Broken Trust
6 Capítulo V
Notas iniciais
[A introdução do mistério.]
[Cidade da morte, Colégio Shibusen;
4 anos antes]
Soul Eater POV
Era fim de tarde, a penumbra fazia-se presente sobre a Cidade da Morte. Estávamos à véspera do baile de gala organizado para comemorar a recém derrota do Kishin. O dia já alcançava suas horas finais, mas o colégio continuava movimentado como se ainda fosse início do dia e o sol raiasse no meio do céu; Todos estavam em êxtase por causa do baile.
No meio de toda aquela confusão, eu acabei me perdendo da Maka. Estávamos juntos até pouco minutos atrás, mas agora eu tinha perdido-a de vista. Eu precisava encontrá-la para terminarmos a aula extra que o Stein-sensei nos encarregou de cumprir.
Procurei-a por todos os cantos daquele colégio, perguntei a todos os conhecidos se tinham visto a garota, mas ninguém havia ao menos uma pista da sombra dela.
Bufei impaciente, eu estava muito afim de ir embora pra casa logo, mas eu não poderia antes de terminar a aula extra. E pra que isso fosse possível, eu realmente precisaria da Maka.
Eu já havia percorrido todo o Shibusen, minhas pernas já começavam a sentir um leve incômodo depois de andar tanto. Eu estava prestes a desistir de encontrar a Maka ali dentro, quando me lembrei que não havia procurado em apenas um lugar: A prisão subterrânea do colégio. Era o lugar menos provável que eu poderia encontrar a Maka, mas como era o único lugar que eu não havia averiguado, a única opção que me restava era ir até lá procurá-la.
Me dirigi às escadas que davam acesso até a parte inferior e subterrânea do colégio. A iluminação ali em baixo não era das melhores, mas eu conseguia enxergar mais ou menos. Quando finalmente os degraus tiveram fim, passei a percorrer os corredores buscando encontrar Maka por ali. Durante alguns minutos o silêncio foi dominante, mas quando eu me aproximei de uma das prisões centrais, escutei um grito apavorante. Foi um grito altíssimo e fino, vindo de uma voz feminina. Tudo que pensei no momento foi que aquele grito tivesse vindo de Maka, e que ela pudesse estar em perigo. Meus passos estreitos se tornaram largos e rápidos, eu comecei a correr. Eu procurava chegar o mais rápido possível ao local de onde proveio aquele grito. Eu suava frio, só conseguia pensar no que poderia ter acontecido com a Maka.
Mas quando cheguei enfim ao local onde eu suspeitava que aquele grito pudesse ter originado, fui paralisado por um choque de surpresa.
Maka estava ali.
Mas tinha algo de errado. Quem tinha gritado não era ela...
E sim uma menina morta, caída aos pés de Maka.
A menina vestia o uniforme do Shibusen, mas seu rosto e quase todo o corpo estavam irreconhecíveis pois estavam banhados de sangue. Maka segurava uma estaca em uma mão, e outras estacas semelhantes estavam fincadas no peito e algumas outras partes do corpo da menina morta. O corpo de Maka tinha sangue espirrado do cadáver jogado aos seus pés. E o mais estranho de tudo, a Maka...
Ela...
Ela sorria.
A cena era horripilante. Eu me escondi depressa atrás de uma parede, para que eu não fosse visto. Do sorriso estranho de Maka surgiram risadinhas, que duraram alguns segundos mas logo cessaram. Meus olhos continuaram vidrados naquela cena. Eu não podia acreditar que aquela era realmente a Maka. Permaneci escondido e observando quais seriam os próximos atos de Maka. Ela, então, enfiou no bolso da blusa a estaca que restava, e depois agarrou as mãos da garota morta e começou a arrastá-la até um buraco que dava para o depósito de lixo do Shibusen. Jogou-a ali e depois se retirou do andar subterrâneo por uma segunda saída, diferente daquela por onde eu tinha entrado. Essa saída dava para a parte dos fundos do Shibusen.
Me limitei a segui-la apenas com os olhos, e quando ela sumiu do meu campo de visão, eu corri escada acima até o andar onde todo se encontravam. Todos estavam como antes, ninguém alterado, o que indicava que ninguém ali tinha presenciado nada; Apenas eu.
