Broken Hearts And Twisted Minds
5 Capítulo 5 - Perfectly Lonely
Notas iniciais
Musica do capitulo
I'm perfectly lonely (Yeah)
'Cause I don't belong to anyone
Nobody belongs to me
(Estou perfeitamente sozinho(yeah)
Porque não pertenço a ninguém
Ninguém pertence a mim
Perfectly Lonely - John Mayer (meu marido ok?)
Boa Leitura ;*
Outro dia de aula.
Achei tão estranho quando Arthur não falou comigo na nossa primeira aula. Eu estava crente que teria de usar a minha falta de educação com ele, mas não foi preciso, pois ele evitou a minha companhia. Eu não poderia estar sentindo falta dele. Não mesmo.
É horrível ser aluna nova. Eu nunca tinha visto a vida por esse lado. E a elite que apavora os menos populares não era diferente naquele colégio, digo isso por que quando eu estava na fila para pegar o meu almoço uma idiota líder de torcida derrubou suco na minha camisa do uniforme.
- Me desculpa querida, foi sem querer.
- Agora não adianta mais, você é lerda que não olha por onde anda.
- Hey, você sabe com quem está falando?
- Não faço questão em saber.
Virei-me e dei as costas para ela. Eu tinha que trocar de camisa e me limpar.
- Ninguém fala comigo desse jeito e sai ileso.
- Não estou a fim de perder meu tempo com alguém insignificante — retruquei
- Ah eu te mato garota!
A patricinha histérica voou no meu cabelo.
- Lindsay o que você pensa que está fazendo? — ouvi uma voz masculina atrás de mim.
- Essa daí achando que é gente
- Nunca mais encosta nela.
- Carne nova no pedaço não é Arthur? Por que essa daí pode ser melhor do que qualquer outra menina nesse colégio? Por que você nunca se interessou por outra garota daqui?
- Não é que eu não tenha me interessado. Eu só não me interesso pelas garotas fúteis, egoístas e hipócritas como você. Vem Anne. Eu vou te ajudar.
Eu não estava com cabeça para discutir, por isso acompanhei o Arthur para fora do refeitório.
La fora ele me levou a um lugar afastado das pessoas, um banco embaixo de umas arvores. Eu gostei daquele lugar. Era bem anti-social.
Então eu sentei e disse:
- É melhor você ir atrás da sua namoradinha, antes que ela nos mate.
Ele fez uma cara de desprezo e disse secamente:
- Fica ai não se mete em confusão. E a propósito ela não é minha namorada, não que isso seja da sua conta.
E ele saiu andando. Como o Arthur conseguia ser uma simpatia e agora esse grosso? Ele era bipolar, só pode.
Chegando em casa, vovó estava no jardim. Subi, tomei um banho e sai para caminhar, eu sentia falta do Central Park. Pedi para a Marie, governanta da casa, avisar a vovó.
No condomínio onde minha avó morava havia um parque bem bonito, então passei a tarde lá tomando um pouco de sol. Iria ter muitas tardes livres em Londres, pois resolvi deixar pra trás meus velhos compromissos, não queria mais ser líder de torcida, ainda mais com aquele projeto de piranha. Não tinha amigos e nenhuma vida social. Então poderia fazer muitas coisas com todo meu tempo livre ou simplesmente não fazer nada.
Perdi a noção do tempo e quando vi o sol já estava se pondo.
Chegando em casa, vovó estava aflita.
- Anne, você não esta pronta ainda?
- Vovó me esqueci do jantar, desculpa. Minha presença é mesmo necessária?
- Claro que sim Anne, eu vou receber uma amiga muito importante e o filho dela. Eu quero que você esteja aqui comigo.
- Tudo bem vovó. Perdoe-me. A senhora quer que eu vista algo especial?
- Pedi que a governanta de seu pai separasse alguns vestidos que você trouxe. Você pode escolher. Você consegue se arrumar em uma hora?
- Consigo vovó, mas não espere o meu melhor.
- Eu só quero te apresentar para essa amiga. É muito importante para mim.
- Tudo bem. Vou subir me arrumar.
Dei um beijo nela e subi para o meu quarto. Não demorei muito para me arrumar, mas foi o suficiente para eu estar apresentável.
Quando eu desci, minha avó já estava pronta me esperando.
- Você se sente bem não é Anne? Recebendo meus convidados?
- Vovó, eu só não estaria bem se a senhora tivesse convidado alguém de Nova York.
