Broken Promise.
5 Capítulo 5 Trying to escape the inevitable.
Notas iniciais
"I have this reoccurring dream
Where you make it hard for me to breathe"
(Trying to escape the inevitable — Pencey Prep)
3:45. Outra noite de insônia. De repente dormir tornou-se um desafio, assim como qualquer outra coisa que exigisse calar minha mente. Desde a noite em questão encontráva-me a todo momento perdido em devaneios sobre tudo que fora dito e feito; memórias que antes não significavam nada têm agora novos significados, assim como palavras e gestos, momentos perdidos no tempo. Sempre que fechava os olhos era como se me teletransportasse à noite anterior e sentisse seus lábios nos meus, tão vívido que já nem me lembrava que não era real, como se fosse possível tocá-lo, materializar todos os desejos que minha realidade oprimia. Afundava a cabeça no travesseiro na frustrada tentativa de livrar-me desses pensamentos, mas quanto mais o fazia mais forte se tornavam; e se já não bastassem as lembranças minha imaginação também começara a atormentar, brincando com minha sanidade, criando perfeitos filmes em minha cabeça que traziam um sopro gélido ao meu estômago e chamas ao meu coração apertado. Àquele ponto já não havia como negar, e eu já nem fazia questão de tentar. De fato eu me apaixonei pelo meu melhor amigo e continuar a esconder já não era opção, assim como também não era uma opção abrir o jogo. Sentia-me completamente perdido, preso em labirinto sem saída. De um lado meus princípios, uma vida perfeita que construí aos poucos, um alguém que me inspirava segurança e estabilidade, sem surpresas, apenas estagnação esperando ser quebrada pelo tempo; do outro a incerteza, um ponto de interrogação pairando no ar, um oceano inteiro repleto de possibilidades esperando para serem exploradas.
A cada encontro era mais difícil manter-me apático. Sua pele clara com total ausência de imperfeições, seus traços delicados e afeminados, seu sorriso inocente e risada boba, tudo isso que antes me era tão habitual e ordinário haviam se transformado em meu maior tormento, e o constante medo de que essa súplica interna por atenção se fizesse vizível tornava cada segundo intragável. Comecei a ficar distante, não saía mais e também não telefonava; cortei radicalmente todo tipo de contato, não só com eles como também com Jamia a quem tive de começar a evitar. Logo todos começaram a notar meu comportamento estranho, e as perguntas não demoraram a surgir, e tornavam-se mais intensas e perigosas à medida que minhas desculpas iam perdendo sua força. Gerard me telefonava quase diariamente, completamente frustrado tentando entender o motivo de meu súbito afastamento, mas ouvir sua voz só piorava a situação, o que expandia ainda mais meus dias de isolamento. Já iam se completar duas semanas de encontros furados e ligações rejeitadas. Eu estava deitado assistindo pela milésima vez minha coleção de filmes antigos quando ouvi alguém batendo à porta. Um frio me percorreu a espinha e meu coração acelerou, assim como a velocidade das batidas. Pensei em ignorar, fingir que não estava em casa, mas o volume da tv me entregava me deixando completamente sem saída. Fui até a porta e parei de frente a maçaneta, segurando-a firme buscando dentro de mim coragem para girá-la, até que finalmente alguns segundos depois o fiz. Abri a porta devagar, fitando o chão, completamente petrificado já imaginando uma Jamia furiosa, com lágrimas nos olhos desesperada por uma explicação que não viria; já ia começando a balbuciar alguma desculpa quando levantei os olhos e deparei-me com uma surpresa que àquela altura eu não sabia dizer se era melhor ou pior: Gerard.
Fale com o autor