Broken Hearts

81 Você saberia meu nome Se eu o visse no paraíso?


Notas iniciais
Olá, Serumaninhos da minha vida: A cena que faz referência ao sequestro de Tim foi apenas o argumento mais coerente que encontrei para reaproximação de Jason e Bruce. Eu não pretendo me aprofundar nas consequências desse fato, porque a referência do arco atual da obra se baseia nos universos de #WW e #Hellblazer. Teremos alguns saltos na cronologia até a chegada à atualidade (2018). Logo, não estranhem algumas passagens rápidas de tempo. Alguns acontecimentos dependem desse avanço para ter sentido. No mais, boa leitura, mes amours! ♥

♣ ♣ ♣

“Por que caímos, Bruce? Para aprendermos a levantar!”

(Thomas Wayne, in: Batman Begins)

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♣ Gotham City || Centro Comercial || Wayne Enterprises ♣

>— Três anos depois

“Senhora Gonzales, por favor, retire todos os objetos de vidro, metal e que ofereça risco das mesas, mesaninos, das três últimas prateleiras das estantes ou de qualquer coisa com altura inferior à 1m e ½”.

A secretária ouviu o pedido da voz com tom ligeiramente robótico no auto-falante do telefone em sua mesa.

— Sim, senhor Wayne. Farei isso assim que eu endereçar os convites da festa de inauguração da Embaixada que o senhor pediu.

A bonita mulher morena de 42 anos, que não negava sua herança latinas nas feições, respondera educadamente.

“A senhora não entendeu a urgência, senhora Gonzales... Preciso que faça isso agora”... A voz retrucou.

Estela Gonzáles obedeceu sem hesitar. Ela supunha que a razoável aflição no tom de voz seria fruto das outrora famosas exigências desnecessárias de seu chefe – que deixaram de ser recorrentes, ao ponto dela sequer lembrar a última vez em que ele tinha-lhe feito um dos pedidos extravagantes de playboy.

Sua suspeita desfez-se assim que ela abriu a porta do gabinete presidencial da Wayne Enterprises.

Quem visse a confortável sala social para recepcionar os empresários, diria que sofrera um vandalismo de meia dúzia de vândalos. A sala seguinte, de reuniões, sediara uma partida de futebol e a última, o escritório, fora palco de um show de rock (de uma banda de crianças).

Dizer que o gabinete da presidência do maior e mais importante conglomerado industrial da América estava uma bagunça era um eufemismo!

(...)

Parecera-lhe uma péssima idéia ter trazido os filhos com ele para o trabalho. Contudo, era sua única alternativa para evitar o adiamento de uma importante e urgente reunião – que poderia significar o cancelamento das negociações.

Não havendo nenhuma das pessoas que ele considerava deixar os filhos aos seus cuidados disponível, ele tomou por bem trazê-los consigo para o trabalho. “Não é tão difícil cuidar dos meus filhos... eu sou o Batman, afinal de contas!”, ele disse a si mesmo.

Diana estava em uma missão com o Corpo dos Lanternas; Tim estava em Metrópolis, na Universidade; Alfred estava doente, com pneumonia; e Damian, ele considerava que não tinha maturidade pra cuidar sozinho dos irmãos.

O comportamento de Sarah não exigia muito de sua atenção. Ela era quieta, falava pouco (apesar de dominar a linguagem como se tivesse 10 anos) e habitualmente mantinha as atenções focadas por um bom tempo no computador ou na Tv.

Thomas era o extremo oposto. Seu filho era um menino curioso, comunicativo (na linguagem apropriada para sua idade) e hiperativo com a perigosa habilidade de provocar curto circuito no cérebro genial do Morcego.

Claro que Bruce amava seu filho e estava feliz por Thomas ter um comportamento completamente normal e saudável para crianças. Contudo, ninguém poderia culpá-lo por ‘perder a cabeça’ tentando lidar com uma meta-versão poket do pequeno Bruce com a personalidade da pequena Diana.

Thomas Thaddeus Wayne parecia uma cópia exata da aparência de seu pai, com um ou dois anos acima de sua idade real – igual a Bruce aos 4, ao invés dos seus 3. E um espelho da essência de sua mãe – seu comportamento mostrava as semelhanças explicitamente. Ele era uma espoleta, como Hipólita o alertara, há algumas semanas. A rainha havia lhe contado histórias sobre a infância de Diana. “Se eu não tivesse um coração forte, Diana já seria rainha há milênios, porque eu estaria morta”, Hipólita confessara-lhe.

