Broken Sword

6 Capítulo 6 - A Semelhança Entre Koyama e Narumi


Amanhecia e logo se via que um novo dia começava, mais um dia daquela longa jornada até Nagoya. Koyama ainda dormia, descansando a cabeça no ombro de Narumi. Abria levemente os olhos penetrantes, olhava para Narumi que ainda dormia, seu rosto ficava levemente corado ao perceber que havia dormido encostado á Narumi. Sorria levemente, retirava a cabeça lentamente com medo de acordá-la.

Koyama: Ah... Que bom que não acordou... – Falava aliviado. Sentava-se ao lado de mim, me olhava como se fosse uma criança vendo algo extremamente diferente. Aproximou-se e levou á mão ao meu rosto, acariciava suavemente. Parava, vendo que poderia me acordar. Levantou-se e virou-se, vendo que Yuri e Tezen estavam do lado de fora da caverna, conversando. Aproximou-se, ainda com cara de sono, olhou para o irmão.

Tezen: Oh! Geralmente é você que acorda mais cedo, Koya-kun! – ria, enquanto Yuri ajeitava o cabelo e olhava de modo estranho para Tezen.

Koyama: Que clima pesado é esse...?

Yuri: Você é esperto até demais, Koyama.

Koyama: Tezen! O que está me escondendo?! – Aumentava o tom da voz.

Tezen: É que sinto que fui abandonado... Não acredito, até parece que era ontem que você se irritava com os suspiros apaixonados dos homens que achavam que você era mulher...! E você nem se aproximava de garotas... E agora você está crescendo e se tornando um homem...!

Koyama: O que está dizendo? Eu não gosto da Narumi, apenas acabei encostando a minha cabeça no ombro dela e acabei dormindo!

Yuri: Então você confessa que se sentiu calmo dormindo ao lado dela? Você nunca aceitou a aproximação de ninguém, Koyama.

Tezen: Vá acordá-la, meu irmão.

Koyama: Seus idiotas...! Não falem comigo até chegarmos a Nagoya!! – dava as costas e entrava na caverna.

Yuri: Ele tem razão, há um clima pesado. O que está escondendo?

Tezen: Tuberculose.

Yuri: O que?

Tezen: Eu tenho tuberculose. Isso que eu estava escondendo. – virava-se e olhava para o céu de modo triste.

Yuri: Somos amigos desde a infância... Quando foi que isso aconteceu? – Andava para o lado de Tezen, observando que ficava pensativo.

Tezen: Faz tempo que descobri, pensei que eu sobreviveria... Mas, fui ao médico e ele disse que não me resta muito tempo.

Yuri: Por que não conta ao Koyama? Ele é jovem. Muito jovem. Seus pais não parecem ligar para a saúde de vocês dois... Se ele te perder vai ser muito pior.

Tezen: Tratei de treiná-lo para ser um dos melhores samurais, talvez treina-lo não tenha sido uma boa idéia..., — olhava para o chão, olhava suas mãos -,... Mas, quando vi Narumi pela primeira vez eu vi ali uma mulher. Uma mulher que seria capaz de tirar os traumas de Koyama. Por causa dos treinamentos ele cresceu sendo uma pessoa fria.

Yuri: Isso é cruel, ela também tem seus traumas.

Tezen: Ela tem um grande trauma de samurais, mas percebi que ganhei a confiança dela... Quero que ela ajude o meu irmão a ser um homem forte.

Yuri: Está empurrando toda a responsabilidade para aquela donzela? Nunca imaginei que você seria um homem tão desprezível.

Tezen: Se tenho pouco tempo... Quero ver meu irmão sorrindo, e se for possível, que seja ao lado de Narumi. E também quero fazer o meu último serviço como samurai. Quero acabar com esta guerra de uma vez por todas.

Yuri: Você, na verdade, não quer ver o Koyama em uma guerra, não é?

Tezen: Exatamente, só quero que ele seja feliz. Nada mais.

Yuri: Como pretende fazer com que ele largue a espada?

Tezen: Isso, Yuri... Só eu sei. Não posso contar. Yuri, minha prima, eu te imploro para que não se intrometa.

Yuri: Mas...!

Tezen: ... Colabore neste pouco tempo que me resta. – sorria de modo triste, Yuri apenas abaixou a cabeça em silêncio como se falasse “Tudo bem” com um ar de quem estava com piedade.

Koyama entrava na caverna e via que eu ainda estava adormecida, se aproximava, via que eu me mexia. Abri levemente os olhos e ele levantou, se afastando um pouco.

Narumi: Está na hora de ir, Senhor Koyama?

Koyama: Está sim. Muito bom dia para você... Narumi. – me olhava. Eu me levantava, ajeitando o cabelo, ele continuava a me olhar.

Narumi: O que há Senhor koyama?

Koyama: Ontem á noite, eu queria te dizer algo. Mas você acabou dormindo.

Narumi: O que é?

Koyama: É que agora, eu... Nem sei mais como falar.

Narumi: Ah, tudo bem, pode falar comigo depois que estiver á vontade, não? Vamos? – dava um leve sorriso e andava, Koyama me segurava pelo braço.

Koyama: Ontem á noite, eu te observei. Você estava olhando para a fogueira, parecia pensativa... Neste momento eu pensei “Por que o Tezen a trouxe?”. Eu fiquei realmente pensativo! Aí eu olhei pra você, que parecia tão calma... A sua expressão distante, por um minuto, me fez ficar calmo. Eu sempre estou estressado, sempre estou gritando... Quando fui falar com você, senti que pela primeira vez na vida eu me senti á vontade para falar sobre meus medos...!! – Largava meu braço, abaixava a cabeça, já totalmente corado.

Narumi: Fico feliz de o senhor ter sentido segurança em mim para querer falar sobre assuntos deste tipo. Sou sua amiga, pode falar destes assuntos comigo quando estiver á vontade. Eu estarei aqui pra ouvi-lo. – sorria levemente. Por um instante, vi que o Koyama nunca realmente teve alguém para conversar. Achei uma semelhança entre mim e ele, o medo de falar o que guardamos pra nós mesmos. Quando me segurou pelo braço, seus olhos penetrantes me fitavam fixamente. Seus olhos demonstravam um pedido de socorro, quando falava eu vi que ele tinha medo de minha reação. Eu sorri por impulso, aqueles olhos que me fitavam pareciam que iam transbordar em lágrimas. Ao mesmo tempo, vi que eu não era a única a guardar coisas. Eu quase chorei ao ver que o Senhor Koyama, que era um samurai... Fitava-me com seus olhos tristes, quase chorando eu tive vontade de abraçá-lo e gritar. Como se um grito tirasse de mim... Todas as tristesas que eu carregava. O começo do caminho de Nagoya apenas começava. A minha tão doce amizade com Koyama que tinha acabado de começar enfrentaria muitas coisas... E eu nem imaginava o que iria acontecer.