Broken Trust

14 Capítulo XIII - FINAL


Soul Eater POV


Com cautela, toquei a mão de Maka que secava minha face. A loura se surpreendeu e tentou contornar a situação, mas eu segurei sua mão e levei a mesma até o meu peito coberto pelas faixas. Meus batimentos cardíacos estavam demasiadamente acelerados, e eu tinha certeza que ela podia senti-los agora.

– Você percebe o que isso tudo significa? – Indaguei, enquanto torcia internamente para que ela não tivesse nenhuma reação negativa, como me dar um tapa e sair dali às pressas.

Eu senti o esforço da resistência em seus músculos da mão cessar, como se ela estivesse dando por vencida. Ela não deu nenhuma resposta verbal à minha pergunta, mas suas próximas atitudes responderam por ela.

Maka se aproximou ainda mais, ficando entre as minhas pernas, já que eu ainda permanecia sentado. Ela me encarava com um olhar de doçura, enquanto com a mão que estava livre ela alisava meu rosto, por fim, passando-a para trás de minha nuca. Eu estava imóvel, com receio de fazer algum movimento que a fizesse recuar. Gradualmente, ela começou a aproximar o rosto do meu. Ao executar tal ato, ela não teve que se abaixar muito, já que eu sentado ficava praticamente na altura dela em pé. Sendo assim, com poucos movimentos, ela colou o rosto ao meu, e em seguida, encaixou seus lábios nos meus. Permanecemos alguns minutos em uma perfeita sincronia entre nossas línguas que exploravam cada canto da boca um do outro. Tudo estava acontecendo de forma natural, não havia em mim aquela vontade louca e incontrolável de tentar arrancar a roupa de Maka. Os meus instintos masculinos eram dominados por um sutil sentimento de ternura. Naquele momento, ter Maka perto de mim já era o suficiente para me deixar mais do que satisfeito. Eu poderia ficar horas e mais horas apenas contemplando-a, e mesmo assim eu me sentiria o cara mais feliz do mundo.

Aos poucos, o beijo foi sendo cessado. Maka deslizou a mão de minha nuca, voltando-a para a posição inicial, assim ficando com os dois braços alinhados ao lado do corpo. Minhas mãos estavam repousadas ao redor de sua cintura, e assim permaneceram, evitando então que a loura saísse de perto de mim. Ela colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha, enquanto umedecia os lábios e fitava o chão, parecendo procurar palavras certas.


– E-eu... Eu sempre gostei de você, Soul. – Maka confessou em meio a algumas pausas, como se calculasse qual consequência que cada palavra traria.

Suas íris esverdeadas foram de encontro às minhas escarlates. Seu olhar conseguia me invadir como nenhum outro, e me fazia mergulhar naquela imensidão esverdeada em questão de poucos segundos.

– Eu não sei exatamente desde quando eu tenho esses sentimentos por você... Só sei que eles são mais intensos que qualquer outra coisa que eu já senti. – Proferi segurando de modo mais firme a cintura de Maka, puxando a loura para mim enquanto deitava minhas costas na cama gradualmente.

Quando me deitei por completo, Maka que estava sobre mim iniciou um novo beijo, com um notório sorriso entre os lábios. Eu também sorria, assim, denunciando a imensa satisfação que a sensação de ter colocado tudo pra fora e ser correspondido me causava.

Estávamos em meio a alguns amassos, quando algum infeliz bateu à porta. Eu senti demasiada vontade de gritar para que voltasse outra hora e, assim, continuar ali com Maka. Mas, subitamente, me lembrei de que ainda estava na enfermaria do colégio, e não me sentia confortável em continuar alguma coisa ali dentro sabendo que poderia haver mais pessoas precisando de atendimentos.

