Notas iniciais
Oi Cara de boi!
Musica do capitulo
All of the things that I want to say
Just aren't coming out right
I'm tripping in words
You got my head spinning
I don't know where to go from here
(Todas as coisas que quero dizer
Não estão saindo direito
Eu estou tropeçando nas palavras,
Você deixou minha mente girando
Eu não sei pra onde ir daqui)
You and Me - Lifehouse
Boa Leitura babys =*

O nosso almoço acabou e então nós fomos para nossa sala. Estava tudo tão estranho e confuso pra mim, que eu não conseguia prestar atenção no que era dito pelos professores das aulas seguintes. Quando finalmente acabou, meu pai estava me esperando para irmos para casa. Finalmente um lugar tranqüilo.

- Anne eu estou sentindo que você não está bem — meu pai disse entrando na sala onde eu estava deitada assistindo TV.

- É impressão sua.

- Não, não é. Anne eu sei de tudo que aconteceu com você e não existem motivos para você se sentir culpada.

- Não existe? O fato de eu ter matado o meu namorado não é nada para o senhor?

- Anne até quando você vai acreditar nisso? Você não matou aquele garoto. Não foi sua culpa.

- Não quero mais falar sobre isso. Eu vou sair. Vou dar uma volta e vou pra casa da vovó.

- Eu te deixo em um shopping e depois você pega um táxi para a casa da sua avó.

O último lugar que eu queria ir agora era um shopping.

Durante nosso caminho, não trocamos nenhuma palavra. Eu sei das coisas que eu tenho certeza e não preciso que ninguém de o seu palpite, mesmo que essa pessoa seja o meu pai.

Ele me deixou perto de um shopping, mas eu não queria mais entrar em um, então fui andando sem rumo algum.

Um dos meus maiores sonhos sempre foi o de entrar no palácio de Buckingham então era para lá que eu iria, mesmo que fosse apenas para olhar de longe. Andar de metrô pela primeira vez era incrível. Eu nunca tinha feito isso então eu me sentia bem por poder estar sozinha. Até que a solidão não era assim tão ruim.

Enquanto eu olhava admirada o palácio, alguém totalmente desajeitado esbarrou em mim derrubando não só o café em mim como me derrubando no chão.

- Que droga. Você me sujou.

- Mas você não olha por onde anda também.

- Agora a culpa é minha também? Anda, me ajuda a levantar.

- Desculpa eu não te vi. Eu estava distraído.

- Eu percebi.

- Já que você está bem, então eu posso ir. Tchau.

O lindo garoto dos olhos azuis me deixou totalmente sem reação quanto me dava as costas e me deixava completamente melecada. Eu posso adorar café, mas só quando eu estou bebendo.

Depois de estar completamente suja eu não tinha alternativa a não ser ir para a casa da minha avó.

Um tempo depois de implorar por to táxi, consegui um. Para animar ainda mais o meu dia dei de cara com Arthur ao sair do carro.

- O que você está fazendo aqui?

- Eu moro aqui se você não se lembra

- Não digo aqui em si, digo no portão da casa da minha avó.

- Vim trazer uma coisa que a minha mãe pediu.

- Quer entrar pro café?

- Você tá me convidando para tomar café com você? Eu ouvi isso direito?

- Olha não precisa aceitar. Estou apenas sendo educada.

- Então vou aproveitar esse seu momento de educação. Já percebi que eles são raros.

- Vovó, cheguei. Nós temos um convidado pro café. — comecei a gritar quando entrei na casa.

- Anne tenha modos. O que...? Oi Arthur. Você é o nosso convidado? — vovó direcionou toda sua atenção para ele.

- Sim dona Clarice. A Anne me convidou.

- Fico feliz que vocês sejam amigos. Isso é bom pra você Anne. Agora vá logo trocar de roupa. Você está toda suja garota.

Subi para o quarto e preferi tomar um banho. Eu estava tão melecada pelo café daquele garoto, que sobrou até para o meu cabelo. Quando finalmente desci, minha avó estava pronta para sair.