“Mas eu não tenho centenas de amazonas para me ajudar aqui, majestade. Eu, Alfred e Tim somos apenas mortais”, Bruce disse a ela. Thomas havia revirado tudo e ele tinha uma reunião importante em meia hora. Então ele e a senhora Gonzáles começaram a arrumar.

Seu pequeno sol, como sua esposa o chamava, era um menino sorridente e amável, com idade cronológica de três anos e física, de 4 ou 5 anos, e forte como um menino de 15. Não tinha habilidades de vôo desenvolvidas, mas Bruce sabia que ele a teria com o tempo, já que ele conseguia levitar alguns centímetros do chão quando focava intensamente em algo que queria pegar em um lugar fora do alcance. Até agora, o monitoramento de Bruce sobre ele indicou que ele se elevara no máximo, 10 ou 12 cm.

Seus relatórios sobre Thomas indicaram que ele era mais rápido que outras crianças, mas havia uma certa ‘ponderação’ intuitiva nele e ele nunca mostrava-se meta-desenvolvido em público. Deixando Bruce orgulhoso por seu filho ter herdado essa sensibilidade da mãe, quando na companhia de outras pessoas.

(...)

Sarah Antíope Wayne era a imagem de uma pequena dama muitíssimo bem educada de 3 anos. A luazinha e estrelas de sua mãe e pequena mente brilhante do pai. Enquanto seu irmão revirava todos os ambientes do escritório, ela permanecera concentrada no tablet sobre a mesa da sala de reuniões, sentada sobre uma almofada na cadeira do CEO da empresa, mundialmente conhecido como Bruce Wayne.

Ela tinha a estrutura física de uma menina de 3 anos (exceto pela altura, que era um pouco acima da média, já que Bruce e Diana eram muito altos), mas sua postura, expressão facial e comportamento só eram cabíveis às garotas bem mais velhas. Quem a visse neste momento, diria que ela agia como uma menina de 10 anos. Quem a conhecia melhor, sabia que 7 anos ainda era pouca idade.

A ‘convivência’ com seu avô dera-lhe uma ‘experiência’ muito além do concebível para qualquer um de nós mortais. Hades a visitava com freqüência em seus sonhos, algumas vezes visível apenas para ela e rarissimamente, materializava-se (atendendo os poucos pedidos de sua neta por sua presença).

Um desejo que ele atendia prontamente, fingindo um certo desdém para com as interações humanas que ele chamava de tolas. Em suas raras visitas em que se fizeram presente de corpo e alma, Hades era recebido com um meio sorriso e pelo brilho ofuscante perolado dos olhos de sua pequena mortal. Sarah o abraçava por um longo tempo, quando ele a colocava em seus braços. Eles ficavam o tempo todo em silêncio...

Não era preciso dizer nada...

Porque não se poderia explicar o inexplicável...

E toda essa interação freqüente entre Sarah e Hades acabara por acelerar (ainda mais) certas habilidades dela que já eram acima da média. A menina dos olhos de Bruce Wayne herdara uma mente brilhante do pai e dos avós materno a paterno. Aprendeu a falar muito cedo, desenvolveu a fala muitíssimo rápido – falava corretamente, sem as dificuldades de pronúncia, como as crianças de sua idade – aos 3 anos (as poucas vezes) se comunicava de forma impecável.

Sarah não era apenas muito inteligente, como também tinha a mesma genialidade perspicaz do Batman e do deus do Submundo, além de ter um quê de bom senso que só poderia vir de sua mãe, já que era uma característica visivelmente contrária à sua personalidade.

(...)

— Papaiiiiiiêêêê... Olha pra eu... eu sou o Dick, papai – Thomas chamou o pai, enquanto se equilibrava sobre a parte estreita do encosto do sofá. Colocando um pezinho na frente do outro, com quase nada de equilíbrio, com os bracinhos abertos, como na corda bamba.

Bruce correu e o pegou nos braços com tanto desespero que parecia que a distância entre o sofá e o chão tinha a mesma altura de um prédio de 20 andares.

— Não se diz ‘olha pra eu’, Thomas. É ‘olha pra mim’ – Sarah corrigiu, sem tirar os olhos do tablet – Pai, o Thomas não vai quebrar se cair. Ele sara rápido, esqueceu?