Sendo assim, me disponibilizei a cessar o beijo e atender a porta. Mas quando dei por mim, Maka já havia feito isso. Ela já tinha se levantado da cama e estava prestes a girar a maçaneta para abrir a porta. Enquanto eu ficava me perguntando como Maka conseguiu ser tão ágil em seus últimos atos, a loura abria por completo a porta, revelando quem havia batido na mesma, instantes atrás. Eram Tsubaki e Black Star, que quando notaram que eu e Maka estávamos a sós ali dentro, esboçaram, simultaneamente, uma expressão pervertida.


– Hmmmm. – Eles murmuraram juntos, levando eu e Maka a várias risadas.

– “Hm” o quê, dona Tsubaki? – Maka proferiu antes de assentir para a dupla, convidando-os para entrar.

A loura retornou até a cama, mas dessa vez se limitou a sentar-se ao meu lado. Eu segurei a mão dela, entrelaçando nossos dedos, enquanto nós dois sorríamos feito dois bobos. Black Star logo veio com uma de suas desaprovações.

– Eu não sei se vou conseguir ter saco pra amigos apaixonados, viu?

Nós quatro ríamos, até quando Tsubaki deu procedência.

– Nós deveríamos sair para comemorar o “final feliz”, né?!

Black Star já estava pronto pra mais uma discórdia, quando Maka o atropelou com suas palavras.

– Mas é claro! Eu ouvi dizer que foi aberto um planetário aqui na Cidade da Morte, com restaurante e tudo mais. É verdade?

– É sim. E essa é uma excelente ideia! Até hoje Black Star nunca quis ir até lá, mas agora ele vai ter que ir. – Tsubaki respondeu, e ao final de seus dizeres, ela encarava Black Star com um ar desafiador.

O garoto de cabelo azul murmurou, cruzando os braços.

– Tsc, qual a graça em ver estrelas? Nenhuma.

As garotas riram, logo depois iniciando um diálogo paralelo entre elas.

– Tsu, vamos até lá em casa? Preciso que você me ajude em algumas coisinhas.

Não foi preciso que Maka definisse “coisinhas”, pois Tsubaki pareceu deduzir o que era apenas por trocar um breve olhar com a loura. Como resposta, Tsubaki apenas assentiu sorrindo.

– Bem, então até mais tarde rapazes. 19:00 horas quero vocês lá em frente ao planetário, entenderam? – Maka reforçou suas últimas palavras fitando Black Star com os olhos semicerrados. Por fim, virou-se até mim e selou um sutil beijo na ponta do meu nariz.

– Te vejo mais tarde. – Proferi à loura, que se levantou da cama e seguiu para fora da enfermaria com Tsubaki.

As duas passariam a tarde fazendo algo que eu não sabia o que era, mas presumia que seria algo relacionado a roupas e afins. Já eu e Black Star passaríamos a tarde fazendo algo que sempre fizemos de melhor...


Dormir.


Maka POV


A tarde passou como um flash a meu ver. Eu e Tsubaki fomos a algumas lojas comprar roupas para aquela noite e para nos distrairmos também, já que com a confusão dos últimos dias nós acabamos nos afastando e não tendo tempo para ter uma conversa entre amigas. Eu contei a ela tudo que havia ocorrido nos últimos dias, inclusive sobre a declaração de Soul. Ela ficou toda derretida, mais boba do que eu. Depois ela me contou sobre como o clima entre ela e Black Star estava esquentando nos últimos tempos. Tivemos, então, uma tarde regada a compras e várias risadas.

Quando notei, o sol já se punha e dava o lugar ao céu a uma lua brilhante e sorridente. Averiguei o relógio, observando que eram exatas 18:00 horas. Então chamei Tsubaki para que voltássemos para minha casa e nos arrumássemos.

Após chegarmos em casa, decorridos exatos 50 minutos, estávamos praticamente prontas. Em meio à nossa arrumação, a gente falava como duas tagarelas. Tanto era a falação que quase não consegui ouvir meu celular tocar em cima da cama. Quando atendi o aparelho, notei a voz de Soul soar do outro lado da linha.

– Oe, vocês não vem mais? – Indagou o grisalho.

