Notas iniciais
Bicho, eu juro que eu NUNCA pensei que um dia eu escreveria uma fanfic de Shingeki. Primeiro, porque eu NUNCA vi o anime e segundo... porque eu NÃO QUERO VER PRA NÃO SOFRER AAAAAAAAAAAA. Contudo, graças ao Caldeirão Furado, eu conheci pessoas incríveis que escrevem fanfics maravilhosas neste fandom e acabei sendo agregada ao seleto grupo "Fanficagem Eremika" por motivos que a gente deixa baixo hehehe. Isso me fez ver Shingeki? NÃO MESMO!... mas me colocou num amigo oculto onde eu me vi não apenas tendo que escrever uma Eremika, como também uma angst! A ironia da coisa era que TODAS, praticamente, pediram fluffy com final feliz, mas a DanyAili é do contra e foi a ÚNICA que pediu doses de sofrimento e caiu JUSTO PRA MIM KKKKKKKKKK Avisos/surtos dados, fiquem com o conto (livremente inspirado na música Broken Wings do Mr. Mr.) e nos vemos nas notas finais. Boa leitura!

"Bᥲᑲყ, ιt's ᥲᥣᥣ I kᥒoω thᥲt ყoυ'ɾᥱ hᥲᥣ𝖿 o𝖿 thᥱ 𝖿ᥣᥱsh ᥲᥒᏧ ᑲᥣooᏧ thᥲt ɱᥲkᥱs ɱᥱ ωhoᥣᥱ, I ᥒᥱᥱᏧ ყoυ so..."


ִֶ.𓂃 ࣪ ִֶָ𓅯་༘࿐


Não era comum Eren ir à praia em novembro, mas seu pai, que era um médico muito requisitado na cidade, precisou atender com urgência um paciente importante que morava numa daquelas enormes casas à beira-mar e não teve com quem deixá-lo.

Foi apenas depois de muitas recomendações de “ser invisível”, não ir muito longe e — em hipótese alguma — entrar no mar que o garoto de pouco mais de sete anos teve a permissão de caminhar pela areia úmida.

Então ele viu os pássaros. Bandos deles cortando o céu meio acinzentado com uma formação em v, alguns baixo o suficiente para dar rasante na água salgada que se movia calmamente. Como sempre fora uma criança curiosa, Eren sabia que era a época de migração das aves, então não era uma surpresa ver tantas delas partindo rumo às regiões mais quentes.

Parem com isso! Vai machucar eles!

Os gritos de uma criança desviaram a atenção do rapazinho para um outro ponto da praia, onde uma garotinha de cabelos intensamente escuros tentava impedir outros dois garotos, um pouco maiores que ela, de jogar pedras num bando que os sobrevoava.

Felizmente, naquele momento, a pontaria dos bullies não foi das melhores e o lançamento mal ganhou altitude e despencou a dois metros dos pés deles.

— Isso não tem graça! Deixe-os em paz! — a menina insistiu, pulando nas costas de um dos garotos para tentar detê-lo e foi jogada de forma desengonçada no chão, desatando a chorar no mesmo instante.

Hei vocês! — Eren gritou, correndo até eles com uma cara de poucos amigos — Se querem brigar, briguem com alguém do seu tamanho!

— Cai fora! Isso não é assunto seu! — um dos garotos falou, tentando intimidar Eren, mas ele o empurrou para afastá-lo — Não sabia que você tinha um guarda-costas, Ackerman. — zombou, jogando mais uma pedra a esmo que, diferente das outras, acabou acertando uma das aves — Viu aquilo?! Eu consegui! — ele disse todo animado para o amigo, fazendo um high five com ele em comemoração.

Enfurecido, Eren jogou-se contra o garoto com força, engalfinhando-se com ele e caindo na areia trocando tapas. A garotinha, que antes chorava, parou imediatamente diante daquela cena e ficou assistindo abismada a tudo, sem saber se ia embora ou se chamava por ajuda.

Eren!

A voz grave do pai dele soou como um trovão rasgando o céu, cessando a briga imediatamente, e os dois bullies correram dali, com medo de que mais adultos aparecessem.

Pode me explicar o que foi isso?!

— Doutor Yeager, ele estava me defendendo. — foi a menina quem respondeu, levantando-se do chão e ajeitando sua roupa como pôde — Não dê bronca nele, por favor.

— Desculpa, pai. — Eren disse, de cabeça baixa, pronto para ouvir o maior sermão de todos quando, de repente, ouviu um piar sôfrego vindo do meio das pedras.

— Temos que ver se o passarinho está bem, Eren! — a menina agarrou a mão dele e o levou até onde o som estava — Doutor Yeager, acho que ele quebrou a asa. Faça alguma coisa!

— Ele não é veterinário. — Eren revirou os olhos, mas também estava preocupado porque o pássaro não conseguia voar.

