Notas iniciais
Hi hi! Olha eu aqui, atrasada novamente, rs.
Trago mais um capítulo pra vocês, dessa vez com a gasolina e o fósforo na mão, pronta pra botar fogo no circo, hehe.
Bom, fiz uma coisa nesse capítulo que não sei se vai ser bem recebido pelas fanáticas do casal SoulxMaka. :x
Lá nas notas finais a gente conversa sobre isso, tá bom? hahah.

Boa leitura!

Naquela tarde pouco ensolarada em Los Angeles, Maka e Wes aproveitavam o tempo livre antes das preparações de véspera da festa na mansão Evans para explorar a cidade. Por insistência da loira, eles deixaram de lado a oportunidade de fazerem uso de um dos luxuosos automóveis da família e acabaram indo a pé por entre as ruas movimentadas de L.A.. Depois de passarem um bom tempo conversando no exuberante jardim de um complexo cultural que abrigava um dos melhores museus, os dois resolveram aproveitar o entardecer para ir até a praia, o que duplicou o ânimo de Maka que estava ansiosa por aquele momento. Enquanto caminhavam lado a lado sobre a calçada de uma alameda rodeada de altíssimas palmeiras, os dois tinham uma animada conversa que se alternava entre os mais diversos assuntos. Quem os via ao longe, pensava que eram um casal de velhos amigos que não se via há muito tempo. E era exatamente assim que os dois se sentiam. Mesmo que tivesse convivido com Maka por apenas algumas semanas há anos atrás, Wes gravou a garota em sua memória como uma admirável pessoa. Ele sempre ficava impressionado o quanto a loira se mostrava bem mais inteligente e avançada intelectualmente para sua idade. Ele sabia que podia conversar sobre qualquer assunto (mesmo que fosse certamente complexo) com Maka, que ela teria ótimos argumentos para debater e gerar uma agradável conversa. Às vezes, quando se distraía em seus devaneios, Wes chegava a pensar que trocaria qualquer garota de 22 anos em sua vida pela admirável Maka Albarn. Depois ele se martirizava mentalmente por pensar um absurdo desses, afinal, ele era cinco anos mais velho do que ela. Além disso, Wes sempre soube que seu irmão mais novo escondia uma paixão por sua shokunin. Mas apesar desses impedimentos que atravancavam seu caminho, Wes não conseguia abandonar o olhar de cima da loira desde quando trombou com ela há alguns dias atrás. Agora então, sob aqueles fracos raios solares e aquela leve brisa refrescante, Maka parecia ainda mais irresistível aos olhos do grisalho.

Ainda caminhando por entre a alameda, o rapaz fitava fixamente a loira, que contava alguma coisa que lhe fugia à audição. Ele pensava no quanto o tempo havia amadurecido ainda mais a garota e no bem físico que isso havia lhe proporcionado. Ela continuava com o mesmo ar de inocência e pureza de antes, mas agora também havia um brilho a mais em seu ser, que indicava sua transição entre uma menina para uma mulher de verdade. De várias maneiras ela estava mais atraente do que era quando ele a conheceu. Não prendia mais os fios loiros, tinha perdido parte da palidez de biblioteca, ainda tinha os mesmos olhos vívidos e perspicazes, e ainda ria com a boca fechada, como se ocultasse algum segredo. Esses eram aspectos em Maka que faziam com que o pensamento de antes voltasse a rondar a mente de Wes: “Ah, como eu trocaria qualquer uma por essa garota.”


– Você não acha isso uma loucura? Guerrear por água. A que ponto chegou a humanidade... – Maka proferiu, sentindo-se profundamente ofendida e tomando as dores do mundo inteiro. Num átimo ela cessou suas palavras e fitou Wes, que parecia viajar em pensamento enquanto a olhava da forma fixa de sempre. – Hãm... Desculpe-me. Estou sendo muito chata? – Indagou a loira, certamente sem graça por pensar que discutir sobre Oriente Médio em pleno passeio à Los Angeles tivesse sido um erro.


