Notas iniciais
Olá leituras amadas, primeiro capitulo da fic, espero que gostem!

O efeito glacial passava pelo o meu corpo, eu não sabia se estava afundando ou sob a superfície. Meus olhos doíam tanto, minha boca não se mexia. Eu não via nada além de cores distintas passeando pelo fundo preto e perigoso.

Vozes me atormentavam, gritos, choros. Eu tentava ver, sentir, mas nada funcionava. Sentia-me em uma prisão da escuridão. As cores não me confortavam, as cores eram nada além de uma alegria fria.

Totalmente imersa naquele desespero silencioso.

- Ela irá se recuperar doutor?

- Logo ela acorda, tome cuidado, talvez ela acorde confusa. – Eu já estava confusa. Essa era a voz de Damon, o que Damon estaria fazendo perto de mim? Katherine deve estar ao meu lado? Katherine... Eu segurei sua mão. Mas se Damon estiver falando de Katherine e não de mim? Onde estou? Porque ouço vozes e não posso simplesmente falar junto, ou pelo menos ver?

- Onde está minha filha?

- Ela está aqui, senhora Gilbert.

- Minha filha... – Sinto o meu rosto ser tocado. Mamãe! Minha mãe estava me tocando, deixe-me toca-la também. – Ela está tão pálida, minha querida filha...

- Este estado irá passar, quando acordar ela estará em sua tonalidade normal.

- Querida...- Meus pulmões puxavam o ar com uma certa força anormal. Finalmente aquela escuridão se foi, eu estava acesa, como uma vela. Eu enxergava, e aquilo me deixava realmente confusa.

Eu via todos, mamãe, Oliver, Stefan, Damon... Todos com sua atenção para mim. Meus olhos ardem e eu começo a chorar em desespero.

- Socorro! – Grito em desespero. – Katherine... Socorro!

- Acalmem ela! – Alguém grita.

- Deixem ela respirar, por favor, todos se afastem.

Meus pulmões doíam agora, doíam com força, eu nunca sentir tanta dor em toda a minha vida. Meus olhos se fecharam novamente, eu quis. Eu quis apagar aquela visão confusa. Uma dor horrível corre pelas as minhas veias. E eu apago novamente.

Após um longo tempo eu abro os olhos, estou com medo, assustada como nunca. Não reconhecia aquele lugar, era tão estranho. Levanto-me com dificuldade e sigo até o espelho. Minha cabeça ainda doía. Ao meu reflexo vejo alguém nada menos do que eu, analiso meu pescoço enfaixado por um tubo de gesso. Volto minha atenção para a cama e vejo Stefan olhando para mim.

- Stefan... – Sussurro o seu nome.

- Lena. – Stefan corre em minha direção e me abraça forte.

- Stefan... – Minhas lágrimas formulam.

- Lena, acalma-se! – Seus braços me apertavam ainda.

- O que aconteceu Stefan? O que aconteceu? – Choro em seu ombro.

- Esse aqui é o quarto da Katherine. – Stefan me conduz até a cama.

- Ai meu Deus, minha cabeça.

- Você está bem, Lena?

- Onde está ela? Onde está Katherine? – Stefan me olha assustado. – Onde está minha irmã? Então, onde está minha irmã? Fale! – Stefan se afasta de mim.

- Ela... ela morreu. – Meu coração se contorce. Não! Caio na cama de costas. Katherine...

As lágrimas escorriam sem pudor em minha face, eu era a culpada, ela se foi.

- Eu tentei segurar a mão dela! – Lembro-me do momento. – Eu segurei com força, mas... ela escapou. – Soluço em meio de lágrimas. – Ela afundou e eu não a vi mais.

- Lena... – Stefan me abraça novamente. – Eu vi, querida, eu vi tudo.

- Eu quero a minha irmã! – Grito.

- Não chora assim Lena, não pode ficar assim tão fraca.

- Onde está a minha mãe?

- Ela está aqui, pode ficar tranquila. – Eu levanto-me rapidamente e logo a porta é aberta.

- Filha! – Mamãe me chama e eu corro para os seus braços.

- Mamãe!

- Minha filha! – Mamãe acaricia meu cabelo. – Tenha paciência, venha sente aqui. – Eu sento na cama. – E você? – Mamãe muda o tom para Stefan. – Já contou para ela tudo o que você fez?

