Broken Sword - 2 Temporada
10 Capítulo 10 - O Passado De Koyama
Notas iniciais
Koyama estava sendo paciente, parecia estressado com a atual situação. Estava sentado em frente do Clã Kyuuki, Yuri e Hatsu chegavam correndo ao seu encontro. Koya os olhava calmamente, respirava fundo e disfarçava a atual preocupação. Mexia seus cabelos, ainda não estava totalmente acostumado com o corte de cabelo que era como um luto ou a marca da promessa de me encontrar. Yuri percebia que ele estava pensativo, fez sinal para Hatsu não começar a falar sobre a guerra. Chegava perto de Koya, estava com algo que carregava desde que chegaram á Nagoya. Era um quimono. Colocou o quimono por cima do ombro de Koya, ele olhou curioso. O perfume da roupa era familiar.
Koyama: Pega o quimono de Narumi-sama e entrega-me bem na frente do próprio irmão dela? – dava uma leve risada, pegava o quimono, olhava-o com um breve sorriso.
Hatsu: Minha intenção era contar novidades dos acordos, mas agora acho que posso mudar de assunto.
Yuri: Mudar de assunto?
Hatsu: Quero que me conte como era a minha irmã...
Koyama: Como ela é. Não use tais palavras, como se ela fosse um passado. Venha eu lhe contarei tudo o que sei. – levantava-se, andava ainda abraçando o quimono. Hatsu ainda olhava para ele, com ar de curiosidade. Yuri cismava em acompanhá-los, olhava para Koya. Dava uma leve risada ao ver que o atual líder dos Kyuuki, que tinha beleza, um ar de pessoa honesta e que encantava qualquer mulher... Estava completamente apaixonado por uma garota que no começo, nem ia muito com a cara. Ela ainda o olhava vendo que mesmo ele se concentrando nos planos para acabar com o Broken Sword, abraçava aquele quimono como uma criança abraça um ursinho de pelúcia que gosta muito. Koyama era um homem que mesmo sendo criado com um irmão mau-caráter, se tornou uma pessoa honesta e que se lembrava da honra samurai. Mesmo sendo um homem que sabia que deveria achar um modo de acabar com a guerra, ele também tinha um pouco de criança por dentro. O que mostrava isso era como ele falava sobre mim... Mas ele sabia à hora de falar seriamente de outros assuntos.
Os três chegavam á uma sala, Koya se sentou, ainda com o quimono em mãos. Hatsu ainda permanecia quieto, seus olhos lembravam os de Narumi. Sentava-se de frente á Koya. Os dois se olhavam. Era um jovem líder e um possível herdeiro da liderança dos ootsuka, olhavam-se de modo sério.
Koyama: Yuri.
Yuri: Sim, Koyama?
Koyama: Saia da sala. Essa conversa é particular.
Yuri: Sim.. – ainda contrariada saía da sala, encostava a porta.
Koyama: Quer saber como era a Narumi?
Hatsu: Sim, conte-me como ela é, seu jeito... Tudo o que sabe. Por favor.
Koyama: Eu era muito irritado e não pensava antes de falar, na época eu ainda tinha cabelos cumpridos. Eu e Tezen Kyuuki que eu tenho nojo de falar que é meu irmão... Fomos recolher impostos e eu tinha de falar com o dono do local, e quem diria que foi naquele dia que eu conheci a Narumi... – falava, ainda olhando para o quimono. Pegava um copo de sakê que tinha no local. Bebia um pouco e servia para Hatsu, que continuava a ouvir o que Koyama dizia.
Koyama: Eu sempre fui criado pelo Tezen, eu o admirava. Ele sempre se mostrava melhor em tudo o que fazia... E foi ele que acabou me ensinando o ódio.
Isso foi há muito tempo, eu nem sabia que ainda lembrava dessas coisas. Eu tinha o quê? Acho que uns 10 ou 11 anos... Eu já treinava artes samurais.
Meus pais nunca apareciam muito. Eu só tinha a meu irmão.
Lembro-me de uma tarde de inverno, ainda nevava. Meu irmão estava fora da cidade. Eu estava sozinho, com fome. Alguns garotos da minha idade tinham me batido, zombando da minha aparência. Um deles teria me dado um empurrão, fazendo-me cair na neve branca. Outros chegavam e jogavam pedras em mim, uma acertava minha cabeça, colocava a mão em minha testa e via que tinha algo vermelho, olhei para a neve e para meu quimono. Era sangue, aquela pedra havia me machucado. Olhei e vi que os garotos já tinham ido embora, estava fraco. Olhei para trás e vi que aquele era o caminho de casa... Mas o que eu faria?Eu deveria voltar para casa?