– Ah, não! Imagina, Maka. Eu acabei me distraindo com outras coisas que estão martelando minha cabeça. – O grisalho riu sem jeito. – Continue. – Disse ele com tom motivador.

Mas a garota não prosseguiu com o assunto, apenas sorriu em agradecimento pela gentileza de Wes e voltou a olhar para frente, notando que agora estavam bem próximos da praia.

Maka POV

Meus olhos não conseguiam expressar outra coisa a não ser uma imensa admiração pela bela vista panorâmica da praia de Santa Mônica. A areia, ao contrário daquela presente no deserto que rodeava a Cidade da Morte, era deslumbrantemente clara, quase branca. O quebrar das ondas do mar de águas cristalinas soava como música aos meus ouvidos. Por aquela tarde pertencer a um dia nublado, não havia muita gente na praia. Apenas alguns turistas, admirados como eu, que não se arriscavam a entrar na água salgada e se limitavam a apenas tirar fotos na areia cercada de palmeiras.


– Me desculpe por não ter te trazido em um dos melhores dias. Mas eu juro que aqui costuma ser melhor do que isso. – Disse Wes, que parecia mesmo compenetrado em realmente me fazer gostar de Los Angeles.

– Não precisa se desculpar, a menos que você seja o cara que controla o tempo. Aí eu vou ser mesmo obrigada a te xingar. – Brinquei enquanto via um sorriso estreito formar-se nos lábios do rapaz. – Deixa de bobeira, Wes. Você acha que eu estou ligando pra isso? Eu nasci e cresci num deserto! Sol e calor são as últimas coisas que eu quero agora. – Proferi em meio a um sorriso recíproco ao dele.

– Bom, então quer dar uma volta no píer? – O grisalho questionou enquanto posicionava o braço flexionado junto ao corpo, dando menção de um convite corporal.

Como resposta, apenas me juntei a ele, colocando o antebraço por entre a passagem deixada em seu braço flexionado. Assim, seguimos de braços mutuamente cruzados e corpos próximos, andando sobre a areia até a plataforma de madeira localizada sobre a água. A brisa agora se transformava aos poucos em uma corrente de ar mais forte, e era possível ouvir algumas trovoadas ao longe, indicando a chegada de uma chuva. Wes perguntou se eu queria voltar, mas só de lembrar que eu teria que ficar encubada naquela mansão de ar fúnebre, preferi continuar ali, mesmo correndo risco de ter que ir embora debaixo de um pé d’água. Continuamos andando pela extensão do píer em silêncio, até que eu resolvi iniciar um novo assunto que eu não sabia se seria bem recebido por Wes, mas mesmo assim decidi arriscar.


– Wes... – O chamei, ainda com o braço cruzado ao dele. Instantaneamente ele virou o rosto e me fitou com prontidão, atento às minhas próximas palavras. – Como costumava ser a relação do Soul com a sua família? Digo... Como foi que ele se afastou de vocês? – Perguntei, com ar de quem não sabe de nada.

Eu precisava saber sobre o ponto de vista de outra pessoa que não fosse Soul, para tirar uma média e tentar entender o que realmente aconteceu no passado dele. Observei Wes abaixar um pouco o olhar e desvencilhar o braço do meu. Havíamos chegado ao fim do píer, que ficava a uma distância considerável da areia. Estávamos acompanhados de um grupo de turistas ali, mas continuamos nossa conversa como se fôssemos apenas nós dois. Notei o grisalho se debruçar com os cotovelos na grade baixa da plataforma de madeira. Ele ficou de frente para mim em silêncio por um tempo, parecendo tentar achar um ponto de onde começar e explicar a família Evans.