— Thomas, meu filho, eu não quero que você se machuque. Não faça mais isso, entendeu? – Bruce viu o menino assentir em seu colo – E você, mocinha: Primeiro, seu irmão tem 3 anos. Ele não entende regras pronominais... Segundo: Seu irmão cura bem rápido, mas não é imune a dor. Eu não quero que ele se machuque por esse motivo.

— Ele não parece sentir dor, pai... O Tommy nunca chora quando se machuca. Ele não chorou nem quando quebrou o braço, lembra?

— Ele sente a mesma dor que qualquer um de nós sente quando se fere, Sarah. A questão é que seu irmão é como sua mãe. Ele não quer preocupar a mim e ao seu avô. E não suporta ver sua mãe chorar e por isso ele engole o chôro... Não é, Tommy?

Thomas afirmou mexendo a cabeça e um grande sorriso no rosto, abraçando seu pai com força, como se estivesse grato e feliz por saber que seu pai o entendia sobre algo que nem sua mãe conseguia.

— Como você sabe, pai? – Sarah questionou como sempre. Ela nunca aceitou respostas prontas. Sempre queria entender as coisas.

— Não posso explicar porque não há uma resposta lógica. Talvez seja porque ele é meu filho. Alfred sabe quando eu escondo que estou com dor e sua mãe também...

(...)

Durante a reunião, observando seus filhos, Bruce tornara-se consciente de que a, outrora má idéia, mostrara-se determinante para o sucesso de uma das mais vantajosas e lucrativas negociações da Wayne Enterprise. A presença dos filhos era uma confirmação veemente de que Bruce Wayne agora era um responsável pai de família e, por isso, um negociador mil vezes mais confiável do que o playboy irresponsável de outrora.

Ele tinha que admitir que Alfred não estava exagerando quando disse que Diana encaixava-se perfeitamente em todas as partes à sua vida, a ponto de fazer bem até onde ele sequer supunha, como na vida empresarial.

Bruce não precisava mais fingir estar dormindo nas reuniões, de ressaca, e se esforçar pra convencer os investidores que Lucius era quem tomava as decisões, que ele apenas assinava os cheques e fazia o que Fox mandava – porque 90% das reuniões era para convencer acionistas e investidores que o playboy mulherengo estúpido não gastaria o dinheiro deles com mulheres e festas.

O agora homem casado raramente se atrasava para os compromissos da empresa, se comportava adequadamente ao interagir com as mulheres e, acordado durante as reuniões, mostrou que não era tão estúpido quanto as pessoas imaginavam – a ponto de calar os fofoqueiros da empresa de que doara milhões à Harvard em troca da Universidade conceder-lhe o diploma em Administração.

E se o casamento facilitara as negociações, para sorte de Bruce, a imagem de pai de família, diante dos acionistas de sua empresa e do grupo empresarial chinês, foi um selo de confiabilidade.

Quando as discussões ficaram acaloradas e as vozes se elevaram, descontentes com as propostas, ninguém notou quando Thomas saiu do sofá em direção ao mais alterado deles, gritando grosseiramente com uma das empresárias chinesas, uma senhora idosa.

Os gritos emudeceram quando Logan Ford sentiu uma pequena mãozinha gorducha segurando a sua, embaixo da mesa. Ele parou de gritar e olhou para o menino, de pé, ao lado da sua cadeira... E quando ele emudeceu, todos as outras vozes foram perdendo volume até que todos estavam em silêncio, focados na cena do menino olhando Ford nos olhos.

— Senhor, sua mamãe não ensinou que... – Tommy imitou a voz de sua mãe – ‘devemos sempre respeitar os mais velhos (“mais velhos quer dizer pessoas que são vovô e vovozinhas”, o menino cochichou, para explicar como identificá-los para Logan). Se eu brigar com meu vovô Alfie, ele fica triste... Não fica bravo com a vovó. Ela vai ficar triste.

Bruce fitou os rostos ao redor da mesa e viu a maioria tocada pelas ações da criança e os outros encantados.

— Você está certo, senhor... Qual o seu nome?

— Meu nome é Thomas Thaddeus Wayne, mas minha mãe me chama de solzinho, meus irmãos me chamam de Tommy, menos o Tim que me chama de TT e de grandão – O menino sorriu e o empresário retribuiu o sorriso.

Logan olhou para a senhora Li, dirigindo-lhe um cumprimento e um pedido de desculpas – Sinto muito por ter sido grosseiro com a senhora.

