Broken Souls
4 Um monstro
Caminho pela rua, eu não sei aonde quero chegar, apenas estou andando, esperando que Tony apareça atrás de mim e diga que se lembra, ou talvez chegar à um porta que me levasse a 9 anos atrás, e eu poderia ter me matado para salvar minha irmã, seria justo.
Vejo crianças brincando num parque, isso me faz sorrir, eu chego ao lado de um garotinho loiro:
–Oi! Qual seu nome?- pergunto com um sorriso convidativo
–Meu nome é Joe.-respondeu o garoto de um jeito meigo
–Muito bem Joe, o que esta fazendo querido?- digo sorrindo, acho que a inocência dele me faz bem.
–Estou brincando. -disse comum sorriso que podia me iluminar. -De...- O lindo sorriso que seu rosto mostrara desapareceu, agora ele gritava. -Lilith Grenê, corram!- sua expressão amedrontada em uma mistura de desespero e lágrimas, isso era cortante, e podia quebrar o pouco que havia reconstruído de mim.
Todos correram, e eu fiquei aqui parada imóvel, antes eu fazia crianças sorrirem , agora eu as assusto e as amedronto, como fiquei assim?
Há lágrimas em meu rosto.
***
Vejo que horas se passaram e eu continuei aqui nesse parque sem me mexer, apenas o contemplando minha própria desgraça, olho para baixo e a única coisa que vejo é que há destroços de meu coração quebradiço espalhados por esse chão, é como se em cada lugar que eu passasse parte de mim fosse deixada para trás, restando-me somente a dor e a angústia do vazio.
***
Anoiteceu.
Eu volto a caminhar. Noto que agora estou num beco escuro , e há um lugar escrito em luzes neon "Boate Mills" decido entrar no local, uma festa me fará bem, e provavelmente todos estarão bêbados e drogados, ninguém me reconhecerá, deixar de seu eu mesma por um tempo isso me é convidativo.
Entro na boate, todos estão realmente como pensei, eu adentro no salão, vejo um garoto ruivo com os olhos verdes-água, eu poderia passar horas admirando aqueles olhos, ele tem uma postura sedutora, embora parecesse um cone de trânsito naquelas luzes neon, era atraente.
–Sobe comigo no hotel?-pergunto.
–É claro.- respondeu sorrindo.
Nós entramos no hotel que ficava ao lado da boate, era um lugar descuidado, na porta do quarto do térreo, mas subimos a escada, e a porta era verde-musgo, entramos no quarto, simples mas arrumado,quando o ruivo se senta na cama,e tira a blusa, e me olha de modo indecente, ele deve estar realmente drogado se não me reconhece.
–Espera...Você realmente achou que a gente ia...- digo rindo.
–O que?- pergunta o ruivo.
–Cale a boca, e me ouça.- digo com hipnose, ele começa a vestir-se de novo.-Não, você fica melhor sem ela- digo me referindo à blusa.- Depois de me ouvir quero que esqueça tudo.
Ele assentiu com a cabeça, como todo bom capacho sem camisa.
–Eu preciso dizer isso, se não irei explodir.-Você não me reconheceu porque está bêbado, mas se tivesse em sã consciência teria corrido, porque eu sou um mostro! Eu matei a sangue-frio minha própria irmã, que tipo de pessoa faz isso? Um monstro, como todo dizem, eu só queria que acreditassem em mim, mas eu matei uma multidão de guardas, e ameacei matar um garotinho, você é único que ousou falar comigo sem fugir, mas você está hipnotizado! A única pessoa que se interessou pela minha historia verídica, está hipnotizada, e isso dói. — noto que estou chorando e soluçando histericamente.
Involuntariamente eu conto a ele tudo o que aconteceu comigo, o que minha mãe fez.
–Entende? Eles me quebraram, ela me quebrou, e eu tive de me concertar, mas eu não tinha minha peças, e o único jeito que encontrei, foi tornar-me o monstro que queriam que eu fosse- continuo chorando e soluçando.-Eu sinto falta dela... da Ali...eu a matei... sinto falta do Nathan, mas...eu o matei também... minha única esperança era o Tony...mas... ele não se lembra...- vejo que me joguei aos pés dele e enquanto tento falar através da histeria.
–Mas talvez haja um jeito, um jeito de tudo isso acabar.- pego as cinzas que estão no meu bolso.-Está vendo isso? Chama-se Cinzas do Primeiro Imortadre, é capaz de matar qualquer ser, eu poderia te dar uma aula de história e lhe explicar com isso surgiu, mas não sou obrigada, e nem tenho tempo.- digo recompondo-me. -Eu só preciso...- estou quase perdendo o controle de novo.-Obrigada por me ouvir.-digo, quando estou quase ingerindo as cinzas, e finalmente poder morrer...
Ele se levanta bruscamente da cama e segura meus braços com força.
–Não! Isso é loucura! Não ouse nunca mais tentar fazer isso !-disse de modo imponente e alto.
–O-o que? Como você?
–Resisti a hipnose? Porque sou um Imortadre como você?.-seus olhos tornaram se amarelo-âmbar e em seguida voltam ao verde-água excêntrico e lindo.-Meu nome é Kai, prazer? Acho que já te conheço o bastante depois de hoje...