– Eu não sei o que o Soul já te falou sobre isso, mas ele certamente deve ter pintado uma imagem horrível sobre nós. – O grisalho proferiu, seguido de uma única risada abafada, como se pudesse enxergar perfeitamente o irmão mais novo esbravejando sobre o quanto odiava sua família. – Bem... A linhagem Evans é tradicionalmente e radicalmente composta por musicistas. Meus antecedentes de várias gerações passadas tiveram suas vidas dedicadas somente e unicamente à música. O que acontece é que meu pai, um Evans legítimo, se casou com uma não musicista, quebrando totalmente o ciclo da família. Meu avô não concordava com isso e não aceitava de forma alguma esse casamento, achando que minha mãe impediria a continuação do legado Evans no mundo da música. Mas como meu pai não estava disposto a deixar minha mãe, ele jurou para o meu avô que faria com que todos os seus descendentes não sofreriam nenhuma influência dela, e que todos eles seriam excelentes músicos, os melhores em comparação a qualquer geração. E foi por isso que, depois que eu nasci, meu pai trabalhou arduamente para me tornar um bom musicista. Mas ele ficou tão obcecado com essa coisa de “criar um filho perfeito” que, depois que o Soul nasceu, a única coisa que ele queria era torná-lo uma cópia minha, para que assim sua promessa para com o meu avô fosse cumprida. Soul tinha boas habilidades em relação à música, mas não eram o suficiente para o meu pai. Acontece que meu irmão não tinha o sangue musicista assim como eu e meu pai, e sim o sangue herdado de minha mãe; o sangue de foice. É aí que começam as adversidades entre ele e meu pai, que queria porque queria torná-lo um perfeito musicista. – Wes suspirou pesado, expressando o quão ruim deve ter sido ser espectador das brigas dentro de sua própria família por tantos anos. – Mas não entenda mal. Meu pai não é tão horrível quanto parece, ele só tem o orgulho ferido em relação ao Soul por não ter conseguido cumprir a promessa feita ao meu avô. No fundo ele e minha mãe amam o Soul como todos os pais amam seus filhos caçulas.


Ao fim de seus dizeres, eu conseguia entender melhor sobre os motivos para o pai de Soul ser tão cara fechada, a mãe dele parecer tão cuidadosa com ele e arrependida de certa forma, e principalmente a posição de Wes, de estar sempre querendo unir a família novamente.

– Compreendo. – Proferi em meio a um suspiro, enquanto levava meu olhar de encontro aos olhos penetrantes de Wes. – Bom... Se houver algo em que eu possa ajudar, é só me dizer, está bem? – Disse com um sorriso na face, notando o grisalho assentir positivamente.

Foi então que senti um pingo atingir meu rosto. Olhei para o alto e percebi mais uma série de pingos d’água descerem das nuvens densas até mim. Em poucos segundos o piso amadeirado do píer estava descorado por centenas de pingos, e bastou mais um pouco para que pequenas poças começassem a se formar. O grupo de turista, parecendo apavorado como se aquela água fosse ácido, correu para debaixo de um quiosque. Por mim, eu continuaria debaixo daquela chuva tranquilamente, pois a sensação era ótima. Mas logo fui puxada por Wes, que percorreu o mesmo caminho que os demais turistas e nos abrigou debaixo do quiosque.


– Medo de água, grandão? – Caçoei já debaixo do abrigo improvisado.

– Tsc, não é isso. Só não quero ficar doente. – Ele respondeu neutro.

Eu estava pronta para lançar mais uma piadinha, mas antes disso, fui interrompida por um espirro soltado por mim mesma. Eu já estava com a imunidade baixa, e sabia que ter ficado à mercê daquela ventania por tantos minutos não acabaria em boa coisa. Assim que funguei, notei Wes me olhar com uma expressão de “Eu disse” e depois rir com uma pontada de vitória. Cruzei os braços, tentando ignorar aquele breve triunfo dele, e lancei o olhar para outro ponto. Fitei a areia da praia no horizonte por trás daquela cortina grossa de água. Sem dúvida, não conseguiríamos sair dali por no mínimo meia hora. Apesar do abrigo proporcionado pelo quiosque, as laterais dele eram abertas e, além de alguns pingos de chuva adentrarem por ali, uma corrente fria de ar também se tornava intrusa, fazendo com que todos ficassem unidos em um só grupo no centro do quiosque. Eu sentia uma leve tremor causado pelo frio, mas eu tentava disfarçar com os braços cruzados. Apesar disso, a tentativa não foi suficiente para desviar a atenção de Wes.


