Broken Hearts

31 Uma maravilha de mulher


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“...E até quem me vê lendo o jornal, na fila do pão,

sabe que eu te encontrei” (Los Hermanos)

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♣ Mansão Wayne / Biblioteca ♣

Andrea Beaumont era tão bonita quanto Bruce se lembrava. Haviam algumas leves rugas de expressão, muito sutis, apenas dando-lhe um tanto de graça às expressões. E precisou de um certo tempo para recolocar suas emoções em ordem – pelo menos o suficiente para apresentar-se a ela com uma imagem que, se não era indiferente, pelo menos não trazia qualquer emoção.

Muitas mulheres fizeram parte da história de Bruce Wayne, até mesmo o Batman teve sua cota. Mas poucas foram realmente significativas. Andrea Beaumont era uma delas.

Eles foram noivos e quase se casaram, não fosse um capricho – e tanto – do destino. Ela foi seu primeiro amor, de fato. Alguém que lhe despertara um sentimento com tamanha intensidade que ele estava disposto a desistir da promessa que fizera no leito de morte de seus pais. Alguém por quem ele deixaria de ser o Batman.

— De todas as pessoas de quem eu não esperaria uma visita, minha cara, você é a primeira na lista das mais improváveis – Ele encarnou o playboy de maneira sutil.

Antes de responder, ela deu um longo suspiro, como se estivesse cansada da vida: – Eu sonhei com esse momento muitas vezes, todos esses anos, Bruce.

— Estar na minha biblioteca? Não me parece um sonho ambicioso – Ele soltou um sorriso irônico, que não tinha nada de divertido e sim ferino. O que a fez perceber que ele ainda guardava mágoa por ela ter ido embora.

O comportamento pouco caloroso poderia ser um indício negativo para qualquer mulher disposta a conquistá-lo, mas Andrea Beaumont o conhecia deveras. Raiva era um sinal que ele ainda se importava.

— Não, querido. Mas ver você de novo o é. Olhar nos seus olhos... Eu morreria feliz agora, neste momento, Bruce. – Ela sorriu melancólica, fazendo-o sentir-se mal por ela.

— Por que a visita, Andrea? Por que agora?

— Bruce, ajude-me – Ela atirou-se em seus braços, chorando.

Ele não devolveu o abraço, em princípio, mas depois, sentiu-se compelido a confortá-la. Bruce tinha um fraco por mulheres bonitas em perigo. E Andrea Beaumont sabia disso.

Andrea continuou seu lamento, ainda agarrando-o, como se ele fosse sua âncora de salvação. Ela lhe disse que havia se casado – o que ele já sabia – com um advogado, em Chicago.

Seu marido ascendeu rápido na carreira e se tornou promotor e agora ele havia assumido a promotoria em Gotham. Ela e seu marido, Peter Grant, estavam sofrendo ameaças da máfia e ela sabia que Bruce era o único em que podia confiar.

— Eu preciso da ajuda do Batman, Bruce. – Ela disse, ainda abraçada a ele, sem qualquer vestígio de inocência. Mas Bruce estava longe de perceber isso. Para ele, era apenas uma “velha amiga” pedindo socorro.

Diana e Tim entraram correndo, como duas crianças afoitas, na biblioteca. Eram, na realidade, duas crianças afoitas. Um ser com mais de mil anos, mas um coração de menina e um garoto adolescente. Um par perfeito.

Diana não poderia dar nome ao que estava sentindo ao se deparar com Bruce abraçado à outra, confortando-a com um carinho e suavidade que ele vinha negando-lhe há alguns dias, desde que soube que o assassino de seus pais seria solto.

Era um misto de raiva e insegurança que se convertera em angústia, pura e simples. Doía ao coração, mas a dor também se fazia sentir no corpo. A garganta se comprimiu e ela não podia engolir nem o ar para respirar. O estômago, em espiral, a fez querer vomitar. Ela sequer sabia o que sentia. Ela nunca experimentou uma sensação de queda livre estando no chão antes. Não Havia nada para comparar.