— Mas ele é o melhor médico que existe. Minha avó quem disse. — ela bateu o pé, inclinando-se sobre as rochas para alcançar a ave e se cortando nas pontas salientes no processo.

— Senhorita Ackerman, por favor! — o homem tentou chamá-la de volta, mas ela só saiu de lá quando conseguiu acomodar o bichinho dentro do seu casaco — Vamos para sua casa para que eu possa tratar desses ferimentos. E você permaneça perto de mim, Eren.

Mal chegaram no deck e veio um funcionário da família com uma expressão cansada diante da situação que a menina se encontrava. Pelo que o médico notou, parecia ser algo rotineiro a garotinha se meter em problemas, entretanto ele ainda fez questão de cuidar dos curativos dela pelo fato de que, dessa vez, seu filho estava, de certa forma, envolvido.

Contudo, o que aquela menina tinha de aventureira, tinha de obstinada. Ela não deixou que o doutor fosse embora sem que ele fizesse algo a respeito do pássaro que agora repousava numa caixa de papelão — que Eren encontrou no caminho da praia até ali — e só ficou satisfeita quando ouviu o homem dizer que ele se recuperaria rápido se ela cuidasse bem dele.

E assim ela o fez.

Por uma semana, Mikasa observou que ele melhorava, empolgada no fim de semana seguinte com como ele batia as asas freneticamente dentro da gaiola, louco para voar. Queria muito contar a novidade para Eren, afinal, ele fez parte do resgate, então pediu para sua avó ligar para ele e convidá-lo para ir até lá para que eles soltassem o bichinho juntos no lugar onde o encontraram. Foi necessário, todavia, pedir que o motorista dos Ackerman fosse buscá-lo em casa, já que o doutor estava muito ocupado.

— Deseje uma boa viagem para ele, Eren. — ela pediu, pousando a gaiola na areia úmida.

— Você é bem mandona. — ele girou os olhos, mas fez o que ela pediu logo em seguida — Está vindo outro bando. Vamos soltar logo.

— Tchau, amiguinho! Se cuida! — ela abriu a gaiola e assistiu a ave voar depressa até se juntar aos outros, sumindo onde a vista já não alcançava mais — A gente devia fazer isso todos os anos. — suspirou, satisfeita.

— O quê, Mikasa? — Eren perguntou, olhando-a de canto.

— Vê-los voando e cuidar para que nenhum deles fique pra trás.

— Mas… são muitos dias de migração.

— É verdade. Eu… nem pensei nisso... — Mikasa ficou cabisbaixa, torcendo a barra da camisa — Acho que me empolguei demais.

— Posso voltar na mesma data de hoje, se você quiser. — ele sugeriu, olhando para o mar para fingir que não estava só tentando fazer ela se sentir melhor — Eu prometo.

— Promete mesmo? — ela se colocou de frente para ele, enlaçando o dedo mindinho da mão direita dele com o mesmo dedo da sua.

Eren assentiu, esboçando um sorriso e, a partir daquele momento, uma amizade inevitável nasceu junto com uma tradição, ganhando força em cada vez que eles se reencontravam próximo às pedras da praia. Mas, embora Eren insistisse em dizer que só estava indo porque ele “cumpria suas promessas” e que todo um ano sem vê-la por não terem mais nenhum ambiente em comum para frequentar não fazia a menor diferença, sempre que se aproximava o dia de ir de encontro a ela, o rapazinho ficava bastante inquieto em casa.

Não era mais só sobre os pássaros, não depois de cinco anos e a adolescência batendo à porta. De repente, o jeito como os cabelos de Mikasa se agitavam com a brisa oceânica parecia mais interessante do que observar a migração para Eren. Ao mesmo tempo, o brilho nos olhos do garoto quando ele falava sobre o enredo de seus jogos favoritos quase a fez soltar um suspiro constrangedor na última conversa.

— Está ficando tarde, é melhor eu ir. — Eren disse, quebrando mais um dos vários silêncios esquisitos que os cercou naquela tarde — A gente se fala.

— Tá bem. — Mikasa respondeu, saltando sobre as rochas — Ainda bem que não tivemos mais acidentes com os pássaros, né?

— Sem aqueles idiotas por perto, não há perigo para elas. — o garoto comentou, oferecendo a mão para ela segurar para descer a última pedra, como fazia todas as vezes.

Contudo, quando eles se encostaram, um arrepio discreto percorreu-lhes o corpo. Eles se encararam, cheios de confusão, e tão logo a garota pisou na areia, se soltaram.

O caminho até a casa dos Ackerman, naquele dia, pareceu cinco vezes maior e, quando eles se despediram, mal sabiam que passariam meses sem notícias um do outro apesar das ligações insistentes da garota que ele parecia nunca estar disponível para atender.


