Acordei e vi que não estava mais na floresta, estava vestida com um quimono estranho, olhei e vi que estava em uma casa que eu não conhecia. Olhei para a janela, a luz do sol fazia me lembrar dos dias e noites que havia passado andando sem rumo. Lembrei-me que estava fraca, e que fui violentada. Um sentimento de medo e nojo tomava conta de mim, vi uma bandeja com comida ao meu lado.

Kiyo: Finalmente acordou. – entrava no quarto, dando um sorriso calmo.

Narumi: Onde estou? Quem é você..?!

Kiyo: Fique calma, está fraca e precisa descansar. Você teve sorte, eu estava andando pelas florestas quando vi você sendo violentada por aqueles dois homens, devia me agradecer, sabia? Não se preocupe, não fui eu que te vesti.

Narumi: Ah... Obrigada por ter me salvado. – olhava pro lado, estava envergonhada de sempre ser salva por alguém.

Kiyo: Está em Tóquio, esta aqui é a casa do Clã de ninjas de Tóquio, mas costumo falar que este Clã é chamado de Clã Narigami.

Narumi: Ah...

Kiyo: O que estava fazendo andando pela floresta? É só olhar para você que se dá pra ver que sua vida daria um belo livro.

Narumi: Não tenho pra onde ir, é uma longa história.

Kiyo: Todos têm um lugar para ir, ninguém nunca está sozinho.

Narumi: Isso é o que você pensa...

Kiyo: Por que não me conta logo por que estava naquela floresta?

Narumi: Meu nome é Narumi Ootsuka, eu sou a filha desaparecida do Clã Ootsuka, um Clã samurai. Em meio á essa guerra, um samurai em que eu confiava tentou me usar como uma troca. O dinheiro em troca de mim... Consegui escapar, mas claro que corro perigo. O Clã Ootsuka é muito rico... Qualquer um esperto o bastante me usaria como refém. Satisfeito por saber? Eu sempre fui enganada.

Kiyo: Que situação, não é? Por que não fica aqui por uns tempos? Quem sabe até lá essa guerra já não tenha acabado?

Narumi: Só sendo um ninja para achar que essa situação é simples...

Kiyo ficava em silêncio, eu estava com raiva de ter sido protegida novamente. A calma dele me irritava, me lembrava Tezen. Kiyo apenas respirou fundo, ouviam-se passos, uma mulher de uns 30 anos e uma garota de 15 chegavam no quarto.

Kiyo: Narumi, você já disse que não tem lugar para onde ir e também... Aqui você ficará mais segura, não acha?

Narumi: ah... – olhava para o lado novamente, eu realmente não queria ser simpática com aquele ninja. Já me bastava ter sido enganada por Tezen.

Haya: Desculpe-me se Kiyo parece irritante, meu nome é Haya. Sou a líder deste clã. – sentava-se ao meu lado, fazia sinal para Kiyo sair do quarto e que a garota de 15 anos entrasse.

Narumi: Não quero dar trabalho á ninguém, por favor... Para mim é difícil conviver com estranhos, já passei por uma experiência ruim e não quero ter outra pior...

Haya: eu ouvi a sua conversa com o Kiyo, a sua vida é um conjunto de tristezas. Mas, se sair por aí sem rumo acabará morta... Aqui você estará segura.

Narumi: Mas, eu só traria trabalho...

Haya: Neste clã, muitos têm tragédias em suas vidas e por isso decidiram contornar a situação através da luta. É realmente difícil o convívio com as pessoas, mas isso não impede que você tente. Quem sabe assim as suas tristezas não sumam...?

Nari: .. Líder... Ela já acordou?

Haya: Pode vir, Nari..., — segurava nas mãos de Narumi, sorria -,... Nari é como uma irmã adotiva de Kiyo. Quando ele te trouxe, Nari que tratou de chamar o resto do Clã.

Nari: Ah... Olá. – sentava-se.

Haya: Nari é a mais tímida daqui, ao contrário de Kiyo que é tão carismático que até irrita... — ria levemente.

Narumi: Depois gostaria de me desculpar com ele, acabei sendo um pouco rude... Ele me salvou e tentou até me animar.

Nari: O Kiyo te salvou? Ele tinha me dito que você estava andando na floresta e de repente desmaiou!

Narumi: Ah, entendo...

Haya: Fique neste Clã por uns tempos, depois pode decidir se vai embora ou não... – dava um leve sorriso, saía do quarto com Nari.

Eu olhei para a bandeja, peguei uma maça e comecei a comer. Até parecia que foi ontem que eu estava naquele prostíbulo... E agora estava na casa de um clã ninja. Comi um pouco, levantei-me e andei até a porta. Olhei a vista do céu, vi que Kiyo estava sentado do lado da porta.

Kiyo: Vai me pedir desculpas? – ria de forma meio irritante.

Narumi: Estava ouvindo a conversa? Que falta de educação... Aceitarei o seu conselho por enquanto, ficarei aqui por algum tempo. Mas depois, irei embora, entendeu?

Kiyo: Entendo completamente, donzela.

Narumi: Não me chame assim!

Kiyo: Eu te salvei, devia agradecer, não acha?

Narumi: Ora, seu...!! Vou te mostrar quem é a indefesa aqui! – jogava uma maçã em Kiyo, ele desviava, se levantava e bagunçava meu cabelo.

Narumi: Pára com isso! Já chega! – balançava Kiyo.

Kiyo: Ta, quero que me prove que não é uma donzela indefesa haha!