- Elena precisa de repouso agora.

- Dê-me água! – Mamãe manda bruscamente. – Aqui minha filha, beba. – Ajeito-me devagar na cama e pego o copo. O liquido gelado batia em minha garganta aliviando a dor em meu pescoço. Abro os meus olho e entrego o copo, ele era bonito, de cristal. Mas... O que era aquilo em minha mão? Olho para minha mãe novamente.

- Agora você é Katherine.

Levanto-me rapidamente.

- Porque você fez isso? – Grito. Stefan recua.

- Eu queria te ver feliz, Lena! – Stefan se defende.

- Eu sabia que não iria aceitar isso minha filha. – Mamãe acaricia meu cabelo tentando me acalmar.

- Se você não fazer isso, o Damon morre. – Stefan solta.

- Como?

- Damon apenas está feliz porque sabe que Katherine está viva, se ele sabe que Katherine morreu, ele se mata.

- Para com isso! – Grito. – Pare, pare, apenas pare! Stefan saia daqui!

- Não se deixe enganar! – Stefan vem em minha direção. – Damon irá ficar desesperado, se ele sabe que Katherine morreu, ele irá se matar!

- Sai daqui Stefan, saia! – Rebato.

- Stefan, você ouviu. – Mamãe me defende. – Pronto minha filha...

- Mãe, saia daqui que eu quero ficar sozinha! – Grito com todos. – Eu quero ficar sozinha, me deixem em paz!

O que será de mim? Katherine se foi e agora eu estava em seu lugar. Porque Stefan fez isso comigo, eu não mereço estar aqui, eu não tenho culpa. Eu não posso. Apenas não posso ficar aqui. Tudo me lembra ela, não posso tomar o seu lugar, mesmo sabendo que Damon iria se matar se soubesse que Katherine está morta. Porque essas palavras me machucam tanto? Eu a amava, mesmo com toda sua maldade.

Oh... Damon, o que eu farei, nesta situação, eu iria o decepcionar. Por Deus Stefan, o que fez com minha vida? Está tudo confuso, não sei se choro, ou se me mato de uma vez, apenas quero paz e ficar longe deste quarto, desta cama, desta roupa, desse cabelo.

Deito na cama, e apenas relaxo. Respiro. Penso. Minhas respiração voltava ao normal, mas minha cabeça estava ainda confusa e ficaria a muito tempo.

- Tem certeza que quer falar com ela?

- Sim, deixe-me falar com ela.

Era Damon, sua voz era uma canção triste para mim. A porta se abre logo se fecha. Eu estou imóvel como antes, imóvel com o rosto afundado no travesseiro. Tenho que admitir que aquele não era um ótimo momento para Damon vir.

- Katherine, eu lamento muito pela sua irmã, eu espero que a senhorita se recupere o mais rápido possível.

- Sai daqui! – Grito. – Sai daqui! – Sento-me passando minhas mãos pela cabeça que doía. – Deixem-me sozinha! Meu Deus! Isso é muito cruel, eu não vou aguentar. Porque não foi eu que morri, meu Deus?

- Eu irei chamar o médico.

(POV Oliver)

Todos estavam sentados na sala enquanto Damon e o médico estavam no quarto de Katherine, ela gritava, berrava, típico de Katherine. Porque Elena morreu? Porque essa maldita tinha que viver? Elena era tão pura, tão serena, eu gostava tanto dela e agora ela se foi.

- Não acha que devemos ir ver o que está acontecendo? – Sugiro.

- Não, deixem eles se entenderem. – Papai opina.

Ouço passos na escada, era Damon, corro até ele.

- Então...

- O médico disse que ela está confusa, e essa reação é porque está assustada ainda.

- Então isso são apenas nervos? – Senhora Gilbert pergunta.

- Não é meio obvio? – Ironizo.

- Oliver! – Damon me chama a atenção, dou os ombros.

- Não acredito que Elena se foi, aquela maldita tinha que viver!

- Oliver! – Damon chama minha atenção novamente. – Por favor! – Rolo os olhos.

- Damon! – Papai chama Damon. – Quero falar com você. – Damon se levanta e segue papai. Como sempre.