ִֶ.𓂃 ࣪ ִֶָ𓅯་༘࿐


Era o primeiro dia de aula e Mikasa estava empolgada em reencontrar seus amigos da escola. A garota, que ainda se sentia um pouco chateada com o silêncio de Eren do outono até ali, acabou abrindo mão de passar março no acampamento de inverno que seu grupinho sempre frequentava, remoendo em casa teorias sobre o que teria acontecido para que tudo estivesse tão estranho entre seu amigo da praia e ela.

Avistou Sasha, Jean, Historia e Connie, impecáveis como sempre com seus uniformes, próximos à entrada acenando para ela:

— Mika! Vem cá! — Sasha gritou, agitando os braços.

— Espera só eu ajeitar aqui minha mochila. — ela respondeu, abaixando-se por um instante para colocar seu ipad lá dentro e, ao levantar, trombou com tudo contra Erwin Smith, o quarterback do time de futebol americano que já lhe parecia um gigante desde que tinha onze anos — Ah, me desculpa! Eu estava distraída!

— Olha por onde anda, garota! — ele a olhou de cima para baixo com cara de poucos amigos.

— Eu já disse que sinto muito, Erwin! — ela empertigou-se, colocando as mãos na cintura.

— Sua sorte é ser prima do Levi, senão ia ver só... — ele inclinou-se para ela, sussurrando aquelas palavras — Some da minha frente antes que eu mude de ideia.

— Eu não tenho medo de você. — a voz dela saiu no mesmo tom de ameaça que a dele e ela deu um esbarrão sutil no garoto antes de seguir seu caminho.

E quando ele a segurou pelo braço, uma terceira mão surgiu, chamando a atenção dos dois:

— De novo no meio de uma briga, Mikasa… — Eren, usando o uniforme da escola assim como ela, esfregou a têmpora, impaciente — Se tiver algum problema, pode resolver comigo.

— E quem é você? — Erwin perguntou, zombeteiro, afrouxando o aperto no pulso da garota.

— Não importa agora. Só solta ela. — ele insistiu, separando os dois de vez.

— Deixa ele pra lá, Eren, vem comigo. — Mikasa pediu, um monte de perguntas girando em sua cabeça, mas a necessidade de tirar ele dali era mais importante no momento.

— Eu tenho que conversar com seu namorado primeiro, Ackerman. — Erwin o empurrou, fazendo-o cambalear, mas sem cair — É seu primeiro dia aqui, né? Péssimo jeito de começar…

— Em primeiro lugar, Mikasa não é minha namorada. — ele trincou os dentes e cerrou o punho, o rosto ficando vermelho — Em segundo lugar… você parece ser só mais um que fala mais do que faz.

— Mika, se afasta desses dois. — Historia, que notou que a amiga ficou meio esquecida naquela confusão, a puxou de lado — Deixe-os pra lá.

— Não posso abandonar o Eren.

— O novato não tem a menor chance contra o Erwin. Não há nada que você possa fazer.

Mikasa ainda ponderou um pouco, mas, àquela altura da situação, um grupo de alunos já os rodeava, observando curiosos o que se desenrolava entre o quarterback e o garoto que ninguém sabia quem era até então.

Com tanta gente atenta, o mais alto fez menção de puxar a mochila de Eren, numa tentativa de se impor, mas ele não só se desvencilhou com facilidade, como o fez cair de uma forma constrangedora:

EU VOU TE MATAR, PIRRALHO! — Erwin gritou, pondo-se de pé depressa e correndo atrás de Eren, que fugiu no mesmo instante.

A perseguição se desenrolou de forma intensa, ambos numa velocidade impressionante, rodeando a fonte e as topiárias dos jardins como se fizessem isso todos os dias. Empolgados com o showzinho, os alunos gritavam incentivos para Erwin alcançar Eren, assobiando e batendo palmas para fazer ainda mais alarde.

Senhores, parem imediatamente! — um professor surgiu pelos portões principais, fazendo ambos os garotos congelarem onde estavam — Isso são modos, senhor Smith? — ele repreendeu o veterano, que apenas murmurou um “desculpe, treinador” baixinho — E você… — virou-se para Eren, analisando-o — você deve ser o filho do doutor Grisha Yeager, não é?

— Professor, eu só estava defendendo a senhorita Ackerman! — Eren justificou-se. Sua expressão estava séria e levemente desesperada, mas ele não demonstrava quase nenhum sinal de cansaço, em contraste com a respiração levemente ofegante do jogador — O senhor Smith, ele…

— Minha sala. Agora. — o professor o interrompeu e, levando o rapaz consigo, dispersou a plateia e deixou Erwin resmungando sozinho para trás.

— Mika, vamos! — Historia a puxou, arrastando-a de lá contra sua vontade enquanto seus olhos estavam presos a Eren, que olhava para trás de vez em quando.