Ciúme e insegurança não eram familiares porque ela nunca esteve em um relacionamento romântico antes. E não saber o que se sente é como adicionar gasolina ao fogo. É trágico, é triste, é doloroso.

Tim os olhou com igual incômodo, mas ao contrário da amazona, não era angústia o sentimento, mas raiva. Diana era sua amiga. Ele não queria que Bruce a magoasse.

Bruce separou-se de Andrea quando os viu entrar abruptamente. Diana estava com a feição lívida e Tim expunha um olhar de ódio para ele e sua ‘amiga’ que Bruce poderia jurar que se ele tivesse os poderes do Homem de Aço, Andrea estaria cozida, como uma batata inglesa no vapor.

O sentimento de Diana quando olhou para Bruce a dominara por completo. Vê-lo abraçado à modelos e atrizes em jornais e revistas deixavam-na irritadiça, frustrada e confusa. Mas ela sabia que era parte do ato, da performance do playboy, que ele não as amava e sim a ela. E somente a ela.

Ele nem sequer as beijava mais durante as festas em que foi acompanhado. Ele apenas se mantinha longe de encrencas com sua namorada. Ponto!

Mas agora, vendo-o abraçado a uma mulher, na frente dela, compassivo e amoroso com outrem, que não ela, fez arder uma chama ferina que queimava de dentro pra fora.

— Princesa, venha cá. Quero apresentar-lhe Andrea Beaumont. Um velha... – o espaço para pausa dramática foi mais prejudicial que satisfatório. – amiga.

— Bruce tem muitas amigas... VE-LHAS! – Tim soltou, sem cerimônia e ganhou um olhar reprovador de Bruce pela descortesia.

Diana estendeu a mão para cumprimentar a ruiva. Seu esforço em controlar uma raia crescente de ciúme que nascia dentro dela foi hercúleo. Mas não era só porque ela era bonita. Era o comportamento de Bruce que a fez insegura: Ele parecia confiar nela implicitamente bem. Confiança que ele insistia em evidenciar que não tinha para com seus amigos da Liga. Confiança que ela teve que conquistar a duras penas. Isso a magoara profundamente.

Tim quebrou o silêncio desconfortável com um clique de sabedoria e ousadia adolescente: – Ela é a Na-Mo-Ra-Da do Bruce, sabia? Espero que você tenha vindo apenas fazer uma visita.

Bruce o olhou com um olhar repressor novamente, mas Tim não se importava.

— Bruce, eu espero contar com sua ajuda. E a do “nosso amigo”. Eu só confio em você nesta cidade, Bruce. Por favor! – Andrea jogou seu charme e fez-se mais melancólica e desprotegida do que realmente era. – Foi um prazer conhecer sua namorada, querido – Ela disse, passando a mão em seu queixo, com carinho evidente – Mas agora tenho que ir. Peter está me esperando para o jantar.

Diana não conseguiu esmagar a sensação de paranóia e apreensão em direção a esta mulher, que, até agora, não tinha feito nada para merecer sua desconfiança. Mas era uma questão de “feeling” e ela não podia negar seus instintos.

Com a saída de Andrea, Bruce voltou-se para Diana e Tim.

— Bom, vamos terminar nosso jantar?

— Obrigada, eu não estou mais com fome. – Ela respondeu, meio se jeito, mas sem qualquer nota de raiva.

— Eu já comi. Você demorou muito – Tim disse, saindo do cômodo.

— Você vai ficar? Depois da patrulha nós... – Ele foi interrompido.

— Não... Eu preciso voltar pra torre. Tenho umas coisas pra fazer lá – Diana disse, passando pela entrada secreta do relógio do avô na biblioteca, em direção à caverna, para o teletransporte. Sem esperar resposta dela.

Bruce ficou cabisbaixo, ainda internalizando tudo que acontecera. Ele estava ciente que teria que consertar as coisas com Diana.