– Claro que vamos. Vocês que estão adiantados, porque ainda são seis e mei... – Antes que minha fala se completasse, observei Tsubaki apontando desesperadamente o relógio de parede enquanto calçava um salto alto às pressas. Quando analisei o relógio me senti perplexa: Já eram quase 19:30. Proferi um arfar de surpresa antes que desse continuidade às palavras. – Ér... Não se preocupe, já estamos a caminho. Não sai daí, já estamos chegando! – Encerrei a ligação antes que Soul tivesse a oportunidade de dar alguma resposta.

Meus passos se fizeram ligeiros em torno do quarto. Assim que terminei de me arrumar, apanhei a bolsa jogada sobre a cama e exclamei à Tsubaki.

– Vamos? – Perguntei retoricamente, já fora do quarto.

Tsubaki veio logo atrás de mim. Depois de descermos as escadas, nos deparamos com meu pai sentado na poltrona, supostamente assistindo televisão. Mas quando estávamos saindo de fininho, tentando não fazer barulho, ele demonstrou que estava ciente de nossa presença.

– Aonde as mocinhas vão tão arrumadas assim? – Ele permaneceu imóvel na poltrona, apenas virou o rosto para nos analisar ao questionar.

Eu engoli seco ao me ver sem resposta. Se eu dissesse que sairia com o Soul, ele não iria nem ao menos me deixar sair de casa. E como eu não era boa com mentiras, eu não conseguiria inventar uma história sem gaguejar. Quando pensei que não conseguiria sair de casa naquela noite, eis que Tsubaki surgiu como uma luz no fim do túnel.

– Vamos a um jantar com minha família que chegou no país há alguns dias. – A morena era tão convincente em suas palavras que até eu mesma caí na mentira. Felizmente, meu pai caiu como um patinho e logo mudou a postura, para algo mais descontraído.

– Oh, compreendo. Bem, então mande cumprimentos para sua encantadora mãe, Tsubaki-chan! – Meu pai fazia acenava como um retardado, e fazia cara de babão ao mencionar a mãe de Tsubaki. Eu não podia acreditar que meu pai estava dando em cima da mãe da minha melhor amiga na minha frente, e na frente da filha dela! Argh...

Por ventura, Tsubaki talvez não tenha visto a fala do meu pai pela forma que eu vi. Suspirei aliviada por isso. Assim, ela apenas respondeu com um breve “hai” e em sequencia nós saímos de casa.

Enquanto caminhávamos para mais distante da casa, exclamei preocupada.

– Os garotos devem estar furiosos. Eles devem até já ter ido embora. – Proferi enquanto averiguava se havia alguma chamada perdida no celular.

– Calma amiga. Daqui a pouco estamos lá. – Tsubaki tentava me tranquilizar, ao mesmo tempo que erguia um dos braços e acenava pra um táxi vazio que passava naquele momento.

Entramos no automóvel, em seguida indicando o endereço do destino ao motorista, que logo deu a partida no veículo.


Quando chegamos ao destino, Tsubaki pagou a corrida ao motorista e sem delongas, descemos do carro. O planetário estava bem a nossa frente. Era enorme, composto por um prédio alto no meio de dois prédios mais baixos. Em cima do prédio maior havia uma construção esférica, onde provavelmente se localizava o planetário em si. Deduzi então que o restante do prédio alto e dos prédios baixos eram o restaurante e outros meios de entretenimento.

Nossos firmes e largos passos percorreram um caminho trilhado até uma entrada que parecia ser a principal, a qual dava para o restaurante. Quando adentramos o recinto por completo, notamos na parte esquerda do salão, onde se localizava o bar do restaurante, um grisalho acompanhado de um rapaz de cabelo azul, que estava demasiadamente agitado e soltava exclamações que se sobressaíam sobre as baixas vozes que percorriam o local. Os dois estavam cercados de copos vazios, e aqueles que estavam cheios, eles viravam num gole só. Eles conversavam e riam freneticamente com o barman que parecia estar bem à vontade com os rapazes, parecendo conhecê-los desde pequeno. Analisando tal cena, eu e Tsubaki nos entreolhamos, e ficou claro que a vontade de matar aqueles dois era mútua entre nós.