– Está com frio? – Ele indagou.

– Não. – Respondi de forma rápida.

Mas minha farsa foi logo desmascarada quando, involuntariamente, comecei a bater o queixo. Ao analisar minha situação, Wes riu pela minha mentira denunciada pelo meu próprio corpo. Imediatamente, observei o grisalho retirar do corpo o suéter acinzentado que vestia sobre a blusa social branca. Logo que o retirou por completo, ele me estendeu a peça de roupa, sugerindo que eu a vestisse. Me senti completamente sem graça com a ideia de ficar com sua blusa e acabar deixando-o com frio. Mas ele insistiu e por fim, ele mesmo me vestiu, enfiando minha cabeça no buraco da gola e me fazendo enfiar os braços nas laterais.

– Obrigada. – Agradeci sem jeito, sentindo vergonha de olhá-lo.

– Não há de qu-... – A resposta dele foi interrompida por um forte estrondo causado por um raio que atingiu o píer a poucos metros de nós, fazendo com que a única saída daquele lugar fosse interditada.

Uma turista histérica gritou fino, assustando a todos mais do que o raio. Eu me limitei a arfar com surpresa, junto aos outros.

– Fiquem calmos! – Um homem, que parecia ser guia de viagem, tomou a frente. Em meio a vários murmúrios do grupo de turistas ele pedia que todos mantivessem a calma e não saíssem dali.

– Era só o que me faltava... – Protestei contrariada, já que para sair dali agora só se fosse nadando.

– Vou ligar para alguma equipe salva vidas da costa e em poucos minutos eles estarão aqui, pessoal. Mas por enquanto, permaneçam calmos e no mesmo lugar. – Proferiu o guia de viagens enquanto apanhava em seu bolso um telefone celular.

– É... Hoje realmente não era nosso dia. – Disse Wes, em um tom sem esperança.

Me virei para ele e instantaneamente trocamos sorrisos de canto, como se admitíssemos que o passeio tinha acabado em um fracasso. Sem ter muito a fazer, nos sentamos no centro do quiosque, escorados na pilastra central de madeira que dava principal suporte à estrutura daquele abrigo. O espaço era um pouco escasso para abrigar tantas pessoas de uma só vez, então tivemos que ficar bem próximos, para que assim houvesse lugar para todos. Por conta da aproximação, consegui sentir por um dos braços que estava colado ao de Wes que o grisalho de vez em quando tremia o corpo, demonstrando sentir um pouco de frio. Assim, me sentindo culpada por deixá-lo dessa maneira já que estava vestindo seu suéter, passei meus braços ao seu redor, em um abraço sem cerimônias. Ele era maior do que eu e por isso eu não conseguia cobri-lo completamente, mas o suficiente para fazê-lo parar de tremer. Quando tomou ciência de meu ato, ele sorriu, de maneira que me deixou completamente sem graça. Eu estava começando a me arrepender de ter feito aquilo, mas agora já era tarde pra voltar atrás. Continuamos abraçados no chão em total silêncio, em meio à troca de olhares desconfortáveis. Nós dois evitávamos contato visual, mas de vez em vez acontecia o choque entre nossos olhares, dando a impressão que espiávamos um ao outro em silêncio, o que tornava a situação ainda mais constrangedora.


– Então... – Tentei iniciar alguma conversa. – Se não for indelicado perguntar, o que é que sua mãe tem? – Perguntei com sutileza.

– Uma doença degenerativa... Esclerose múltipla. – Sua resposta veio seguida de um semblante carregado de mágoa. Devia mesmo ser difícil ver a mãe sendo desgastada por uma doença sem cura.

– Lamento muito. – Tentei consolá-lo, mas foi uma tentativa falha; eu havia tocado em um ponto sensível que não deveria ter sido mencionado.