Eu sentia meu mundo girar 30 vezes mais rápido, não tinha noção do que fazer. Eu não podia contar pra ninguém, senão iriam puni-la com expulsão ou até mesmo execução. Eu não podia deixar que isso acontecesse com ela, mesmo depois de ter visto aquela cena. Eu precisava encontrar a Maka para entender o que tinha acontecido.
Meus passos acelerados me colocaram para fora do Shibusen em questão de poucos instantes. Eu até mesmo me esqueci da possibilidade que existia do Stein-sensei bloquear a minha saída. Apenas segui o mais rápido que pude para o meu apartamento. Eu pretendia tentar ligar para Maka de lá e perguntar onde ela estava.
Mas não foi necessário.
Assim que abri a porta do apartamento, eu dei de cara com a Maka sentava no sofá, assistindo televisão normalmente. Eu fechei a porta e fiquei ali mesmo, encarando-a. Algo me impedia de me aproximar. Medo? Talvez.
Analisei-a dos pés à cabeça; Não havia sequer uma gota de sangue nela. Não havia absolutamente nada. Fiquei surpreso com a velocidade que ela havia se limpado nesse curto período de tempo.
– Está tudo bem Soul? Você está pálido. – Ela fazia cara de desentedida e preocupada ao mesmo tempo. Me senti confuso, não sei se ela estava fingindo ou realmente não sabia que eu assisti àquela cena.
– Por que você fez aquilo, Maka? – Meu corpo continuava inerte, por mais que eu quisesse, eu não conseguia me mover.
– O que eu fiz? – A mesma cara de desentedida ainda estava esboçada em sua face.
– Por que você matou aquela garota? Quem era ela? O que você ganhou fazendo isso, Maka? Pode me contar, eu prometo que isso não vai sair daqui. Mas por favor, me explica. Eu preciso entender para não enlouquecer. – Finalmente eu consegui me mexer, mas o movimento que tive foi de recuo.
– O quê? Você está louco Soul? Eu não matei ninguém. Não sei de onde você tirou iss-...
– EU VI! – Esbravejei, deixando Maka assustada. Minha respiração tornou-se ofegante, mas eu continuei sem muita delonga. – Eu estava lá Maka. Você não pode negar, eu vi com meus próprios olhos.
– Eu estou dizendo que nada disso aconteceu Soul, porque você não acredita?
– Porque eu vi! Eu já disse. Me diz porque, Maka. Por quê?
– EU NÃO FIZ ISSO PORRA! – Ela igualou o tom de voz ao meu, e se levantou do sofá irritada.
– Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, eu acreditaria nas suas palavras Maka. Mas eu vi...
– Se você confiasse em mim, você acreditaria em minhas palavras! – Ela estava realmente brava. Eu queria tanto acreditar nela. Mas eu não podia negar o que meus olhos presenciaram.
No meio de toda aquela discussão nós gritávamos um com o outro, a ponto de provocarmos rouquidão em nossas vozes. Chegou um momento em que eu pude sentir claramente a sintonia de nossas almas se despedaçar. Naquele momento ficou evidente de que se tentássemos fazer uma ressonância ou trabalharmos como arma e artesã, seria totalmente impossível.
Por fim, eu e ela estávamos gritando bem próximos um do outro. Em um momento, Maka me empurrou com força para trás, me fazendo cambalear. Ela passou por mim com passos pesados e ainda gritava.
– Não aguento mais você me acusando de algo que eu não fiz! – Ela pegou uma mala que estava encostada no canto da sala, e nessa hora percebi que seus olhos estavam marejados. Encarei a mala e percebi que ela não estava vazia, depois voltei a olhar para Maka. – Eu estava te esperando pra me despedir, porque eu vou passar as férias na casa da minha mãe. Meus planos eram de passar as férias por lá. Mas agora que eu não tenho nem mesmo a confiança do meu parceiro, eu não sei se quero voltar tão cedo.
Meu corpo não se movia. Eu apenas a observei de longe indo até a porta carregando aquela mala. Algumas discretas lágrimas se acumulavam no canto de seus olhos enquanto ela abria a porta. Seus passos ultrapassaram o batente sem que ela olhasse para trás.
A porta bateu atrás dela, me deixando ali dentro... Sozinho.
Permaneci boquiaberto e paralisado.
A única coisa que se mexia em mim,
Eram as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
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