Notas iniciais
Segundo capítulo de hoje, como prometido. ^^

Maka POV

Aproximei-me cautelosamente de Soul, que estava inerte em frente à vidraça, olhando fixamente para o interior da mansão. Meus passos estreitos e inaudíveis seguiam até sua silhueta, para que assim, mais próxima, eu pudesse confirmar que realmente era ele. Mas não foi preciso que eu lhe tocasse para que minhas expectativas fossem confirmadas, pois sua voz soou em meio ao silêncio do exterior daquela mansão.

– Está se divertindo, Maka? – Sem me olhar, ele indagou, com o timbre rouco e rígido.

Senti que devia dar pulos de felicidade por ele ter reaparecido antes do amanhecer e por ele estar aparentemente bem. Mas a frieza em sua palavras, e a indiferença em seu olhar distante me causavam um enorme desconforto. Não era pra menos que ele estaria assim, afinal, seu irmão havia me beijado bem na sua frente.

– Onde você esteve? – Substitui a resposta para sua pergunta por outro questionamento.

Inutilmente, pois ele continuou atônito e calado. O silêncio da noite voltou a domar a situação. O relento pairava sobre nós enquanto a brisa fria tomava o lugar de nossas palavras. Eu estava parada a meio metro de distância dele, mas ele parecia muito mais distante de mim do que isso. Estranhamente calado. Eu o fitava com extrema curiosidade sobre o que havia acontecido, o que havia o levado a sumir tão repentinamente. Depois de longos minutos de monotonia, quando pensei que passaríamos a noite inteira ali, sem dirigir uma só palavra ao outro, Soul virou o corpo para mim e me fitou com os olhos inexpressíveis que mal piscavam.

– Acho que acabou, não é? – Sua voz permaneceu fria, e sua expressão rígida sem alterações.

– O que acabou? – Indaguei com surpresa.

– Nós. – Proferiu Soul, ainda neutro.

– Como assim? Que brincadeira sem graça é essa, Soul?! – Questionei completamente atordoada, em meio a risadinhas nervosas. Olhei através da vidraça e vi o espaço onde estava dançando com Wes, lembrando-me subitamente do ocorrido. – Não! Não foi nada disso que você pensa. Foi um acidente, eu juro! – Balbuciei nervosa, tentando colocar tudo em pratos limpos, mas sem querer jogar toda a culpa em cima de Wes, afinal, já bastava o histórico de ódio e ressentimento dentro daquela família.

Soul esperou que eu terminasse minha nervosa explicação para que voltasse a proferir algo.

– Não vou dizer que não me senti atingido pela cena que vi. – Ele finalmente mudara sua expressão, mas, ao contrário do que eu pensava, sua face não se transformou em uma expressão de fúria, mas sim em uma expressão de mágoa. – Entretanto, não é disso que eu estou falando. É disto. – Sua mão fria pousou sobre minha clavícula, sobre o curativo que cobria o ferimento causado na suíte.

– Soul, isso foi só um acidente. Não foi nada demais. – Coloquei minha mão sobre a dele, sentindo sua estrutura óssea e muscular tensas.

– Não foi um acidente. Além do mais, quem nos garante que isso não acontecerá de novo? – Ele deslizou a mão por debaixo da minha e afastou seu toque de mim.

– Se você disser que não irá, não irá. Simplesmente isso. – Dei um passo à frente, nos aproximando novamente. – Isso já aconteceu uma vez, lembra? Quando você tentou me proteger. – Minha mão foi de encontro ao peito do grisalho, coberto pela camisa social, e repousada na região onde se localizava a cicatriz formada no primeiro combate que tivemos contra Chrona, e no primeiro contato que tivemos com o sangue negro.

– Isso foi diferente, Maka. Não foi você quem me feriu. Mas pelo contrário, eu feri a você dessa vez, e isso é inaceitável. – Ele afastou-se ainda mais.

– Não era você, eu sei disso! Era o sangue negro. – Exclamei, em uma contra-argumentação, mas fui interrompida.

– Eu não parei! No fim, eu tinha tomado de volta o controle de meu corpo, e tinha a escolha de parar com aquele ataque. Mas eu não quis! Eu senti prazer em continuar perfurando você. – Soul elevou o timbre de voz e deu sua explicação, que me assustou de certa forma. – É por isso que eu vou me afastar de você, Maka. Eu não quero que aconteça outra vez.

– Não! Eu não vou deixar você sozinho, entendeu bem?! – Engoli o meu receio diante das palavras de Soul e intimei-o, mas fui desarmada logo em seguida.

– Não há escolha, já está decidido. Aceite isso, por favor. – Soul virou-se – Eu liguei para o seu pai, para que você pudesse voltar pra casa em segurança. Amanhã de manhã ele estará aqui para lhe buscar.

E sem esperar que eu desse alguma resposta, o grisalho arrancou seus primeiros passos para baixo dos degraus de mármore da entrada, indo em direção à sua moto (que parecia ter chegado do concerto) estacionada a alguns metros. Ele estava mesmo indo embora e me deixando sozinha. Mas eu não podia deixar que isso acontecesse. Num átimo, avancei até ele com passos ágeis e urgentes, e assim que o alcancei, fisguei-o, com uma das mãos, pela manga de sua camisa.

– Você não pode estar falando sério. Diz que é só uma brincadeira, pelo amor de Deus! – Clamei, ainda agarrada à sua camisa, enquanto percebia que ele cessava seus passos.

– Não há motivos para que eu brinque com uma coisa séria dessas. – Ele tirou minha mão de sua manga com cautela e depois se virou para mim com os olhos marejados. – Você sabe o que é ter um monstro desses, preso dentro de você? Sabe como é temer que a pessoa mais preciosa pra você seja machucada, ou morta? Sabe, Maka?! – Ele gritou, fazendo-me recuar. – Não irei me sucumbir à insanidade, mas enquanto eu não tiver total controle sobre mim mesmo, não poderei mais expor você e os outros a tantos riscos. – Encerrando seus atos, ele me lançou um último olhar e virou-se novamente, dirigindo-se até a motocicleta.

Por motivos que desconheço, permaneci no mesmo lugar, assistindo atônita à cena de Soul montando no automóvel de duas rodas e partindo em alta velocidade para além dos portões que cercavam a mansão. Foram necessários vários minutos, parada ali, para que minha ficha caísse. Ele definitivamente havia ido embora.

Notas finais
Sinceramente, não me sinto satisfeita com o rumo dessa história, mas espero que vocês tenham gostado, ou pelo menos queiram ler o capítulo que vem. Não sei porque (ou talvez sei), mas toda vez que escrevo, eu penso que o capítulo ficou horrível e que vocês comentam só pra fazerem uma escritora ruim feliz, rs. Sendo isso verdade ou não, ainda agradeço pelo incentivo de todas. ♥
Da próxima vez vou me esforçar ao máximo pra trazer a vocês um capítulo bom, juro. Meu plano é postar o próximo capítulo até domingo. Vamos ver o que eu consigo fazer, né.
No mais, desculpem-me pelo drama, e até a próxima. o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.