— Estávamos todos com os nervos a flor da pele. Não se preocupe!

Thomas caminhou até seu pai e estendeu os braços para que Bruce o pusesse no colo. E a reunião seguiu tranquilamente até o fechamento da fusão mais lucrativa da Wayne Enterprises dos últimos dez anos.

♣ WatchTower || Órbita da Terra ♣

— Então é aqui que o alto clero se reúne? – O tom desdenhoso veio do homem despenteado, vestindo um sobretudo amarrotado, que caminhava ao redor da mesa, espiando cada acento e mexendo nos botões e teclado virtuais.

— Por favor, guarde seu sarcasmo para quando sairmos daqui, John. Não me envergonhe na frente deles... – A maga jurou seriamente – Ou juro que conjuro uma maldição que fará você se arrepender pelo resto da sua porcaria de vida. Eu não tô brincando!!

— 1. Entre tentar e conseguir há uma diferença abissal. Você pode tentar me amaldiçoar... Nada mais!! 2. Você não está com vergonha de mim por causa dos mestres Jedis da Liga. O que te incomoda é seu Cavaleiro Kaylo Ren das Trevas achar que nós estamos juntos!

— Não me subestime. Eu não sou mais a garota que você conheceu. Eu sou uma mulher e uma maga muito mais experiente agora. – Ela se aproximou dele para dar-lhe a clara visão do fogo ardente em seu olhar de fúria.

— E quanto à sua suposição obsessiva de que eu ainda tenho sentimentos pelo Batman, se eu fosse você, evitaria piadinhas idiotas sobre isso... – Zatanna prosseguira – não é aconselhável entrar em um confronto não apenas com o Batman, também com a Mulher Maravilha.

— Zanna, ninguém se casaria com o Morcegão da depressão estando consciente. Especialmente, Aquela alguém... Ela deve ter sido amaldiçoada – A maga sorriu, relaxando.

(...)

Ainda que não admitisse, nem sob tortura, para ninguém além de si mesmo, ‘o alto clero’ (bem, a maioria) era, no mínimo, impressionante. Com exceção do Lanterna Verde e do Flash, os outros 6 membros seniores mereciam sua apreciação sem deboche.

Ele nunca fora um fã de um homem arrogante a ponto de aceitar ser chamado de Super. Contudo, vê-lo pessoalmente o obrigou fazer ponderações. Quando o Azulão fez seu caminho da porta para seu acento, Constantine teve uma noção de que Super era um adjetivo apropriado para a figura de 1m90, vestindo um uniforme azul-marinho que parecia uma segunda pele, desenhado sobre uma musculatura perfeita ‘super’ humana.

O bruxo desistiu de fazer qualquer piada espirituosa com o ‘homem que fala com peixes’ – inclusive essa! O rei atlante, ao contrário da imagem de deboche que se fazia dele, era assustadoramente imponente. Ao contrário de sua aparência, seu porte e postura eram de um rei. Aquaman era maior que o Superman (quem no inferno poderia ser maior que o Azulão?) e, como se não bastasse, era o único ser estranho do mundo que conseguia ser bonito – A aparência de Arthur Curry era uma mistura de Hippie Woodstock com Conan, o Bárbaro.

O ciborgue e o Marciano eram absolutamente intrigantes em virtude do impacto causado pela visão de algo inimaginável pela primeira vez. Como não se impressionar com um homem máquina, cuja tecnologia fazia o Robocop parecer uma lata de sardinha comparado à ele. E com um “mothafucker” de um marciano grande e verde, que poder ler mentes, bem à sua frente?

Mesmo o Morcego, assumira seu quinhão de imponência – para sua irritação – quando Constantine pôs os olhos sobre a figura do Batman completamente envolvida pela capa negra. Ele não tinha medo do Cavaleiro das Trevas, vigilante de Gotham, com quem realizou alguns trabalhos na Liga da Justiça Sombria. Para alguém que foi assombrado, desde que nasceu, com a visão abominável de demônios e conhece o verdadeiro mal, o Batman é um homem bom demais para provocar qualquer vestígio de temor.

Contudo, ao observar o Batman, como membro fundador da Liga da Justiça, o fizera ganhar seu respeito, na medida em que provocara-lhe uma sensação sutil de orgulho em sua metade humana. Aquele Morcego não poderia ser menos que extraordinário para elevar um homem ‘comum’ e sem poderes, ao inalcançável nível da elite de heróis meta-humanos.