Pra tentar me redimir, me aproximei de sua face para lhe dar um beijo na bochecha, mas no mesmo momento Wes virou o rosto, e nossas bocas se esbarraram por um instante. Recuamos, os dois, de imediato como se tivéssemos tomado uma ferroada. Senti minha face queimar enquanto mentalmente eu desejava cavar um buraco no chão para enfiar a cara.


– M-me desculpe! – Balbuciou Wes nervoso, parecendo sentir-se igualmente envergonhado.

– Não, me desculpe você! – Proferi apavorada, como se houvesse cometido um crime.

Me soergui rapidamente e para minha sorte, avistei alguns botes salva-vidas dirigidos por homens de coletes se aproximarem. “Bem na hora!” Assim que os botes pararam na beira do píer, disparei até eles como um torpedo, sem olhar para trás. Não imaginei que eu desejaria isso, mas a única coisa que eu queria agora era voltar logo para a mansão. Fui uma das primeiras a embarcar nos botes. Recebi um guarda chuva de um dos salva-vidas para proteger da chuva que ainda caía, mesmo que mais fina do que antes. Notei Wes embarcar no mesmo bote que eu e sentar-se ao meu lado. Não ousei fitá-lo nem por um instante, apenas fixei meu olhar na areia à nossa frente e assim permaneci até que chegássemos em terra firme.

。。。


Eu estava tão sem graça a ponto de não saber onde pisar, pra onde olhar. Vez ou outra eu trocava as pernas durante o percurso e quase me desequilibrava. Mas por ventura, consegui chegar até a mansão sem cair encolhida no chão de vergonha. Enquanto atravessávamos em silêncio o jardim frontal do casarão dos Evans, a única coisa que eu conseguia pensar era se Wes contaria aquele episódio para Soul. Se isso acontecesse, eu não sei o que poderia acontecer, só sei que não seria algo muito legal. No momento em que nossos passos estavam subindo o primeiro degrau de marfim em direção à porta de entrada, o grisalho me chamou a atenção.


– Maka, me desculpe, por favor! Não foi minha intenção. – Ele proferiu misericordioso, mantendo as mãos dentro da calça jeans escura.

– Tudo bem, Wes. Só não conta nada pro Soul, ta? – Pedi sem olhá-lo, por ainda não ter coragem para isso. Ouvi um breve “hai” como resposta, o que bastou para mim naquele momento.

Terminamos de percorrer o caminho de entrada e logo estávamos dentro da sala de recepção. Nossos corpos molhados, pingando sobre o piso de porcelanato polido. Uma das empregadas chegou correndo até nós.


– Sr. Evans! Ainda bem que chegou. – Ela cessou a correria em frente a Wes, e depois de um arfar, prosseguiu com as palavras urgentes. – Sua mãe pediu para que subisse rapidamente até o quarto, parece ser uma emergência!

– Se é emergência, porque não chamou meu pai? – Perguntou Wes preocupado.

– Ela disse para evitar chamar a atenção dele. Pediu exclusivamente por você e também pela senhorita Albarn. – A serviçal disse tudo com muita pressa, parecendo ter vontade de arrastar logo Wes para o quarto de Frances.

Fiquei admirada em ter sido tratado já como “senhorita Albarn”, mas, além disso, estava certamente preocupada assim como Wes. O que teria acontecido de tão grave?

Observei Wes tornar seus passos largos até a escada, subindo-a de 3 em 3 degraus, para poupar desperdício de tempo. Eu fiz o mesmo que ele, e em alguns segundos estava no segundo patamar da mansão, correndo à direita do corredor e entrando no luxuoso quarto de Frances, que havia sido recém aberto por Wes que estava a minha frente.

– Feche a porta! – Ouvi a belíssima mulher exclamar assim que eu adentrei o cômodo.