(POV Damon)

- Damon, é melhor procurar outro especialista. – Eu o olho em desaprovação.

- Mas esse é uns dos melhor.

- Mas eu acho melhor Katherine ser cuidada em sua casa.

- Papai, o senhor não ouviu que a situação dela é complicada?

- Acho que deveria voltar para a casa dela, vai ser melhor.

- Pelo contrario! Lembranças de Elena a todo canto, não irá fazer bem! Dia e noite senhora Gilbert esperando o mar devolver o corpo de Elena. – Respiro fundo.

- Oh meu Deus do céu. – Papai sussurra.

- O senhor está me parecendo preocupado, o que foi?

- É claro que estou preocupado, mas é claro.

- Papai, a única coisa que me importa é o meu filho.

- Eu sei meu filho, está certo... – Papai não iria desistir.

- Eu quero o meu filho vivo e saudável.

- Damon, compreenda o meu ponto de vista, meu filho, estou vendo esta historia se repetir novamente. – Nego internamente. Katherine está morta para mim. – Vocês brigaram, e logo ficaram bem, irá acontecer isto novamente!

- Papai, não haverá volta.

- Esta mulher é hábil, é esperta, eu não confio!

- Confie em mim, por favor, apenas em mim, não haverá volta. O que Katherine fez comigo foi uma sujeira.

- Foi, com certeza foi! – Ele bate na mesa. Tomo um susto.

- Não haverá volta. – Sibilo.

- Ela não pode ficar, ela não pode ficar Damon!

- Papai, ela tem que ficar aqui, precisa do tratamento necessário. – Meu filho não pode viver na casa de Senhora Gilbert.

- Eu desisto! – Papai dá de ombros.

- Eu havia falado para Elena, eu matei a Katherine aqui. – Ponho minha mão sobre o coração. – E aqui. – Aponto para minha cabeça. – Nada que ela faça irá me fazer mudar de ideia, simplesmente nada. Confie em mim, papai, apenas isso, logo Katherine irá embora, logo.

- Eu não quero que aconteça o que aconteceu antes.

- Não acontecerá. – Garanto.

(POV Elena)

Meus cabelos são penteados, eu posso sentir. Minha mente se ocupa em abrir os olhos e encarar o dia, como fiz antes. Mas o sofrimento iria vir, com certeza. Eu havia perdido tudo, minha irmã, Damon, minha mãe e agora eu. Eu estava totalmente perdida entre uma decisão dura e cruel. Viro-me devagar e vejo Stefan.

- Você está com febre. – Ele avisa.

- Stefan eu não posso fazer isso. – Fecho os olhos implorando para não ter que abrir mais, nunca mais.

- Mas você tem que ficar aqui.

- Eu não posso! – Grito em desespero. Eu queria fugir, gritar para o mundo que minha vida estava simplesmente acabada. – Não vou aguentar.

- Mas eu te ajudo Lena. – Stefan segura em minha mãe.

- Eu não posso! – Grito novamente.

- Elena, você quer que o Damon morra? – Assusto-me com a pergunta. Ele tinha razão, se descobrir que Katherine morreu, Damon morre por ela. Ele não iria aguentar. Abro os olhos devagar e encaro o teto.

- Stefan, pode me dar licença do quarto, preciso ficar sozinha. – Não o olho, mas logo ouço o barulho da porta ser fechada.

Levanto-me devagar, as dores dominam o meu corpo, as dores. Dores. Porque nunca me abandonam? Dores me perseguem desde que meu querido e amado pai. Sigo até o espelho e olho para minha imagem refletida no espelho, a escova estava encima da penteadeira. A escova de Katherine. A escova dourada e bonita. Pego a escova em segundos e sigo ela até o meu cabelo, reparto o cabelo ao lado, ele está igual ao de Katherine. Seu nome me assusta novamente.

“Você não tem a menor agressividade, não sabe rir, alias você não sabe nada, não estou certa Elena? Basta alguém prestar um pouquinho de atenção para não nos confundir.”

Katherine me atormentava, ela talvez mantivesse a razão, basta alguém prestar atenção para não nos confundir. Minha cabeça rondava através daquilo, eu não podia deixar Damon morrer por minha causa. Ele amava tanto Katherine, olho a aliança em meus dedos.

O que eu fiz com minha vida.