Broken Mask

6 Sixth Staging - Confusion.


O olhar desinteressado e desanimado caiu sobre Raito, mas só por alguns segundos antes de voltar-se ao bolo a sua frente.

Raito olhou para o moreno e estranhou as ações do moreno, largando seu livro e encarando o outro.

-O que há de errado, L? –Perguntou preocupado.

-Eu estou bem Raito-kun, é só uma questão que está me perturbando. –Respondeu suspirando e colocando outra garfada na boca.

-E que questão seria essa? –Indagou voltando a pegar o livro.

-É que eu não entendo, Raito-kun. É óbvio que ele se importa com ele, mas o que o mantêm distante? Que barreira não permite que eles voltem a ser próximos? –Questionou L alto, encarando o céu azul lívido.

-Ele quem, L? –Falou Raito sem desviar a atenção das palavras impressas nas páginas brancas.

-Mello-kun. –E comeu outro pedaço do doce.

-Mello não é o loiro rebelde de roupa de couro, cosplay da Madonna?

-Esse mesmo.

-E porque está investigando ele?

-Bom, Near se importa com Mello-kun, e é óbvio que Mello-kun se importa com o pequeno Near, mas algo em relação a amizade deles faz Mello-kun recuar, e isso magoa Near. –Raciocinou L.

-Não está se metendo de mais na vida de seu irmão, L?

-Talvez. Mas minhas intenções são completamente puras, e visam totalmente a felicidade de meu irmãozinho. –Defendeu-se.

-Ainda acho que está se intrometendo num assunto que não é seu.

-É tão errado assim eu querer me aproximar de meu meio-irmão que não vejo há tantos anos? –Indagou encarando os olhos escuros de Raito, a expressão inocente e ao mesmo tempo emburrada e penetrante.

-Claro que não é errado, só não ultrapasse os limites. –Respondeu desviando o olhar depois de encarar a expressão de L.

-Certo Raito-kun. -Sorriu.

Ele observou aquela cena um pouco distante, encostado em uma árvore, e suspirou. “Íntimos de mais”, pensou e voltou a andar.

Estava distraído, preocupado com Near e, ao mesmo tempo, com a proximidade de L com o Yagami, o que resultou na trombada que deu em alguém. A pessoa gemeu enquanto B.B se levantava, a testa franzida. Encarou a garota loira, ela pareceu-lhe extremamente familiar, talvez uma das várias amigas de seu irmão. Ofereceu sua mão para ajudá-la a levantar-se e se desculpou.

-Tudo bem, Misa-Misa também estava distraída... –Respondeu enquanto ele a puxava para cima. –Você é B.B-kun, não é? Irmão do L-kun? –Indagou no que mais pareceu-lhe uma afirmativa, os olhos claros analisando a imagem do moreno com inocência e curiosidade.

-Sou. –Respondeu simplesmente.

-Eu sou Misa Amane. É um prazer conhecê-lo. –Falou fazendo uma breve reverencia.

-Igualmente. –Retribuiu.

-Vocês são realmente parecidos. Exceto pelos olhos. –E sorriu começando a se afastar. –Estou atrasada para um compromisso, até outro dia B.B-kun!

-Até, Amane-san.

-Pode chamar Misa-Misa de Misa! –Gritou acenando.

Ele observou a garota loira e saltitante até esta sumir de vista, para então seguir até os dormitórios.

Era tudo o que ele precisava. O próprio L afirmar que algo distanciava Near de Mello. Tudo que ele precisava fazer agora era manter a distancia entre eles. Havia sido uma ótima idéia ouvir a conversa de L e Raito.

Surpreendeu-se ao pensar dessa maneira. Nem mesmo ele sabia que poderia pensar desse jeito, afinal, isso nunca havia sido esperado dele, o sempre obediente e prestativo vice-presidente.

“Pelo menos isso vai facilitar as coisas quando tiver de esconder a verdade”, conclui. Satisfeito com o que ouvira, andou em direção aos dormitórios, iria começar agora o que já havia planejado.