Nos dirigimos a eles com passos pesados, quase marchando. Assim que os alcançamos, minha mão foi de encontro à parte traseira da cabeça de Soul, em um tapa.

– Já está bêbado há essa hora? – Exclamei, vendo-o finalmente sentir a dor que o tapa havia provocado.

Notei que Tsubaki também puxava a orelha de Black Star, o qual retrucava, argumentando que nós havíamos demorado demais. “Bom, isso era verdade, mas precisavam ficar bêbados?” Pensei enquanto voltava a analisar o estado de Soul. Apesar do tapa, ele sorria ao me olhar. Uma de suas mãos me fisgou pela cintura, me fazendo ficar mais próxima dele.

– É essa aqui que eu estava te falando. Ela não é linda? – Soul proferia agarrado à minha cintura enquanto fazia o questionamento ao barman. O barman assentiu com a cabeça, e em seguida, Soul continuou. – Mas tira o olho que ela já tem dono. – As falas de Soul fizeram minha face ruborizar. Ele estava sendo fofo, mas ao mesmo tempo, agia como um frequentador do Alcoólatras Anônimos.

Então, arranquei de meu corpo a mão de Soul que me prendia a ele e lhe dei as costas, assim me dirigindo para o restaurante, sozinha. Eu iria chamar Tsubaki, mas notei que ela já estava resolvendo seus problemas com Black Star, já que os dois estavam se agarrando bem ali perto do balcão. “Bela amiga, hein Tsu?” Pensei. Mas eu não a culpava, pois sabia que eu e ela tínhamos maneiras diferentes de resolver as coisas. E se a estratégia dela era essa, a minha era o oposto, pois eu estava dando um gelo em Soul naquele exato momento.

O restaurante era enorme e composto por várias partes. Em algumas delas havia as mesas, em outras alguns bares espalhados e em cada canto algumas varandas, as quais provavelmente eram destinadas aos fumantes. Procurei alguma varanda que estivesse vazia e fiquei por lá, observando a movimentação da rua. O baixo volume das conversas que repercutiam pelo salão possibilitou que eu escutasse claramente alguns passos atrás de mim. Assim que cessaram, eu me virei e encontrei quem eu já esperava que fosse: Soul. Ele me olhava com cara de cachorro pidão, e se aproximava de forma vagarosa.

– Você está brava? – Ele indagou com uma voz mansa.

– Não, imagina. – Retruquei nervosa.

Arranquei alguns passos para fora dali, mas antes que conseguisse sair, senti as mãos quentes de Soul me segurarem por um dos pulsos, e me puxarem de volta para a varanda.

– Me solta. – Proferi sem exaltação na voz, mas com seriedade.

– Você sabe que eu te amo, né? – Ele questionou lançando um de seus sorrisos fatais. “Argh, esse idiota, porque tinha que ter o sorriso mais sedutor do mundo?” Mas eu não iria ceder tão cedo. Assim, puxei meu pulso até então segurado por ele e arranquei rápidos passos para fora dali antes que ele me impedisse novamente. Observei o ambiente ao meu redor, procurando por um novo local para fugir de Soul. Notei então o elevador, que provavelmente deveria levar ao planetário no último andar. Decidi então subir até lá, onde Soul dificilmente me acharia.

Assim, embarquei no elevador com algumas pessoas. Decorridos alguns segundos, a porta automática se abriu, revelando o esplêndido observatório. Meus olhos deslumbrados percorreram o ambiente enquanto meus passos iam até algumas poltronas vazias. Havia vários casais ali, observando juntos o céu. Bufei então ao lembrar que teria que ver tudo sozinha, já que certo alguém estava bêbado demais para me acompanhar.