- Anne você demorou tanto que eu não pude esperar para tomar café com você. Saiba que agora que você esta na Inglaterra é sua obrigação estar pronta para o chá das cinco, que agora, com a sua demora é chá das seis.

- Desculpa vovó. Não vou me atrasar mais.

- Sorte que o seu convidado é um gentleman.

- Me desculpe vovó.

- Peça desculpas ao seu convidado, que esta te esperando. Eu vou sair agora, volto mais tarde. Você vai dormir aqui ou seu pai vem te buscar?

- Ele vem me buscar. Agora eu vou ter meu convidado. Tchau vovó.

Deixei ela e fui para a sala de estar procurar por Arthur. Ele estava sentado no banco do piano.

- Namorando o meu piano? — perguntei interrompendo o silêncio dele.

- Não sabia se eu poderia tocar então não tentei.

- Você pode tocar sim, mas acho que o café primeiro seria melhor. Você não esta com fome?

- É o café é uma boa agora — ele sorriu e me acompanhou até a sala de estar.

Estar acompanhada do Arthur era bom, mesmo eu não querendo admitir. Arthur estava sendo um ótimo companheiro para mim, mesmo fazendo tão pouco tempo.

- De novo você não vai comer?

- Eu já comi.

- Não, você só bebeu uma xícara de café. Anne você não almoçou, e eu aposto que você também não comeu mais nada a tarde toda.

- Arthur eu agradeço a sua preocupação.

- Por favor, só um biscoito.

- Esta bem... Assim esta melhor? — coloquei um biscoito inteiro na boca.

- Se você comesse mais um eu ficaria melhor.

- Quem esta comendo sou eu e quem se sente melhor é você?

- Por favor...

- Arthur...

- Anne...

- Se você continuar me atormentando eu não deixo mais você ser meu colega.

- Eu paro de te atormentar se você aceitar ir à minha casa.

- Eu aceito. Vai ser bom sair daqui to pouco.

Concordar em ir para a casa de Arthur era um erro. Ainda mais se isso significasse romper com o meu plano. E mesmo assim eu estava indo.

- O que nós vamos fazer na sua casa?

- Conversar.

- Nós poderíamos conversar na casa da minha avó.

- Mas lá não tem o que na minha casa.

- E o que tem aqui que não tem lá?

- O meu santuário.

- Arthur você é estranho.

- Meu santuário é o meu quarto.

- Pior ainda. Você quer me levar para o seu quarto? Minha avó vai ficar sabendo disso. Onde esta a sua mãe?

- Hey eu não sou nenhum maníaco.

- Não é o que parece. Você não tem amigos?

- Tenho

- Não parece. Eu estou com medo de você Arthur.

- Você é muito desconfiada. Eu só quero uma coisa que esta no meu quarto.

- O que?

- Meu violão.

- Você vai tocar para mim?

- Não, eu vou tocar para mim.

- Você é muito chato garoto.

- Vem comigo, prometo não fazer nada contra você. Você não faz o meu tipo.

Eu nunca tinha entrado em um quarto de garoto a não ser o do Johnny, e eu me sentia tão aflita e nem sabia por quê.

- Anne você pode entrar — Arthur chamou minha atenção. Eu estava parada na porta do quarto olhando para o nada.

- Você tem um quarto legal. E organizado.

- Eu tento. Nem sempre ele esta assim. Se você vier mais vezes eu prometo arrumá-lo.

- Arthur você esta abusando da minha confiança.

- Tudo bem, era brincadeira.

- Mas e aí. O que você vai tocar pra mim?

- Você quer alguma música em especial?

- Não. Você escolhe.

- Então senta aqui — ele me indicou to lugar ao seu lado e então eu me sentei.

Quando os primeiros acordes de You And Me do Lifehouse começou a soar, eu me perguntei se poderia ficar pior. Aquela música mexia tanto comigo, mas eu não podia pedir para que ele parasse já que eu deixei ele escolher a música.