Durante as aulas, Mikasa não conseguiu pensar em mais nada, tampouco prestar atenção no conteúdo ou nas tentativas de piadinhas dos amigos, pois a chance de tirar sua situação com Eren a limpo parecia estar escorregando por entre seus dedos. Quando o sinal soou, marcando o horário do almoço, ela finalmente pôde procurar entre os alunos por seu amigo — ou seja lá o que eles fossem agora —, chegando ao refeitório com o coração na mão por achar que ele tinha sido punido por algo que começou por conta dela.

Para seu alívio, Eren entrou pouco tempo depois, acompanhado de Armin Arlert, um garoto da sala 3 da mesma série que ela estudava, e ela deduziu que era lá onde ele deveria ter sido alocado para o ano letivo.

— Você se encrencou? — Mikasa parou diante dos dois, mas o olhar estava cravado no moreno.

— Não, mas vou ter que fazer uma coisa que não estava exatamente nos meus planos, para não ganhar uma advertência na minha ficha. — ele respondeu, desviando o olhar.

— Certo. É bom saber que deu pra resolver com conversa. — ela sentou-se à mesa, respirando fundo antes de continuar seu interrogatório — Por que você não quis falar comigo mais desde novembro?

— Estive ocupado.

— Eu não acredito nisso. Me conta a verdade, Eren. Eu… eu fiz alguma coisa errada?

— Não, Mikasa. — o rapaz revirou os olhos, recolhendo sua bandeja e acenando com a cabeça para Armin, que observava a dinâmica entre eles com genuína confusão, ir junto com ele — Eu não sabia que você estudava aqui. De verdade. — disse, encarando-a.

— Nem eu que você seria transferido para cá. — ela reforçou, meio cabisbaixa, e viu ele se juntando a outro grupo de alunos de sua sala, que olharam desconfiados para Mikasa e pareceram fazer comentários que deixaram Eren irritado.

— Vai me contar de onde você conhece o garoto novo? — Sasha perguntou, sentando-se junto da amiga pouco antes de Jean, Historia e Connie fazerem o mesmo.

— Estão dizendo por aí que ele é só um bolsista. — Jean soltou, analisando-o descaradamente.

— O pai dele tem muito dinheiro. — Mikasa rebateu, seca — O Eren é filho do médico da minha família.

— Se tivesse o suficiente, estaria aqui desde o primeiro ano, como a gente. — ele sustentou seu pré-julgamento, descrente — Pode ser uma bolsa parcial, sei lá, mas, agora que ele mexeu com o Erwin, não vai ficar por muito tempo...

— Me admira é ele não ter tomado uma suspensão naquela hora mesmo. — Connie acrescentou — Foi uma demonstração de potencial bem conveniente, sabe? Ouvi o treinador comentando antes de a gente sair de férias que o time estava precisando de um running back para substituir o Porco quando ele se formar daqui há dois anos.

— Então você está me dizendo que, em vez de puni-lo por se comportar feito um selvagem, ele foi “premiado” com uma vaga no time? — Jean riu pelo nariz, debochado.

— Quer apostar que foi isso mesmo? — Connie desafiou, confiante — Depois das aulas, vamos lá no campo?

— Eu vou com você. — Mikasa disse, chamando atenção para si — Eu quero ter certeza que está tudo bem e fazer algo, se não estiver.

— Você tem um coração muito grande, Mika. — Jean estendeu a mão para tocar a dela, sorrindo de um jeito meio bobo — Eu também vou, mas não preciso apostar nada com você, Connie.

— Combinado, então. — Mikasa puxou sua mão delicadamente debaixo da de Jean, sentindo-se tão ansiosa por mais tarde que perdeu o apetite — Eu vou para a biblioteca, ficar lá até a hora de voltar para a sala.

— Tá bem, amiga. Até depois. — Sasha disse e logo a conversa continuou entre os que ficaram na mesa.

Mal o professor finalizou a última aula do dia e Mikasa enfiou seus pertences na mochila, esperando impaciente por Connie e Jean para descerem na direção da área de prática de esportes ao ar livre. Como poucos eram os clubes que já teriam reuniões naquele dia, os corredores estavam apinhados de alunos e isso fez a locomoção deles parecer quase estagnada para a garota.

Os três chegaram no gradeado, rumando para as arquibancadas quando o time já estava terminando de aquecer, sendo abordados pelo primo da garota:

— Boa tarde, encrenqueira. — Levi disse e, embora sorrisse, soou mais crítico do que divertido — Não se cansa de se meter com quem é maior que você?

— Te pergunto a mesma coisa, primo. — ela devolveu, revirando os olhos — Faz de conta que não me viu e só vai treinar.

— Não finja que não começou o ano fazendo besteira, Mikasa. — ele a repreendeu, colocando o capacete — Se eu souber de outra confusão dessas, a vó também vai ficar sabendo. — e saiu, indo direto para onde estava Erwin, que visivelmente o aguardava.