♣ Central City / Dias depois ♣

Batman sufocou quando tentou segurar a mulher alada jogada bruscamente em sua direção. Uma das asas de Shayera certamente foi danificada e ele ouviu o grunhido de dor que ela soltou quando bateu nele.

Ele ainda conseguiu se equilibrar novamente, e agora de pé, jogou dois batarangues em direção à Grodd. Enquanto gritava para o Arqueiro Verde imobilizar o Sombra com uma de suas flechas com descarga de eletricidade.

Batman sofrera outro golpe, agora em suas costas. O monstro chamado Solomon Grundy não se deu por vencido pelo Lanterna e aproveitou uma breve distração do Morcego para impedi-lo de reagir aos instintos rapidamente.

A batida o lançou para longe e, para sua infelicidade, há uma diferença imensa entre ser jogado por alguém como Duas-Caras e alguém que pode lutar com o Superman.

Ele estava voando de cabeça pra baixo por uma ou duas jardas (como no Futebol americano) e a pancada certamente tinha atingido as costelas, trincando uma ou duas, se ele fosse otimista.

Batman tinha liderado pessoalmente a força de ataque da equipe principal da Liga. Ele, Diana, John, Arqueiro Verde e Shayera. Contra um punhado de vilões da galeria imprópria da Liga da Injustiça. Estava indo tudo bem... Aquilo era um dano colateral.

“Merda”, foi o som que ele esbaforiu.

Girando como um felino no ar, Batman conseguiu bater a sua luva no parapeito da parede do prédio de 23 andares. A queda ia ser feia. Então ele tomou impulso para cima, equilibrando-se no parapeito, como um atleta de parkur. A questão é que os tijolos, tendo recebido várias pancadas, estavam soltos. A queda era longa e mortal. E ele estava despencando...

Foi quando ele sentiu a corda brilhante dourada, tão habilmente tecida, segurando sua armadura, com uma gentil compressão, como se obedecesse à dona. Envolto em torno dele, o cordão de ouro se acoplou a ele formando um nó de perito, que prendia seus braços.

Quando ela o aterrissou, ele sentiu a folga no laço, soltando-o de sua captura, deixando-o em solo firme. Foi quando ele olhou para cima, para contemplar a beleza de cabelos negros esvoaçantes pairando sobre ele.

Se alguém podia pedir um favor às leis da física, era Diana. Ela podia curvar o mundo à sua disposição. Era uma beleza sem distinção. E ele não conseguia esconder de si mesmo a sensação de satisfação com a oportunidade de vê-la em campo de batalha, em ação.

A Mulher Maravilha fazia seu trabalho sempre com estilo e graça que eram contraditórios às suas funções de “guerrilha”. Mas ela fazia. Isso era inquestionável.

— Você não está fazendo um trabalho muito bom se queria se matar, Batman. – Diana riu.

— Melhor irmos ver como Shayera está. – Ele desconversou.

Eles olharam um para o outro, em um acordo silencioso. Era hora de ir pra casa.

♣ Mansão Wayne / Suíte master ♣

O chuveiro quente dava-lhe uma sensação deliciosa que fazia seus músculos tensos se soltarem. Ela estava de olhos fechados, deixando a água escorrer pelo corpo, lentamente. As mãos, apoiadas no azulejo frio.

De repente, ouviu um estampido leve, do abrir das portas do Box. Diana sentiu um formigar dentro de si mesma quando viu os olhos de Bruce devorarem seu corpo. Ela tinha esquecido o quanto ela gostava quando ele olhava assim para ela.

Ela estava nua, sem qualquer vestígio de barreiras que pudessem escondê-la dele. E toda hesitação era apenas um borrão em algum lugar em seu subconsciente, que logo se desfazia, sempre que ele se aproximava.

As mãos grandes dele não foram direto para os quadris dela, como de costume. Ele queria que ela o observasse antes, como uma manifestação consciente de exibicionismo. Um macho, forte, grande, e capaz de tomar não apenas seu corpo para si, mas seu coração.

