Broken Promise.
3 Capítulo 3 Soulmates
Notas iniciais
A noite se arrastou extremamente agradável, apesar do desconforto que a presença de Gerard havia me causado. Não que sua presença estivesse me incomodando, mas sim intrigando, principalmente depois de me encontrar com uma sensação terrível no estômago ao ouvi-lo comentar sobre sua namorada. Nunca alguém além de Jamia havia me causado uma reação assim logo de cara, e como eu não conseguia encontrar, ou pelo menos relutava em enxergar uma razão para aquilo, tudo se tornou confuso e disperso em minha cabeça.
Depois daquela noite eu não consegui mais cortar o contato com eles. Aquele passeio que deveria ser único, apenas um favor a um velho amigo, acabou tornando-se um hábito não apenas constante como também necessário em minha vida. Cerca de poucas semanas de visitas quase que religiosas aos pubs punks da cidade e eu e Gerard já não eramos mais os únicos a ter namoradas, o que facilitou as coisas já que Jamia agora se sentiria menos deixada de lado ao nos acompanhar e isso cessaria os atritos que estavam sendo criados entre nós por conta de meus novos hábitos. Saíamos sempre em grupo, cada um com sua garota, e íamos sempre aos mesmos lugares. A cada dia encontrávamos mais coisas em comum, e já nos portávamos como se nos conhecêssemos há anos, e por pura ironia eu e Gerard nos tornamos extremamente próximos; tínhamos um vínculo único que até gerava ciúmes nos demais. Não sabíamos mais fazer nada sem o outro, e sempre que estávamos todos juntos chegaria um momento da noite em que nós dois nos encontrariamos conversando completamente desligados de todos os demais, como se estivéssemos a sós. Em poucos meses ele demonstrou ser uma pessoa incrível e de uma inteligência absurda; tudo que saia de seus lábios era sábio e cheio de um sentido próprio, como se ele estivesse em um constante monólogo consigo mesmo. A sensibilidade era algo que exalava de seus poros, tanto que por vezes parecia que ela podia se fazer palpável. O desconforto que antes eu tinha em sua presença já não existia, mas ainda assim existiam 'certas coisas' que não conseguiam passar desapercebidas como trocas de olhares incessantes e involuntárias, e por vezes apanhávamos todos os demais nos observando em nossos momentos com expressões que iam desde confusão a estranhamento. O fato é que não se podia negar que o entrosamento entre nós ia muito além de uma compatibilidade entre amigos, e o modo como isso ia ficando cada vez mais claro era assustador, e por mais que parecíamos estar obtendo sucesso em ignorar isso, não conseguiamos evitar uma tensão todas as vezes que ficamos completamente a sós, ou todas as vezes que nos abraçávamos. Era sempre como se qualquer uma dessas situações pudessem facilmente nos guiar a algo que não queríamos, se é que estou me fazendo claro, e isso apenas confirmava ainda mais que essa possibilidade existia, o que tornava as coisas ainda mais difíceis de serem disfarçadas.
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