Near não acreditava no que via, sua primeira reação foi pensar que aquilo era uma ilusão, um sonho talvez, mas não se lembrava de ter ido dormir. Estremeceu ao lembrar-se de sua ultima frase. Lembrava do gosto do loiro por chocolates e mais ainda e sua mania de perseguição, mas quem lhe garantia que não estava tirando conclusões precipitadas?

Isso não poderia acontecer, não agora, não no momento que ele parecia estar ali por conta própria. Se repreendeu ao analisar o que acontecia, ele sempre conseguia se manter frio, independente a situação, mas achava incrivelmente difícil esconder qualquer coisa quando dividia o mesmo espaço que ele. Tinha que recuperar seu alto controle, afinal, ele deveria estar ali por outro motivo, Matt era o melhor amigo de Mello, o loiro deveria estar ali por causa dele.

-Near... –Era o ruivo que quebrou o silencio perturbador entre os três. –Olha, eu posso não te conhecer a muito tempo, mas eu sei dizer quando alguém precisa de ajuda... –Matt esboçou um sorriso tímido e teve coragem para continuar. –Eu não vou dizer que não ligo pra que aconteceu entre vocês no passado, eu estou realmente morrendo de curiosidade... –Agora o sorriso era radiante. –A Madonna que o diga, estou perguntando a dia sobre isso, mas eu posso esperar, o importante é que vocês conversem e acabem com isso, porque, francamente, isso esta ME matando.

Os outros dois que ocupavam o quarto olharam para o ruivo com espanto, que só aumentou quando o garoto deixou o quarto sem pronunciar mais nenhuma palavra.

O silêncio retornou com força total ao cômodo, agora, ainda mais perturbador. Mello que parecia uma perfeita estatua, procurou pelos olhos que fitavam-no, mas no momento em que se encontraram, a vergonha se apoderou de ambos, fazendo com que virassem, cada um olhando para um ponto qualquer no chão e na parede.

A situação persistiu por mais alguns minutos, quando o primeiro movimento foi feito, surpreendentemente pelo loiro, que com um olhar preocupado, revolveu pronunciar o que lhe atormentava há muito tempo.

-Você me culpa? –Sua boca ficou seca no mesmo instante com a expectativa pela resposta.

Near olhou atônito para o loiro que agora fitava o chão. Suspirou. “Então a questão era essa o tempo todo?”. Ponderou sobre a melhor resposta, mas só havia uma verdade.

–Sim... Mello...

De repente a porta se abriu e um ruivo puxado pela blusa entrou tropeçando. Quem o puxava? Está pergunta se manteve sem respostas por pouquíssimos segundos. O “gentil” vice-presidente do conselho estudantil.

-Ei! Eu já falei que não podia entrar! –Disse Matt estressado.

Gevanni soltou a blusa do ruivo, que respirou aliviado, voltando-se, então, para a cena dos outros dois.

-Para que você diga que não posso entrar enquanto vigia a porta, algo de errado deve estar acontecendo. –E focou seu olhar unicamente no loiro. –E então, o que você fez?

Mello mudou rapidamente a expressão de apreensão para uma cheia de ódio, “Porque tudo sempre acaba assim?!”. Ele começou a se mover em direção a saída, lançando um ultimo olhar para Near e murmurou um “Eu sou um idiota”, e cruzou a porta, deixando o quarto.

-Mello... –Murmurou Matt, abalado com a resposta do loiro. Lançou um olhar para o moreno, pura raiva impregnada neste, e correu porta a fora em busca do amigo chocólatra.

Gevanni, ignorando totalmente as cenas anteriores, voltou-se a Near, que por um segundo parecia uma mistura de tristeza e medo, mas isso deveria ter sido uma ilusão, pois logo a indiferente voltou a predominar naquele rosto angelical.

-Eu soube que você estava mal, mas não tive tempo de ir a infernaria de manhã. –Formou um sorriso simpático e continuou. –Como se sente?

Near olhou, ainda aparentando indiferença, mas agora ele desejava com todos as forças que ficasse sozinho para falar com Mello. Tentou afastar esses pensamentos, afinal Gevanni estava ali só para saber se estava bem. Tentou sorrir, o que pareceu funcionar. O sorriso do outro aumentou.