A heroína da Liga era um capítulo a parte. Ela era bem mais alta e magra do que supunha – não magra como uma modelo de passarela. Mas comparada as proporções que imaginara que ela teria, vendo-a pela TV. E, como se fosse possível, muito mais bonita pessoalmente – uma afirmação que sua mente disparou assim que a vira. Ela era linda na TV e nas revistas e, obviamente, ele esperava que ela fosse impressionante de perto. Mas não era por uma razão tão simples e superficial.

Havia algo nela que o fez sentir-se bem, que podia confiar nela, que não queria mentir para ela, nem usar as máscaras que escondem seu verdadeiro eu e protegem sua alma e seu coração. E como arremate, quando o olhar intenso da heroína encontrou os olhos do bruxo na direção dela, a Mulher Maravilha atirou-lhe um sorriso amplo e caloroso de boas-vindas. O que o fez lembrar de algo que Zatanna dissera sobre ela há tempos. Que até então, para ele, era uma ironia sutil alfinetando o Morcego. “Todo mundo ama a Mulher Maravilha... Até mesmo o Batman”. Não era uma piada sobre o Batman.

O ligeirinho escarlate, mesmo usando máscara, era jovem e curioso demais para tomar as atenções de um homem como ele. O Flash não escondia a excitação juvenil e o comportamento entusiasmado em um nível que denunciava sua idade – não menos que 18 e não mais que 28.

Já com o Senhor do Anel, Hal Jordan, foi antipatia à primeira vista.

(...)

Após a apresentação dos membros da Liga, Superman deu-lhe a palavra.

— Em uma frase: Preciso da ajuda da Liga pra TENTAR impedir uns Apocalipses! – John sentenciou.

— Você diz O Apocalipse, tipo fim do mundo da Bíblia ou O Apocalipse, tipo aquele monstrão que é Super das Tartarugas Ninja? – Barry falou e só Jordan caiu na gargalhada.

— Supertartaruga... Super Tar-ta-ru-ga – Hal disse ente risos.

— Zanna... Esse cara vestindo um traje de pepino de lycra é tipo um senhor do anel? Pelo visto, inteligência não é uma exigência pra ganhar esse anel não, não é? – John ironizou.

— Zatanna, seu amigo ‘noiado-junkie não toma banho há dois dias’, está irritado por causa da abstinência em heroína... Ou ele prefere crack? – Hal Jordan perguntou a Zatanna, furiosa com o deboche.

— Se você levasse a sério o que ele tem a dizer, Hal, quem sabe eu discordasse de 50% do que ele disse sobre você – John olhou para ela, escondendo a surpresa e a satisfação ao vê-la tomar partido em seu favor.

— Bem... Se os mestres Jedis da Trindade me deixarem continuar – O mago olhou para o Superman que assentiu – E, sem ofensa... A versão galã-engraçadinho-comédia-romântica vestindo um quiabo de lycra não interromper... Eu ficarei feliz em dizer do que se trata... – John sorriu quando viu Diana se esforçar pra não rir e o Flash, gargalhar, sem cerimônia.

O anel assumiu o brilho verde que mostrava a irritação de Jordan. Que assumira maior intensidade quando o bruxo sorriu desdenhoso para o herói, como se um Lanterna Verde não fosse páreo para ele.

— Hal... – O chamado do Superman era um pedido de calma para Jordan – Acho que agora você sabe como nos sentimos quando somos alvos das suas piadas! Continue, Constantine...

— Há três anos, Osíris descobriu que seu irmão Set planejava ampliar seus planos de destruição e dominação. Normalmente, os planos de Set não eram de grande preocupação para Osíris, até a descoberta de que seu irmão dedicara um século e meio em sua estratégia de levar destruição e morte para além de seus domínios. Set planeja ‘tocar o terror’ na Terra desta e de outras dimensões, em mundos de vivos e mortos deste e de outros planos...

— Com todo respeito aos deuses egípcios, sabe-se que não estão entre os mais poderosos... O que faz Set ser uma ameaça real? – Diana questionou.

— Preciso da Liga para descobrir, não só como ele planeja fazer isso. Se não impedirmos Set antes que ele coloque o plano em prática, teremos o sangue de milhões de vidas devastadas nas mãos. – John prosseguiu – Eu ainda não sei como, mas uma coisa eu sei: Set pode não ser o deus mais poderoso dos egípcios, mas o poder de uma mente ardilosa e maquiavelicamente brilhante não deve ser subestimado...

