Broken Sword - 2 Temporada

7 Capítulo 7 A Sombra De Uma Guerra


Eu e Kiyo estávamos andando, já se haviam passado um bom tempo. Chegamos á uma cidade, o caminho até Nagoya seria longo. Vimos apenas a imagem que descrevia a guerra, só havia ruínas, mendigos lutavam por comida... Uma cena que quase me fez chorar. Kiyo olhou para mim com medo que aquilo me fizesse ficar triste, eu permaneci com a mesma expressão, balancei a cabeça. Disse “vamos”, ele se espantou ao ver a minha frieza. Ele andou ainda quieto, decidiu falar comigo.

Kiyo: Narumi, por que permaneceu com ar frio quando viu o estado desta cidade? Qualquer garota choraria ou sairia correndo se visse a mesma cena. – Olhava-se com ar de curiosidade, em situações sérias ele me chamava pelo nome, sem usar nenhum apelido.

Narumi: Devemos andar por esta cidade por que possivelmente não tenha samurais aqui. Não importa de sou uma garota, em guerras, “garotas” são apenas um “ser humano feminino”, não posso dar uma de garotinha. Não foi pra isso que resolvi voltar á Nagoya.

Kiyo: Ah... – Seu rosto demonstrava uma expressão de atenção, olhou para o lado, abria a boca como se quisesse falar algo. Desistiu. Desde que havia começado a falar com ele, Kiyo me via como uma mulher misteriosa que achara no meio de uma floresta, que não falava sobre o passado. Ele era curioso e impaciente, queria saber tudo e ao mesmo tempo fazer tudo. Quando ele se aproximava de mim eu pensava “por que não deixar que ele se aproxime?”, mas quando ele sorria para mim eu não conseguia retribuir o sorriso. Eu pensava em Koyama. Via-o cortando um samurai que quase havia me violentado, falava que estava tudo bem. Já havia se passado muito tempo, como ele estaria? Ele havia mudado muito? São coisas que eu realmente pensava com certa curiosidade.

Continuamos a andar, eu carregava a espada de Tezen. Olhei para a espada como se lembrasse de tudo o que ele havia feito. Parei de andar até ouvir um barulho de dentro das casas que pareciam vazias. Olhei para uma das janelas, olhei para outra casa.

Kiyo: Narumi, o que foi? – Olhava-me, ouvia outro barulho.

Narumi: Dois sons seguidos. Logo em uma cidade vazia e destruída como esta... Isso não é coincidência. – Olhava novamente para as casas.

Enquanto isso, perto da cidade de Nagoya...

Koyama havia seguido um atalho para não demorar a chegar à cidade. Olhava uma casa, era o Clã Ootsuka. Ele não sabia como estava indo os acordos dos Kyuuki com os Ootsuka. Abaixou a cabeça, andou até a casa de seu Clã. Os guardas o reconheceram e ele entrava no Clã. Corria procurando Yuri. Chegava ao corredor, ela estava olhando o céu de uma janela.

Koyama: Yuri-san. – se aproximava, ainda com o ar cansado.

Yuri: Koya! Faz tanto tempo que não te via, você nem ao menos escrevia para nós, né! – abraçava o primo, sorrindo aliviada de vê-lo. O cabelo dela havia crescido um pouco, estava sendo uma verdadeira ajudante no Clã Kyuuki, e por isso Koya confiava inteiramente nela depois que havia decidido sair.

Os dois se olhavam, Koyama deu um sorriso aliviado. Estava tentando demonstrar frieza, era isso que ele havia aprendido. Mas ele estava feliz de Yuri estar viva.

Koyama: Desculpe-me, deixei muitas responsabilidades para você, não é?

Yuri: Que isso! Mas, você realmente mudou. Saiu por aí atrás da Narumi... Diga-me, tem alguma notícia dela?

Koyama: Sim, eu a procurei tanto e agora fiquei sabendo que ela está voltando para Nagoya!

Yuri: Está voltando...? – Olhava de jeito assustado, suspirava olhando para Koyama com ar de preocupação.

Koyama: O que houve?

Yuri: sinto lhe dizer, mas eu fiquei sabendo que o Tezen mandou samurais para procurá-la, ele não vai descansar até achá-la. Ele sabe que o Clã Ootsuka tem poder para parar a guerra, ele está fascinado por este poder. Ele quer ter os bens dos Ootsuka, ele vai conseguir esses bens entregando a Narumi á eles. Mas, se ele conseguir esse poder tudo estará acabado! Se o Clã Tatsu ganhar esta guerra o governo não sobreviverá! Não se esqueça que os Tatsu estão diretamente ligados á Yakuza! Eles matarão, ganhando mais poder. E ganhando mais poder daqui a pouco eles irão querer implantar uma ditadura.

Koyama: Não podemos deixar que o poder dos Ootsuka fique nas mãos de Tezen. Se ele achar a Narumi, a fará de refém! Não podemos deixar que ele a ache!

Yuri: Sim! Mas agora estou preocupada, Tezen mandou procura-la!

Koyama: Meu deus... E eu não tenho meios de achá-la!

Yuri: Ela fugiu por que provavelmente não acreditou que seus pais estão vivos e pensou que seria morta o quanto antes. Por isso ela foi embora. Sinceramente, eu chego a ficar confiante sabendo que ela está voltando.

Koyama: Confiante? Não estou te entendendo, Yuri!

Yuri: Ela está voltando, isso significa que ela sabe que tem a possibilidade de reencontrar Tezen.

Koyama: Isso seria idiotice! Pra quê ela iria querer reencontrar Tezen?

Yuri: Ela deve estar ciente desse perigo, mas se ela está voltando é por que não quer fugir desse perigo. Acho que o que ela realmente quer é acertar contas com Tezen e quem sabe... Acabar com esta guerra? Ah, precisava mesmo falar com você... Nosso Clã voltou a ser aliado com os Ootsuka, e eles fizeram um acordo com um Clã chamado Azura.

Koyama: Isso é uma ótima notícia, passarei amanhã no Clã Ootsuka... Precisamos arrumar estratégias urgentes para acabar com esta guerra.

Yuri: O que pretende fazer?

Koyama: Quero fazer acordos com Clãs, abrir os olhos dos samurais. Fazer acordos com Clãs é também fazer acordos com as vilas destes Clãs. Ter vantagem na questão de locais também é bom. Sendo assim os Clãs que não aceitarem nossas propostas terão que lutar contra as vilas dos Clãs que aceitaram.

Yuri: Errr... Não entendi.

Koyama: Cada Clã é dono de alguma vila. Se fizermos acordos e eles aceitarem, também passaremos a ser “proprietários” destas vilas. Podemos chamar estas vilas de “Locais Samurais”, se os Clãs Samurais que não aceitarem os acordos quiserem lutar para acabar conosco ou com algum clã que aceitou o acordo... Bem, aí terá que lutar com estes “Locais samurais”, fazendo guerras “particulares” em locais apropriados. Sem a morte de inocentes.

Yuri: Por enquanto, esta é a estratégia mais “humana”.

Koyama: Exatamente, Yuri.