–Escute aqui, você não contará nada à ninguém sobre isso...
–Claro que não, e lindinha, de onde você tirou que precisa hipnotizar alguém pra conseguir atenção e interesse?- ele me olha de cima abaixo com um sorriso malicioso.-Você é bem interessante pra mm.
–Ei!
–Viu? Eu te fiz sorrir.- disse sorrindo, ele estava sempre sorrindo, isso era esquisito mas bom.-Mas seriamente, você é realmente interessante e eu não estou hipnotizado.
Ele me abraça e eu aceito.
–Olha eu trouxe presentinhos.- indica a porta.
Oh meu deus... Eu não acredito, meu melhor amigo morto, acabou de passar por aquela porta.
–Nathan...Como você...Voce morreu...Eu te mat...- quando noto, já estou abraçando-o. É muito bom ver aqueles olhos castanhos e o cabelo descolorido de novo. Eu não consigo solta-lo.
–Lilith...Eu senti muito a sua falta...Lili...- disse em lágrimas.
–Como você esta vivo...Eu te matei.
–Calma deixe-me explicar.-Você não se lembra não é? Tyler me levou a saída antes que você me matasse, e nós fugimos.
Acredito que todos estão vendo minha expressão chocada.
Meu melhor amigo está vivo, isso parece um sonho, isso é um sonho , tem de ser, esse tipo de coisa não acontece comigo, isso não é real
–Isso dói...Eu sei que não é real, é um sonho.-lágrimas brotam em meus olhos que antes eram tão alegres, se aquecem com a dor e o pesar.
–Sou real sim Lili, isso tudo é real.
–Prove.
–Em um sonho bom sua irmã estaria viva.
É verdade se isso fosse uma ilusão, minha irmã estaria viva, Tony se lembraria, e eu não me recordo de adormecer.
–Oh meu deus!- eu sorrio, de uma maneira de não acontece há nove anos.
Eu o abraço, eu o tenho de volta, isso é fantástico.
Ele sorri e retribui o abraço.
–E Tyler, o que aconteceu com ele?
–Depois de sua condenação eu não acreditei que você tivesse feito aquilo de livre e espontânea vontade, entao investiguei sua mãe, descobri o que aconteceu, mas ela foi mais esperta, e matou Tyler antes que eu delatasse minha descoberta.
–Oh..Sinto muito...
–Tudo bem.
A porta se abre, e um garoto e uma garota entram no quarto, eu os reconheço , são Lucy e Tate, as crianças cujo eu ajudava, devem ter uns dezenove anos agora , Tate é loiro e usa um moletom azul, Lucy usa um terninho social e um óculos.
Sem dizer nada eles me abraçam, e eu me sinto feliz e um tanto velha, nove anos se passaram, e eu não vi nada acontecer nesse lugar.
–Obrigada, por todos os anos que você nos ajudou.- disse Lucy sorrindo.
Eu retribuo o sorriso.
–Mas agora é nossa vez de retribuir a ajuda.- disse Tate com o mesmo sorriso.
–Como assim?- pergunto.
–Todos nós aqui, temos motivos para nos vingar de nossos reis, Kalenna não só foi responsável pela morte de Tyler.-Nathan assente com a cabeça.- Ela matou nossos pais, e é culpa dela que passamos a maior parte da vida na rua, que esse é quase o único cenário que conhecemos quando crianças. -diz Tate
Porque ela faz essa coisas?
–Eu..Sinto muito.
Lucy faz um sorriso torto e triste como assentimento.
–E você?Ruivinho?O que faz aqui?-pergunto.
–Embora eu te atraia com meus lindos cabelos ruivos, meu nome é Kai.- diz sorrindo, com humor.-Bom, meu nome completo é Nikolai Zellent Konst, lembra? O filho "morto" do rei Kael, quando nasci ele e minha mãe re Irina estavam felizes, mas isso não durou por muito tempo, logo minha natureza Imortadre se revelou e meu pai me renegou como filho , mas minha mãe foi contra, ela ainda me amava, e não era a favor de meu exílio, mas meu pai levou a situação ao extremo, e queria minha morte, ele ia me matar, mas acabou matando minha mãe propositalmente, ela morreu pra me proteger.- vejo um vestígio de lágrimas em seus olhos. — Ele, sentindo-se culpado pela morte dela, apena me exilou para honrar seu legado, mas eu preciso vingar a morte dela, e o meu exílio, tive uma vida em condições escondidas e paupérrimas com minha vó, enquanto minha meia irmã ''perfeita'' e mimada teve todos os luxos que eu merecia.
Sinto pena e solidariedade sobre ele.
Vejo o quanto Kael e Kalenna formam uma dupla perfeita. E que Malia é irritante em todos os casos, como Tony se apaixonou por ela?
–Bom acho que somos um grupo perfeito não?- disse Nathan.-Lili você terá de passar a noite escondida com Kai, pois são os mais fortes e nossa arma secreta, pode ser?
–Ta bom.-digo.
Kai pega minha mão puxa pra sacada da janela.
–Vamos lindinha?- ele pula em direção ao chão e me leva ao seu lado.
Fale com o autor