Broken Trust
2 Capítulo I
Notas iniciais
[Cidade da Morte, próximo ás fronteiras do Shibusen;
4 anos após a derrota do Kishin]
Soul Eater POV
O dia já havia amanhecido; Isso foi notório quando minhas costas começaram a esquentar devido àqueles benditos raios solares que passavam pela janela aberta. Eu podia jurar que tinha fechado a janela juntamente com as cortinas, justamente para não ter esse tipo de incômodo. Então por que essa janela está abert- Ah! Mas é claro...
Movi o rosto para o lado, notando que a outra metade da cama estava vazia e bagunçada. Simultaneamente, percebi alguns ruídos vindos da cozinha. Um sorriso estreito esboçou-se em meio a minha expressão de preguiça. Espreguicei-me e em seguida me levantei da cama dirigindo meus passos lentos à cozinha.
(...)
– Não é porque você gosta de sol que eu tenho que ser torrado por ele, entendeu? – Balbuciei ainda um pouco sonolento enquanto me escorava no batente da porta.
– Mas meu amor, você fica tão mais lindo quando iluminado pela luz natural. – Naomi, que estava enxugando alguns pratos próxima a pia, se virou em minha direção com aquele sorriso e aquela voz reconfortante.
Não pude conter o sorriso que se esboçou em minha face, causado não pelo comentário, e sim pelo rosto angelical de Naomi. Mas repentinamente uma sensação estranha me atingiu como uma onda forte.
Não era uma sensação desconhecida, mas era de alguma forma estranha. Minha expressão facial mudou bruscamente. Aonde antes havia um discreto sorriso, agora encontrava-se um cenho franzido. Minha mão deslocou-se rapidamente ao peito, onde senti uma batida desregulada do coração, e meu corpo vacilou me fazendo perder um pouco o equilíbrio. Por ventura, recebi o rápido amparo de Naomi, que me segurou e me sentou em uma cadeira que estava logo ao lado.
– O que aconteceu Soul? Soul...?! – Naomi indagava preocupada enquanto chacoalhava de leve meu corpo sem reação.
Minha expressão se manteve petrificada, mas meus pensamentos sofriam uma invasão de um turbilhão de sensações. Aquela sensação... Não era a primeira vez...
Voltei a mim num segundo, logo após Naomi ter me sacudido com mais força.
– Você está me ouvindo Soul? – Naomi continuava perturbada, então eu tratei de logo acalmá-la.
Dei um riso brincalhão para tentar disfarçar o que eu sentia.
– Haha, você caiu direitinho! – Me aproximei de sua testa e selei um beijo nela para ver se conseguia amenizar a fera que ela se tornaria.
– M-mas... Nani? Soul Eater Evans, como ousa me dar susto à uma hora dessas?! Você... – Ela soergueu a mão no ar e estava pronta pra me acerta em cheio, mas eu me esquivei para fora de seu alcance e me pus a correr casa à dentro.
– Não fica brava amor, eu te amo! – Exclamei de longe em meio a algumas risadinhas.
– Não quero saber. Se arruma logo que estamos atrasados. E você de castigo, não vai comer as panquecas que eu acabei de fazer. – Ela gritou irritada, mas eu relevei, sei que não demoraria muito para ela perdoar minha brincadeira.
Tomei uma ducha e troquei de roupa, ainda envolto por aquela sensação nada desconhecida. Assim que terminei de me arrumar, voltei para a cozinha procurando por Naomi, mas ela não estava mais lá. Me virei percorrendo a sala com o olhar e encontrei apenas um bilhete em cima da mesa, ao lado de um prato com algumas panquecas.
“Essas panquecas foram as que sobraram. Eu ia jogar fora mas resolvi quebrar seu galho. Mas não pense que eu já te perdoei. Enfim, você estava demorando demais, então eu fui para o colégio mais cedo. Te vejo lá.”
Sorri brevemente lendo aquilo, e comi as panquecas em questão de alguns minutos. Apanhei as chaves da moto e parti para o Shibusen roncando o motor em alta velocidade.
As ruas que davam caminho do apartamento até o Shibusen eram de fácil acesso e não costumavam ficar cheias. Com isso, minha chegada ao colégio foi rápida, exigindo apenas alguns minutos sobre o veículo de duas rodas.
Pode parecer estranho que eu, uma death scythe com mais de 18 anos ainda tenha que frequentar esse colégio. O que acontece é que após a batalha contra o Kishin, o Shibusen perdeu muita gente. Então os antigos membros da Spartoi (os quais, como eu, também poderiam já estar formados) foram escolhidos para trabalhar como monitores do colégio. E agora que a maioria dos Spartois são armas e artesões de 3 estrelas, nós exercemos diversas tarefas no Shibusen.
Finalmente, estacionei a moto em uma das vagas frontais do colégio. Retirei o capacete e o amarrei junto à moto, em seguida direcionei meus passos estreitos aos primeiros degraus de escada. Havia algumas pessoas ali, indo e vindo, mas era um pequeno grupo de pessoas reunidas logo na entrada que tinha minha atenção focada. Não foi difícil perceber que uma morena alta ao lado de um cara inquieto eram Tsubaki e Black Star. E que acompanhando-os havia duas meninas louras, irmãs Thompson, puxando o cabelo de um moreno que parecia impaciente, Kid. Apesar de terem mudado tanto fisicamente de alguns anos pra cá, o jeito deles nunca mudava, era incrível. Minha expressão foi invadida por um sorriso de satisfação ao ver tantos amigos de infância reunidos ali.
A medida que me aproximava do grupo, um a um ia notando minha presença. A primeira foi Tsubaki, que abriu um enorme sorriso ao me ver, mas foi impedida de dizer alguma coisa pelos gritos de Black Star.
– E aí seu bosta! Demorou eim. – Ele praticamente gritava se pendurando em meu ombro. Me limitei a apenas rir da reação do amigo, e cumprimentei todos ali presentes.
– Mas então... Vocês não vão entrar? Fiquei sabendo de uma palestra que vai ter hoj- – Minha voz se calou no súbito momento em que alguém saiu de trás de Tsubaki.
A sensação que me invadira hoje no início da manhã veio à tona, me atingindo mais forte que antes. Foi como um soco no estômago. Agora eu compreendia tudo.
Tudo era por causa da volta dela...
Ela...
Maka Albarn.
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