♣ Faixa de Gaza || costa oriental do Mar Mediterrâneo ♣

— O que o traz aqui? Tão longe de seus domínios?

— Vim ao teu encontro, a fim de fazer-lhe uma proposta que suponho ser vantajosa. Uma aliança que nos dará poderes ilimitados.

— Primeiro, diga-me de que serviria aliar-me a um deus de segundo escalão, como tu, meu caro, Set? Que vantagem eu teria em uma aliança contigo?

— Meu caro, Ares... Você não aprendeu nada com os mitos de sua etnia? A arrogância vaidosa de Narciso foi sua ruína... Não me admira sua humilhação constante, sempre derrotado pela menina de Hipólita. Quantos anos a criança tem? 3 mil? 4 mil?... Um deus tão poderoso como você, com a experiência de dezenas de milênios... 60, 70, mil anos. É como ser derrotado por um bebê.

— Espere... Dize-me o que queres antes que te esmague.

(...)

— Por um século e meio, eu pesquisei, estudei e observei inúmeras dimensões e seus deuses. Entre os deuses mais poderosos, sempre havia um pária, como nós, disposto a tomar o poder...

— Se conseguirmos convencê-los a se juntar a nós, seremos líderes de um pequeno exército de deuses imbatíveis!

— Set, Set, Sete... Eu devo admitir que você não é tão imprestável! – Ares abriu um largo sorriso malicioso e maquiavélico.

♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣

Você saberia meu nome

Se eu o visse no paraíso?

Você seria o mesmo

Se eu o visse no paraíso?

O fiel mordomo seguira seu mestre anunciando a agenda de compromissos, enquanto ele caminhava em direção ao home office. A imagem da menina de pé, em frente à janela da sala da lareira, retornou a focar o olhar na imensa pintura dos Wayne sobre a lareira.

Após alguns minutos de absoluta observação do quadro, algo parecera chamar-lhe a atenção, por causa do movimento brusco e imediato que ela desviou o olhar para outro lugar, de volta à janela, em frente ao antigo poço desativado da propriedade...

Era como se alguém tivesse-lhe chamado.

Ela caminhou até a velha poltrona preferida de Thomas Wayne, onde ele costumava ler livros e, às vezes, fumar um cachimbo na companhia de Alfred.

Eu devo ser forte e seguir em frente

Porque eu sei que não pertenço

Aqui ao paraíso

Não havia absolutamente nada lá, mas Sarah não sentou, apenas ficou de pé, de frente à poltrona e de costas para porta, onde Alfred e o pai a observaram.

Ela não emitia nenhum som, mas os dois tinham a impressão de que ela estava conversando com alguém. Então, quando viram ela mover a cabeça em um sinal positivo, tiveram certeza que sim...

“Um provável amigo imaginário”, Bruce sussurrou para Alfred.

Mas ele logo descobrira que não, quando após a resposta afirmativa, ela voltou-se para ele, como se falar com ele fosse aquilo para o qual ela disse sim.

Você seguraria minha mão

Se eu o visse no paraíso?

Você me ajudaria a ficar em pé

Se eu o visse no paraíso?

— Papai, ele me pediu pra te dizer que tem muito orgulho de você!

— Quem? Quem pediu?

— Meu avô... Bem, eu não acreditei quando ele disse, mas é verdade. Ele não estava mentindo pra mim. Ele é o vovô.

— Quem disse que era seu avô, querida? – Alfred perguntara.

— Ele – Ela apontou para o quadro – o homem do quadro. Mas ele não estava usando bigodes. E o cabelo era maior... No quadro ele tem olhos tristes. Ele disse que queria ficar com o papai, mas que não podia ficar,l porque aqui não é o lugar dele.

— Sarah, não se atreva a fazer esse tipo de brincadeira, entendeu? – A menina se assustou com o tom severo na voz do pai, que ele nunca usara com ela. – Eu não vou tolerar que você crie suas histórias de fantasias com algo sério. Não brinque com a memória de meus pais...

— Mas, papai... Não é brincadeira. Eu nunca gosto de falar as coisas que eles me pedem por isso. Ninguém acredita. – Ela respondeu, cabisbaixa.