Eles ficaram conversando por algum tempo. Mesmo Near tentando terminar a conversa parecia impossível com o moreno sempre puxando um novo assunto. Para surpresa de Near a conversa estava sendo muito agradável, Gevanni conseguia usar argumentos bons para suas teorias e contava histórias divertidas, a única coisa que poderia pensar ter deixado a conversa melhor seria se Near conseguisse parar de pensar em certo loiro que ainda não havia dado sinal de vida.

Gevanni reparou que Near estava distraído e conclui que o melhor seria deixar o menor sozinho, já conseguira resultados bons o suficiente por um dia, e era melhor não forçar, pelo menos não agora.

-Já esta tarde, eu ainda tenho trabalho a fazer. –Falou sorrindo, já se levantando. –Se precisar de qualquer coisa não hesite em me chamar. –Near não pode ver a mudança no sorriso de Gevanni, de simpático ao sínico.

O moreno deixou o quarto indo ter certeza que certo loiro não apareceria por um tempo.

Observou por cima do loiro a morena de cabelos muito curtos, a garota que a pouco tempo descobriu-se completamente apaixonado. Um amor não correspondido. No coração dela parecia haver espaço somente para a pessoa que Mikami mais admirava, Raito Yagami.

Por admirar seu rival a situação parecia complicar-se cada vez mais, no exato momento era quase impossível esconder o turbilhão de emoções. O sentimento que deveria fazer com que Mikami se sentisse bem estava torturando-o, fazendo com que cada dia fosse um tormento. Ele se encontrava preso em um labirinto que parecia não haver saída.

Ele suspirou fazendo Takada desviar a atenção do livro.

-Cansou de estudar? Melhor continuar, suas notas não foram tão satisfatórias para alguém do conselho, muito menos para alguém intimo de Raito. –Ela sorriu bobamente, pensando em seu amor, mas logo voltou sua atenção para a leitura.

Mikami fitou-a um pouco desolado pela situação, mas rendeu-se.

-Ele deve ser o melhor presidente que essa escola teve em anos. –Levantou-se e saiu da sala de estudos, deixando uma Takada curiosa para trás.

Mikami continuou andando pelos corredores até chegar ao jardim, o ar fresco sempre lhe fazia bem, embora soubesse que não adiantaria a resolver nada. Nunca adiantava.

Pegou o celular e discou um numero, conversando com a mulher com quem sairia hoje. Ele não gostava de fazer isso, mas era a única maneira de esquecer os problemas.

Um pouco mais atrás, escondida por um pilar, estava a única pessoa que sabia das ações de Mikami, e a mais afetada por elas. Takada estava sentada, tentando ouvir a conversa, embora já soubesse do que se tratava. “Porque você faz isso? Eu sou tão insignificante assim para você...?” foi o que pensou antes de levantar-se e ir fazer algo que a acalmasse e distraísse daqueles sentimentos.

Raito revisava todos os papeis do conselho quando a porta se abriu, entrando por ela L e B.B.

-Por acaso ninguém mais tem aula? –Perguntou o mais velho observando os “intrusos”. –Ainda posso entender o motivo de B estar aqui, pois é o representante e tem assuntos pendentes, mas o que você faz aqui L?

-Não disfarça, você tá adorando que seu namoradinho fique aqui. O único incomodado nessa droga sou eu! –Reclamou B. –Onde estão as porcarias dos avisos que eu tenho que entregar para todo mundo?

-Nossa, já é difícil de aguentar seu humor normalmente, o que aconteceu para você estar tão insuportável hoje? –Perguntou Raito.

Ele não se importava muito com B, mas quando seu humor estava pior que o normal, o desempenho do conselho decaia.

-Nada de mais, só parece que meus dois irmãos estão sendo perseguidos pelas pessoas dessa droga de conselho. –E lançou um olhar furioso para Raito.

L, que apesar de estar ao lado do irmão, ignorou o comentário e pegou uma cadeira, sentando-se do jeito peculiar de sempre.

-Quem está perseguindo Near? –Indagou sem animo para contradizer o mais velho dos gêmeos. Sabia que quem “supostamente” estava perseguindo L era ele.