- Quanto a isso pode ficar despreocupada, eu e seu pai cuidamos de tudo para você se sentir bem morando em Londres. Nada do seu passado irá perturbar o seu presente.
As pessoas tentando aliviar a minha culpa e eu me sentindo mais culpada ainda.
Não demorou muito para a visita de minha avó chegar, a governanta foi nos avisar e então nós nos assumamos esperando que eles entrassem.
- Clarice querida quanto tempo — a amiga da minha avó a cumprimentou.
- Fernanda essa é minha neta Anne — vovó nós apresentou.
- Prazer em te conhecer querida. Sua avó falava tanto de você. Esse é meu filho Arthur — quando a amiga da minha avó saiu para dar espaço ou filho eu quase desmaiei.
- Prazer eu sou Arthur — ele fingiu que não nos conhecíamos e estendeu a mão para mim.
- Prazer eu sou Anne — agi como ele.
- Vocês estudam na mesma escola. Vocês nunca se viram? — a mãe dele nos perguntou.
- Não — nós dois respondemos juntos.
- Ah mais terão muito tempo para isso. A Anne sempre estará aqui, principalmente agora que se mudou de vez para Londres, e vocês são meus vizinhos. Oportunidade não irá faltar — minha avó disse toda feliz.
Eu estava presa naquele jantar, e Arthur estava indiferente a minha presença. Tem como a minha vida ficar pior? Não me responda.
- Anne querida, você está se sentindo bem?
- Desculpa vovó, eu posso sair para tomar um ar?
- Tudo bem querida.
Me levantei e fui para o jardim. Eu já tinha terminado meu jantar já que minha avó tinha insistido, e aquilo estava me fazendo mal. Deitei-me em um banco que tinha no jardim e fechei meus olhos. Estava tão frio, mas não estava me incomodando, o que me incomodava e me punia era o fato de eu me deixar estar na presença de pessoas que me faziam bem, e que eu tinha vontade de conhecer. Como eu podia ser tão fria assim?
- Você não deveria estar nesse frio. Pode fazer mal a você.
- Hã? Ah, não vi que você estava aqui — eu disse me arrumando no banco.
- Sua avó está preocupada com você.
- Todo mundo está preocupado comigo. Por que você acha que eu estou aqui?
- Não sei, e também não me importa.
- Melhor assim — me levantei e fui em direção a casa, mas ele segurou o meu braço — que foi?
- Você precisa de ajuda Anne.
- Não sei se alguém pode me ajudar. Você não sabe pelo que eu passei. Desculpe-me — me soltei dele e voltei para a casa onde minha avó conversava animadamente com sua amiga.
- Você se sente melhor querida? Onde está o Arthur?
- Ele...
- Eu estou aqui dona Clarice.
- Achei que minha neta havia te deixado sozinho lá fora.
- Imagine Clarice que uma menina tão simpática e educada quanto ela faria isso — a mãe de Arthur me defendeu.
- Obrigada — eu a agradeci.
- Anne por que você não toca um pouco de piano para nós? — minha avó gentilmente pediu.
Fui até o piano e comecei a tocar uma música bem conhecida por mim. A música que eu sempre tocava para Johnny.
Sem o meu consentimento uma lágrima escorreu de meus olhos.
- Desculpa vovó. Eu preciso subir. Boa noite dona Fernanda. Boa noite Arthur.
Deixei-os sem saber o que tinha acontecido comigo e corri para o meu quarto. Aquela foi uma longa noite.
Decidi que precisava me controlar, a minha dor e a minha culpa não me abandonariam, alias, eu não podia deixá-las pra trás então tinha que controlar e sobreviver. Eu não podia continuar agredindo as pessoas como o Arthur, afastando-as. Se aquela dor era minha eu não ia deixar que as pessoas ao meu redor sentissem. Mesmo que fosse uma melhora falsa eu iria tentar, ia fazer todos pararem de se preocupar comigo, ia parar de maltratar-las, principalmente o Arthur. Tomei aquela decisão e me concentrei no sono e logo ele veio.
Pela manha tomei o café como no dia anterior e fui para a aula. Chegando ao colégio procurei Arthur. Ele estava sentado no banco o qual me levou no dia anterior após a confusão no refeitório. Fui até ele com a decisão tomada e frases já ensaiadas.
- Oi Arthur será que posso falar com você?