— O que ela te falou? — o quarterback perguntou para Levi, os olhos atentos nos rapazes conversando entre si e em Mikasa, que parecia procurar por algo ou alguém.

— Nada, só foi metida, como sempre. — o mais baixo deu de ombros, rindo para o amigo — Não se deixa levar pela provocação dela, tá? Ela é importante pra mim e não quero atritos entre vocês.

— Eu sei, Levi, por isso eu me controlei o quanto pude. — Erwin sorriu de volta, mas seu semblante fechou no instante seguinte, pois, saindo do vestiário, o novato surgiu usando um uniforme do time não numerado — Treinador, o que ele está fazendo aqui? — perguntou, aprumando a postura.

— Rapazes, depois do… incidente dessa manhã, — o treinador olhou de Eren para Erwin de forma séria — eu conversei com o senhor Yeager aqui e lhe dei a oportunidade de mostrar que ele é tão rápido no campo quanto foi fugindo de um dos nossos jogadores mais velozes. Embora nunca tenha feito parte de nenhum time de futebol americano, ele sabe as regras do esporte e tenho certeza que vai ser uma adição valiosa para nosso time.

— Eu não disse! — Connie comemorou, dando um empurrão em Jean de brincadeira — Olha lá o garoto novo!

— Ainda bem que eu não apostei. — Jean resmungou, contrariado, e virou-se para Mikasa — Parece que tudo está nos conformes, podemos ir?

— Vou ficar um pouco mais. Não estou com pressa em ir pra casa. — ela respondeu e, pela primeira vez, assistiu um treino completo do time em que seu primo jogava, sendo acompanhada por Jean que, mesmo não querendo estar ali, fez questão de esperar por ela.

No campo, Porco e Eren passaram a maior parte do tempo um ao lado do outro. O veterano treinava com ele passes, dribles, saltos de obstáculos e lançamentos à distância que não demoraram muito para exalar um certo entrosamento. Quando se juntou ao restante do time, Eren já estava sabendo o essencial de como as coisas funcionavam naquela unidade e foi tão eficiente, quando teve a oportunidade de mostrar o que sabia fazer, que até mesmo Erwin o cumprimentou com tapinhas nas costas entusiasmados quando o apito final soou.

— Mandou bem, Yeager! Você vai se dar bem com a gente. — Levi o cumprimentou, estendendo-lhe a mão — Bem-vindo ao time.

— Decidindo por mim, Ackerman? — o treinador deu uma risadinha, mas já estava bem óbvio que ele aprovara Eren — Pro chuveiro, rapazes. Foi um excelente retorno. Parabéns.

— Ackerman. — o novato chamou Levi, fazendo-o ficar para trás um pouco — Você é parente da Mikasa?

— Sim, somos primos. — ele respondeu, apontando para a arquibancada onde ela ainda estava sentada — Obrigado por tentar cuidar dela, mas não precisa ficar fazendo isso. Confia em mim, só vai te dar dor de cabeça. Ela parece que não cresce nunca.

Eren, sentindo algo ferver dentro dele ao perceber como Jean estava bem perto de Mikasa, parecendo íntimo demais dela, apenas acenou positivamente com a cabeça para Levi, andando a passos largos para dentro do vestiário com o intuito de deixar a água levar embora esse monte de sensações que queriam dominá-lo toda vez que o assunto era ela.


ִֶ.𓂃 ࣪ ִֶָ𓅯་༘࿐


— Você demorou. — Mikasa disse, desenhando espirais aleatórias na areia molhada com um graveto — Achei que não viria.

— Eu fiz uma promessa. — ele respondeu como sempre, enfiando as mãos nos bolsos — Só não posso demorar, pois vou sair com o time.

— Então vá embora. — ela levantou um olhar cheio de ressentimento para ele.

— Mikasa, eu atravessei a cidade até aqui…

— Peço para meu motorista te levar de volta.

— Não é sobre isso! — ele se abaixou na frente dela, irritado — Qual é seu problema, hein?

— O meu problema é que você passou o ano inteiro fingindo que eu não existia! — ela gritou, jogando um punhado de areia nele — No único dia que você me dirige a palavra, é pra me dizer que só veio por obrigação!

— Eu não preciso passar por isso. — Eren se levantou, sério, limpando sua roupa.

Eu que não preciso de nada disso,senhor Yeager! — ela enfiou a cabeça entre as pernas, chorando.

Eren hesitou um pouco, seu coração apertando ao vê-la daquele jeito, mas o orgulho sobrepujou sua empatia e ele só disse um “adeus” seco antes de ir embora, interrompendo de uma vez aquela tradição que eles tinham iniciado na infância.