-O Gevanni não desgruda do Near há uma semana inteira. Ele tá passando mais tempo com meu irmão do que eu. –Quase gritou o final. B que já era conhecido como um psicopata estava começando a fazer jus a má fama. –E isso é preocupante. Aquele garoto que andava com ele... Matt? –Parou para pensar massageando as temporas. –Acho que é isso... ele parece não gostar nem um pouco de Gevanni, eu gostaria de saber o motivo. –Disse olhando para Raito, um olhar que indagava silenciosamente.

-Eu não sei sobre isso, mas se isso o ajudar em alguma coisa, Gevanni tem agido estranho ultimamente. Como se estivesse preocupado ou planejando algo. –Raito encarrava distraído a janela a seu lado.

B bufou.

-Esses são os avisos? – Perguntou apontando para uma pilha de papeis. Raito afirmou num aceno e B.B pegou a pilha já andando em direção aos corredores. –Toma cuidado com ele irmãozinho. –Foi a ultima coisa que disse antes de desaparecer.

Raito não conseguiu evitar ficar rubro e olhar para o lado oposto de onde L estava sentado. O gêmeo mais novo notou e sorriu com o ato. Poucos sabiam que Raito podia ser meigo em certos momentos.

-Hei, Raito-kun, estreio um filme que eu queria muito ver, mas o B e a Misa estão ocupados, gostaria de ir comigo? –L olhou de maneira manhosa para o moreno que não sabia como responder. Já havia ido ao cinema várias outras vezes, mas dessa vez parecia diferente, eles estariam sozinhos.

Raito não acreditou muito quando ouviu que Misa estaria ocupada, mas não iria reclamar. Ele aproveitaria a chance para ficar sozinha com L e descansar da escola e do conselho. Agora animado com a ideia. Raito confirmou com um aceno e com um “adoraria”.

-Isso é bom. Então nós vamos amanhã, já que é sexta. –Falou L com um sorriso infantil. Raito também sorriu já que poderia esquecer as preocupações mesmo que por um dia.

B.B estava atônito. Ele agora sabia de onde ele conhecia a loira com quem esbarrara. “Misa” se não lhe falhara a memoria, novamente. Não acreditou em como ele conseguia esquecer que ela era da mesma classe que ele.

Os dois se encontraram na biblioteca, Misa havia pedido ajuda para encontrar um livro sobre moda. B.B aceitou a ajudar como um pedido de desculpas silencioso, mas começou a se amaldiçoar por isso apartir do momento em que teve que começar a procurar.

O livro não estava catalogado e a biblioteca era imensa. A única pista que eles possuíam era a memoria de Misa, que, diga-se de passagem, parecia tão boa quanto a do gêmeo mais velho para lembrar-se dela.

Passaram duas horas quando Misa disse ter certeza de que aquela era a estante certa. B já estava cansado, então sentou-se na cadeira, já que a loira disse que não precisava de ajuda, e que ele poderia descansar.

B.B teria obedecido se não tivesse reparado que Misa estava de saia e teria de subir numa escada consideravelmente alta para chegar ao livro.

-Misa, desce. –Ordenou se levantando e indo em direção à escada.

-Não! Misa-Misa consegue! –Ela sorriu e subiu mais alguns poucos degraus.

-Eu não quis dizer isso, se você ficar assim... –Misa olhou para baixo, um olhor curioso e ingênuo. –Misa, dá pra ver toda a sua perna e mais.

Misa ficou carmim de vergonha e sua mão escorregou e ela caiu em cima de B, se levantando rapidamente.

–Você é muito pervertido B.B! –Ela falou nervosa e envergonhada, segurando sua saia.

B.B depois de levantar começou a olhar atônito para a garota. “Como eu sou pervertido?! Eu tentei te avisar”, pensou.

-Pelo menos agora você entendeu o que eu estava tentando te falar. –Ele começou a resmungar enquanto subia para pegar o livro e acabar logo com aquilo tudo, antes que ela cismasse em culpa-lo por alguma outra coisa e tudo piorasse.