Koyama: Mãe... Pai... – olhei novamente minhas mãos, sujas com o meu sangue. Chorei. Continuei ali, sentado com minhas mãos sujas de sangue. Olhei em volta e vi que não tinha ninguém para pedir ajuda. Levantei-me com dificuldade, corri o mais rápido que pude até um templo onde não havia ninguém. Ajoelhei na frente da estátua do Buda, fechei os olhos ainda sentindo a dor de meus machucados. Rezei, pedi com toada a minha fé para que Buda me ajudasse a achar alguém que se importasse comigo. Como eu era patético quando criança, pedir isso para Buda... Lembro que chorei enquanto rezava. Eu sentia uma tristeza tão grande em ver que estava sozinho. Estava óbvio o que eu estava sentindo, só agora eu compreendo.
Era solidão. Não é que eu estava sozinho, isso não é solidão. Solidão é quando estamos no meio de uma multidão e sentimos a falta de apenas uma pessoa. Ouvi alguns passos, olhei rapidamente e vi que era Tezen.
Tezen: Koya... O que houve com você? Está sujando o templo com sangue. – ele falou aquilo como se não fosse nada. Ele mal havia se importado de me ver chorando enquanto rezava, e nem com meus machucados. Mas mesmo assim abaixei a cabeça e disse que estava tudo bem.
Koyama: Ah... Pensei que estava em outra cidade...
Tezen: Não, eu voltei. Agora vamos?- puxava-me, me fazendo andar.
Chegando até o Clã, ele me fazia andar mais rápido. Eu já sabia o que era. Ele estava bravo e iria me castigar. Empurrou-me para dentro de seu quarto, trancava a porta, fechava as janelas, tudo ficava escuro.Eu ainda estava abalado e sentindo a dor de meus machucados, e eu ficava mais apavorado naquele quarto escuro. Eu não sabia me defender contra o meu irmão na época. Ele segurou-me pelo pescoço, me dava um tapa. Deitava-me no chão e me batia, fazendo meu sangue se espalhar pelo chão. Eu sentia uma dor insuportável. Mas se eu gritasse, ele me bateria mais e ninguém viria. Várias vezes ele chutava-me, pisava em minha barriga e nisso, muitas vezes, eu vomitava sangue. Quando eu já estava completamente machucado, ele parava. Sentou-me em seu colo. Eu ainda estava apavorado.
Tezen: Koya... Seja um bom menino, agüente tudo e corresponda ás expectativas. Vai ser melhor para você e para todos. Escute seu irmão mais velho, eu só quero o seu bem.
Meu bem? Ele só se importava com ele mesmo. E eu ainda o admirava por que eu não conhecia mais ninguém... Eu deveria ser um caso perdido.
Koyama: Ele me maltratou a vida inteira, eu deveria ser um caso perdido. Mas, graças á uma pessoa... Graças á ela que eu vi que não sou como meu irmão.
Hatsu: Entendo.
Koyama:O local que sua irmã estava era um prostíbulo.
Hatsu: Minha irmã era uma prostituta?! – se assustava com o que Koya tinha dito.
Koyama: Você me lembra a eu mesmo. Eu também pensei que ela era. Quase a chamei de prostituta na primeira vez que a vi. Ela tinha sido adotada pelos donos desse prostíbulo, mas ela não trabalhava lá.
Hatsu: Nossa agora fico aliviado...
Koyama: Acho que nesse mesmo dia foi o início do Broken Sword. Tezen parecia que era uma boa pessoa e resolveu levar Narumi conosco para esta cidade.
Hatsu: Mas, por quê?
Koyama: Ele já havia associado o sobrenome dela com o nome de seu Clã, logo ele havia percebido que ela era o “passaporte para a riqueza” dele.
Hatsu: Entendo, mas e aí?
Koyama: Sua irmã é uma pessoa maravilhosa. Gentil, sempre sorria e acho que foi por isso que durante o caminho até aqui eu acabei me aproximando dela e o jeito dela acabou me..., — olhava para Hatsu -,... Fez-me ser uma pessoa mais simpática, se é que me entende.
Hatsu: Ah.... É só isso que você ia me falar?
Koyama: Já disse que é isso!
Hatsu: Ta bem...
Koyama: Ela tinha um grande medo de samurais, ela sofreu muito no caminho até esta cidade. Várias vezes ela quase foi violentada, mas eu a salvei na maioria das vezes. Acho que só uma vez a Yuri a salvou.
Hatsu: Ela deve ter sofrido...
Koyama: Eu acabei prometendo á ela que a protegeria de tudo. Mas, por causa do Tezen... Agora eu nem sei se ela está bem.
Hatsu: Mas ela está voltando, não é?
Koyama: sim, isso me deixa muito feliz. Mal posso esperar para reencontrá-la.
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