Os anos que vieram a seguir apenas aumentaram o abismo entre eles…

Na mesma proporção que Eren ficava cada vez mais atlético e popular, Mikasa reduzia seu círculo de relações, preferindo a companhia de livros e música a ouvir como seus antigos amigos agora eram do “fã-clube Eren Yeager”. Jean era o único deles que não ia muito com a cara do jogador, mas ele tinha um talento natural para estar onde era mais vantajoso para ele, então seguia Sasha, Historia e Connie nas festinhas “descoladas” e nas partidas de futebol.

Mikasa também ia ver os jogos, mas ficava sempre escondida na parte de baixo da arquibancada. Seu visual gótico, indisfarçável mesmo com o uniforme off-white da escola, a destacava na multidão e a última coisa que ela queria era que Eren a visse e pensasse que ela ainda se importava o suficiente para estar por perto…

…porque, de fato, ela nunca deixou de se importar e se sentia patética por fazer isso sozinha.

A vitória do time da casa, conquistada com um touchdown emocionante de Eren, fez irromper da torcida um coro de “Yeager! Yeager!”, e o rapaz acenou em agradecimento para o público do alto dos braços de seus colegas de time.

Com o coração aquecido, mas o ciúme fervendo em suas veias ao notar como as garotas só faltavam se jogar no campo e agarrá-lo, Mikasa voltou para seu refúgio, ainda mais vazio do que o de costume por conta da partida, e se recostou numa cadeira, encarando uma pilha de livros aleatórios que escolheu quando entrou ali e colocou sobre a mesa:

— “Biomas do Mundo”, “Filosofia Avançada” e… “Cálculo Diferencial e Integral”. — uma moça loira, que trabalhava ali para conseguir créditos extras, leu as lombadas, analisando com curiosidade — Vai ser um projeto bem interessante esse seu. É um novo sistema econômico?

— Não, eu… nem vi o que era o quê. — Mikasa respondeu, parecendo despertar de um transe — Vou pôr tudo no lugar certo, Annie, não se preocupe.

— Sei que vai. — ela respondeu, sorrindo — Os Titãs ganharam?

— Como?

— Você estava lá. De novo.

— Como você…? — Mikasa encarou a outra, pega em flagrante — Alguém mais…?

— Acho que só eu percebi. — Annie adiantou-se, sentando ao lado dela — Qual dos caras do time você gosta em segredo?

— É que meu primo está no time. — ela respondeu, evasiva, mas não soou convincente — É sério! O Levi se forma esse ano, então os jogos são mais importantes pra ele e eu vou lá dar uma força.

— Imagino que sim, mas se fosse só por causa dele, que mal faria estar nos bancos, como todo mundo? — Annie deu uma risadinha, inclinando-se para mais perto dela para sussurrar — É o bad boy, né? O Yeager. Não se sinta constrangida, Mikasa. Não é a única menina da escola que gosta dele…

— Nada a ver, Annie. — ela desviou o olhar, envergonhada — A gente… a gente era amigo quando tínhamos 7 anos e eu ainda tenho carinho por ele daquela época, só isso.

— Só isso mesmo? — a outra insistiu — Então os boatos de que ele está ficando com a capitã da equipe de torcida não te incomoda?

— Ele já é bem grandinho e sabe o que faz. — Mikasa crispou os lábios, arrancando uma risadinha de Annie.

— Tudo bem. Vou fingir que acredito que você, há 9 anos, pensa com carinho na mesma pessoa e é só pelo “poder da amizade”. — ela se levantou, apoiando as duas mãos na mesa — É uma pena que seja assim, sabe? O Armin me chamou pra sair e, como ele é o único da sala do Yeager que tem uma relação com ele que não é ligada ao time, pensei que poderia ser uma boa um encontro duplo…

— Melhor eu ir andando. — Mikasa se sentiu acuada e fugiu do assunto. Ela arrastou a cadeira e pegou os livros nos braços, caminhando rapidamente entre as estantes para guardá-los em seus devidos lugares — Boa sorte no seu encontro. O Arlert é um cara legal. — disse, passando novamente por Annie, que já havia voltado para o balcão da recepção.

— Boa sorte pra você também com sua… amizade perdida. — ela respondeu, acenando com um sorriso doce nos lábios.

.

.

Em casa, uma comemoração de sua família pegou Mikasa completamente desprevenida: enquanto ela trocava os sapatos por pantufas que estavam na soleira da porta, viu seu primo com os pais dele na sala de estar, conversando animadamente com seus avós sobre o convite que o rapaz recebeu para ingressar em uma das mais conceituadas universidades do país com bolsa de futebol e os funcionários entrando e saindo pela porta da sala de jantar, terminando de pôr a mesa e organizar tudo:

— Mika! Você viu a partida hoje, né? — Levi a abordou, ainda no clima de animação — Tinha um olheiro lá e ele me notou!