Misa, ainda rubra e estressada, ficou observando enquanto ele descia, o livro em mãos.

-O coração de Misa-Misa pertence somente a Raito-kun! –Falou alto para que as pessoas que tinham visto a cena não tivessem tirado conclusões erradas, mas já era tarde de mais e os boatos não poderiam mais ser parados.

Já fazia uma semana desde que Mello tivera a conversa com Near e era perceptível a preocupação crescente do loiro, embora ele fizesse de conta que nada mudara e negasse até o fim.

Matt por sua vez tentava fingir que não percebia. Se o amigo queria esconder tudo novamente para se sentir melhor, que assim fosse. Apesar disso, o ruivo tentou falar com Near sobre essas coisas, mas parecia que sempre que a chance surgia, ela vinha acompanhada por Gevanni. As constantes situações em que o moreno atrapalhava suas chances de conseguir respostas já estavam irritando o gamer, ainda mais por tudo aquilo ser culpa dele.

Pegou seu psp, talvez conseguisse se distrair. Do jeito que as coisas estavam indo parecia que o problema era todo do ruivo e não de Mello e Near.

Olhou para o lado, o chocólatra também parecia entediado, comia uma barra de chocolate enquanto rabiscava algo no caderno. Matt sorriu travesso, da maneira que só ele conseguia. Pegou um pedaço de papel e escreveu uma provocação qualquer, amassou o mesmo e jogou-o na frente do amigo.

Mello abriu o papel, e nervoso com o conteúdo, amassou-o novamente jogando com força na cabeça de Matt que começou a rir, chamando a atenção do professor e dos colegas próximos.

-Vocês gostariam de dividir a piada com a sala? –Perguntou o professor de matemática nervoso.

-Nem prof., não quero dividir meu loiro. –Não pode evitar sorrir, ele sabia que depois daquilo a morte certa o aguardava, mas se isso quebrasse o clima pesado e acalmasse o loiro, ser expulso da tediosa aula não seria, de forma alguma, um sacrifício.

O professor olhou os dois com raiva, arrumou os óculos impacientemente.

-Não é na minha aula que vai ficar fazendo esse tipo de coisa. –E apontou a porta. Em menos de dois segundos o ruivo saiu com um Mello furioso no encalço.

Mais calmo o professor voltou a explicar a matéria como se esta fosse a coisa mais interessante do mundo. Do lado oposto da sala se encontrava o garoto de cabelos brancos e face angelical. Mesmo não aparentando, Near ficara ansioso a semana inteira, suas preocupações pareciam aumentar periodicamente.

O albino tinha tentado a semana inteira falar com Mello, mas algo sempre o impedia, alguém sempre interrompia sues planos. Agora que pensara nisso, o alguém sempre era Gevanni, apesar de o pequeno não achar que fosse por mal. O moreno havia se mostrado compreensivo e interessante, fazendo Near não ter motivos para afasta-lo.

Parou de pensar naquilo quando a menina ao seu lado o cutucou com um sorrisinho bobo, perguntando se ele havia entendido a matéria. Near deu um meio sorriso e aproximou-se da menina para ajuda-la.

Os dois garotos que haviam sido “convidados a se retirar da sala” já haviam acertado as contas (Matt algumas marcas roxas como prova da “reconciliação”), eles agora estavam no refeitório discutindo o melhor passatempo para uma aula chata, mas ambos sabiam que outro assunto viria à tona.

-Mells, o que vai fazer sobre Near? –Perguntou olhando fixamente para o loiro que abria uma barra de chocolate.

-Ele já deu sua resposta... Embora... –Mordeu um pedaço do doce, “naquele dia ele parecia querer dizer algo a mais”, pensou em acrescentar, mas não queria alimentar suas próprias falsas esperanças. –Ts... É melhor eu ficar longe dele, ele não parece querer minha companhia, de qualquer forma. –“Se quisesse, teria me procurado...”, conclui em pensamentos mordendo outro pedaço de chocolate.

-Se você tá’ dizendo... –Por fora Matt parecia concordar, mas por dentro nunca esteve tão determinado a ajudar o amigo. Ele só não sabia exatamente como.