Narumi: Seu idiota! Vou aprender a lutar e aí você vai se arrepender de ficar tirando uma da minha cara!

Kiyo: Hahaha! – ele ria de forma irritante, mas de certa forma aquele jeito engraçado de Kiyo me fez rir e por um minuto me fez esquecer completamente do que tinha acontecido comigo.

Assim passou-se o tempo, Koyama ainda esperava resultados da investigação pelo meu paradeiro. E eu ainda estava na casa do Clã de ninjas de Tóquio. Com o tempo eu deixava de ser a donzela indefesa, no começo eu começava a prender técnicas de luta mais como uma birra que eu tinha com Kiyo, mas com o tempo começou a ser uma questão de orgulho. Eu tinha prometido para mim mesma que nunca mais seria protegida.

Kiyo: Que cansaço!! – deitava na grama, ao meu lado, tínhamos saído de um “dever ninja”.

Narumi: Ai, como você é folgado, acabou que quem fez a maior parte do treinamento fui eu! – batia na cabeça de Kiyo, que ria.

Kiyo: Ah, que isso, Na-chan..., — sentava-se, percebia que eu ficava irritada com apelidos -,... Ficou irritada?

Narumi: Você que é irritante, seu metido! – me sentava, ficando de frente á ele.

Kiyo: Lembre-se que me deve a sua vida hahaha! – Ria, coçando a cabeça.

Narumi: ainda lembra que salvou minha vida?! Ah, francamente! Vou para “casa”, se você quer ficar deitado aí então fique sozinho! – saía correndo, Kiyo ficava profundamente irritado quando eu o deixava sozinho, ele me seguia. Chegamos á casa e fui para meu quarto que depois de eu ter me acostumado eu acabei comprando um quadro do buda, onde eu sempre olhava para refletir. Sentei-me ficando de frente ao quadro. Fechei os olhos para tentar meditar, abri os olhos novamente, eu estava inquieta... Eu não parava de pensar no Broken Sword. Fiquei com um ar triste, de repente parecia que o clima do local ficava pesado. Kiyo sabia quando eu estava mal, ele havia se tornado um irmão para mim.

Ele olhava para mim, via que eu estava inquieta, se aproximou. Estava sério, ele não gostava de me ver naquele estado. Fitou-me com seus olhos negros, sentava-se atrás de mim e me beijava no ombro, eu odiava quando ele fazia demonstrações de carinho.

Narumi: Kiyo eu já disse que detesto que você faça isso e...! – Tentava bater novamente em Kiyo, mas ele me abraçava por trás, beijando meu pescoço.

Kiyo: Prefiro você irritada a triste, entendeu? Não quero te ver deprimida! – me largava, eu caía no chão. Ele me olhava ainda, sorriu levemente. Segurou-me pelos braços, me mantendo no chão e ficando em cima de mim.

Narumi: Kiyo chega de brincadeiras sem graça! O que você tem nessa cabeça?!

Kiyo: Não vou te soltar, entendeu? – Olhava pra mim seriamente, eu virava o rosto, ele voltava meu rosto para eu o olhar. Ele me beijava intensamente no pescoço, largava meus braços, deslizava uma das mãos até uma de minhas pernas, a outra acariciava minha cintura. Aquilo fazia meu corpo tremer, ele parou por um minuto e aproximava, chegava perto de meu rosto. Quase me beijando, chegava mais perto. Eu abria os olhos, se eu quisesse, poderia beijá-lo, mas não faria sentido algum. Sempre que ficava esse clima... A imagem de koyama vinha em minha mente. Empurrei Kiyo, fazendo-o cair ao meu lado. Levantei-me, ajeitando o quimono.

Narumi: Escute aqui, Kiyo... Você não pode fazer isso!

Kiyo: No que estava pensando? Meditando é que não estava...

Narumi: Não mude de assunto...

Kiyo: Não, é sério. No que estava pensando?

Narumi: Talvez seja a hora de eu voltar á Nagoya...

Kiyo: Narumi Ootsuka, o que pretende fazer?!

Narumi: O Clã ootsuka tem grande poder, eles estão desolados pensando que morri... Se eu voltar quem sabe talvez o clã possa fazer um acordo com os outros clãs e assim arrumar um jeito de acabar com esta guerra?

Kiyo: É só isso?

Narumi: Estou sendo covarde estando aqui... Agora já sei me cuidar, não acha? E também, tenho contas a acertar com um samurai...

Kiyo: Vingança?

Narumi: Não sei ao certo, mas não é só por mim... Ele tem a chance de acabar com esta guerra por que tem a ajuda da Yakuza e de um clã chamadao Clã Tatsu. Mas ele prefere ver inocentes morrerem para ter dinheiro... Isso eu não perdôo.

Kiyo: Eu vou com você.

Narumi: Kiyo...

Kiyo: Não adianta me convencer! Eu vou com você, sim!

Narumi: Tem certeza?

Kiyo: Sim, tenho certeza.

Narumi: Tudo bem... Mas peço para que seja forte, pois minha intenção é acabar de vez com esta guerra.

Enquanto isso, perto dali...

Hana: Clã de ninjas de Tóquio... Aqui que está a tal mulher que o samurai dos Kyuuki, Koyama Kyuuki, quer achar?

Tsuki: sim, Narumi Ootsuka partirá até Nagoya para o Clã Ootsuka e para acabar com o samurai Tezen.

Hana: A investigação terminou, já podemos levar a localização para a Senhora Maaya. – as duas desapareciam nas sombras.