— Que bom, Levi! Você sempre se esforçou muito. — ela sorriu, abraçando ele com carinho — Eu vou me trocar e já volto para falar mais com você e os tios.

— Ah, o Erwin vem jantar com a gente, então nada de grosserias.

— Serei um anjo. Prometo. — ela revirou os olhos, seguindo seu rumo.

No que ela retornou para o andar de baixo, porém, sua respiração ficou presa na garganta, pois não apenas Erwin entrava pela porta, mas Eren também. Raramente a garota encontrava seu ex-amigo sem o uniforme da escola ou o do time e vê-lo, naquela noite agradável de outono, com seu cabelo comprido solto, barba bem feita, uma jaqueta dos Titãs e um cachecol vermelho sobre sua camisa cinza simples, quase a fez se esquecer que eles não se falavam mais.

— Consegui tirar esse aqui de casa. Milagres acontecem! — Erwin disse, puxando Eren para um abraço lateral — Ainda bem que o Arlert estava ocupado, aí ele não se escondeu lá de novo.

— Que bom que veio, Eren, não ia estar completo sem vocês. Eu não teria brilhado na temporada sem minha dupla preferida me dando apoio. — Levi sorriu, indicando para os amigos o caminho até a sala de jantar.

— Me dá um minuto, Levi. — Mikasa puxou o braço do primo, arrastando-o para um canto discreto — Por que você não disse que tinha convidado o Eren também?! — sussurrou, as bochechas coradas.

— Ele sempre me diz “não” quando eu chamo. Achei que ia ser igual hoje. — o rapaz deu de ombros — Vê se deixa suas mágoas com ele de lado e não estraga meu momento.

— Óbvio que eu não vou fazer isso, Levi. — ela disse, séria — Só… precisarei de um tempo pra me recompor.

— Por favor, leve o que precisar. — ele concordou e se juntou aos convidados quando Mikasa saiu pela porta da frente e foi se sentar no deck.

Com toda atenção voltada para os rapazes durante a refeição, tudo que a jovem fazia era comer calada e sorrir socialmente quando alguém lhe lançava um olhar. Vez ou outra, contudo, Eren a observava por tempo demais, geralmente quando parava para beber alguma coisa, e isso fazia ela precisar puxar algum assunto aleatório para não ter que encará-lo de volta.

No final do jantar, Mikasa mal engoliu a última garfada de comida e limpou a boca para se despedir e interromper aquela tortura:

— Bem, se me dão licença, eu tenho que estudar para uma prova. — Mikasa deu uma desculpa qualquer, cruzou os talheres sobre seu prato e se levantou — Boa noite para todos e, mais uma vez, parabéns pela conquista, primo.

— Boa noite. — Erwin e Eren falaram em uníssono, mas apenas um deles encarou aquilo com naturalidade.

E sentindo-se sufocada dentro da própria casa, Mikasa saiu para caminhar na praia.

Ela andou devagar, as ondas indo e vindo calmamente próximo aos seus pés, e o vento, cada vez mais frio, arrepiava-lhe a pele. Como saiu no impulso, com medo de que alguém perguntasse o que estava havendo, ela não se preocupou em vestir um agasalho, confiando que sua camisa de mangas compridas seria o suficiente e vendo na prática que nem tanto.

Ainda assim, depois de alguns minutos a esmo, ela parou diante daquela imensidão escura, respirando pela boca para tentar se acalmar por ter notado que Eren vinha em sua direção.

— Eu vi um bando voando aqui perto quando Erwin e eu estávamos chegando. — ele disse, parando ao lado dela, puxando o ar para soltar lentamente.

— Este ano, a maior parte deles já foi logo no início da estação. — ela respondeu, abraçando o próprio corpo.

Um silêncio desconfortável pairou entre eles, o barulho do mar parecendo um chiado abafado tamanho era o clima pesado que os cercava. Ambos estavam bem nervosos, mas nenhum tomava a iniciativa de mudar o jogo, nem dava indícios de querer se afastar do outro.

A risada de Levi, vinda das pedras um pouco mais atrás, foi o que os tirou daquele torpor. Estavam Erwin e ele ali, tentando se manter discretos e falhando miseravelmente toda vez que o mais baixo começava a sentir cócegas ao beijar o rosto do outro e falava isso em voz alta.

— Sabia que eles tinham alguma coisa! — Mikasa riu, relaxando um pouco.

— Eles fingem muito mal. — Eren comentou, olhando-a de lado com um sorrisinho nos lábios — Um dia, depois de um treino, os vi no vestiário assistindo juntos algum vídeo no celular. Eles estavam abraçados e pareciam… à vontade.

— Daria tudo pra ter visto isso.

— Só… ir mais no campo. Eles só faltam se beijar quando comemoram.