Para Bruce, vê-la em sua completa perfeição, era fascinante. Vestida, ela era linda. Nua, ela era uma obra de arte de tamanha beleza que não havia palavra em qualquer repertório capaz de conceituar.

Os belos ângulos de seu rosto dando lugar às proporções perfeitas de seu corpo firmes. Os seios altos e fartos, a cintura fina. Os músculos sutis e poderosos que se mostravam em seus braços e pernas. As coxas longas e esbeltas que pareciam se afunilar por quilômetros após os quadris femininos e torso igualmente magro e poderoso que ela tinha.

O vapor que subia da ducha quente preenchia todo Box e parecia caber em adequação à sua nudez, como se ela estivesse entre nuvens, como uma beleza paranormal, extra-sensorial. Era definitivamente a única forma de explicar o que ela era: sobrenatural!

A majestade de seu corpo exigia ambientes igualmente maravilhosos, que o mundo não estava preparado para oferecer. Tampouco ele. Era merecia tudo. Nada menos.

"Absolutamente divina", disse ele, desnecessariamente, sem conseguir conter a excitação crescente. Eles se rodearam por um momento, olharam um ao outro, antes que ele escorregasse sob a água corrente e a puxasse para si, com força.

O fluxo de água encharcou a ambos, descendo pelos cabelos longos de ébano de Diana, correndo entre seus seios impecavelmente desenvolvidos, fazendo um pequeno rio sobre as linhas de seu abdômen e um ângulo bem acima do seu delta.

Bruce aproximou-se sorrindo lascivamente, beijando-lhe a carne molhada, segurando-a, encaixando seus quadris nos dela.

Tomando o sabonete líquido nas mãos, ele começou a ensaboá-la. Diana gemeu e suspirou. Ele tinha habilidade invejável e sabia exatamente o que fazer. Ela amava o modo como ele a tocava.

O fluxo da água também tinha um efeito calmante sobre ele. Era como uma chuva rejuvenescedora.

Após a lavagem erótica de um sobre o outro, Diana apoiou as palmas das mãos contra a parede de azulejo molhado enquanto plantava pés no chão, bem apoiados. Bruce massageava gentilmente suas costas, e destilava beijos em seu pescoço. Ele amava fazer amor com ela porque ela tinha uma maneira de fazê-lo relaxar de um jeito amoroso, mas firma: eram notas de prazer e conforto dados na mesma medida.

Ele esfregou as mãos sobre suas costas e então as moveu para baixo ao longo de sua espinha, para prepará-la para a entrada do membro masculino no corpo da amazona. A lavagem estimulara a ambos.

A última coisa que Diana tinha em mente era afrouxar seus músculos. Seu corpo estava inebriado de calor pungente. Adequadamente posicionada para receber seu amado, tentando não perder o equilíbrio ou escorregar no chão molhado.

Bruce fez-se presente em sua intimidade, deixando-a se adequar a ele. À medida que a velocidade da intrusão aumentava, os dedos dele ficavam mais trêmulos sobre os músculos arredondados das nádegas tensas de sua musa.

Ela não poderia estar mais feliz. Ver os olhos dele o amor cada vez mais bem construído a fazia aquecer-se.

Quando tudo terminou e o prazer de ambos os fez cansados. Bruce disse lentamente, “Deixe-me lavar o seu cabelo".

Ele acariciava o couro cabeludo com amabilidade incrível.

Desta vez eles realmente se banharam, relaxando completamente. Cinco minutos mais tarde, deitaram-se na cama, e riram para as pegadas molhadas que deixaram por sobre o tapete, do caminho do banheiro para cama.

“Eu te amo”, Bruce disse a ela, deitando-se ao seu lado, ainda nua.

“Eu também te amo, Bruce”, foi a resposta antes de fecharem o olhos e se envolverem em um abraço protetor para deixarem que o sono reclamasse seu salário após um dia cansativo de pelejas.

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Notas finais
Trilha sonora sugerida: Foreigner - I Want To Know What Love Is https://youtu.be/0E89St-Akz0