Como ordenado, fechei o limiar de madeira logo atrás de mim. Quando voltei a encarar o interior do quarto, notei que Frances estava em pé, mas apoiando-se na cabeceira da cama, mostrando dificuldade de se manter ereta sozinha. Sua íris azul-acinzentadas estavam acompanhadas de uma leve vermelhidão, dando menção de que ela estava chorando ou estava prestes a chorar. Wes, que havia dirigido-se até a mãe com largos passos, agora auxiliava a mulher a se sentar no colchão.


– O que aconteceu, mãe? – Indagou o grisalho que, como eu, não conseguia entender o que havia de errado a ponto de deixar Frances com aquela expressão atônita.

– Soul... – Ela balbuciou o nome do Evans mais novo com um tremor na voz, fazendo com que eu redobrasse a atenção sobre o que ela diria em seguida. – Eu não sei o que aconteceu... Estávamos conversando quando... Ele...

– ELE O QUÊ?! – Explodi na indagação, surpreendendo mãe e filho que estavam próximos à cama.

– Ele surtou! – Disse Frances, com tormenta na voz. – Jogou a mesa de chás no chão, parecendo estar possuído. Eu achei que ele iria me atacar, mas foi então que ele se trancou no banheiro. – A mulher proferiu nervosa ao lembrar da cena e finalizou seus dizeres apontando para a porta fechada que provavelmente dava acesso à suíte do quarto.

Observei Wes deixar sua mãe devidamente sentada na cama e avançar com firmeza até a porta do banheiro. Foi quando o interrompi.


– Não, Wes! Deixa que eu vou. – Quis pedir para que ele desse licença, mas acabei dando uma ordem.

O maior cessou os movimentos de imediato e me fitou com curiosidade. No fundo ele devia saber que era melhor que a primeira pessoa que Soul visse fosse eu, e não aquele que ele tratava como adversário. Por fim, Wes cedeu, e abriu caminho para que eu entrasse primeiro no banheiro. Com isso, me dirigi até a porta branca de maçaneta dourada da suíte. Antes de abri-la, notei a cor de ouro da maçaneta manchada com um líquido preto. Sangue Negro, provavelmente. Ao girar a maçaneta com zelo, tive um flash de lembranças, do dia em que encontrei Soul desmaiado no apartamento, de nariz sangrando com o mesmo sangue negro. “Será que ele havia piorado e não tinha me contado?” Indaguei mentalmente enquanto finalmente abria o limiar branco de madeira. A suíte era extensa para os dois lados. Primeiramente olhei à direita e notei que tudo estava em perfeito estado; uma larga banheira rodeada por inúmeros frascos de sais, uma pilha de toalhas limpas, roupões, tocas. Tudo em seu lugar. Mas quando voltei o olhar para o lado esquerdo do cômodo foi que tive a surpresa. Haviam rastros de sangue negro pela porcelana branca das paredes, parecendo que alguém havia arrastado um corpo por ali. Havia muita coisa jogada no chão, muitos vidros quebrados e inúmeras pegadas. Num átimo, percebi uma sombra se mover mais rápido do que meus olhos pudessem ver, e senti uma mão agarrar forte um de meus tornozelos. Sacudi a perna com temor e senti vontade de gritar de pavor, mas assim que olhei para baixo pude notar o causador do meu espanto.

Era Soul. Mas ele estava completamente diferente.

Seu semblante estava distorcido, as mãos e os cantos da boca estavam sujos de sangue negro. Seus dentes estavam mais afiados do que o de costume e seus fios grisalhos estavam manchados de preto. E o mais horrível de tudo: O branco de seus olhos havia se tornado um vermelho obscuro e vibrante, enquanto suas pupilas estavam negras e extremamente dilatadas.

Notas finais
Então...?
Eu achei super kawaii o pequeno beijo acidental entre Wes e Maka, hihi. Dependendo do meu nível de maldade nos próximos dias, talvez até role outro, hahah. Brincadeira, não me matem.
Mas voltando a focar no capítulo, já viram que vou botar o bicho pra pegar daqui pra frente, né? (não é pra tanto também, rs.) Aguardem pra ver o que esse deabo vai fazer com o nosso Soul.
Até mais.