— E você quer que eu vá lá? — ela perguntou, de guarda baixa, e ele assentiu — Eu nunca deixei de ir ver o time. Só me incomoda aquela gritaria toda, aí eu fico longe…

— Sempre suspeitei que minha garra extra nas partidas estava vindo de algum lugar especial que eu não entendia… — ele comentou, se sentindo meio bobo por falar aquilo logo que fechou a boca — O que achou da minha evolução? — perguntou, ficando de frente para Mikasa e colocando seu próprio cachecol ao redor do pescoço dela, pois ela tremeu mais uma vez de frio.

— Só percebi como você é… querido por todos agora. — ela sustentou seu olhar no dele, soando incomodada com a constatação.

— No final das contas, o Armin é a única pessoa que não me é entediante. — ele confessou — E você e o Kirstein? Não são mais… próximos? — jogou, sugestivo.

— Nunca fomos! — Mikasa fez uma careta involuntária — Digo, éramos mais amigos quando éramos mais novos, mas agora não faz mais sentido com quem eu sou andar com ele e os outros.

Mais silêncio dominou o ambiente, porém, em vez de deixar o momento esquisito, ele permitiu que ambos processassem o que um falou para o outro em texto e subtexto. Nada que realmente importava, todavia, estava sendo dito diretamente e ambos sentiam que não dava para terminar aquela noite sem ao menos um direcionamento para uma resolução.

— Eren, pra mim chega. — Mikasa se rendeu, segurando as mãos dele — Não consigo passar outro ano fingindo que não sinto sua falta todos os dias e eu não estou falando de uma promessa boba de criança.

— Eu também sinto sua falta, Mikasa. — ele respondeu, aplicando um pouco mais de força no toque os unia, acariciando as costas de sua mão com os polegares — Da última vez que estivemos juntos aqui, eu te deixei chorando e aquilo partiu meu coração. Eu fui um covarde, mas é que eu não sabia lidar com como ser só seu amigo não era o bastante pra mim… então eu preferi acabar logo com tudo do que entender meus sentimentos e me abrir.

— Olha o que nosso orgulho nos fez fazer com nós mesmos… — ela resmungou, puxando-o para um abraço — Tudo o que eu não confessei pra você me sufocava dia e noite.

— Não precisa mais ser assim… não é? — ele perguntou, falando bem próximo ao ouvido dela.

— Se você não se importar em ser visto com a gótica rata de biblioteca da escola... — ela riu pelo nariz, descansando a cabeça no peito dele.

— Não só não me importo, como declararei com orgulho que essa gótica linda é minha namorada. — ele a afastou um pouco e levantou seu rosto, o segurando pelo queixo — Combinado assim?

— Está me fazendo mais uma promessa, Eren Yeager? — ela mordeu o lábio, os olhos brilhando de alegria e paixão.

— E é uma que eu cumprirei com todo prazer. — ele respondeu, beijando-a intensamente em seguida com uma conexão que sobrepujava aos poucos todas as lembranças de ligações não atendidas, olhares desviados nos corredores da escola e uma porção de “sinto sua falta” engolidos antes de sair da garganta — Eu te amo. — ele confessou, espontâneo, e seu coração começou a martelar no peito quando eles encostaram as testas.

— Também te amo. — Mikasa respondeu, agarrando a frente da jaqueta de Eren como se temesse que ele fosse sumir, os lábios quase roçando nos dele.

— A minha prima, Yeager?! Sério?! — Levi disse com um tom de brincadeira, aproximando-se deles andando de mãos dadas com Erwin.

— Não se preocupe, Ackerman. Eu vou assumi-la. — Eren alfinetou, envolvendo-a pela cintura — E você está enrolando o Smith há quanto tempo mesmo?

— Nunca tinha pensado por esse lado… — Erwin comentou, virando-se para Levi de braços cruzados — Você está me cozinhando, Levi?

— Ihhh, melhor se resolver aí com seu boy, primo. Vamos deixar vocês a sós. — Mikasa disse, pegando a mão do namorado e caminhando de volta para casa — Não deixe passar muito tempo, viu? Ouça a voz da experiência!

E, sorrindo cúmplices, Eren e Mikasa entrelaçaram os dedos com a certeza de que aquele era apenas o começo da história de amor que eles custaram tanto a iniciar.

Notas finais
Gente, de coração, espero que vocês tenham gostado do que eu trouxe. Eu dei o meu melhor para atender os pedidos da Dani sobre como ela queria o tom da história e dos casal principal e, mesmo me sentindo desafiada a cada linha que eu escrevia, eu escrevi algo que eu gostaria de ler (APESAR DO ANGST, NÉ, DANI?! kkkkkkkkkkk). Por favor, fãs de Shingeki, não me taquem hate se eu escrevi algo "canonicamente inviável", se tem uma coisa que eu tomei aqui foram liberdades criativas kkkkkkk E me digam... por que quase toda fanart Eremika tem pássaro? Isso me intriga até hoje...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!