Ele demorou um pouco e isso me irritou profundamente, então ele tirou o fone e disse secamente:
- Já que eu tirei meus fones pra falar com você considere-se importante e a propósito, eu tinha algumas coisas pra te falar, mas às vezes eu prefiro não dizer. Espero que as pessoas percebam. Não insisti, você já sabe que tem minha amizade se quiser e me parece que você percebeu que pode contar comigo. Ou eu estou enganado e você quer ajuda em alguma matéria? Cola em alguma prova? Ou copiar algum trabalho meu?
É ele estava sendo arrogante, mas com razão eu havia o evitado a semana toda e até o maltratei...
- Me desculpa, eu não estou acostumada a isso.
- Acostumada a que? A ser educada? Isso eu percebi.
- Hey, da pra me ouvir? Você também não está sendo educado comigo
- Ok, me desculpa. Eu estou te ouvindo.
- Muita coisa aconteceu comigo antes de eu me mudar para cá. Eu decidi que não teria mais amigos e eu tentei manter isso. Não me entenda mal, não é com você. Eu só não me sinto bem... Falando de mim. Com as pessoas se importando comigo... Eu... Eu... Me desculpa Arthur — eu não conseguia mais falar e aposto que ele não havia entendido nada.
- Anne, posso fazer uma coisa?
- O que? — perguntei limpando minhas lágrimas.
- Isso — ele puxou meus braços e me abraçou.
Minha vida estava em pedaços e alguém estava segurando esses pedaços.
Era estranho me ver ali. A aluna nova chorando nos braços de um veterano.
- Eu vou estar aqui para o que você precisar.
- Mas você não me conhece.
- Por isso mesmo eu vou estar aqui.
Olhei para ele e sorri. Ele também sorriu para mim e me abraçou de novo.
Àquela hora a primeira aula já tinha começado há muito tempo e ficar ali com o Arthur era a melhor coisa que eu poderia fazer.
- Você vai me falar sobre a sua vida?
- Não quero falar sobre ela nunca mais. Isso é o meu passado
- Eu não vou poder te ajudar se você não falar.
- Então na me ajuda. Talvez você descubra tudo sozinho, e mesmo assim eu não vou falar. Não quero lembrar. Estou tentando esquecer.
- Vai mesmo voltar a ser grossa comigo?
- Você vai ficar insistindo na minha vida?
- Tudo bem. Quer sair hoje à tarde?
- Desculpa. Não ter uma vida social também faz parte da minha penitência.
- Posso ir à sua casa então?
- Você não desiste Arthur?
- Não quando eu quero muito alguma coisa.
- E o que você quer agora?
- Ser seu amigo
- Faz parte da minha penitência não ter amigos. Você pode ser apenas meu colega se quiser.
- Você pode chamar de coleguismo se quiser.
- Ok você venceu. Coleguismo.
- Ok coleguinha vamos assistir a próxima aula?
- Até mais Arthur e obrigada por tudo — dei um beijo no rosto dele e sai na sua frente.
Uma das minhas promessas estava quebrada.
Todas as aulas antes do almoço foram normais. Eu não falava com ninguém, ninguém falava comigo. Eu estava bem assim. Eu só não sabia se o que eu tinha feito aceitando o coleguismo de Arthur estava certo.
No almoço eu não quis comer nada então fui direto para a minha mesa. Fiquei lá até que alguém se sentou ao meu lado. Era Arthur que trazia consigo uma bandeja lotada de comida.
- Posso me sentar aqui?
- Você já está sentado Arthur.
- Vai continuar a ser grossa?
- Vai continuar a insistir? Eu não gosto de pessoas insistentes.
- Tudo bem. Vou ficar quieto.
Ele comia o seu almoço com tanta vontade que chegou a me dar fome. Tentei me concentrar nas músicas que não haviam sido excluídas do meu iPod mas eu não conseguia.
- Anne você quer? Por que não pegou nada pra você?
- Hã? Ah não, eu não estou com fome.
- Pois parece. Você não para de me olhar comer. Vem Anne coma alguma coisa comigo. Quer esse bolinho?
- Não. Obrigada Arthur.
- Se você passar mal tenha a sorte de passar mal perto de mim de novo. Aposto que ninguém vai querer te levar para a enfermaria como eu te levei na segunda.
- Foi você quem me levou?
- Sim, e não precisa agradecer.
- Por que você se importa tanto comigo?
- Você não sabe ainda, mas precisa de mim Anne.
- Você é tão estranho Arthur. Você não deveria se importar comigo. Eu deveria ser insignificante. Era meu objetivo.
- Você pode não entender agora, e talvez nunca entenda.
Notas finais
Eu, Larissa, tenho uma paixão platonica por ele !
Beijos, Blues e Poesia for all ;*
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