Gevanni andava distraído, feliz com o rumo que as coisas tomavam. Tudo estava indo de acordo com o planejado, e, se continuasse assim, o cosplay ambulante da Madonna não conseguiria se aproximar novamente de Near. “E pensando no diabo...”, pensou ao avistar o loiro sentado nas escadas ao lado de um ruivo. Gevanni diminuiu a velocidade de seus passos enquanto o ruivo se levantava, falando algo ao loiro e saindo correndo.

Uma ideia surgiu em sua mente, junto a um sorriso malicioso em seu rosto. Apesar de estar evitando encontrar Mello e o impedindo de encontrar Near, provocar naquele momento pareceu-lhe uma ideia deliciosamente boa. E se não estava enganado, o que ele tinha certeza que não estava, Near e Mello eram da mesma sala e o loiro não estar na aula significava mais distância física entre os dois.

-Porque não esta na aula, Keehl? –Perguntou se aproximando da escada.

-Não te interessa. –Respondeu seco, extremamente estressado, mordendo bruscamente a barra de chocolate.

-Como membro do conselho estudantil, interessa. –Falou superior.

-Dane-se o conselho estudantil. –Resmungou, seu nível de agressividade subindo perigosamente.

-Ts. –Murmurou o moreno, aparentando decepção. –Acho que sua família não ia gostar que você, o herdeiro perfeito, fosse suspenso por má conduta, não é? –Indagou irônico.

Os olhos do loiro arregalaram-se, mas voltaram a ficar serrados rapidamente, a raiva borbulhando.

-O que foi? Agora o gato comeu a sua língua? –Perguntou risonho. –Não é à toa que Near não te aguenta, com a personalidade assim quem gostaria de ficar perto de você?

Foi a gota. Mello pulou no pescoço de Gevanni agarrando a gola de sua blusa. O sinal da troca de aula soou, os alunos que desciam a escada estacaram no meio desta pela cena. Os que passavam no corredor formaram um meio circulo ao redor deles, a expectativa de uma “briga” naquela escola de gênios, onde todos seguiam as regras, pareceu estranhamente divertida e entusiasmante em meio à monotonia.

Near saiu da sala com Linda ao seu lado, conversando sobre algo qualquer, até travarem no corredor devido ao amontoado de alunos. Ambos se olharam curiosos e Linda cutucou um aluno qualquer, perguntando o que houve.

-Parece que aquele garoto loiro encrenqueiro vai bater no vice-presidente do conselho. –Respondeu dando de ombros, voltando sua atenção ao meio da roda.

Linda encarrou Near assustada. O albino havia estacado. Loiro. Encrenqueiro. Mello. Near começou a empurrar as pessoas tentando abrir caminho, sem sucesso. Ele e Linda eram pequenos e seriam esmagados pela multidão se um ruivo não tivesse surgido de repente.

-Matt! Mello está... –Gritou Linda exasperada, sendo cortada pelo mais alto.

-Eu sei, eu ouvi. –Respondeu sério, olhando os dois e estendendo-lhes as mãos. –Vamos.

Os dois agarraram-se ao ruivo e este os puxou, alcançando o centro da roda rapidamente.

-Mello! –Gritou Near avistando o loiro. –Não faça isso Mello!

Mello estacou, o olhar raivoso tornando-se duvidoso. O sorriso presunçoso de Gevanni sumira. Um clima tenso instalara-se e até o burburinho da “plateia” cessou. Um silêncio incomodo.

-Não há nada para você verem aqui. –Falou uma voz autoritária vinda de uma das extremidades da roda. Os alunos se espremeram abrindo caminho para Raito e L.

Os alunos pareceram indecisos em abandonar a cena por um instante, mas o olhar frio que o presidente do conselho lançara pela segunda vez os fez ceder e começarem a se direcionar para outros lugares. Matt, que ainda segurava a mão de Linda encarrou Raito, em seguida L, um agradecimento silencioso lançado e retribuído por um de compreensão.

-Mello, por favor...! –Implorou o albino.

Mello não sabia o que sentia. Decepção? Receio? Medo? O albino o deixava confuso...