What day is it and in what month

(Que dia é hoje e de que mês?)

This clock never seemed so alive

(O relógio nunca pareceu tão vivo)

I can't keep up

(Eu não posso prosseguir)

And I can't back down

(E eu não posso desistir)

I've been losing so much time

(Tenho perdido tempo demais)

Eu não fazia idéia do que eu estava fazendo, eu só não conseguia terminar. Eu estava parada. Eu não prosseguia.

Deixei-me distrair até aquela parte da música que me chamou a atenção. Não só por que era a minha parte preferida, mas também por que o modo como o Arthur cantava e me olhava estava me hipnotizando.

And it's you and me and all of the people

(E somos você e eu e todas as pessoas)

And I don't know why

(E eu não sei por quê)

I can't keep my eyes off of you

(Eu não consigo tirar meus olhos de você)

Ele realmente não parava de me olhar, a não ser quando olhava para o violão. Eu não estava gostando daquilo.

Enquanto ele continuava a cantar, sem meu consentimento, a minha cabeça deitou no ombro de Arthur e as minhas lágrimas começaram a tomar conta do meu rosto e da minha visão.

Assim que ele terminou a música, ele colocou o violão do lado e me abraçou. O abraço que eu mais precisava naquele momento.

- Por que choras linda princesa?

- Eu não sou uma princesa. Princesas não fazem o que eu fiz.

- Eu espero que você me conte o que acontece com você algum dia.

- Desculpa Arthur. É complicado demais.

- There's something about you now I can't quite figure out — ele cantou uma parte da música.

- Existe muito sobre mim que talvez você nunca compreenda.

- Eu vou esperar para ver.

- Acho que esta na hora de eu voltar pra casa. Meu pai deve vir me buscar a qualquer momento.

- Eu te levo.

- Não! Esta tudo bem. Não se preocupa.

- Mas Anne...

- Tudo bem Arthur. Eu vou indo. Até amanhã.

Sai o mais rápido que consegui do quarto dele.

Quando estava chegando na casa, minha avó estava saindo do carro, e encontrá-la ali significava mais perguntas.

- Onde você estava mocinha?

- O Arthur estava me mostrando o lugar vovó.

- E por que você esta com esses olhos vermelhos?

- Estou com sono.

- Entendi. Esta muito tarde pra você ainda estar na rua. Bom, pelo menos você estava com o Arthur. Vá se arrumar logo para o jantar.

- Não estou com fome vovó

- Não quero saber. Você vai comer sim. Desde que chegou eu não a vi fazer uma refeição direito.

- Vou tentar vovó, mas não garanto comer tudo, como eu já disse, não estou com fome.

Felizmente meu pai chegou antes do jantar e me levou para casa. Eu estava tão cansada que fui direto para o meu quarto, sem jantar. O problema de quando se fica sozinha é que você começa a pensar, e pensar no meu caso não era uma boa opção.

Arthur estava sendo incrivelmente encantador comigo por algum motivo que eu ainda não sabia. Eu tinha tudo para ser a pessoa mais excluída do colégio e estava feliz com isso. Eu queria ser excluída. Afinal qual é a sentença para alguém que mata o próprio namorado? Eu sei que foi totalmente culposo. Eu não tinha a real intenção de matar o Johnny, mesmo que na hora eu estivesse morrendo de raiva. Ele me traiu e traição não é tão fácil perdoar. E depois da morte de Johnny eu fui traída até pelas pessoas que eu achava que eram minhas amigas.

Pensar estava me fazendo mal. De novo.

Notas finais
Então... hã... acho que é isso ai mesmo!
Ah, tem alguem ai nesse cápitulo que por enquanto é só figurante, mas sei lá... sinto vibrações positivas vindas dessa personagem...
Agora ta na hora de eu ir secar o cabelo e me arrumar pra pegar o bus pro cursinho...
Beijinho beijinho e tchau tchau!