Encontrarei meu caminho

Pela noite e pelo dia

Porque eu sei que não posso ficar

Aqui no paraíso

— O que mais ele falou? – Ao contrário de Bruce, Alfred parecera dar-lhe um pouco de crédito, ajoelhando-se para olhar em seus olhinhos iguais aos de Martha Wayne.

— Ele disse que amava meu papai, eu, meus irmãos e disse pra dizer obrigada para mamãe e que você, vovô era o melhor de todos os amigos... – A forma como ela falou parecia apenas carinhosa e Alfred tomou por bem acreditar em seu amor por ele – Ele falou assim: Meu Bruce é o melhor filho de todos, porque Alfred é o melhor pai que ele poderia ter.

A menina se encolheu, angustiada, quando o mordomo, de joelhos, chorou. Os ombros subindo e descendo, o som miúdo e abafado pela mão que lhe tapava a boca. Eram lágrimas aliviadas ao ouvir que o homem a quem considerava o melhor homem que conhecera na vida, o anistiava da culpa por suas falhas como pai de seu filho.

Sarah chorou ao ver as lágrimas do avô, tomando como algo ruim que o fizera. ‘Sinto muito, vovô. Me desculpe se eu disse algo ruim”. Mas quando o velho inglês a abraçou e lhe disse “obrigada, minha menina”. Ela sentiu-se melhor.

Seu pai ainda estava com a expressão zangada, mas não com raiva. Era como a chama da revolta de terem-no tirado seus pais.

Além da porta existe paz, tenho certeza

E eu sei que não haverá mais…

Lágrimas no paraíso

— Diga o que ele disse para seu pai? – Alfred pedira-lhe.

— O papai vai ficar zangado, vovô. Ele não quer que eu diga.

— Então, diga pra mim. Se ele não quiser ouvir, é só sair. Se quiser, basta ficar.

Bruce não se mexeu e a menina prosseguiu.

— Ele disse que o Tommy é igualzinho ao papai, menos o sorriso que é da mamãe. Que ele sente saudades do papai quando vê meu irmão... Algumas coisas eu não entendo, Vovô...

— Basta dizer, querida. Nós entenderemos!

— Ele disse “diga ao Bruce que ele não nos deve nada. Nem pra mim, nem para Martha”. Ele disse que o Batman não deve mais proteger Gotham por causa da promessa. Que o Batman é um herói, porque Bruce é um herói... E que ele está orgulhoso do papai.

— Eu estou saindo... Não quero ouvir... – Bruce foi saindo de mansinho

— Ah... Ele falou “Por que caímos, Bruce?” – Bruce Wayne parou, congelou, e desatou a chorar.

“Para que aprendamos a levantar”, ele sussurrou.

“Pai... Você viu meu pai, Sarah?”, ele se voltou para menina e a abraçou.

“Sim”

Sarah... Sarah...

Ele a pegou sua menina nos braços, envolvendo-a em um abraço cheio de saudade, como se fosse uma carta que só ela poderia entregar ao destinatário.

— Você acredita em mim, pai?

— Sim, querida. Eu sinto muito... Por não ter acreditado antes!

Você saberia meu nome se eu o visse no paraíso?

Você seria o mesmo se eu o visse no paraíso?

Eu devo ser forte e seguir em frente

Porque eu sei que não pertenço aqui ao paraíso.

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Notas finais
>>Trilha sonora: "Tears In Heaven" por Eric Clapton https://youtu.be/kpPA46b76fI >> Batman Begins 2005 ‧ Drama/Fantasia ‧ O jovem Bruce Wayne viaja para o Extremo Oriente, onde recebe treinamento em artes marciais do mestre Henri Ducard, um membro da misteriosa Liga das Sombras. Quando Ducard revela que a verdadeira proposta da Liga é a destruição completa da cidade de Gotham, Wayne retorna à sua cidade com o intuito de livrá-la de criminosos e assassinos. Com a ajuda do mordomo Alfred e do expert Lucius Fox, nasce Batman. Direção: Christopher Nolan >> Faixa de Gaza: (em árabe: قطاع غزة Qiṭāʿ Ġazzah, IPA: [qɪˈtˤɑːʕ ˈɣazza]) é um território palestino composto por uma estreita faixa de terra localizada na costa oriental do Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio, que faz fronteira com o Egito no sudoeste (11 km) e com Israel no leste e no norte (51 km). O território tem 41 quilômetros de comprimento e apenas de 6 a 12 quilômetros de largura, com uma área total de 365 quilômetros quadrados.