Logo que encontrei uma poltrona vazia, isolada daqueles inúmeros casais, me sentei na mesma. Os acentos eram inclinados para trás, possibilitando que as pessoas vissem sem dificuldade aquela série de astros no céu. Eu me sentia completamente à vontade ali, tanto que chegado certo momento, minhas pálpebras se fecharam com serenidade, me fazendo continuar vendo as estrelas mesmo com os olhos fechados. Naquele momento, eu me encontrava em um estado de paz interior. Mas meu sossego logo foi quebrado, quando escutei alguém exclamando próximo à entrada do planetário.

– MAKAA! – Não havia dúvidas de que era Soul esperneando meu nome.

Abri os olhos, abruptamente, enquanto cerrava os dentes e matava o grisalho mentalmente. Eu planejei continuar ali, inerte, para que ele não me visse. O ambiente não tinha luz artificial como lâmpadas, a iluminação dava-se apenas pelos astros luminosos no céu. Com a pouca luz, presumi então que se eu não me movesse, o grisalho não me acharia. Bem... Esse meu plano seria perfeito, se não fosse pelo jeito escandaloso de Soul, que continuava gritando, agora dentro do próprio planetário.

– MAAKAAA! É melhor você aparecer porque eu não vou embora sem você.

Bufei ainda sentada, enquanto notava algumas pessoas chamarem a atenção de Soul, pedindo por silêncio, mas ele ignorava a todos e mantinha a gritaria.

A única opção que eu tinha era ir até ele, antes que as pessoas ali o linchassem e acabassem me linchando também. Sendo assim, me levantei e me dirigi até ele. O puxei rudemente, em seguida o arrastando até o antigo local onde eu estava.

– Você não tem jeito mesmo, né Soul Eater?! – Me joguei na poltrona com os braços cruzados, notando o grisalho sentar-se na poltrona ao lado.

– Maka! – Ele exclamou gloriosamente, como se tivesse descoberto a América. Com a pouca iluminação e os efeitos da bebida, duvido que ele tenha compreendido alguma coisa antes que eu balbuciasse algumas palavras.

– É melhor você ir se curar da cachaça em outro lugar, não sou babá de ninguém, pra sua informação. – Eu mantinha o tom de minha voz baixo, pois não queria incomodar mais ninguém com gritarias. Mas minha real vontade era de gritar com toda a força do mundo. Apesar disso, eu me contive.

Notei o grisalho estender uma das mãos até a minha e segurá-la, entrelaçando ambos os dedos. Era incrível como ele tinha a cara de pau de agir como se não tivesse nada de errado. Quando eu iria retirar minha mão da dele, ele segurou-a firme e virou a cabeça para o meu lado, parecendo tentar me enxergar apesar daquela escassez de luz.

– Me desculpa. – Seu tom de voz era mais brando e mais baixo. – Você me conhece, eu faço tudo errado.¹

Suas palavras surtiram como calmantes em mim. O sentimento de relutância dentro de mim cessou, e eu me vi à mercê daquele jeitinho de cachorro pidão de Soul. Aproximei minha face à dele, e como um sinal de que aceitava suas desculpas, selei um beijo em seus lábios. Notei então que ele sorria vitorioso. “Como pode ser tão convencido?”

– Baka! – Sussurrei depois de cessar o beijo.

Apesar de seu convencimento, permanecemos ali de mãos dadas por longos minutos, apenas observando os astros e atentos à respiração um do outro. Minha cabeça estava deitada sobre o ombro dele, quando uma estrela cadente cortou o céu, surpreendendo a todos os presentes naquele planetário, que arfaram estupefatos. Eu também me senti presentiada com aquela estrela, mas contive meu sentimento de surpresa e me limitei a indagar a Soul.

– Fez o seu pedido? – Acompanhei o questionamento com uma risadinha.

– Ainda não. Mas vou fazer agora. – O grisalho respondeu enquanto desvencilhava sua mão da minha.

– Ah, mas agora que a estrela já passou não vale mai... – Antes que eu completasse minha fala, Soul ergueu alto algo que retirou do bolso há poucos instantes atrás.

