom humor do japonês.

– Ne, Kanda... Eu já vou dormir, estou desmaiando aqui. – declarou à medida que se aproximava do maior.

– Ok – Yuu respondeu ao se reerguer, batendo uma mão sobre a outra para se livrar dos pelos de Mugen. Assim que se virou para frente, deu de cara com Allen, que o encarava com o típico sorriso abobalhado.

– Agradeço mais uma vez pelo dia de hoje – falou baixinho, aproximando-se cada vez mais de Kanda, que não teve escolha a não ser escorar as costas sobre a parede. Allen estava prestes a colar sua boca contra a dele, quando um pensamento lhe veio em mente.

“– Você gosta muito do Kanda, né?”

“– S-Sim! Eu gosto muito dele!”

Amaldiçoou aos céus por trazer a confissão de Alma bem naquele momento. Sentir-se-ia mal se beijasse Kanda, pois sabia sobre os sentimentos do outro. Portanto, antes de tomar qualquer decisão precipitada, chegou à conclusão que deveria pensar antes de simplesmente se jogar aos braços do moreno.

– Boa noite. – sorriu sem graça, aproximando-se novamente, depositando um leve selinho no canto da boca de Yuu, que o encarou de uma forma necessitada, claramente esperando por mais. Mas o albino apenas virou as costas e saiu andando rapidamente até à escadaria; abandonando um Kanda completamente frustrado.


***

Após ficar por quase uma hora pensando no porquê de o maldito Moyashi não o ter beijado, entre várias outras dúvidas. O inseguro Yuu Kanda decidira dormir; Estava cansado, o dia havia sido cheio e inovador, e junto dele vinham dúvidas e incertezas, acompanhadas de uma grande insegurança. Sua cabeça estava uma bagunça, não tinha certeza de nada.

Dirigia-se ao segundo andar quando algo lhe chamou a atenção. Em um dos degraus, encontrou um documento. Não demorou em apanhá-lo e ler o que estava escrito.

“Clay Thomas Campbell” Era o que estava na ID, na qual permanecia estampada uma foto de ninguém mais, ninguém menos que, Allen Walker.

Notas finais
E ai? Gostaram? A revelação deixaram vocês chocadas? Irritadas? Quem já sabia o que era? Pra quem ficou em dúvida, não, o Lavi não gostava do Allen no sentido amor. E pra quem não pegou, os dois tinham uma amizade colorida há bastante tempo, transavam e tudo mais. Mas era só isso, melhores amigos com benefícios. Na última parte do flashback vai ter mais explicações.

Enfim, gostaram do encontro? Pra quem não conhece o Chelsea Flower Show, aqui um vídeo, http://www.youtube.com/watch?v=qkQdyGL9aVk.
Só para terem noção de como é. A London Eye a maioria deve conhecer, mas qqr coisa, olhem no google.

E Não matem o Alma, tudo bem que ele foi o motivo de Allen não ter se entregado ao Kandão sdç, mas fazer o que né. E o Allezito se ferrou nesse final -v-

A atualização vai demorar um mês, pois o capítulo nove vai ser complicado. Como eu já havia dito, vai acontecer o lemon e tals e, creio eu, que será bem complicado de escrever.
Espero vocês nos reviews, ok? Se esqueci de explicar algo, me avisem.
E sério, obrigada por tudo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.