Encarei o objeto e notei que era um aro metálico, que ao ser erguido ao céu, ficava entre as estrelas mais brilhantes daquela noite. Quando reparei melhor, notei que o objeto em questão era um anel. Fitei Soul por um momento, notando um largo sorriso em seus lábios. Voltei a atenção para o anel, sem entender muita coisa. Até que então o grisalho proferiu algo que serviria de esclarecimento para a situação.


Soul Eater POV



A mão que segurava o anel estava erguida ao céu, mas meu olhar agora se dirigia à expressão de incompreensão de Maka. Eu dei um sorriso de canto, me perguntando se ela não suspeitava do que eu pretendia. Antes que ela desconfiasse de algo e tentasse contornar a situação, me prontifiquei a fazer o pedido que deveria ter sido feito à estrela cadente, segundo Maka.

– Dizem que as estrelas existem, de alguma forma, para iluminar corpos celestes sem luz própria. Eu tenho certeza disso porque você é a estrela que ilumina esse ser sem luz que eu sou. – Abaixei o anel, que até então estava erguida ao céu, enquanto pegava com a outra mão uma das mãos de Maka. – Você aceita namorar comigo, Maka?

Após o questionamento, Maka estava atônita, parecendo meio perdida por entre os fatos. Pensei que ela estivesse sem graça de recusar e me dar um pé da bunda, então não disse mais nada, para não pressioná-la. Quando abaixei o olhar sem esperança, senti a mão de Maka se mexer e encaixar seu dedo anular dentro do anel.

– É claro que eu aceito, Baka. – Ela proferiu enquanto sorria radiantemente para mim.

Uma explosão gratificante me tomou por inteiro, eu tinha vontade de gritar pro mundo inteiro que ela era minha. E assim eu fiz. Num baque, me levantei e subi em cima da poltrona. Dei um alto assobio, chamando a atenção de praticamente todos os presentes ali.

– Estão vendo essa linda moça? Eu sou o namorado dela agora! – Ergui os braços, me sentindo glorificante. Algumas pessoas aplaudiram, outras riram, enquanto outras murmuravam algo do tipo “Ta, que legal campeão, desce daí”. Mas eu não me importava com o que pensavam, eu só tinha olhos para ela.

Maka estava corada, provavelmente envergonhada. Ela, ainda sentada, me puxou para descer da poltrona. Voltei a me sentar sobre o estofado da poltrona, vendo-a rir ainda meio ruborizada. Eu acompanhava suas risadas, rindo também. Assim que cessamos os risos, nós nos fitávamos mutuamente, mergulhando um dentro do outro. Eu estava fascinado, pois toda vez que eu me prendia naquele olhar, era sempre como se fosse a primeira vez.

– Eu te amo. – Proferi, colocando meu coração em carne viva em cada uma daquelas palavras.

Senti as frias mãos de Maka percorrerem meu rosto em forma de carícias. Com sua voz adocicada, ela balbuciou as palavras que eu esperava ouvir.

– Eu também te amo.


Nossas mãos voltaram a se entrelaçar, enquanto eu contemplava a visão que ilustraria o restante da minha noite:

Aquelas íris esverdeadas que, com a luz daqueles astros, pareciam refletir o universo inteiro.

Notas finais
¹ Pequena menção à uma música do Charlie Brown, alguém notou? rs.

Enfim, chegamos ao fim da fic! (ou pelo menos da primeira parte.)
Pra quem achava que Maka e Soul não ficariam junto: Eu disse para relaxarem, não foi? rs.
E pra fechar de vez essa primeira parte, vou deixar o link de uma fan art. Achei super kawaii, e queria usá-la para ilustrar como Soul e Maka estavam fisicamente nesse último capítulo. Aqui está o link: https://lh4.googleusercontent.com/-udQifA_Kn_0/UVYBcQq0FbI/AAAAAAAABJc/4WKq6ppjmnI/s800/soma.jpg

Então é isso aí. Pretendo postar a continuação em breve. Até lá pessoal. o/